Foram encontradas 2.024.438 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q4382969 Matemática
Uma cooperativa agrícola colheu 250 kg de grãos de café e os embalou em pacotes de 250 g cada. Durante a primeira semana de vendas, foram comercializados 400 desses pacotes. Considerando que todos os grãos coletados foram embalados, assinale a alternativa que apresenta a quantidade de pacotes que restaram no estoque após essa primeira semana de vendas.
Alternativas
Q4382968 Matemática
Um videogame de última geração tem seu preço de tabela fixado em R$ 4.000,00. Em uma queima de estoque, a loja oferece um desconto de 20% sobre o preço original para pagamentos à vista. Assinale a alternativa que apresenta o valor do videogame com o desconto aplicado.
Alternativas
Q4382967 Matemática

Assinale a alternativa que corresponde à maior raiz real da solução da seguinte equação:


x2 + 8x − 20 = 0

Alternativas
Q4382966 Matemática
Para preparar uma mistura química, um técnico percebeu que “o quádruplo de um número desconhecido, subtraído de 7, é igual ao dobro desse mesmo número, somado com 13”. Assinale a alternativa que satisfaça essa condição.
Alternativas
Q4382965 Matemática
Assinale a alternativa que corresponde ao valor da soma das seguintes frações na forma irredutível: 

Q10.png (91×57)
Alternativas
Q4382964 Matemática
Assinale a alternativa que corresponde ao valor da seguinte expressão numérica: 50 – {10 + [25 – (15 – 4)] + 5}.
Alternativas
Q4382963 Português
Conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa que NÃO apresenta um adjetivo pátrio.
Alternativas
Q4382962 Português
Assinale a alternativa que apresenta a figura de linguagem utilizada pelo autor da tirinha abaixo.

Q7.png (235×602)
Disponível em: https://cartum.folha.uol.com.br/quadrinhos/2025/02/15/bicudinhocaco-galhardo.shtml. Acesso em: 08 dez. 2025.
Alternativas
Q4382961 Português
Assinale a alternativa correta quanto à acentuação das palavras, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa e o acordo ortográfico vigente.
Alternativas
Q4382960 Português
Assinale a alternativa que apresenta o uso adequado da crase, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q4382959 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.


A escrava


    Em um salão onde se achavam reunidas muitas pessoas distintas, e bem colocadas na sociedade, e depois de versar a conversação sobre diversos assuntos mais ou menos interessantes, recaiu sobre o elemento servil. 

    O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. Começou a discussão.

     — Admira-me — disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —, faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!

    Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:

    — Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!... Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?

    Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações livres; por isso que o estigma da escravidão, pelo cruzamento das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde procurará um dentre nós, convencer ao estrangeiro que em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...

    E depois, o caráter que nos imprime e nos envergonha!

    O escravo é olhado por todos como vítima — e o é.

    O senhor, que papel representa na opinião social?

    O senhor é o verdugo — e esta qualificação é hedionda.

    Eu vou narrar-vos, se me quiserdes prestar atenção, um fato que ultimamente se deu. Poderia citar-vos uma infinidade deles; mas este basta, para provar o que acabo de dizer sobre o algoz e a vítima.

     E ela começou:

    — Era uma tarde de agosto, bela como um ideal de mulher, poética como um suspiro de virgem, melancólica e suave como sons longínquos de um alaúde misterioso.

    Eu cismava, embevecida na beleza natural das alterosas palmeiras que se curvaram gemebundas, ao sopro do vento, que gemia na costa.

    E o sol, dardejando seus raios multicores, pendia para o ocaso em rápida carreira.

    Não sei que sensações desconhecidas me agitavam, não sei!... Mas sentia-me com disposições para o pranto.

    De repente uns gritos lastimosos, uns soluços angustiados feriram-me os ouvidos, e uma mulher correndo, e em completo desalinho, passou por diante de mim, e como uma sombra desapareceu.

    Segui-a com a vista. Ela espavorida, e trêmula, deu volta em torno de uma grande moita de murta, e colando-se no chão nela se ocultou.

    Surpresa com a aparição daquela mulher, que parecia foragida, daquela mulher que um minuto antes quebrara a solidão com seus ais lamentosos, com gemidos magoados, com gritos de suprema angústia, permaneci com a vista alongada e o olhar fixo, no lugar que a vi ocultar-se.

    Ela muda, e imóvel, ali quedou-se.

    Eu então a mim mesma, interroguei:

    — Quem será a desditosa?

