Questões de Vestibular Comentadas sobre literatura

Foram encontradas 1.174 questões

Ano: 2025 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: FAME Prova: FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2025 - FAME - Vestibular - Segundo Semestre - Medicina |
Q3411663 Literatura

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.



Poética



Estou farto do lirismo comedido


Do lirismo bem comportado


Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.


Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.


Abaixo os puristas


[…]


Quero antes o lirismo dos loucos


O lirismo dos bêbados


O lirismo difícil e pungente dos bêbedos


O lirismo dos clowns de Shakespeare


– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.



BANDEIRA, Manuel. Poética. Disponível em: https://www. ufrgs.br/enunciarcotidianos/2017/04/11/poetica-manuelbandeira/. Acesso em: 25 fev. 2025. [Fragmento]




O poema de Manuel Bandeira é característico da Primeira Geração Modernista porque
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UEMG Órgão: UEMG Prova: UEMG - 2025 - UEMG - Vestibular - Inglês |
Q3158641 Literatura
Leia o trecho de "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto e marque a alternativa que represente como este trecho reflete os procedimentos estéticos e o contexto histórico do Modernismo, no século XX.
"Somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo se equilibra, no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas." 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UEMG Órgão: UEMG Prova: UEMG - 2025 - UEMG - Vestibular - Inglês |
Q3158640 Literatura
Leia o trecho do poema "Tabacaria", de Álvaro de Campos, (heterônimo de Fernando Pessoa) e indique a alternativa que possui intertextualidade temática mais evidente com o trecho apresentado.
"Fiz de mim o que não soube, E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara." 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: CECIERJ Órgão: CEDERJ Prova: CECIERJ - 2024 - CEDERJ - Vestibular - Segundo Semestre |
Q3775403 Literatura
A Semana de Arte Moderna de 1922 significou o estabelecimento de um novo paradigma para a cultura brasileira. Uma das opções abaixo contém elementos que confirmam esse estabelecimento. Assinale-a:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 3 - Humanas - Dia 1 |
Q3746715 Literatura

Sete annos de pastor Jacob servia


Luís Vaz de Camões


Sete annos de pastor Jacob servia

Labão, pae de Raquel, serrana bella:

Mas n˜ao servia ao pae, servia a ella,

Que a ella só por premio pertendia.


Os dias na esperança de hum só dia

Passava, contentando-se com vella:

Porém o pae, usando de cautella,

Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.


Vendo o triste Pastor que com enganos

Assi lhe era negada a sua Pastora,

Como se a não tivera merecida;


Começou a servir outros sete annos,

Dizendo: Mais servíra, senão fôra

Para tão longo amor tão curta a vida.


Fonte: CAMOES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle.

Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Gregório de Matos. 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467528 Literatura

Leia com atenção o poema abaixo, de Manuel Bandeira.



O Bicho


Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.


O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.


O bicho, meu Deus, era um homem.



Assinale a alternativa correta em relação ao poema.  

Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467525 Literatura

Leia o trecho abaixo, de Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez.


Mal tinham começado quando Amaranta percebeu que Remédios, a Bela, estava quase transparente, com uma palidez intensa.


— Você está se sentindo mal? — perguntou.


Remédios, a Bela, que tinha agarrado o lençol pela outra ponta, fez um sorriso de lástima.


— Ao contrário — disse —, nunca me senti melhor. Acabou de falar e Fernanda sentiu um delicado vento de luz que arrancou os lençóis de suas mãos e os estendeu em toda sua amplitude. Amaranta sentiu um tremor misterioso nas rendas de suas anáguas e tratou de se agarrar no lençol para não cair, no mesmo instante em que Remédios, a Bela, começava a se elevar. Úrsula, já quase cega, foi a única que teve serenidade para identificar a natureza daquele vento irreparável, e deixou os lençóis à mercê da luz, vendo Remédios, a Bela, que dizia adeus com a mão, entre o deslumbrante bater de asas dos lençóis que subiam com ela, que abandonavam com ela o ar dos besouros e das dálias, e passavam com ela através do ar onde as quatro da tarde terminavam, e se perderam com ela para sempre nos altos ares onde não podiam alcançá-la nem os mais altos pássaros da memória.


Os forasteiros, claro, acharam que Remédios, a Bela, havia enfim sucumbido ao seu irrevogável destino de abelha rainha e que sua família tratava de salvar a honra com o engodo da levitação. Fernanda, mordida pela inveja, acabou aceitando o prodígio, e durante muito tempo continuou rogando a Deus que lhe devolvesse os lençóis. A maioria acreditou no milagre, e até acendeu velas e rezou novenas.



Assinale a alternativa correta sobre o fragmento acima, considerando, também, a leitura integral de Cem anos de solidão.

Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467518 Literatura

Considere os trechos abaixo, retirados da obra A falência, de Júlia Lopes de Almeida, e a leitura integral da obra.



I. — Minha senhora, eu sou da opinião de que a mulher nasceu para mãe de família. Crie os seus filhos, seja fiel ao seu marido, dirija bem a sua casa e terá cumprido a sua missão. Este foi sempre o meu juízo e não me dei mal com ele; não quis casar com mulher sabichona. É nas medíocres que se encontram as esposas.


II. (...) tinha ascendência sobre a criadagem, que a tratava por dona. Mesmo entre os brancos a palavra da sua experiência era ouvida com acatamento. Ela era a mulher desembaraçada, a doceira dos grandes dias de festa, a única das engomadeiras capaz de satisfazer as impertinências do dono da casa; ninguém sabia como a (...) preparar um remédio, um suadouro, nem dar um escalda-pés sinapisado, nem tão bem escolher o peixe, preparar um pudim ou vestir uma criança.


III. Aos doze anos conservava o seu ar estúpido e humilde; não conhecia uma letra, mas ensinava as criadas novas a varrerem a casa e a porem a mesa com perfeição. Como o Mário lhe bateu um dia com os arreios do seu cavalo de pau, Francisco Theodoro resolveu pô-la em um colégio, de pensionista, recomendando uma instrução prática, nada ornamental.



Assinale a alternativa correta acerca dos perfis femininos que compõem o enredo.

Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467517 Literatura
Assinale a alternativa correta a respeito do enredo de alguns contos de Várias histórias, de Machado de Assis.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2024 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q3467516 Literatura

No bloco superior abaixo, estão listados nomes de poetas brasileiros; no inferior, alguns excertos de poemas representantes da poesia árcade, barroca, romântica e simbolista brasileiras.



Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.


1 – Álvares de Azevedo


2 – Casimiro de Abreu


3 – Cruz e Souza


4 – Gregório de Matos


5 – Tomás Antônio Gonzaga



( ) Pintam, Marília, os Poetas A um menino vendado, Com uma aljava de setas, Arco empunhado na mão; Ligeiras asas nos ombros, O tenro corpo despido, E de Amor, ou de Cupido São os nomes, que lhe dão.


( ) Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas! Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas… Incensos dos turíbulos das aras Formas do Amor, constelarmente puras, De Virgens e de Santas vaporosas… Brilhos errantes, mádidas frescuras E dolências de lírios e de rosas…


( ) Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da vossa alta clemência me despido; Antes, quanto mais tenho delinquido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado.


( ) Oh! dias da minha infância! Oh! meu céu de primavera! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã! Em vez das mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minhã irmã!



A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

Alternativas
Ano: 2024 Banca: ACAFE Órgão: ACAFE Prova: ACAFE - 2024 - ACAFE - Vestibular - Verão - Medicina |
Q3389972 Literatura
Analise as afirmativas seguintes em relação ao romance O Vendededor de Passados, de José Eduardo Agualusa.

I. A narrativa do romance é conduzida exclusivamente em terceira pessoa onisciente, mantendo uma perspectiva distanciada de eventos e personagens.
II. A obra apresenta uma estrutura narrativa não linear, alternando entre diferentes tempos e perspectivas narrativas, o que contribui para a complexidade da trama e a exploração dos temas de identidade e memória.
III. A utilização de um narrador não humano, a osga que acredita ser a reencarnação de um fotógrafo, acrescenta uma camada de realismo mágico à estrutura narrativa.
IV. A estrutura narrativa incorpora metaficção, com personagens que estão conscientes dos processos de criação de histórias e identidades, o que desafia as fronteiras entre realidade e ficção dentro do romance.

É CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: ACAFE Órgão: ACAFE Prova: ACAFE - 2024 - ACAFE - Vestibular - Verão - Medicina |
Q3389971 Literatura
Considere o movimento da Catequese Poética, criado pelo poeta catarinense Lindolf Bell, na década de 1960, juntamente com a simbologia das águas como eixo norteador da leitura do poema VI.

VI
A linha do horizonte atravessa meus olhos
Meus olhos que a linha final da morte atravessará
A linha do horizonte viverá de horizonte a horizonte
Sem meus olhos E sem a minha vida
BELL, Lindolf. O Código das Águas. Global: 1984.

A partir da leitura, assinale a alternativa CORRETA
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385626 Literatura
TEXTO III


Amor
Clarice Lispector


        Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]

- o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


                                                                          FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.  



TEXTO IV


        A questão da epifania (epiphaneia) pode ser compreendida num sentido místico-religioso e num sentido literário. No sentido místico-religioso, a epifania é o aparecimento de uma divindade e uma manifestação espiritual - e é neste sentido que a palavra surge descrevendo a aparição de Cristo aos gentios. Aplicado à literatura, o termo significa o relato de uma experiência que, a princípio, se mostra simples e rotineira, mas que acaba por mostrar toda a força de uma inusitada revelação. É a percepção de uma realidade atordoante quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam iluminação súbita na consciência dos figurantes, e a grandiosidade do êxtase pouco tem a ver com o elemento prosaico em que se inscreve a personagem.

Fonte: SANT'ANNA, Affonso Romano de. Com Clarice. São Paulo: Editora Unesp, 2013, p.128.
Considerando o conteúdo do texto IV, assinale a alternativa em que há o momento de "epifania" da personagem Ana, do conto de Clarice Lispector, no Texto III.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385625 Literatura
TEXTO III


Amor
Clarice Lispector


        Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]

- o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.
Nos trechos apresentados do conto "Amor", de Clarice Lispector, observa-se:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 3 - Exatas - Dia 1 |
Q3381467 Literatura
Considerando os dois textos (IV e V), é possível afirmar que “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, pode ser considerado o marco inicial, no Brasil, do movimento barroco, uma vez que, dentre outras características:
Alternativas
Q3380508 Literatura
TEXTO IV


Prosopopéia
Bento Teixeira


I


Cantem Poetas o Poder Romano,
Sobmetendo Nações ao jugo duro;
O Mantuano pinte o Rei Troiano,
Descendo à confusão do Reino escuro;
Que eu canto um Albuquerque soberano,
Da Fé, da cara Pátria firme muro,
Cujo valor e ser, que o Ceo lhe inspira,
Pode estancar a Lácia e Grega lira.


II


As Délficas irmãs chamar não quero,
que tal invocação é vão estudo;
Aquele chamo só, de quem espero
A vida que se espera em fim de tudo.
Ele fará meu Verso tão sincero,
Quanto fora sem ele tosco e rudo,
Que per rezão negar não deve o menos
Quem deu o mais a míseros terrenos.


Fonte: TEIXEIRA, Bento. Prosopopeia. Rio de Janeiro: Typ. do Imperial Instituto Artistico, 1873. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242781. Acesso em: 09/07/2024.


GLOSSÁRIO:

Délficas: Musas, deusas da poesia e irmãs de Apolo por parte de pai (Zeus)
Lácia: referente ao Lácio, região da Itália central. 


TEXTO V


Nas palavras do crítico literário Alfredo Bosi, a intenção do poeta Bento Teixeira, ao escrever o poema épico “Prosopopeia”, é “encomiástica, e o objeto do louvor Jorge de Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, que encetava a sua carreira de prosperidade graças à cana-de-açúcar. A imitação de Os Lusíadas é assídua, desde a estrutura até o uso dos chavões da mitologia e dos torneios sintáticos. O que há de não-português (mas não diria: de brasileiro) no poemeto, como a ‘Descrição do Recife de Pernambuco’, ‘Olinda Celebrada’ e o canto dos feitos de Albuquerque Coelho, entra a título de louvação da terra enquanto colônia, parecendo precoce a atribuição de um sentimento nativista a qualquer dos passos citados”.


Fonte: BOSI, Alfredo. História concisa da literatura. 50. ed. São Paulo: Cultrix, 2015, p. 36. 


GLOSSÁRIO: 

Encomiástico: elogioso, que faz elogio a algo ou alguém.
Considerando os dois textos (IV e V), é possível afirmar que “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, pode ser considerado o marco inicial, no Brasil, do movimento barroco, uma vez que, dentre outras características:
Alternativas
Q3380506 Literatura
TEXTO III


Desenganos da vida humana, metaforicamente

Gregório de Matos* 


É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.


É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.


É nau enfim, que em breve ligeireza
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:


Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?


*Poema antologicamente reconhecido como de autoria de Gregório de Matos


Fonte: MATOS, Gregório. Desenganos da vida humana, metaforicamente In: Wisnik, José Miguel (org.). Poemas escolhidos de Gregório de Matos. Edição vestibular. São Paulo: Companhia das letras, 2015, p.340.


        GLOSSÁRIO:

Airosa : esbelto, gracioso.
Soberba : orgulho, altivez.
Galheota : pequena embarcação a remo, usada para o transporte do rei.
Presumida : vaidosa.
De abril favorecida : favorecida pela primavera que inicia em abril na Europa.
Empavesado : enfeitado, adornado, guarnecido de paveses (=proteção nas embarcações).
Ufana : que se orgulha de algo, vaidoso.
Fênix : divindade da mitologia egípcia, símbolo da imortalidade, personificada em uma ave que renascia das próprias cinzas.
Galhardia : garbo, elegância.
Aprestar : preparar com prontidão.
Alento : sopro, bafejo.
Penha : penhasco, rochedo.


Considerando o soneto “Desenganos da vida humana, metaforicamente”, texto III, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3380505 Literatura
TEXTO I


Sete annos de pastor Jacob servia
Luís Vaz de Camões


Sete annos de pastor Jacob servia
Labão, pae de Raquel, serrana bella:
Mas não servia ao pae, servia a ella,
Que a ella só por premio pertendia.


Os dias na esperança de hum só dia
Passava, contentando-se com vella:
Porém o pae, usando de cautella,
Em lugar de Raquel lhe deo a Lia. 


Vendo o triste Pastor que com enganos
Assi lhe era negada a sua Pastora,
Como se a não tivera merecida;


Começou a servir outros sete annos,
Dizendo: Mais servíra, senão fôra
Para tão longo amor tão curta a vida.


Fonte: CAMÕES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle. 


TEXTO II


Ao casamento de Pedro Álvares da Neiva
Gregório de Matos



Sete anos a nobreza da Bahia
Servia a uma pastora Indiana bela,
Porém servia a Índia e não a ela,
Que a Índia só por prêmio pretendia.


Mil dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la,
Mas frei Tomás usando de cautela,
deu-lhe o vilão, quitou-lhe a fidalguia. 


Vendo o Brasil, que por tão sujos modos
Se lhe usurpara a sua Dona Elvira,
Quase a golpes de um maço e de uma goiva:


Logo, se arrependeram de amar todos,
E qualquer mais amara, se não vira
Para tão limpo amor tão suja noiva.


Fonte: MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. Seleção e organização José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Gregório de Matos:
Alternativas
Q3380504 Literatura
TEXTO I


Sete annos de pastor Jacob servia
Luís Vaz de Camões


Sete annos de pastor Jacob servia
Labão, pae de Raquel, serrana bella:
Mas não servia ao pae, servia a ella,
Que a ella só por premio pertendia.


Os dias na esperança de hum só dia
Passava, contentando-se com vella:
Porém o pae, usando de cautella,
Em lugar de Raquel lhe deo a Lia. 


Vendo o triste Pastor que com enganos
Assi lhe era negada a sua Pastora,
Como se a não tivera merecida;


Começou a servir outros sete annos,
Dizendo: Mais servíra, senão fôra
Para tão longo amor tão curta a vida.


Fonte: CAMÕES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle. 



Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Camões.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFU-MG Órgão: UFU-MG Prova: UFU-MG - 2024 - UFU-MG - Vestibular - Segundo Semestre 2024 |
Q3355069 Literatura
A Jandaia cantou no alto da palmeira o nome de Iracema Lábios de mel, riso mais doce que o jati Linda demais, cunhã-porã, itereí¹ Vou cantar Juremê, Juremê, Juremê Vou contar Juremá, Juremá Uma história de amor, meu amor É o carnaval da Beija-Flor

A Jandaia cantou no alto da palmeira o nome de Iracema Lábios de mel, riso mais doce que o jati Linda demais, cunhã-porã, itereí Vou cantar Juremê, Juremê, Juremê Vou contar Juremá, Juremá Uma história de amor, meu amor É o carnaval da Beija-Flor

¹ moça bonita, gentil
CLAUDEMIR; MAURIÇÃO; BARCELLOS, Ronaldo et. al. Iracema, a virgem dos lábios de mel. In: LIESA: Sambas de enredo 2017. Universal Music, 2017. 1 CD. Faixa 5. [Intérprete Neguinho da Beija-Flor].

    O fragmento acima consiste em parte do samba-enredo Iracema, a virgem dos lábios de mel apresentado, em 2017, pela escola de samba Beija-Flor de Nilópolis. A letra retoma Iracema de José de Alencar, uma das obras-chave do primeiro Romantismo brasileiro. Assinale a alternativa que indica a relação correta existente entre o samba-enredo, o contexto e a obra literária romântica. 
Alternativas
Respostas
21: C
22: B
23: C
24: C
25: B
26: D
27: D
28: A
29: C
30: E
31: B
32: A
33: B
34: D
35: A
36: A
37: D
38: B
39: B
40: B