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Q3882370 Literatura

A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.


Os Sapos

Manuel Bandeira


Enfunando os papos,

Saem da penumbra,

Aos pulos, os sapos.

A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,


Berra o sapo-boi:

— “Meu pai foi à guerra!”

— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foil!?.


O sapo-tanoeiro,

Parnasiano aguado,

Diz: — “Meu cancioneiro

É bem martelado.


Vede como primo

Em comer os hiatos!

Que arte! E nunca rimo

Os termos cognatos.


[...]


Lá, fugido ao mundo,

Sem glória, sem fé,

No perau profundo

E solitário, é


Que soluças tu,

Transido de frio,

Sapo cururu

Da beira do rio...


Disponível em: https://www.escritas.org/PT/t/4814/os-sapos. Acesso em: 11 set. 2025.

É correto afirmar que, nesse poema, Manuel Bandeira critica os poetas parnasianos pelo(a)
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O poema nomeia o alvo da sátira como "Parnasiano" e ironiza seus traços técnicos em versos como "É bem martelado" e "Em comer os hiatos", o que aponta para a crítica ao formalismo parnasiano.

Tema central: crítica ao formalismo parnasiano
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inverte o alvo da crítica. O poema não censura falta de ritmo nem ausência de rima; ele ironiza o excesso de controle técnico sobre rima e escansão, como mostram "bem martelado" e "nunca rimo / Os termos cognatos".
B
Errada
Está errada porque o alvo satirizado não é o uso de linguagem coloquial e popular. A evidência decisiva do texto aponta para o "Parnasiano" e para sua elaboração técnica artificial.
C
Errada
Está errada porque desloca o núcleo da crítica para a recepção histórica dos parnasianos. Embora o poema tenha um desfecho de isolamento, a evidência direta usada para resolver a questão está nos procedimentos de composição ridicularizados: "martelado", "hiatos" e rimas.
D
Certa
A alternativa D está certa porque o poema satiriza a poética parnasiana ao expor seus procedimentos formais. Quando o eu poético fala em "Parnasiano aguado", "cancioneiro" "bem martelado" e na preocupação com "hiatos" e rimas, a crítica recai sobre a linguagem rebuscada e artificial dessa estética.
E
Errada
Está errada porque a presença de "Sapo cururu" não é apresentada como característica criticada dos parnasianos. Pela base, essa expressão popular integra a construção irônica do próprio poema de Bandeira, enquanto o alvo explícito da sátira continua sendo o preciosismo formal parnasiano.
Pegadinha da questão
A confusão real era tomar elementos populares do poema, como "Sapo cururu", como objeto da crítica, quando o centro decisivo está na sátira ao tecnicismo parnasiano.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto nomeia explicitamente o alvo da crítica, esse dado tem prioridade na interpretação da alternativa correta.
  • Se a sátira recai sobre rima, hiato, metrificação e acabamento, o foco é formalismo técnico, não coloquialismo.
  • Em questões de escola literária, diferencie o recurso usado pelo autor do objeto que ele está criticando.
  • Não desloque o eixo da questão para efeitos secundários do poema se a evidência direta aponta para um procedimento estético específico.

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