Questões de Vestibular
Sobre escolas literárias em literatura
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OBSERVE a ilustração e LEIA o soneto de Gregório de Matos, a seguir.

SONETO
Pequei, Senhor, mas não porque hei
pecado,
de vossa alta clemência me despido;
porque quanto mais tenho delinquido,
vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto um pecado,
a abrandar-vos sobeja um só gemido:
que a mesma culpa, que vos há ofendido,
vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida e já cobrada,
glória tal e prazer tão repentino vos deu,
como afirmais na sacra história,
eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
perder na vossa ovelha a vossa glória.
Gregório de Mattos
Durante o período colonial brasileiro, as principais manifestações artísticas, entre elas o Barroco, foram marcadas pela influência da religiosidade.
Com base na análise da imagem e da leitura do soneto de Gregório de Matos, constata-se que
LEIA com atenção os dois textos abaixo e faça o que se pede.
TEXTO I
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da nação brasileira
Dizem todos os dias
me dá um cigarro.
Deixa disso, camarada
TEXTO II
Vício na fala
Para dizerem milho
Dizem mio
Para dizerem melhor
dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
e vão fazendo telhados.
ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo. Nova Cultural, 1988.
O Modernismo de 1922 foi um movimento de ruptura com os cânones da literatura nacional. Um dos protagonistas da Semana de Arte Moderna e do Modernismo, Oswald de Andrade, professa uma poesia irreverente, paródica e radical.
Nos dois textos acima, Oswald de Andrade, por meio do discurso poético e metalinguístico,
Leia os poemas abaixo e faça o que se pede.
Texto I
Fazendeiros de cana
Minha terra tem palmeiras?
Não. Minha terra tem engenhocas de rapadura
E cachaça e açúcar marrom,
Tiquinho, para o gasto.
Tem cana caiana e cana crioula,
cana-pitu,
Cana rajada e cana-do-governo, e muitas
outras
Canas de garapa e bagaço para os porcos
Em assembleia grunhidora diante da
Moenda movida gravemente pela junta de bois
De sólida tristeza e resignação.
As fazendas misturam dor e consolo em caldo
verde garrafa.
E sessenta mil réis em imposto fazendeiro.
Carlos Drummond de Andrade
Texto II
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
De Primeiros cantos (1847)
Gonçalves Dias
I. Em “saber-lhe o sentido”, o pronome oblíquo tem a ideia de posse.
II. No texto, predomina a figura de linguagem denominada sinestesia.
III. As expressões sensoriais caracterizam a fase do Romantismo português.
A questão refere-se ao fragmento de texto a seguir.
Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me faz esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é este propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente (...)”Não tenhas ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, ver.1: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.
E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa
fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos,
a saber, que a minha primeira amiga e o meu
maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos
também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A terra lhes seja leve! Vamos
à História dos Subúrbios” Capítulo CXLVIII E Bem,
E O Resto ? Machado de Assis. Dom Casmurro.
São Paulo: Abril Cultural, 1981, p. 174.
SANCHES NETO, Miguel. Um amor anarquista. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 219.
O texto, contextualizado na obra em sua totalidade, permite afirmar:
Vamos, não chores. A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo. Não tentaste qualquer viagem. Não possuis carro, navio, terra. Mas tens um cão.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Consolo na praia. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1989. p. 129.
Para o eu poético,
TAUNAY, Visconde de. Inocência. Disponível em: <www.nead.unama.br> . Acesso em: 19 jun. 2010.
O diálogo entre as personagens Meyer, que representa a ideologia europeia, e Pereira, que traduz os valores sertanejos, evidencia
ASSIS, Machado de. Conto de Escola. Contos. São Paulo: Ática. 1989. p. 34. ( Série Bons Livros).
Tem comprovação no texto a ideia de
RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1979. p. 179-180.
Na percepção que constrói de si mesmo, o sujeito-narrador
CITONHO Doutor Noêmio, desculpe a indiscrição. Andaram me falando de uma coisa, mas eu não quis de maneira nenhuma acreditar. Me disseram que o senhor é de uma raça que só come folha. DR. NOÊMIO Pois pode acreditar. Sou vegetariano e tenho muito orgulho disto. CITONHO Mas a gente vê umas neste mundo! Não está vendo que tomate e chuchu não dão sustança a ninguém?! Agora: feijão, farinha e carne, sim, isso é que é comida. Olhe aqui eu. Estou com mais de oitenta anos, só não como carne na Sexta-feira da Paixão – e olhe lá... Resultado: uma saúde de ferro: estou tinindo. DR. NOÊMIO Isso é o que o senhor pensa. Seu corpo está envenenado, meu velho, com toxinas até na ponta dos cabelos. Até na sombra.
