Questões de Vestibular Comentadas sobre literatura
Foram encontradas 1.174 questões
I) Os personagens são claramente divididos pelo narrador entre heróis (Bernardo Ravasco e Padre Antônio Vieira) e anti-heróis (Antônio de Souza e o Alcaide-mor). II) Maria Berco, seduzida pelo dinheiro, assassina o marido e acaba sendo presa e condenada à forca. III) Padre Antônio Vieira, já fisicamente debilitado, não consegue evitar os desmandos do governador nem que todas as pessoas fossem julgadas pelo irmão do Alcaidemor. IV) Gregório de Matos é retratado como um poeta satírico, boêmio, mordaz e instável quanto aos seus sentimentos amorosos.
A sequência correta é:
I) A música de Juvêncio no final da narrativa é concedida a intérpretes citadinos, simbolizando uma tentativa do dramaturgo de unir o morro e a cidade. II) Diferentemente de Maria, Tião não reconhece o morro como seu espaço, o que, segundo alguns personagens, atribui-se ao fato de ter sido criado na cidade. III) É uma peça peculiar da década de 50 que inova ao trazer uma linguagem revolucionária e ao abordar a liberdade sindical vivenciada pelos operários brasileiros. IV) Há uma relação conflituosa entre os interesses coletivos (representado pelos operários) e os particulares (representado pela figura de Tião).
A sequência correta é:
Assinale como C (correta) ou E (errada) as afirmações sobre o eu lírico do poema “Terra de Santa Cruz”, de Adélia Prado, e a personagem Romana da peça Eles não usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri.
I) Ambas as mulheres são corajosas, extremamente religiosas e, cada qual a seu modo, conscientes da fragilidade humana.
II) Elas estão inseridas em um ambiente permeado de conflitos sociais e psicológicos, em que a figura masculina ainda é quem dita as regras.
III) Romana, esposa de Otávio, é uma mulher batalhadora que enfrenta, com muita determinação, a difícil vida no morro.
IV) O eu lírico do poema foge do estereótipo da figura da avó, trazendo à tona desejos e anseios femininos que, muitas vezes, são reprimidos na sociedade.
Marque a alternativa que traz as afirmações corretas acerca de “Terra de Santa Cruz”, poema que dá título à obra de Adélia Prado:
Nas minhas bodas de ouro, esganada como os netos,
vou comer os doces.
Não terei a serenidade dos retratos
de mulheres que pouco falaram ou comeram.
Porque o frade se matou
no pequeno bosque fora do seu convento.
De outras vezes já disse: não haverá consolo. E houve:
música, poema, passeatas.
O amor tem ritmos que não são de tristeza:
forma de ondas, ímpeto, água corrente.
E agora? Que digo ao homem, ao trem, ao menino que me espera,
à jabuticabeira em flores, temporã?
Contemplar o impossível enlouquece.
Sou uma tênia no epigastro de Deus:
E agora? E agora? E agora?
Onde estavam o guardião, o ecônomo, o porteiro,
a fraternidade onde estava quando saíste,
ó desgraçado moço da minha pátria,
ao encontro desta árvore?
Meu inimigo sou eu. Os torturadores todos enlouquecem ao fim,
comem excrementos, odeiam seus próprios gestos obscenos,
os regimes iníquos apodrecem.
Quando andavas em círculos, a alma dividida,
o que fazia, santa e pecadora, a nossa Mãe Igreja?
Promovia tômbolas, é certo, benzia edifícios novos,
mas também te gerava, quem ousará negar, a ti
e a outros santos que deixam as bíblias marcadas:
“Na verdade carregamos em nós mesmos nossa sentença de morte”.
“Amai vossos inimigos.”
O que disse: “Quem crer viverá para sempre”, este também
balouçou do madeiro como fruto de escárnio.
Nada, nada que é humano é grandioso.
Me interrompe da porta a mocinha boçal. Quer mudas
[de trepadeira.
Meus cabelos levantam-se. Como um torturador eu piso
[e arranco
a muda, os olhos, as entranhas da intrusa
e não sendo melhor que Jó choro meus desatinos.
Sempre há quem pergunte a Judas qual a melhor árvore:
os loucos lúcidos, os santos loucos,
aqueles a quem mais foi dado, os quase sublimes.
Minha maior grandeza é perguntar: haverá consolo?
Num dedal cabem minha fé, minha vida e meu medo
[maior que é viajar de ônibus.
A tentação me tenta e eu fico quase alegre.
É bom pedir socorro ao Senhor Deus dos Exércitos,
ao nosso Deus que é uma galinha grande.
Nos põe debaixo da asa e nos esquenta.
Antes, nos deixa desvalidos na chuva,
pra que aprendamos a ter confiança n’Ele
E não em nós.
(p. 87-89)
I) Do ponto de vista formal, o poema é construído por versos livres e brancos, sem divisão estrófica e reflete ora sobre coisas do cotidiano ora sobre temas mais complexos.
II) Apesar de escrito no século XX, o poema apresenta traços marcantes do Barroco brasileiro ao trazer o humano totalmente subjugado e temente às leis de Deus, consciente de sua fragilidade e de sua natureza pecadora.
