Questões de Vestibular Sobre artes visuais
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A obra Mestiço (óleo sobre tela, 81 cm x 65 cm), de Cândido Portinari, foi a primeira obra do artista adquirida por uma instituição pública, a Pinacoteca em São Paulo. Portinari nasceu no interior de São Paulo, em uma fazenda de Café, em dezembro de 1903, e faleceu em 1962 por intoxicação causada por metais das suas tintas. Foi uma figura chave do movimento modernista brasileiro, e teve suas obras expostas nos Estados Unidos e na Europa. Para o artista, tanto cor quanto forma têm igual importância, e o ser humano é o principal elemento de suas obras, que retrataram especialmente a realidade do povo brasileiro.

Disponível em: https://www.portinari.org.br/acervo/obras/17929/mestico. Acesso em: 06 jul. 2024.
Com base nessa obra e na vida de Cândido Portinari, leia os fragmentos que seguem e assinale V (para verdadeiro) ou F (para falso).
( ) A obra faz parte da série Retirantes, uma das séries de pinturas mais famosas e importantes do pintor, que tem como temática o Brasil e suas injustiças sociais.
( ) A obra retrata um trabalhador de uma lavoura de café, mostrando sua força e dignidade, representando a formação da identidade nacional e a mistura e miscigenação como força do povo brasileiro, enaltecendo a classe trabalhadora rural da época.
( ) Apesar de suas obras terem características nacionalistas e o pintor ter como traço marcante de suas obras a temática social e os problemas concretos do Brasil, Portinari nunca se envolveu com questões políticas ou causas sociais do país.
( ) Suas obras misturam as técnicas da pintura acadêmica com a influência das vanguardas modernistas, como o cubismo, o surrealismo e o muralismo mexicano, mas têm como temática o Brasil.
( ) Na década de 1930, ao retornar ao Brasil, Portinari passa a retratar o país em suas obras, entre elas o Mestiço, O Lavrador de Café, Os Despejados e Café, que destacam tanto a beleza e alegria do Brasil quanto as aflições e os problemas do povo brasileiro.
Assinale a alternativa que apresenta, de cima para baixo, a sequência correta.
Com base nas informações e imagens apresentadas, assinale a alternativa que corresponde à abordagem adotada por Gê Viana em sua obra “Sentem para jantar”, ao utilizar como referência a obra “Um jantar brasileiro”, de Jean-Baptiste Debret.
Examine o cartum de Richard Bittencourt, o Fí.

Depreende-se do cartum que a mulher considera o conteúdo produzido pelo homem
Leia o texto a seguir.

O que a Fotografia reproduz ao infinito só ocorreu uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente.[...] A Fotografia pode revelar (no sentido químico do termo) mais do que ela revela.
(BARTHES, Roland. A câmara clara. Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro. 1984. p.13;154.)
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, os elementos estruturantes que compõem a linguagem fotográfica.
(A) Resulta da eliminação de uma modelação naturalista e crença no valor expressivo das formas simples, mas com um valor plástico.
(B) Resulta da intenção de provocar questionamentos sobre a arte, uso de materiais produzidos em série e deslocados do ambiente.
(C) Resulta da recusa de qualquer relação com a imobilidade, traz o movimento sem uma representação realista, com linhas retas e curvas.
(D) Resulta da vontade de transmitir e exaltar os valores nacionais, recusa ao abstracionismo, abstração e altamente idealizadas.
(E) Resulta da concepção de arte relacionada à pesquisa e utilização de elementos da natureza e sua defesa.
Assinale a alternativa que contém a associação correta.
Analise duas gravuras produzidas por Andy Warhol: “Latas de sopa Campbell”, de 1962, e “Mao”, de 1972-1974.

(https://moma.org)

(https://publicdelivery.org)
A comparação entre as duas obras permite identificar a proposta artística de

As obras de Kuczynski ilustram problemas cujas causas requerem uma postura proativa dos seres humanos.

A obra contesta, por meio de uma metáfora, o alerta publicado pelo relatório do IPCC.
A referida obra alerta para um problema invisibilizado no cotidiano dos grandes centros urbanos.
Por meio dessa sua criação artística, Eduardo Srur provoca o espectador a refletir sobre a complexa relação do ser humano com a natureza no cotidiano urbano.
Nessa obra, a presença de uma garrafa em escala monumental evidencia a preocupação da população urbana com a preservação dos rios.
A obra adquire um significado ecológico em face do contexto da paisagem urbana poluída.

Os mares pedem socorro, e a indústria têxtil é uma das que mais contribuem para a poluição dos oceanos, o que, felizmente, vem sendo cada vez mais discutido por artistas. Toda a matéria-prima utilizada (lã, algodão e lyocell) na obra de Vanessa Barragão, por exemplo, vem dos resíduos descartados por uma indústria de tapetes artesanais.
Beleza e incerteza: Vanessa Barragão chama atenção para a devastação dos corais. Internet: <designdobom.com.br> (com adaptações).
Por meio da referida obra, construída a partir de materiais reciclados, a mencionada artista critica o descarte de lixo nos mares.

Os mares pedem socorro, e a indústria têxtil é uma das que mais contribuem para a poluição dos oceanos, o que, felizmente, vem sendo cada vez mais discutido por artistas. Toda a matéria-prima utilizada (lã, algodão e lyocell) na obra de Vanessa Barragão, por exemplo, vem dos resíduos descartados por uma indústria de tapetes artesanais.
Beleza e incerteza: Vanessa Barragão chama atenção para a devastação dos corais. Internet: <designdobom.com.br> (com adaptações).
Ao desenvolver seu trabalho com base em uma produção sustentável, a referida artista demonstra consciência ecológica, ao mesmo tempo em que contribui para uma maior conscientização do público em relação à questão ambiental.

Candido Portinari. Meninos brincando.
Rio de Janeiro, 1955. Internet:<www.portinari.org.br>.

Roger Mayne. Handstand. London, 1956.
Internet: <viewingroom.huxleyparlour.com>.
O pátio, que se desdobrava diante do copiar, era imenso, julgo que não me atreveria a percorrê-lo. O fim dele tocava o céu. Um dia, entretanto, achei-me além do pátio, além do céu. Como cheguei ali não sei. Homens cavavam o chão, um buraco se abria, medonho, precipício que me encolhia apavorado entre montanhas erguidas nas bordas. Para que estariam fazendo aquela toca profunda? Para que estariam construindo aqueles montes que um pó envolvia como fumaça? Retraí-me na admiração que me causava o extraordinário formigueiro. As formigas suavam, as camisas brancas tingiam-se, enegreciam, ferramentas cravavam-se na terra, outras jogavam para cima o nevoeiro que formava os morros. (...) O que então me pasmou foi o açude, maravilha, água infinita onde patos e marrecos nadavam. Surpreenderam-me essas criaturas capazes de viver no líquido. O mundo era complicado. O maior volume de água conhecido antes continha-se no bojo de um pote e aquele enorme vaso metido no chão, coberto de folhas verdes, flores, aves que mergulhavam de cabeça para baixo, desarranjava-me a ciência. Com dificuldade, estabeleci relação entre o fenômeno singular e a cova fumacenta. Esta, porém, fora aberta numa região distante, e o açude se estirava defronte da casa. Estava ali, mas tinha caprichos, mudava de lugar, não se aquietava, era uma coisa vagabunda.
Graciliano Ramos. Infância.
Rio de Janeiro: Record, 2003, pp. 14 e 15.
O trecho “aquele enorme vaso metido no chão, coberto de folhas verdes, flores, aves que mergulhavam de cabeça para baixo, desarranjava-me a ciência” conecta-se às imagens apresentadas, pois, nas três obras artísticas, a perspectiva infantil refletida é a da possibilidade de ver o mundo conhecido sob um ângulo desconhecido.

Candido Portinari. Meninos brincando.
Rio de Janeiro, 1955. Internet:<www.portinari.org.br>.

Roger Mayne. Handstand. London, 1956.
Internet: <viewingroom.huxleyparlour.com>.
O pátio, que se desdobrava diante do copiar, era imenso, julgo que não me atreveria a percorrê-lo. O fim dele tocava o céu. Um dia, entretanto, achei-me além do pátio, além do céu. Como cheguei ali não sei. Homens cavavam o chão, um buraco se abria, medonho, precipício que me encolhia apavorado entre montanhas erguidas nas bordas. Para que estariam fazendo aquela toca profunda? Para que estariam construindo aqueles montes que um pó envolvia como fumaça? Retraí-me na admiração que me causava o extraordinário formigueiro. As formigas suavam, as camisas brancas tingiam-se, enegreciam, ferramentas cravavam-se na terra, outras jogavam para cima o nevoeiro que formava os morros. (...) O que então me pasmou foi o açude, maravilha, água infinita onde patos e marrecos nadavam. Surpreenderam-me essas criaturas capazes de viver no líquido. O mundo era complicado. O maior volume de água conhecido antes continha-se no bojo de um pote e aquele enorme vaso metido no chão, coberto de folhas verdes, flores, aves que mergulhavam de cabeça para baixo, desarranjava-me a ciência. Com dificuldade, estabeleci relação entre o fenômeno singular e a cova fumacenta. Esta, porém, fora aberta numa região distante, e o açude se estirava defronte da casa. Estava ali, mas tinha caprichos, mudava de lugar, não se aquietava, era uma coisa vagabunda.
Graciliano Ramos. Infância.
Rio de Janeiro: Record, 2003, pp. 14 e 15.
O modo como são retratadas as sensações de espanto, surpresa e admiração do menino ao ver, pela primeira vez, a composição variada do mundo que o cerca, evoca uma das funções importantes da arte: convidar o leitor a ler a realidade sob um ponto de vista divergente do usual.
Há quem desdenhe das imagens e das representações visuais. Há quem alegue que elas não passam de “ilustrações” que simplesmente decoram e alegram os ambientes, os jornais, as paredes das casas e dos museus – seriam inocentes. Da minha parte, sou dessas pessoas que vivem tomadas pela potência das imagens e pelo poder que elas têm de revelar e criar valores, ideias, concepções de mundo. Por isso, não raro, viram elas mesmas a própria realidade.
É esse o poder reflexivo das imagens e das obras visuais, pois ao reproduzir um contexto elas acabam, ao fim e ao cabo, por criá-lo. Transformam-se em parte constitutiva da imaginação. Muitas vezes lembramos, ou achamos que lembramos, de um evento a partir e por causa de uma imagem guardada num canto da memória.
É possível dizer que nossa imaginação histórica é feita a partir de imaginários alheios; das construções visuais feitas por outras pessoas com seus interesses, contextos e especificidades.
LILIA SCHWARCZ
Adaptado de nexojornal.com.br, 22/11/2021.
Uma imagem que exemplifica a capacidade de construção da imaginação histórica, conforme
enfatizado pela autora, é:
A partir das imagens e dos conhecimentos sobre os períodos da História da Arte, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) O tempo suscita o derreter do relógio na obra de Salvador Dalí, na união de várias correntes artísticas, estando a arte atrelada às vontades da Igreja, da sociedade e do governo. O artista exercia seu papel sem autonomia e simbologia nas relações do tempo e espaço.
( ) A consciência do tempo era uma das regras na Idade Média, e o artista representou figuras mais próximas da realidade, que reafirmaram a primazia do conhecimento sobre a natureza e sua relação com o homem, distanciando-o das influências do poder da igreja.
( ) O relógio, na obra de Daniel Arsham, usa a parede para “congelar o tempo”; essa obra apresenta diferentes materiais e sua composição traz subjetividade, abstração e reflexão, desvinculada dos padrões preestabelecidos, com uma liberdade artística.
( ) A ideia de tempo na Idade Média tinha como base as regras da Igreja; as relações entre espaço e tempo estavam presentes também nas manifestações artísticas nos templos, com o objetivo de ligar a humanidade ao sagrado e sua proximidade com Deus.
( ) A obra “Persistência da Memória” apresenta uma diferente forma de ver o tempo na relação entre a temporalidade e a memória carregada de simbologia, rom pendo com a formalidade, para além do real, buscando a expressão do pensamento ligada ao inconsciente.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Analise a imagem e leia o texto seguir.

