Questões de Vestibular
Sobre interpretação de textos em português
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Assinale a alternativa que está de acordo com o sentido global do texto.
I - O brasil escrito com b minúsculo, nome de um tipo de madeira de lei, não faz parte do Brasil escrito com B maiúsculo, nome de uma nação.
II - O Brasil, como identidade social de um povo, constrói-se na relação entre as experiências necessárias à sobrevivência e as experiências históricas.
III- O Brasil, com B maiúsculo, é uma sociedade com indivíduos isolados, que comem, bebem, dormem e reproduzem-se.
Quais podem ser consideradas corretas, de acordo com o texto?
Dadas as seguintes afirmativas sobre a obra Ler-se(r), de Márcio Moraes:
I - A crônica homônima à obra utiliza-se do recurso da intertextualidade quando evoca Byron, Machado de Assis (em suas Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro), Antoine de Saint-Exupéry (O Pequeno Príncipe), Eleonor H. Poter (Pollyanna e o seu jogo do contente), “Alice no País das Maravilhas”, Álvares de Azevedo (Lira dos vinte anos), “Divina Comédia”, “O menino do Engenho”, Aluizio de Azevedo, “O menino no espelho”, “O mistério da casa verde”, dentre outros autores e obras clássicas.
II - O narrador da crônica “Ler-se(r)”, ao evocar clássicos da literatura nacional e universal, apresenta o imbricamento do sujeito e da literatura, de modo a destacar que o leitor se constitui daquilo que lê, e de onde pode, também, ser lido.
III - A obra é dividida em partes intituladas “PARA EU”; “PARA ELES”; “PARA VÓS”; “PARA NÓS”. Tal divisão não é gratuita. Na primeira parte da narrativa, por exemplo, o narrador centraliza-se na primeira pessoa; na segunda parte, prioriza-se quase sempre “ele(s)” ou “ela(s)”, personagens não nomeadas.
IV - O escritor Márcio Moraes reconhece a autointertextualidade, já que cita obras anteriores de sua autoria, no seguinte trecho da crônica “A hora do delírio”: “(...) Não podia parar, deveria seguir estas pegadas deixadas na via crucis para poder alcançar o cume genuíno do desejo humano. Aquele corpo assim alado incorruptível que só se obtém após transpor a via.(...)”
Marque a opção correta:
“Dizem que devemos nos informar melhor, mas quanto mais informamos, mais dúvidas; quanto mais abertura mais opções; quanto mais olhamos, mais se expande a tela onde se projetam nossos desejos.”
As palavras destacadas, além de estabelecerem a coesão textual, introduzem, sequencialmente, ideias de:

No TEXTO ACIMA, predomina a função:
TEXTO 03:

O TEXTO tem relação de contiguidade temática com o seguinte trecho do TEXTO 01:
TEXTO 02

Associando o TEXTO 01 ao TEXTO 02, podemos inferir que esse modelo de sociedade que aprisiona, oprime, pode
trazer como consequência:
“Outra possibilidade é ter de ser o melhor pai, o melhor chefe, a melhor mãe, a melhor aluna; seja o que for, temos de estar entre os melhores, fingindo não ter falhas nem limitações. Ninguém pode se contentar em ser como pode: temos de ser muito mais que isso, temos de fazer o impossível, o desnecessário, até o absurdo, o que não nos agrada – ou estamos fora.” (Linhas 10-14)
O trecho anterior só NÃO revela a seguinte característica do homem atual:
Vimos, assim, que a Alma pode sofrer grandes transformações e passar ora a uma maior perfeição, ora a uma menor, paixões estas que nos explicam as afecções de alegria e de tristeza. Assim, por alegria, entenderei, no que vai seguir-se, a paixão pela qual a Alma passa a uma perfeição maior; por tristeza, ao contrário, a paixão pela qual a Alma passa a uma perfeição menor.
(ESPINOSA, B. Ética. Trad. Antonio Simões. Lisboa: Relógio D’Água, 1992. p. 279).
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o problema da paixão e da afecção em Espinosa, assinale a alternativa correta.
Leia o texto e observe a figura a seguir.
Teatro da Vertigem é um grupo que tem como importante eixo de pesquisa o espaço cênico, como por exemplo, a peça teatral BR3, do início dos anos 2000. Ao utilizar um rio degradado como cenário e colocar a platéia dentro de barcos para acompanhar o espetáculo, que se dá em deslocamento, o diretor estabelece um outro modo de fruição no teatro. Ao contrário de um lugar fixo e determinado para o espectador, ele o coloca em movimento e, por vários ângulos, possibilita o seu contato também com a poluição da cidade.
(Adaptado de: FERNANDES, Sílvia. Cartografia de BR3 - Entrevista com Antônio Araújo. São Paulo: Revista Sala Preta (09-10-2005) p. 169-173.)