III) O eu lírico utiliza passagens e personagens bíblicas como forma de convencer o seu interlocutor a se voltar para a Igreja e, consequentemente, para Deus.
IV) O título do poema bem como o seu próprio conteúdo sugere que o eu lírico tem uma vivência religiosa, de identidade cristãcatólica, traço marcante no livro de Adélia Prado.
Assinale a alternativa correta:
É fácil conceber a atração que me chamava para aquele mundo tão altamente interessante, no conceito de minhas impressões. Avaliem o prazer que tive, quando me disse meu pai que ia ser apresentado ao diretor do Ateneu e à matrícula. O movimento não era mais a vaidade, antes o legítimo instinto da responsabilidade ativa, era uma conseqüência apaixonada da sedução do espetáculo, o arroubo da solidariedade que me parecia prender à comunhão fraternal da escola. Honrado engano, esse ardor franco por uma empresa ideal e de dedicação premeditada confusamente, no cálculo pobre de uma experiência de dez anos (Cap. 1).
Sua diplomacia [de Aristarco] dividia-se por escaninhos numerados, segundo a categoria de recepção que queria dispensar. Ele tinha maneiras de todos os graus, segundo a condição social da pessoa. As simpatias verdadeiras eram raras. No âmago de cada sorriso morava-lhe um segredo de frieza que se percebia bem. E duramente se marcavam distinções políticas, distinções financeiras, distinções baseadas na crônica escolar do discípulo, baseadas na razão discreta das notas do guarda-livros. Às vezes, uma criança sentia a alfinetada no jeito da mão a beijar. Saía indagando consigo o motivo daquilo, que não achava em suas contas escolares... O pai estava dois semestres atrasado (Cap. 2).
Assinale a alternativa que NÃO SE APLICA ao romance de Raul Pompéia:
I - O Ateneu é uma crítica ao romantismo, na medida em que estabelece uma crítica à ingenuidade da infância enquanto espaço idílico e importante para a construção imaginária dos românticos, o que o transforma num precursor do romance psicológico.
II - O Ateneu é ao mesmo tempo uma crítica ao modelo de educação posto em prática no internato e uma crítica ao autoritarismo das elites brasileiras sustentadas pelo modelo político monárquico. Em certo sentido, o internato é uma metonímia da monarquia brasileira.
III - Raul Pompéia utiliza-se das avaliações apaixonadas de Sérgio na infância para fazer um romance com fortes traços impressionistas e simbolistas, romance que também antecipa certos aspectos da vanguarda expressionista, sobretudo nas descrições de Aristarco e dos personagens alinhados com ele.
I- Seus poemas manifestam um caráter social bastante acentuado ao falar dos desvalidos, dos peões do Pantanal, comparando-os, metaforicamente, a pedras e insetos.
II- Sua linguagem apresenta regionalismos e neologismos, evocando, de forma subjetiva, a natureza e o homem como parte dela.
III- Sua poesia aproxima-se do surrealismo ao retirar as coisas de sua utilidade habitual e ao dar às palavras uso diferente do correntemente atribuído a elas, como no verso "uma brisa me garça".
IV- Enfoca pequenos seres e objetos inúteis aos olhos do homem urbano – baratas albinas, aranhas dependuradas em gotas de orvalho, dálias secas – resgatando-lhes o valor e alçando-os à condição de matéria poética.
Leia o texto abaixo e, sobre ele, assinale a alternativa correta.
os pássaros que passam
não poucos pousam
em minha boca
minha língua
ora os afugenta
ora os arrebata
os pássaros que passam
não são de pena barro ou prata
são pássaros de palavras
(Herbert Emanuel. Nada ou quase uma arte. 2 ed. Editora Spia Vídeos e Produções, p.19.)
Amor sem limite (fragmento)
Quando a gente ama alguém de verdade Esse amor não se esquece O tempo passa, tudo passa, mas no peito O amor permanece E qualquer minuto longe é demais A saudade atormenta Mas qualquer minuto perto é bom demais O amor só aumenta.
Vivo por ela Ninguém duvida Porque ela é tudo Na minha vida.
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Esta canção de Roberto e Erasmo Carlos situa a mulher num plano superior, de certa forma idealizada, e reserva ao eu-poético masculino a vassalagem amorosa. Desta forma, no cenário da poética medieval da literatura portuguesa, caracterizase a mulher nas cantigas de:
Assinale a alternativa que NÃO apresenta uma proposta dessa corrente.
I. Não podemos estudar a obra de Simões Lopes Neto sem nos reportarmos à questão do regionalismo, utilizado essencialmente em sua linguagem e que apresenta traços marcantes de uma proposta de educação voltada para a solidariedade, entre outras virtudes.
II. Podemos afirmar que ele foi um grande coletor de lendas e casos do imaginário gaúcho.
III. o aspecto primordial de sua obra é a exploração dos conflitos vivenciados pelo gaúcho, que são situações, na verdade, experimentadas por todos os homens e, nesse sentido, Simões Lopes Neto torna-se universal.
A opção correta é: