Questões de Vestibular Comentadas sobre filosofia
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Quando observamos a prática científica concreta, o que nos aparece de forma mais evidente é a aplicação de atividades de caráter operacional técnico. Uma infinidade de aparelhos tecnológicos enche os laboratórios, desenvolvem-se variados procedimentos de observação, de experimentação, de coleta de dados, de registros de fatos, de levantamento, identificação e catalogação de documentos históricos, de cálculos estatísticos, de tabulação, de entrevistas, depoimentos, questionários etc.
(SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23.ed. São Paulo: Cortez. p.87.)
Sobre a relação entre conhecimento científico, método e senso comum, considere as afirmativas a seguir.
I. A pesquisa científica, ao utilizar o aparato tecnológico disponível no laboratório, segue um roteiro estabelecido de investigação. É o caminho, que recebe o nome de método, que permite buscar respostas ao problema colocado.
II. O procedimento metodológico tem sua origem em bases epistemológicas que lhe dão sustento e coerência. Sem esses fundamentos, o método perderia consistência e coerência, o que faria com que os resultados fossem imprecisos e erráticos.
III. O método científico, base do conhecimento ocidental e oriental, é o procedimento que orienta as pesquisas dos diversos campos do conhecimento da forma como conhecemos, a exemplo da filosofia, artes, história e literatura.
IV. O conhecimento popular, também conhecido como senso comum, segue diretrizes metodológicas similares aos procedimentos da ciência formal. Seu método permite chegar a resultados considerados seguros tendo como suporte as certezas da subjetividade humana.
Assinale a alternativa correta.
Não estamos habituados a considerar o Estado como um distribuidor de riqueza entre os cidadãos. Pensamos nele mais como um distribuinte de fardos sob a forma de impostos. No entanto, na Grécia, o cidadão considerava-se, tal como foi dito, mais como um acionista do Estado que como um contribuinte, e a propriedade pública, por exemplo, a terra de uma nova colônia, foi frequentemente dividida entre eles, enquanto a assistência pública aos necessitados também era reconhecida.
(ROSS, D. Aristóteles. Lisboa: Dom Quixote, 1987. p.216.)
Sobre o conceito de justiça distributiva em Aristóteles, assinale a alternativa correta.
(DESCARTES, R. Discurso do método. 3.ed. São Paulo: Bertrand Brasil, 1994. p.44.)
Sobre o problema do método em Descartes, assinale a alternativa correta.
É evidente que o Estado é uma criação da natureza e que o homem é, por natureza, um animal político. E aquele que por natureza, e não por mero acidente, não tem cidade, nem Estado, ou é muito mau ou muito bom, ou sub-humano ou super humano.
(ARISTÓTELES, A Política. São Paulo: Nova Cultural, 2000. p.146.)
Sobre a concepção de Estado em Aristóteles, considere as afirmativas a seguir.
I. O Estado é mais importante do que a família e o indivíduo, afinal o conjunto é mais importante do que a parte.
II. O Estado é uma criação da natureza, e o indivíduo que não vive em sociedade está acima dos seus similares ou então compara-se aos animais.
III. Existe um instinto social que a natureza coloca nos homens para que criem cidades para viver e, após fundadas, vivam bem.
IV. Os bárbaros também distinguem, conforme a natureza, aquela parte da comunidade que visa governar e comandar a cidade.
Assinale a alternativa correta.
Ora, devido a esta pesquisa, muitas inimizades surgiram contra mim, sérias e perigosíssimas, e destas inimizades muitas calúnias, e entre as calúnias o nome de sábio, porque, toda vez que discutia, as pessoas presentes acreditavam que eu fosse sábio naquelas coisas em que apenas descobria a ignorância das demais.
(PLATÃO, Apologia de Sócrates. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p.71.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre ironia e maiêutica no pensamento de Platão, assinale a alternativa correta.
O mito expressa o mundo e a realidade humana, mas cuja essência é efetivamente uma representação coletiva, que chegou até nós através de várias gerações. E, na medida em que pretende explicar o mundo e o homem, isto é, a complexidade do real, o mito não pode ser lógico: ao revés, é ilógico e irracional. Abre-se como uma janela a todos os ventos; presta-se a todas as interpretações. Decifrar o mito é, pois, decifrar-se.
(BRANDÃO, J. S. Mitologia grega. Petrópolis: Vozes, 1986. p.36.)
Sobre a relação entre mito e filosofia na Grécia antiga, assinale a alternativa correta.
https://mundoeducacao.uol.com.br/biografias/hannah-arendt.htm
O tipo de Mal e a definição de ação praticados por Adolf Eichmann, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, são, respectivamente,
A tragédia exemplifica o Estado e os costumes, determinando a ação da mulher, situação que reflete toda a história até o nosso tempo. Hoje, a filósofa, Judith Butler, interpreta a tragédia de Antígona, de uma perspectiva feminista, considerando outras possibilidades, como referências da pós-modernidade. Afirma a filósofa:
Quem, portanto, é Antígona nesse cenário, e o que devemos fazer de suas palavras, palavras que se tornam eventos dramáticos e atos performativos? Ela não pertence ao humano, porém fala por meio de sua linguagem. Proibida de agir, ela, no entanto, age, e seu ato está longe de ser a simples assimilação de uma norma existente. Ao agir como alguém que não tem o direito de fazê-lo, ela perturba o vocabulário do parentesco que é uma precondição do humano, implicitamente levantando a questão, para nós, de quais realmente devem ser essas precondições. Ela fala na linguagem do direito da qual está excluída, participando na linguagem da reivindicação com a qual nenhuma identificação final é possível. Se ela é humana, então o humano entrou em catacrese: já não conhecemos mais seu uso próprio.
Judith Butler. O clamor de Antígona. Parentesco entre a vida e a morte. Florianópolis: UFSC, 2014.
Nesse sentido, Butler, ao tomar Antígona como referência desse mundo pós-moderno, no que se refere às perspectivas do feminismo, apresenta a crítica de que o movimento feminista deve
[...] Portanto - prossegui eu - se se evidenciar que, ou o sexo masculino, ou o feminino, é superior um ao outro no exercício de uma arte ou de qualquer outra ocupação, diremos que se deverá confiar essa função a um deles. Se, porém, se vir que a diferença consiste apenas no facto de a mulher dar à luz e o homem procriar, nem por isso diremos que está mais bem demonstrado que a mulher difere do homem em relação ao que dizemos, mas continuaremos a pensar que os nossos guardiões e as suas mulheres devem desempenhar as mesmas funções. (A República, V, 454d-e).
Se, para o referido filósofo, as potências dos gêneros são as mesmas, de que forma, em sua filosofia, Platão propõe solucionar as funções a serem desempenhadas pelos dois gêneros?
1. Devo obedecer às leis e aos costumes do meu país, porque devo me conduzir através das opiniões mais moderadas.
2. Devo obedecer às leis e aos costumes do meu país, porque os costumes marcam o uso do bom senso.
3. Devo ser firme em minhas ações e não seguir opiniões alheias mesmo que elas pareçam ser as mais apropriadas, porque minha firmeza e resolução nas ações são a marca da verdade delas.
4. Devo procurar ser firme em minhas ações e não seguir as opiniões alheias, com isso venço antes as opiniões dos outros e me mantenho firme ligado à minha fortuna.
5. Os meus desejos de mudar a ordem do mundo devem ser vencidos e eu não devo buscar nada que seja impossível.
Assinale a alternativa correta.
(Gustavo Arantes Camargo. Liberdade e vontade de potência na filosofia de Nietzsche. Cadernos Nietzsche 42 (3), Setembro/Dezembro, 2021.)
No texto acima, o autor defende que, para Nietzsche,
(ONU News. Moradores de Gaza estão encurralados com bombardeios nas rotas de evacuação. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2023/10/1822532. Adaptado.)
Na passagem acima, está pressuposta uma concepção filosófica moderna da universalização da condição humana. Quanto à guerra, essa concepção se expressa da seguinte forma:
“[...] jamais acolher alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse evidentemente como tal; [...] evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção, e de nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão clara e tão distintamente a meu espírito, que eu não tivesse nenhuma ocasião de pô-lo em dúvida”.
René Descartes. Discurso do método, I. São Paulo: Abril Cultural, 1979, p. 37.
Defender a evidência, a clareza e a distinção ao próprio espírito (à própria razão) como primeiro critério do conhecimento verdadeiro expressam uma posição
“[...] o que é direito ou que é o justo implica uma obra adequada a outra por algum modo de igualdade. Ora, de dois modos pode uma coisa ser adequada a um homem:
- de um modo, pela natureza mesma da coisa; por exemplo, quando alguém dá tanto para receber tanto.
- de outro modo, uma coisa é adequada ou proporcionada a outra, em virtude de uma convenção ou de comum acordo; [...] por convenção pública, por exemplo, quando todo o povo consente que uma coisa seja tida como que adequada e proporcionada a outra; ou quando o príncipe, que governa o povo e o representa, assim o ordena”.
Esses dois modos de direito ou de justiça são, respectivamente, denominados
Leia com atenção a seguinte citação:
“É no plano político que a razão, na Grécia, primeiramente se exprimiu, constituiu-se e formou-se. A experiência social pôde tornar-se entre os gregos o objeto de uma reflexão positiva, porque se prestava, na cidade, a um debate público de argumentos. O declínio do mito data do dia em que os primeiros sábios puseram em discussão a ordem humana, procuraram defini-la em si mesma, traduzi-la em fórmulas acessíveis à sua inteligência, aplicar-lhe a norma do número e da medida”.
VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. – 2ª ed.
Rio de Janeiro; São Paulo: Difel, 1977, p. 42.
Considerando a passagem acima, assinale a opção que corresponde à explicação da tese de Jean-Pierre Vernant de que a filosofia “é filha da pólis”.
“O capitalismo é um sistema econômico eminentemente expansionista. O crescimento econômico é uma condição necessária do seu funcionamento e existência, à medida que sua lógica é usar o dinheiro para ganhar mais e mais dinheiro, às custas da exploração da força de trabalho e da espoliação da natureza. Uma contradição inevitável desse sistema é a acumulação de riqueza nas mãos de um punhado cada vez menor de capitalistas ao lado da exclusão de amplas massas da riqueza produzida a partir de seu próprio trabalho. Mas [...] além dessa contradição interna, o sistema capitalista rapidamente faria emergir, com toda força, uma outra, ainda mais incontornável: o seu antagonismo com o próprio ‘Sistema Terra’”.
COSTA, Alexandre Araújo. A declaração de guerra do
capital contra a natureza: a Grande Aceleração. Correio
da Cidadania, 25/06/2019.
Na citação acima, o cientista do clima Alexandre Araújo Costa se apoia em um importante conceito filosófico: o de contradição. Pertencente à tradição filosófica dialética, esse conceito possibilita, na passagem citada acima, a compreensão da seguinte tese:
“Suponhamos que ontem de manhã uma criança avistou Pedro pela primeira vez; Paulo, ao meio-dia, e Simão, à tarde. Essa mesma criança avistou Pedro outra vez hoje de manhã. Amanhã, ao avistar os primeiros raios de sol, ela imaginará imediatamente, que verá Pedro, pois é manhã; ao meio dia, imaginará que verá Paulo; e à tarde, ela imaginará que verá Simão. Essa sua imaginação será tanto mais constante quanto maior tiver sido a frequência com que os tiver avistado nesses horários e nessa ordem.”
SPINOZA, Benedictus de. Ética. Belo Horizonte: Autêntica,
2008. – Adaptado.
De acordo com o fragmento acima, quando a criança imagina que sempre às manhãs verá Pedro, aos meios-dias verá Paulo e, às tardes, Simão, significa que ela tem
Em junho de 1996, organizações não governamentais reuniram-se em Barcelona (Espanha), sob o patrocínio da UNESCO, e elaboraram a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos. Em sua Introdução, esse documento estabelece, como uma das considerações que lhe serve de base, que “a invasão, a colonização e a ocupação, assim como outros casos de subordinação política, econômica ou social, implicam frequentemente a imposição direta de uma língua estrangeira ou a distorção da percepção do valor das línguas e o aparecimento de atitudes linguísticas hierarquizantes que afetam a lealdade linguística dos falantes”.
UNESCO. Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, 1996.
Desse modo, é correto afirmar que a hierarquia entre línguas, bem como a desvalorização cultural de línguas minoritárias — como as línguas indígenas, as de ciganos, as de sinais, entre outras — pela hegemonia de línguas majoritárias significa
Atente para o seguinte excerto, que se refere a uma querela entre duas concepções puras do Direito:
“A descoberta da natureza ou da distinção fundamental entre natureza e convenção é a condição necessária para o aparecimento da ideia de direito natural. Mas não é condição suficiente: todo o direito poderia ser convencional”.
STRAUSS, Leo. Direito Natural e história. Lisboa:
Ed.70, 2009, p. 81.
Assinale a opção que corresponde a essas duas concepções.