    Ia procurá-la — coitada! Uma palavra de animação, um socorro, algum serviço, lembrei-me, poderia prestar-lhe. Erguime. Mas, no momento mesmo em que este pensamento, que acode a todo homem em idênticas circunstâncias, se me despertava, um homem apareceu no extremo oposto do caminho.

    Era ele de cor parda, de estatura elevada, largas espáduas, cabelos negros, e anelados.

    Fisionomia sinistra era a desse homem, que brandia, brutalmente, na mão direita um azorrague repugnante; e da esquerda deixava pender uma delgada corda de linho.

     — Inferno! Maldição! — bradara ele com voz rouca. — Onde estará ela? — e perscrutava com a vista por entre os arvoredos desiguais que desfilavam à margem da estrada.

    — Tu me pagarás — resmungava ele. — E aproximando-se de mim:

    Não viu, minha senhora — interrogou com acento, cuja dureza procurava reprimir —, não viu por aqui passar uma negra, que me fugiu das mãos ainda há pouco? Uma negra que se finge doida... Tenho as calças rotas de correr atrás dela por estas brenhas. Já não tenho fôlego.

    Aquele homem de aspecto feroz era o algoz daquela pobre vítima, compreendi com horror. De pronto, tive um expediente:

    — Vi-a — tornei-lhe com a naturalidade que o caso exigia —, vi-a, e ela também me viu, corria em direção a este lugar; mas, parecendo intimidar-se com minha presença, tomou direção oposta, volvendo-se repentinamente sobre seus passos. Por fim, vi-a desaparecer, internando-se na espessura, muito além da senda que ali se abre.

    E, dizendo isto, indiquei-lhe com um aceno a senda que ficava a mais de cem passos de distância, aquém do morro em que me achava.

    Minhas palavras inexatas, o ardiu de que me servi, visavam a fazê-lo retroceder: logrei o meu intento.


REIS, Maria Firmina dos. A escrava. 2. ed. Brasília: Edições Câmara, 2019. Adaptado. 
Leia o trecho abaixo, retirado do texto, para responder à questão.

“E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!...”

De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e considerando o contexto do excerto, os verbos em destaque estão conjugados, respectivamente, no 
Alternativas
Q4382958 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.


A escrava


    Em um salão onde se achavam reunidas muitas pessoas distintas, e bem colocadas na sociedade, e depois de versar a conversação sobre diversos assuntos mais ou menos interessantes, recaiu sobre o elemento servil. 

    O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. Começou a discussão.

     — Admira-me — disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —, faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!

    Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:

    — Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!... Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?

    Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações livres; por isso que o estigma da escravidão, pelo cruzamento das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde procurará um dentre nós, convencer ao estrangeiro que em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...

    E depois, o caráter que nos imprime e nos envergonha!

    O escravo é olhado por todos como vítima — e o é.

    O senhor, que papel representa na opinião social?

    O senhor é o verdugo — e esta qualificação é hedionda.

    Eu vou narrar-vos, se me quiserdes prestar atenção, um fato que ultimamente se deu. Poderia citar-vos uma infinidade deles; mas este basta, para provar o que acabo de dizer sobre o algoz e a vítima.

     E ela começou:

    — Era uma tarde de agosto, bela como um ideal de mulher, poética como um suspiro de virgem, melancólica e suave como sons longínquos de um alaúde misterioso.

    Eu cismava, embevecida na beleza natural das alterosas palmeiras que se curvaram gemebundas, ao sopro do vento, que gemia na costa.

    E o sol, dardejando seus raios multicores, pendia para o ocaso em rápida carreira.

    Não sei que sensações desconhecidas me agitavam, não sei!... Mas sentia-me com disposições para o pranto.

    De repente uns gritos lastimosos, uns soluços angustiados feriram-me os ouvidos, e uma mulher correndo, e em completo desalinho, passou por diante de mim, e como uma sombra desapareceu.

    Segui-a com a vista. Ela espavorida, e trêmula, deu volta em torno de uma grande moita de murta, e colando-se no chão nela se ocultou.

    Surpresa com a aparição daquela mulher, que parecia foragida, daquela mulher que um minuto antes quebrara a solidão com seus ais lamentosos, com gemidos magoados, com gritos de suprema angústia, permaneci com a vista alongada e o olhar fixo, no lugar que a vi ocultar-se.

    Ela muda, e imóvel, ali quedou-se.

    Eu então a mim mesma, interroguei:

    — Quem será a desditosa?

    Ia procurá-la — coitada! Uma palavra de animação, um socorro, algum serviço, lembrei-me, poderia prestar-lhe. Erguime. Mas, no momento mesmo em que este pensamento, que acode a todo homem em idênticas circunstâncias, se me despertava, um homem apareceu no extremo oposto do caminho.