A Reencarnação do bandeirante no ventre vermelho, 2016.
Óleo sobre tela e dois monitores de TV 22” e 32”, animação em stop motion,
260 x 360 cm (políptico)
A prática de Thiago Martins de Melo recorre à memória cultural, por um meio dotado de historicidade como a pintura e reinventa, na contemporaneidade, personagens históricas, populações culturalmente diversas e entidades espirituais brasileiras, camponesas, míticas, indígenas e negras. Em A Reencarnação do bandeirante no ventre vermelho, lança mão de recursos diversos como monitores de tv, exibindo animações em stop motion e óleo sobre tela e em quatro quadrantes, o que configura um políptico. Segundo o artista: “Não vejo sentido em colocar uma imagem no mundo se não for para abrir uma ferida no tecido artificial da cultura”.
Adaptado de: premiopipa.com
FARKAS, Solange. Thiago Martins de Melo (2019).
thiagomartinsdemelo.com.br
Com base na imagem, no texto e nos conhecimentos sobre pintura, novas mídias e a relação entre obra e contexto, é correto afirmar que

- Jaider Esbell em performance na exposição “Apresentação: Ruku” na Galeria Millan, em São Paulo. 2021. Foto: Renata Chebel / Galeria Millan.
Disponível em: artebrasileiros.com.br; 2- A descida da pajé Jenipapo do reino das medicinas– Jaider Esbell (2021), acrílica e posca sobre tela, 111 x 160 cm.
Disponível em: premiopipa.com; 3- Esquema do fruto de jenipapo.
Falecido recentemente, Jaider Esbell (1979-2021), artista e curador indígena da etnia Makuxi, assumiu um papel central para a consolidação da Arte Indígena Contemporânea no Brasil. Meses antes de sua morte, expôs cerca de 60 obras, em uma produção que combinou pintura, escrita, desenho, instalação e performance para entrelaçar discussões entre cosmologias, narrativas míticas originárias, espiritualidade, críticas à cultura hegemônica e preocupações socioambientais. A exposição buscou ser mais do que uma introdução aos saberes dos povos originários, configurando-se como um convite para o diálogo e para uma nova forma de enxergar o mundo. Esbell debruçou-se sobre as visões em torno da árvore-pajé, Jenipapo ou Ruku, da qual se produz a tinta natural aplicada por povos indígenas em pinturas corporais e utilizada em cerimônias rituais. De coloração azul escuro, a tinta é extraída do mesocarpo e endocarpo de frutos verdes. O jenipapo é um angiosperma funcionalmente dioico que pertence à família Rubiaceae, caracterizado por apresentar fruto tipo indeiscente, cor amarelo-alaranjado, com epicarpo pardo e aroma intenso. O conhecimento dos organismos quanto à morfossistemática biológica moderna enfatiza as relações filogenéticas das espécies, diferente da classificação dos povos tradicionais, que agrupam as espécies com base em seus usos e propriedades.
Adaptado de: galeriamillan.com.br
