Questões de Vestibular
Sobre ocupação de novos territórios: colonialismo em história
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Os historiadores passaram a analisar o funcionamento da colônia. A realidade se revelava complexa. No lugar da imagem de colonos engessados pela metrópole, vem à tona um grande dinamismo nas relações comerciais dos principais portos do Brasil com o rio da Prata no sul da América, com Angola, Costa da Mina e Moçambique na África e Índia, e com Goa e Macau na Ásia. O que salta à vista é que muitas dessas áreas não eram de domínio português. Colonos do Brasil, portanto, comercializavam diretamente com outras regiões. Os comerciantes residentes no Brasil, no auge do Sistema Colonial, detinham o monopólio do lucrativo tráfico negreiro – e não a metrópole.
(www.revistadehistoria.com.br/secao/educacao/a-colonia-e-mais-embaixo. Acesso: 02/03/2014. Adaptado.)
As comparações entre a colonização inglesa e a colonização ibérica na América contribuíram para a atribuição de sentidos distintos a essas colonizações, povoamento e exploração, respectivamente. No entanto, a análise do texto revela que as recentes revisões historiográficas ampliaram as interpretações sobre as relações coloniais no clássico modelo de exploração, isso porque na prática a
A gravura mostra Jinga, Ngola do Ndongo. Sua história exemplifica o papel político que as mulheres desempenhavam nas sociedades africanas pré-coloniais.
No Reino do Ndongo, localizado em parte do que hoje é a atual Angola, as mulheres sempre tiveram protagonismo político, sendo Jinga:
“Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento.” (Samba-enredo, Mangueira, 2019).
“Eram três caravelas Que chegaram d´além mar E a terra chamou-se América Por ventura? Por azar?
Não sabia o que fazia, não. D. Cristóvão, capitão. Trazia, em vão, Cristo no nome, E, em nome dele, o canhão. (...) Quinhentos anos de quê? (Belchior, Quinhentos anos de quê?, 1993).
“A história é sempre escrita pelos vencedores. Imaginem como seria a história da América escrita pelos indígenas (...) Como seria?.” (José Saramago, 2007).
Esses excertos problematizam o modo como a história oficial conceitualiza a colonização da América
Do século XV ao XIX, uma enorme quantidade de africanos foi levada pelo tráfico negreiro aos territórios americanos que se encontravam sob controle dos impérios europeus. Nesta imigração forçada, cerca de 400 mil cativos foram enviados para as colônias inglesas, 1,6 milhão, para as espanholas e 3,6 milhões, para a portuguesa. Levando-se em conta a intermitente ação do contrabando, estima-se um total de 10 milhões de pessoas ou mais transladadas para as Américas no período.
A escravatura sobreviveu ao mundo colonial, ajustando-se às formas de governo dos Estados que aqui se afirmaram após a independência. A República norte-americana e o Império do Brasil – a mantiveram por longo tempo. Sobre a escravidão nas Américas considere as seguintes afirmativas:
I – Embora a Constituição da República norte-americana (1787), por princípio, pregasse a ampliação da igualdade política, os arranjos políticos, realizados entre os estados escravistas e os estados livres, criaram cláusulas constitucionais específi cas para manter a escravidão que só seriam derrubadas com o advento da guerra civil.
II – No Brasil, a manutenção da escravidão foi defendida apenas pelos cafeicultores fluminenses e mineiros ao longo do século XIX, e o forte poder de ambos junto ao Imperador mostrou-se mais que sufi ciente para estendê-la até o final do Segundo Reinado.
III – Ser uma ordem monárquica ou uma ordem republicana importava para os escravos, mas não tanto para os libertos e homens livres de cor naquelas sociedades. No período pós-abolição, o negro livre continuaria a ser segregado pela cor, mas suas formas de resistência dar-se-iam do mesmo modo e com igual intensidade.
IV – As lutas pela mobilidade social e política dos negros foram enormemente dificultadas após a abolição. No Brasil, a continuidade da aceitação da existência de “diferentes condições de gente” e da manutenção de privilégios para alguns cidadãos contribuiu para naturalizar discursos racialistas e a própria discriminação racial aos olhos de muitos contemporâneos.
Estão corretas as afirmativas:
De acordo com o texto e com seus conhecimentos, assinale a alternativa que NÃO corresponde ao relacionamento entre metrópole e colônia:
(Philip Jenkins. Breve historia de Estados Unidos, 2017. Adaptado.)
O excerto descreve as relações comerciais no Império Britânico em meados do século XVIII, referindo-se
(Marina de Mello e Souza. Além do visível: Poder, Catolicismo e Comércio no Congo e em Angola (Séculos XVI e XVII), 2018. Adaptado.)
O episódio é relatado pelo padre Serafim de Cortona em um documento escrito em 1658 sobre Njinga, rainha de territórios do interior da África. Para o sacerdote,
O avanço das culturas sul-americanas nas zonas tropicais africanas conhece três etapas. Num primeiro tempo, a América exporta mandioca através da Guanabara e do litoral vicentino. Numa segunda etapa, a mandioca, o milho, a batata-doce e frutas sul-americanas passam a ser plantados nas terras africanas. Num terceiro tempo, tais culturas espalham- -se pelos sertões africanos. O uso do milho e da mandioca como ração dos povos da região permitiu que os guerreiros negreiros dilatassem suas áreas de captura. Roças de mandioca e milho são abertas nas áreas de parada e descanso dos bandos, facilitando o transporte terrestre de um maior número de cativos do sertão.
(Luiz Felipe de Alencastro. O trato dos viventes, 2000. Adaptado.)
O historiador
I. Seu objetivo foi demarcar os direitos de exploração dos países ibéricos, tendo como elemento propulsor o desenvolvimento da expansão comercial marítima.
II. Estabelecendo uma linha demarcatória de 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, o acordo atribuía a Portugal e Espanha não apenas as terras já descobertas, mas também as por se descobrirem.
III. Como se tratava da criação de um sistema de monopólio, impunha uma reserva de mercado metropolitano que atingia todas as riquezas coloniais.
É correto o que se afirma somente em
Observe a charge e leia o texto.

Disponível em: <https://www.google.com.br/>.
Acesso em: 4 ago. 2018.
O Sebastianismo foi um movimento místico-secular que ocorreu em Portugal, durante a segunda metade do século XVI. Foi causado pela morte do rei D. Sebastião, durante a batalha de Alcácer-Quibir, no ano de 1578.
Como D. Sebastião não possuía herdeiros, o trono de Portugal ficou sob o poderio do rei Filipe II, da Espanha. O Sebastianismo foi, portanto, uma esperança na vinda de um salvador, adaptado às condições lusas. Seria traduzido como uma inconformidade, um sentimento de insatisfação com a situação política da época e uma expectativa de mudança (salvação), mesmo que, para isso acontecer, fosse necessário um verdadeiro milagre, como a ressurreição do rei morto, D. Sebastião.
Disponível em:
<https://www.infoescola.com/historia/sebastianismo/>.
Acesso em: 4 ago. 2018.
As duas fontes históricas apresentadas abordam o
contexto de crise político-institucional na história de
Portugal à época
De acordo com a abordagem proposta pelo autor, a idolatria ameríndia situa-se num contexto de:
A tabela abaixo apresenta a movimentação do tráfico transatlântico de escravos entre 1501 e 1866, de acordo com a região de desembarque.

Fonte: The Trans-Atlantic Slave Trade Database. Disponível em:< http://www.slavevoyages.org/assessment/estimates>. Acesso em: 24 mar. 2018. (adaptado)
( ) A descoberta do ouro na região das Minas Gerais (1696) explica o significativo incremento no volume de africanos desembarcados nos portos do Brasil a partir do último quarto do século XVII. ( ) A independência do Haiti e a abolição da escravidão na ilha não representou uma redução da participação do Caribe francês nos circuitos do tráfico transatlântico de escravos. ( ) A concorrência das colônias inglesas, francesas e holandesas não retirou do Brasil o monopólio da produção de açúcar a partir da segunda metade do século XVII. Este aspecto fica evidente na participação das respectivas regiões no volume do tráfico atlântico até o final do século XVIII. ( )Em 1831, como resultado da pressão do governo inglês, passou a vigorar no Império do Brasil a chamada “Lei Feijó” que decretou a extinção do tráfico atlântico na região. Contudo, os dados indicam que o comércio negreiro seguiu plenamente ativo até a sua proibição definitiva em 1850 (“Lei Eusébio de Queiroz”).
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
No decorrer dessa evolução, pode-se inferir que o trabalho, nas sociedades
Observe a imagem.

A imagem acima apresenta o Tratado de Tordesilhas, que foi assinado em 1494 e estabeleceu
Se tomarmos como referência a história econômica mundial, veremos que o fenômeno da globalização é recente, não ultrapassando cinco séculos de existência. Tendo sua origem com a expansão marítima europeia no século XV, amadurece com a Revolução Industrial e as políticas imperialistas e colonialistas do século XIX, e se consolida com a globalização neoliberal do século XX. Cada etapa apresenta seus contornos ideológicos e seus significados históricos.
(SE TOMARMOS... 2017).
Leia o segmento abaixo, sobre a escravidão nas Américas.
A escravidão no Novo Mundo e os tipos de comércio a que deu origem surgiram como uma consequência e um componente da “primeira globalização”, fase da história humana inaugurada pelas explorações marítimas, comerciais e coloniais de Portugal e Espanha, no final do século XV e no início do século XVI.
BLACKBURN, R. Por que segunda escravidão? In: MARQUESE, R.; SALLES, R. (org). Escravidão e capitalismo histórico no século XIX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016. p. 32.
O segmento faz referência à institucionalização da escravidão no Novo Mundo, pensada a partir de determinados processos socioeconômicos globais que influenciaram definitivamente a sua conformação moderna.
Assinale a alternativa que indica esse
fenômeno.