    Era ele de cor parda, de estatura elevada, largas espáduas, cabelos negros, e anelados.

    Fisionomia sinistra era a desse homem, que brandia, brutalmente, na mão direita um azorrague repugnante; e da esquerda deixava pender uma delgada corda de linho.

     — Inferno! Maldição! — bradara ele com voz rouca. — Onde estará ela? — e perscrutava com a vista por entre os arvoredos desiguais que desfilavam à margem da estrada.

    — Tu me pagarás — resmungava ele. — E aproximando-se de mim:

    Não viu, minha senhora — interrogou com acento, cuja dureza procurava reprimir —, não viu por aqui passar uma negra, que me fugiu das mãos ainda há pouco? Uma negra que se finge doida... Tenho as calças rotas de correr atrás dela por estas brenhas. Já não tenho fôlego.

    Aquele homem de aspecto feroz era o algoz daquela pobre vítima, compreendi com horror. De pronto, tive um expediente:

    — Vi-a — tornei-lhe com a naturalidade que o caso exigia —, vi-a, e ela também me viu, corria em direção a este lugar; mas, parecendo intimidar-se com minha presença, tomou direção oposta, volvendo-se repentinamente sobre seus passos. Por fim, vi-a desaparecer, internando-se na espessura, muito além da senda que ali se abre.

    E, dizendo isto, indiquei-lhe com um aceno a senda que ficava a mais de cem passos de distância, aquém do morro em que me achava.

    Minhas palavras inexatas, o ardiu de que me servi, visavam a fazê-lo retroceder: logrei o meu intento.


REIS, Maria Firmina dos. A escrava. 2. ed. Brasília: Edições Câmara, 2019. Adaptado. 
No trecho “Eu então a mim mesma, interroguei: — Quem será a desditosa?”, a palavra em destaque pode ser substituída, mantendo o sentido original, por
Alternativas
Q4382957 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.


A escrava


    Em um salão onde se achavam reunidas muitas pessoas distintas, e bem colocadas na sociedade, e depois de versar a conversação sobre diversos assuntos mais ou menos interessantes, recaiu sobre o elemento servil. 

    O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. Começou a discussão.

     — Admira-me — disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —, faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!

    Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:

    — Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!... Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?

    Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações livres; por isso que o estigma da escravidão, pelo cruzamento das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde procurará um dentre nós, convencer ao estrangeiro que em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...

    E depois, o caráter que nos imprime e nos envergonha!

    O escravo é olhado por todos como vítima — e o é.

    O senhor, que papel representa na opinião social?

    O senhor é o verdugo — e esta qualificação é hedionda.

    Eu vou narrar-vos, se me quiserdes prestar atenção, um fato que ultimamente se deu. Poderia citar-vos uma infinidade deles; mas este basta, para provar o que acabo de dizer sobre o algoz e a vítima.

     E ela começou:

    — Era uma tarde de agosto, bela como um ideal de mulher, poética como um suspiro de virgem, melancólica e suave como sons longínquos de um alaúde misterioso.

    Eu cismava, embevecida na beleza natural das alterosas palmeiras que se curvaram gemebundas, ao sopro do vento, que gemia na costa.

    E o sol, dardejando seus raios multicores, pendia para o ocaso em rápida carreira.

    Não sei que sensações desconhecidas me agitavam, não sei!... Mas sentia-me com disposições para o pranto.

    De repente uns gritos lastimosos, uns soluços angustiados feriram-me os ouvidos, e uma mulher correndo, e em completo desalinho, passou por diante de mim, e como uma sombra desapareceu.

    Segui-a com a vista. Ela espavorida, e trêmula, deu volta em torno de uma grande moita de murta, e colando-se no chão nela se ocultou.

    Surpresa com a aparição daquela mulher, que parecia foragida, daquela mulher que um minuto antes quebrara a solidão com seus ais lamentosos, com gemidos magoados, com gritos de suprema angústia, permaneci com a vista alongada e o olhar fixo, no lugar que a vi ocultar-se.

    Ela muda, e imóvel, ali quedou-se.

    Eu então a mim mesma, interroguei:

    — Quem será a desditosa?

    Ia procurá-la — coitada! Uma palavra de animação, um socorro, algum serviço, lembrei-me, poderia prestar-lhe. Erguime. Mas, no momento mesmo em que este pensamento, que acode a todo homem em idênticas circunstâncias, se me despertava, um homem apareceu no extremo oposto do caminho.

