Questões de Vestibular Comentadas sobre literatura
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Nuvens telhados ramagens e Dezembro
Apaixonada estou dentro do tempo
Que me abriga com canto e com imagens
Tão abrigada estou dentro da hora
Que nem lamento já a tarde antiga
Tudo se torna presente e se demora
Será que o dia me pede que eu o diga?
ANDRESEN, S. de M. B. Coral e outros poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 185.
No poema Dia, o sujeito poético de Sophia de Mello Breyner Andresen
De um pavão misterioso
Que levantou vôo na Grécia
Com um rapaz corajoso
Raptando uma condessa
Filha de um conde orgulhoso.
REZENDE, J. C. M. O romance do pavão misterioso. Fortaleza: Academia Brasileira de Cordel; Tupynanquim Editora, 2011.
Os versos correspondem à primeira estrofe de O romance do pavão misterioso, um dos cordéis mais influentes do século XX. Considerando a importância do cordel para a literatura e a cultura brasileira, analise as asserções.
I. “Raptando uma condessa/filha de um conde orgulhoso” evidencia que os cordéis tratam exclusivamente de conflitos da elite europeia, descendente de nobres, afastando-se de temas populares ou do cotidiano sertanejo.
II. A estrofe apresenta uma característica presente na maioria dos cordéis: uma estrutura fixa em sextilha, cuja métrica e esquema de rimas favorecem a musicalidade e a oralização próprias da poesia popular.
III. A influência do cordel em outras manifestações artísticas evidencia sua forte presença na cultura brasileira; o folheto O romance do pavão misterioso, por exemplo, inspirou a canção Pavão mysteriozo, composta por Ednardo em 1974.
IV. O espaço citado na estrofe, Grécia, um país europeu, caracteriza a maior parte dos cordéis brasileiros, que tradicionalmente privilegiam figuras mitológicas em detrimento de ambientações nordestinas.
Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.
"Sapato Florido". Uma história em três linhas. "Uma formiguinha atravessa, em diagonal, a página ainda em branco. Mas ele, aquela noite, não escreveu nada. Para quê? Se por ali já havia passado o frêmito e o mistério da vida…" A poesia, para Quintana, é isso: o frêmito e o mistério da vida. Em todos os quintanares se sente que passou a formiguinha.
Já transcrevi duas coisas do "Sapato Florido". Poderia transcrever muitas outras, quase todas. É o livro de Quintana em que talvez haja mais o "humour" quintanesco, tão impregnado de ternura, de "far niente", de pueris milagres.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/manuel-bandeira-escreveu-sobre-a-obra-e-a-timidez-de-marioquintana.shtml. Acesso em: 28 nov. 2025.
Sobre as expressões em negrito no texto, assinale a alternativa correta.
ALVORADA
Alvorada lá no morro, que beleza, Ninguém chora, não há tristeza, Ninguém sente dissabor. O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo. E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo. Você também me lembra a alvorada Quando chega iluminando Meus caminhos tão sem vida. E o que me resta é bem pouco, quase nada, do que ir assim vagando numa estrada perdida.
(CARTOLA. Alvorada. In: Cartola. Rio de Janeiro: Marcus Pereira Discos, 1974.)
Texto 1
Aos óculos
Só fingem que põem o mundo ao alcance dos meus olhos míopes.
Na verdade, me exilam dele com filtrar-lhe a menor imagem.
Já não vejo as coisas como são: vejo-as como eles querem que as veja.
Logo, são eles que veem, não eu que, mesmo cônscio do logro, lhes sou grato
por anteciparem em mim o Édipo curioso de suas próprias trevas.
(PAES, J. P. Prosas seguidas de Odes mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, p. 63, 1992.)
Texto 2
“Do grego odé e do latim ōde (ou ōda), a ode era, na antiguidade clássica, um poema destinado a ser cantado, ou um canto alegre, triste ou lírico. Era um poema de alguma extensão, de elevado assunto ou nobre, expressando sentimentos ilustres, em homenagem a algo ou a alguém. Apresentava também a elaboração estrófica, bem como estilo formal nobre e cerimonioso”.
(Adaptado do verbete “Ode”, elaborado por Ana Ladeira. In: CEIA, C. E-Dicionário de termos literários (projeto abrigado pela Universidade Nova de Lisboa). Disponível em [https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ode](https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ode). Acesso em 31/05/2025.)
É correto afirmar que a ode mínima de José Paulo Paes reelabora a definição clássica de “ode” ao
(Chris Baldick. The Concise Oxford Dictionary of Literary Terms, 2001. Adaptado.)
O texto refere-se aos poetas
(Domingos Paschoal Cegalla. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa, 2009. Adaptado.)
O narrador faz uso de um expletivo no seguinte trecho do capítulo:
I - A obra contém textos divididos em quatro seções: “Assalariados”, “Em construção”, “Branco é a vó” e “Entre as tripas e a razão”. Nesse conjunto de crônicas, o autor se compromete em denunciar questões como as desigualdades econômica e social e o racismo estrutural.
II - O projeto literário de Falero revela-se no desejo de assumir-se como voz oriunda da periferia. Tal intenção é reiterada em diferentes passagens de suas crônicas, ainda que não seja enunciada de forma literal, transparecendo tanto na escolha temática quanto na elaboração estilística de seus textos.
III- O autor das crônicas constrói sua escrita de modo a recriar o ritmo da fala, sobretudo aquela própria da periferia de Porto Alegre, seu lugar de origem. Suas crônicas apresentam, frequentemente, gírias e formas de expressão que rompem com a norma culta padrão.
Quais estão corretas?
( ) O capitão, ao contrário da indiferença das flores, se arrepende do assassinato dos escravizados.
( ) O capitão busca consolo para seus crimes nas conversas com o padre Alfredo.
( ) O capitão passa a ver uma “velha negra”, uma das vítimas.
( ) O capitão conta para as crianças apenas as belezas de suas viagens marítimas.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
I - O trecho, presente no capítulo “A barca”, ilustra o final do enredo da obra, momento em que o narrador relembra a morte de seu pai.
II - O trecho pode ser caracterizado como a representação da tomada de consciência do narrador, amparado por Ogum, na luta contra a violência endereçada às pessoas pretas.
III- O trecho, presente no capítulo “O avesso”, recupera memórias do narrador quando estava no Departamento Médico-Legal de Porto Alegre, identificando o corpo de seu pai.
Quais estão corretas?
( ) O protagonismo do enredo está sob a responsabilidade do personagem Antônio Tomás (Tony), marido de Rosa Maria (Rami) e pai de Bentinho, filho caçula do casal.
( ) A narrativa evidencia a relevância de refletir sobre a condição feminina em um contexto poligâmico, além de expor os conflitos e os dilemas decorrentes dessa conjuntura.
( ) A rua em que Rami e Tony residem é permeada por mulheres traídas, solitárias e abandonadas por seus maridos, as quais invejam a dedicação, a felicidade e a fidelidade do marido da narradora.
( ) A narradora, quando se vê diante do espelho, toma consciência de sua ancestralidade e do quanto é oprimida por uma sociedade patriarcal, sentindo compaixão de si própria.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é