[...]
FREDERICO Eu só rezo pra defunto. Interessa? Liás, cabra safado não serve pra morrer, só serve pra apanhar. E apanhar entre os bicos dos peitos e o caroço do imbigo, que é pra não deixar marcas da surra. Ah!, nós três num deserto: eu, você e um cacete de quixaba! Porque quixaba é o chá melhor que existe no mundo pra pancada. Assim, pra ganhar tempo, a gente dá logo a pisa com quixaba, porque está dando o castigo e o remédio. Mas já gastei muita cera com você. [...]
(LINS, Osman. Lisbela e o prisioneiro. São Paulo: Planeta, 2003. p. 22 e 25.)
TEXTO 02
Ao chegar ao Rio, de Corumbá, Fuentes hospedou-se no Hotel Bragança, na avenida Mem de Sá. Um hotel cheio de turistas argentinos falando portunhol. [...] Na lista telefônica Fuentes escolheu um oftalmologista de nome espanhol, Pablo Hernandez. O dr. Hernandez descendia de uruguaios e, para desapontamento de Fuentes, não falava espanhol. Em seu bem montado consultório, na avenida Graça Aranha, na Esplanada do Castelo, examinou Fuentes cuidadosamente. O cristalino, a íris, a conjuntiva, o nervo ótico, os músculos, artérias e veias do aparelho ocular estavam perfeitos. A córnea, porém, fora atingida. Didaticamente Hernandez explicou ao seu cliente que a córnea era uma camada externa transparente através da qual a luz – e com a luz, a cor, a forma, o movimento das coisas – penetrava no olho.
Córnea – moça, 24ª , vende. Tel. 185-3944. O anúncio no O Dia foi lido por Fuentes. Ele ligou de seu quarto, no Hotel Bragança. Atendeu uma mulher...[...] Ela disse que ele podia pegar um ônibus no largo de São Francisco. “É para você?”, perguntou a mulher quando Fuentes lhe falou que era a pessoa que havia telefonado. [...] “Sim, é para mim.” A mulher não ter percebido a cicatriz no seu olho esquerdo deixou Fuentes satisfeito. [...] “Dez milhas”, disse a mulher impaciente. “E não é caro. O preço de um carro pequeno. Minha filha é muito moça, nunca teve doença, dentes bons, ouvidos ótimos. Olhos maravilhosos.”
(FONSECA, Rubem. A Grande Arte. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 137-139.)
TEXTO 04
Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. [...]
Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.
Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão. – Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai. Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo. A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.
– Anda, excomungado.
O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. [...]
(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 100. ed. Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 9-10)
Tomando por referência os textos 01, 02 e 04, e com base na leitura completa das obras de onde foram extraídos, assinale a alternativa correta:
CITONHO Doutor Noêmio, desculpe a indiscrição. Andaram me falando de uma coisa, mas eu não quis de maneira nenhuma acreditar. Me disseram que o senhor é de uma raça que só come folha. DR. NOÊMIO Pois pode acreditar. Sou vegetariano e tenho muito orgulho disto. CITONHO Mas a gente vê umas neste mundo! Não está vendo que tomate e chuchu não dão sustança a ninguém?! Agora: feijão, farinha e carne, sim, isso é que é comida. Olhe aqui eu. Estou com mais de oitenta anos, só não como carne na Sexta-feira da Paixão – e olhe lá... Resultado: uma saúde de ferro: estou tinindo. DR. NOÊMIO Isso é o que o senhor pensa. Seu corpo está envenenado, meu velho, com toxinas até na ponta dos cabelos. Até na sombra.
[...]
FREDERICO Eu só rezo pra defunto. Interessa? Liás, cabra safado não serve pra morrer, só serve pra apanhar. E apanhar entre os bicos dos peitos e o caroço do imbigo, que é pra não deixar marcas da surra. Ah!, nós três num deserto: eu, você e um cacete de quixaba! Porque quixaba é o chá melhor que existe no mundo pra pancada. Assim, pra ganhar tempo, a gente dá logo a pisa com quixaba, porque está dando o castigo e o remédio. Mas já gastei muita cera com você. [...]