(BR3, Dramaturgia de Bernardo Carvalho e direção de Antônio Araújo,
Rio Tietê, São Paulo, 2006.)
Com base no texto, na figura e nos conhecimentos sobre teatro, relação entre obra e contexto, vida e cotidiano na arte contemporânea, considere as afirmativas a seguir.
I. Dispondo os espectadores dentro de barcos e deslocando-os durante o espetáculo, o grupo redimensiona aspectos do teatro clássico, revigorando o que perdurou do teatro grego: a relação com a paisagem.
II. Em BR3, ao abolir o princípio da perspectiva por colocar o espectador em barcos, dentro do rio, sujeito ao deslocamento, a dramaturgia retoma um aspecto do teatro medieval, no qual não havia espectador privilegiado.
III. Ao longo do tempo, diversos tipos de espaço foram utilizados para apresentações cênicas, desde a arquitetura dos teatros gregos, romanos e o palco elisabetano, até praças, ruas, galpões e prédios desativados.
IV. Em BR3, o espaço é compreendido não somente como aquele no qual algo será representado, mas, também, como parte da dramaturgia das peças; assim, as memórias e os significados de cada lugar potencializam os sentidos do que é visto.
Assinale a alternativa correta.
Para Tadeusz Kantor (Polônia, 1915-1990), nada expressa melhor a vida do que a ausência de vida, sendo a morte um processo que está muito distante do religioso-sobrenatural. Ela é a condição finita da temporalidade que fundamenta o sentido da existência e que permeia o tempo todo a vida humana. Em sua concepção, o teatro se constrói na ação e não pelo aparato de reprodução literária. Um texto dramático, não fechado, não conclusivo.
(Adaptado de: CINTRA, W. F. A. A morte como poética no teatro de Tadeusz Kantor. In: VI Congresso de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas, 2010.)

(Cena da peça A classe morta, Tadeusz Kantor, 1975. Imagem disponível em: <http://www.caleidoscopio.art.br/cultural/teatro/teatrocontemporaneo/tadeusz-kantor-fases-a-classe-morta-partequatro.html>. Acesso em: 28 maio 2017.)
Com base no texto, na figura e nos conhecimentos sobre o teatro, na relação entre obra e contexto e na arte contemporânea, considere as afirmativas a seguir.
I. A proposição teatral de Kantor se dá de acordo com a ideia de mimesis e, para ele, a função do teatro é demonstrar, a partir da definição das personagens e das suas falas, o modo como o homem e a arte se constituem na vida cotidiana. II. É perceptível, na disposição dos objetos em cena e dos atores, o modo como o autor evoca o sentido de vida e morte, intensificado pela atmosfera criada por esses elementos. III. A concepção teatral de Kantor considera o texto não como determinante de toda ação, mas como guia; nesse sentido, o processo de construção da peça é um fator importante, ficando de lado a representação da vida e, em jogo, sua presentificação. IV. Em A classe morta, a morte é elevada à condição de elemento estético e, como elemento, constitui um processo criativo que nada tem de sobrenatural e se institui como realidade sensível.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto, analise a figura a seguir e responda à questão.
A Peste Negra, ou Morte Negra, era assim chamada porque no seu desenvolvimento provocava hemorragias subcutâneas, que assumiam uma coloração escura no momento terminal da doença. A morte dava-se entre três e sete dias, depois de contraída a patologia, e levava de 75 a 100% dos acometidos. O agente causador da peste era transmitido pelo rato, por meio das pulgas e sua penetração na pele humana causava uma adenite aguda, que recebia o nome de “bubão”, principal sintoma da doença. Daí também o nome de peste bubônica.
(SIMONI, K. De peste e literatura: imagens do Decameron de Giovanni Boccaccio. Anuário de Literatura Umbral. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/ article/viewFile/5447/4882>. Acesso em: 27 jun. 2017.)

Figura 2: A dança macabra. Xilogravura italiana de 1486.
(FRANCO JUNIOR, H. A idade Média, nascimento do Ocidente. SP:
Brasiliense, 2006. p. 30.)


