Questões de Vestibular Sobre artes visuais
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Paul Cézanne. A montanha de Sainte-Victoire, 1904.
Assim também o gênio de Cézanne consiste em fazer com que as deformações de perspectiva, pela disposição de conjunto do quadro, deixem de ser visíveis por si mesmas na visão global e contribuam apenas, como ocorre na visão natural, para dar impressão de uma ordem nascente, de um objeto que surge a se aglomerar sob o olhar. (...) O desenho deve então resultar da cor, se se quer que o mundo seja restituído em sua espessura, pois é uma massa sem lacunas, um organismo de cores, através das quais a fuga da perspectiva, os contornos, as retas, as curvas instalam-se como linhas de força, pois é vibrando que a órbita do espaço se constitui.
Merleau-Ponty. A dúvida de Cézanne.
Merleau-Ponty, filósofo francês do século XX, dedicou um espaço importante em sua filosofia à reflexão sobre a pintura e, em particular, à obra de Paul Cézanne.
Com base na proposição do filósofo e na observação da tela do artista, é correto afirmar que cabe à expressão por meio da pintura
Imagem ilustrativa da exposição imersiva de Van Gogh.
Nos últimos anos, exposições imersivas têm atraído um público amplo ao proporcionar experiências sensoriais e visuais baseadas em obras de artistas consagrados, muitas delas com trilha sonora, narração de cartas e projeções em altíssima definição. Contudo, parte da crítica especializada tem problematizado essa tendência de oferecer vivências multissensoriais que buscam envolver o visitante por completo. As críticas apontam implicações relacionadas à natureza da experiência estética, à espetacularização da arte, ao patrocínio corporativo e ao sucesso de público mediado pelas redes sociais. A crítica de arte Sheila Leirner, por exemplo, comenta:
Fica como se O Jardim das Delícias, A Tentação de Santo Antônio (telas de Hieronymus Bosch) e outras preciosidades como as frutas de Giuseppe Arcimboldo ou as festas campestres de Brueghel fossem ilustrações ou decorações para a grandiloquência artificial e sensacionalista de um show de cabaré. Certo, pode ser muito bonito, mas será que estas maravilhas pictóricas (em si) precisam de “efeitos especiais” para que cheguemos a elas? Até mesmo uma pequena reprodução em cartão postal pode ser mais fiel à nossa percepção...
Disponível em https://sheilaleirnerblog.wordpress.com/.
Com base nas informações e discussões apresentadas, assinale a alternativa que expressa a análise crítica mais fundamentada sobre o fenômeno das exposições imersivas:
Observe e analise a obra artística de Cildo Meireles:

Anverso e reverso de Zero Cruzeiro, de Cildo Meireles. Acervo Fundação
Cultural Banco Itaú.
Em Zero Cruzeiro, obra criada em 1978,
Capoeira, Maria Auxiliadora da Silva, técnica mista sobre tela, 69,5 x 75 x 1,5 cm, 1970. Acervo MASP.
“Maria Auxiliadora nasceu em 24 de maio de 1935, em Campo Belo, MG, numa família de 18 irmãos, gerados por Dona Maria, uma humilde bordadora, que acumulava ainda as funções de dona-de-casa, escultora e pintora. (...) Auxiliadora, ainda criança, mostra uma inclinação natural para tingir os fios que a mãe borda para fora e, com 11 anos, já desenhava, com carvão, figuras nos muros. Absorta nessa atividade, esquecia muitas vezes de olhar as panelas no fogo, e a comida da família queimava. (...) Sem conhecer perspectiva ou claroescuro, bem dentro dos princípios dos artistas autodidatas, Auxiliadora foi aprimorando sua arte. No fim dos anos 1960, juntou-se, com outros integrantes da família, como o escultor Vicente de Paula e o pintor João Cândido, ao grupo que girava em torno do músico, teatrólogo e poeta negro Solano Trindade, no Embu das Artes, SP, onde se formara um centro de artesanato, principalmente de cultura e arte de origem africana.”
D'AMBROZIO, Oscar. Maria Auxiliadora. Um cometa das artes. Adaptado.
A trajetória da artista autodidata Maria Auxiliadora da Silva desafia as estruturas convencionais do sistema de artes visuais no Brasil ao articular, em sua obra e atuação, experiências de pertencimento, identidade e resistência. Em crítica publicada no livro “Pensando a Arte”, Mário Schenberg descreve sua produção como marcada pela "vivência autêntica da vida popular", "senso mágico afro-brasileiro" e uma "imaginação construtora de arquiteturas cromáticas e lineares". Considerando a obra “Capoeira”, os comentários de Schenberg, o texto de Oscar D’Ambrozio e os debates contemporâneos sobre arte e decolonialidade, é correto afirmar:
Ao representar, no século XIX, a primeira missa realizada no Brasil, a tela
Leia o excerto a seguir e observe a imagem ao lado para responder à questão.
“Heroicização da vida cotidiana”, segundo a expressão de Baudelaire, a atitude moderna se dedica assim àquilo que advém no presente. Trata-se de se harmonizar com as novas condições de vida produzidas pela Revolução Industrial, de inventar novos modos de pensamento e estilos de vida. Essa atitude, que se caracteriza pela busca de uma existência correta em relação às circunstâncias, requer uma ética cujas bases Baudelaire estabeleceu com notável lucidez: a modernidade, explica ele, é uma paixão pela época, uma moral da moda que implica princípios de ação e uma filosofia geral.
BOURRIAUD, Nicolas. Formas de vida. Arte Moderna e a invenção de si. In: ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 355.