(LINS, Osman. Lisbela e o prisioneiro. São Paulo: Planeta, 2003. p. 22 e 25.)
Considerando a obra citada no texto 01, assinale a alternativa correta:
1. Cirino anota em seu Chernoviz tratamentos populares aprendidos com sertanejos, e isso permite que ele aplique um tratamento diferente, à base de plantas, a um homem que estava “empalamado”, ou seja, fora vítima de sucessivas maleitas e tornou-se um doente crônico. 2. Cirino, de tanto estudar o Chernoviz, acaba se convencendo de que é médico de verdade, exige ser chamado de “doutor”, explora financeiramente os sertanejos que o procuram, até mesmo os que sofrem de doenças incuráveis, sem se importar com sua saúde, e morre sem se arrepender desse seu procedimento. 3. No último texto de seu livro, o artigo “Urupês”, Monteiro Lobato caracteriza a medicina do caboclo como ignorante, baseada numa grande quantidade de remédios sem efeito, compendiados num “Chernoviz não escrito”, somados a um conjunto de simpatias que também não dão resultados. 4. O protagonista do conto “Pollice verso”, do volume Urupês, é um filho de coronel do interior que se forma no Rio de Janeiro e leva a medicina científica para a pequena cidade, dispensando o Chernoviz e enriquecendo, porque resolve problemas que a medicina popular não é capaz de resolver. 5. No conto “O engraçado arrependido”, de Urupês, o protagonista, Pontes, para obter um emprego público já ocupado por um velho cardíaco, decide matá-lo. Para isso, utiliza seu poder cômico e a leitura do Chernoviz, onde aprende que um ataque de riso pode fazer arrebentar um aneurisma fatal.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto V e responda a questão.
Texto V
O “Adeus” de Teresa
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala...
E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa...
E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”
Passaram tempos... séc’los de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse – “Voltarei!... descansa!...”
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!... Ela me olhou branca... surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...
E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”
(CASTRO ALVES, Antonio Frederico. Espumas flutuantes. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. p. 51.)
I. Presença de uma visão erotizada do amor e da mulher. II. Abandono do tom aclamatório presente nos poemas sobre os escravos. III. Confirma sua inserção na segunda geração do Romantismo. IV. Revela influência do sentimentalismo amoroso adulto.
Assinale a alternativa correta
Leia o texto III e responda a questão.
Texto III
Bom-Crioulo não pensou em dormir, cheio, como estava, de ódio e desespero. Ecoavam-lhe ainda no ouvido, como um dobre fúnebre, aquelas palavras de uma veracidade brutal, e de uma rudez pungente: “Dizem até que está amigado!”
Amigado, o Aleixo! Amigado, ele que era todo seu, que lhe pertencia como o seu próprio coração: ele,
que nunca lhe falara em mulheres, que dantes era tão ingênuo, tão dedicado, tão bom!... Amigar-se, viver
com uma mulher, sentir o contacto de outro corpo que não o seu, deixar-se beijar, morder, nas ânsias do gozo,
por outra pessoa que não ele, Bom-Crioulo!...
Leia o texto III e responda a questão.
Texto III
Bom-Crioulo não pensou em dormir, cheio, como estava, de ódio e desespero. Ecoavam-lhe ainda no ouvido, como um dobre fúnebre, aquelas palavras de uma veracidade brutal, e de uma rudez pungente: “Dizem até que está amigado!”
Amigado, o Aleixo! Amigado, ele que era todo seu, que lhe pertencia como o seu próprio coração: ele,
que nunca lhe falara em mulheres, que dantes era tão ingênuo, tão dedicado, tão bom!... Amigar-se, viver
com uma mulher, sentir o contacto de outro corpo que não o seu, deixar-se beijar, morder, nas ânsias do gozo,
por outra pessoa que não ele, Bom-Crioulo!...
I. revelam um distanciamento das características românticas no que se refere à disposição amorosa das personagens.
II. confirmam a permanência de traços românticos em obras naturalistas, como o sentimentalismo exacerbado, a retidão moral dos heróis e a vocação para a aventura.
III. denotam a identificação do romance com o determinismo naturalista, entendido aqui como a influência da natureza idealizada sobre o ânimo das personagens.
IV. indicam afinidades com procedimentos naturalistas que correlacionam atitudes e reações de personagens com o comportamento de animais.
Assinale a alternativa correta.