Henri Cartier-Bresson, Place de l’Europe, 1932. Fotografia. Disponível em: https://uploads2.wikiart.org/images/henri-cartier-bresson/place-de-l-europegare-saint-lazare-paris-1932.jpg. Acesso em: 15 abr. 2025.
Leia o excerto a seguir e observe a imagem ao lado para responder à questão.
“Heroicização da vida cotidiana”, segundo a expressão de Baudelaire, a atitude moderna se dedica assim àquilo que advém no presente. Trata-se de se harmonizar com as novas condições de vida produzidas pela Revolução Industrial, de inventar novos modos de pensamento e estilos de vida. Essa atitude, que se caracteriza pela busca de uma existência correta em relação às circunstâncias, requer uma ética cujas bases Baudelaire estabeleceu com notável lucidez: a modernidade, explica ele, é uma paixão pela época, uma moral da moda que implica princípios de ação e uma filosofia geral.
BOURRIAUD, Nicolas. Formas de vida. Arte Moderna e a invenção de si. In: ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 355.

Henri Cartier-Bresson, Place de l’Europe, 1932. Fotografia. Disponível em: https://uploads2.wikiart.org/images/henri-cartier-bresson/place-de-l-europegare-saint-lazare-paris-1932.jpg. Acesso em: 15 abr. 2025.
A arte naturalista e telúrica de Sanatan retrata as fitofisionomias do bioma Cerrado Arte Cerrado: atendo-se à realidade, tão fielmente retratada em sua pintura, Sanatan, mais que um paisagista, é um ‘naturalista’
Disponível em: https://encurtador.com.br/B3gJh. Acesso em: 06 maio 2025.
Sobre a arte naturalista e telúrica de Sanatan, verifica-se o seguinte:
Veja a Figura para responder a Questão.

Fonte: Antônio de Pereda - Alegoria da Vaidade (1634) Oleo sobre tela. Disponível em: https://www.meisterdrucke.pt/impressoesartisticas-sofisticadas/Antonio-Pereda-y-Salgado/36286/Vaidade,- c.1634.html. Acesso em: 09/07/2024.
Por volta de 1650 difundiu-se na Europa ocidental um gênero de representação pictórica bastante popular na era barroca. A historiografia da arte o denominou de Vanitas, interpretado como “vaidade”. Nesse sentido, considerando a Figura I, é possível afirmar que:
CLARK, Lygia. Planos em superfície modulada n. 5. Tinta industrial
sobre madeira. Dimensões: 80 cm x 70 cm. 1957. Disponível em:
https://portal.lygiaclark.org.br/acervo/74/planos-em-superficiemodulada. Acesso em: 15 abr. 2024.
Fonte: Antônio de Pereda - Alegoria da Vaidade (1634) Óleo sobre tela. Disponível em: https://www.meisterdrucke.pt/impressoesartisticas-sofisticadas/Antonio-Pereda-y-Salgado/36286/Vaidade,- c.1634.html. Acesso em: 09/07/2024.
Por volta de 1650 difundiu-se na Europa ocidental um gênero de representação pictórica bastante popular na era barroca. A historiografia da arte o denominou de Vanitas, interpretado como “vaidade”. Nesse sentido, considerando a FIGURA I, é possível afirmar que:
(Luzia Gontijo Rodrigues. “A arte para além da estética: arte contemporânea e o discurso dos artistas”. Artefilosofia, 2008.)
Considerando o objeto referido no excerto, a mudança na concepção de arte, mencionada pela autora, corresponde
(In: Georges Duby e Michel Laclotte (orgs.). História artística da Europa: A Idade Média II, 1998.)
A representação expõe
(https://museudarepublica.museus.gov.br)
A tela simboliza
A obra Mestiço (óleo sobre tela, 81 cm x 65 cm), de Cândido Portinari, foi a primeira obra do artista adquirida por uma instituição pública, a Pinacoteca em São Paulo. Portinari nasceu no interior de São Paulo, em uma fazenda de Café, em dezembro de 1903, e faleceu em 1962 por intoxicação causada por metais das suas tintas. Foi uma figura chave do movimento modernista brasileiro, e teve suas obras expostas nos Estados Unidos e na Europa. Para o artista, tanto cor quanto forma têm igual importância, e o ser humano é o principal elemento de suas obras, que retrataram especialmente a realidade do povo brasileiro.

Disponível em: https://www.portinari.org.br/acervo/obras/17929/mestico. Acesso em: 06 jul. 2024.
Com base nessa obra e na vida de Cândido Portinari, leia os fragmentos que seguem e assinale V (para verdadeiro) ou F (para falso).
( ) A obra faz parte da série Retirantes, uma das séries de pinturas mais famosas e importantes do pintor, que tem como temática o Brasil e suas injustiças sociais.
( ) A obra retrata um trabalhador de uma lavoura de café, mostrando sua força e dignidade, representando a formação da identidade nacional e a mistura e miscigenação como força do povo brasileiro, enaltecendo a classe trabalhadora rural da época.
( ) Apesar de suas obras terem características nacionalistas e o pintor ter como traço marcante de suas obras a temática social e os problemas concretos do Brasil, Portinari nunca se envolveu com questões políticas ou causas sociais do país.
( ) Suas obras misturam as técnicas da pintura acadêmica com a influência das vanguardas modernistas, como o cubismo, o surrealismo e o muralismo mexicano, mas têm como temática o Brasil.
( ) Na década de 1930, ao retornar ao Brasil, Portinari passa a retratar o país em suas obras, entre elas o Mestiço, O Lavrador de Café, Os Despejados e Café, que destacam tanto a beleza e alegria do Brasil quanto as aflições e os problemas do povo brasileiro.
Assinale a alternativa que apresenta, de cima para baixo, a sequência correta.
Leia o texto a seguir.

O que a Fotografia reproduz ao infinito só ocorreu uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente.[...] A Fotografia pode revelar (no sentido químico do termo) mais do que ela revela.
(BARTHES, Roland. A câmara clara. Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro. 1984. p.13;154.)
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, os elementos estruturantes que compõem a linguagem fotográfica.
(A) Resulta da eliminação de uma modelação naturalista e crença no valor expressivo das formas simples, mas com um valor plástico.
(B) Resulta da intenção de provocar questionamentos sobre a arte, uso de materiais produzidos em série e deslocados do ambiente.
(C) Resulta da recusa de qualquer relação com a imobilidade, traz o movimento sem uma representação realista, com linhas retas e curvas.
(D) Resulta da vontade de transmitir e exaltar os valores nacionais, recusa ao abstracionismo, abstração e altamente idealizadas.
(E) Resulta da concepção de arte relacionada à pesquisa e utilização de elementos da natureza e sua defesa.
Assinale a alternativa que contém a associação correta.
Analise duas gravuras produzidas por Andy Warhol: “Latas de sopa Campbell”, de 1962, e “Mao”, de 1972-1974.

(https://moma.org)

(https://publicdelivery.org)
A comparação entre as duas obras permite identificar a proposta artística de