    Era ele de cor parda, de estatura elevada, largas espáduas, cabelos negros, e anelados.

    Fisionomia sinistra era a desse homem, que brandia, brutalmente, na mão direita um azorrague repugnante; e da esquerda deixava pender uma delgada corda de linho.

     — Inferno! Maldição! — bradara ele com voz rouca. — Onde estará ela? — e perscrutava com a vista por entre os arvoredos desiguais que desfilavam à margem da estrada.

    — Tu me pagarás — resmungava ele. — E aproximando-se de mim:

    Não viu, minha senhora — interrogou com acento, cuja dureza procurava reprimir —, não viu por aqui passar uma negra, que me fugiu das mãos ainda há pouco? Uma negra que se finge doida... Tenho as calças rotas de correr atrás dela por estas brenhas. Já não tenho fôlego.

    Aquele homem de aspecto feroz era o algoz daquela pobre vítima, compreendi com horror. De pronto, tive um expediente:

    — Vi-a — tornei-lhe com a naturalidade que o caso exigia —, vi-a, e ela também me viu, corria em direção a este lugar; mas, parecendo intimidar-se com minha presença, tomou direção oposta, volvendo-se repentinamente sobre seus passos. Por fim, vi-a desaparecer, internando-se na espessura, muito além da senda que ali se abre.

    E, dizendo isto, indiquei-lhe com um aceno a senda que ficava a mais de cem passos de distância, aquém do morro em que me achava.

    Minhas palavras inexatas, o ardiu de que me servi, visavam a fazê-lo retroceder: logrei o meu intento.


REIS, Maria Firmina dos. A escrava. 2. ed. Brasília: Edições Câmara, 2019. Adaptado. 
Assinale a alternativa INCORRETA quanto à grafia das palavras retiradas do texto, de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q4382956 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.


A escrava


    Em um salão onde se achavam reunidas muitas pessoas distintas, e bem colocadas na sociedade, e depois de versar a conversação sobre diversos assuntos mais ou menos interessantes, recaiu sobre o elemento servil. 

    O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. Começou a discussão.

     — Admira-me — disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —, faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!

    Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:

    — Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!... Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?

    Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações livres; por isso que o estigma da escravidão, pelo cruzamento das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde procurará um dentre nós, convencer ao estrangeiro que em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...

    E depois, o caráter que nos imprime e nos envergonha!

    O escravo é olhado por todos como vítima — e o é.

    O senhor, que papel representa na opinião social?

    O senhor é o verdugo — e esta qualificação é hedionda.

    Eu vou narrar-vos, se me quiserdes prestar atenção, um fato que ultimamente se deu. Poderia citar-vos uma infinidade deles; mas este basta, para provar o que acabo de dizer sobre o algoz e a vítima.

     E ela começou:

    — Era uma tarde de agosto, bela como um ideal de mulher, poética como um suspiro de virgem, melancólica e suave como sons longínquos de um alaúde misterioso.

    Eu cismava, embevecida na beleza natural das alterosas palmeiras que se curvaram gemebundas, ao sopro do vento, que gemia na costa.

    E o sol, dardejando seus raios multicores, pendia para o ocaso em rápida carreira.

    Não sei que sensações desconhecidas me agitavam, não sei!... Mas sentia-me com disposições para o pranto.

    De repente uns gritos lastimosos, uns soluços angustiados feriram-me os ouvidos, e uma mulher correndo, e em completo desalinho, passou por diante de mim, e como uma sombra desapareceu.

    Segui-a com a vista. Ela espavorida, e trêmula, deu volta em torno de uma grande moita de murta, e colando-se no chão nela se ocultou.

    Surpresa com a aparição daquela mulher, que parecia foragida, daquela mulher que um minuto antes quebrara a solidão com seus ais lamentosos, com gemidos magoados, com gritos de suprema angústia, permaneci com a vista alongada e o olhar fixo, no lugar que a vi ocultar-se.

    Ela muda, e imóvel, ali quedou-se.

    Eu então a mim mesma, interroguei:

    — Quem será a desditosa?

    Ia procurá-la — coitada! Uma palavra de animação, um socorro, algum serviço, lembrei-me, poderia prestar-lhe. Erguime. Mas, no momento mesmo em que este pensamento, que acode a todo homem em idênticas circunstâncias, se me despertava, um homem apareceu no extremo oposto do caminho.

    Era ele de cor parda, de estatura elevada, largas espáduas, cabelos negros, e anelados.

    Fisionomia sinistra era a desse homem, que brandia, brutalmente, na mão direita um azorrague repugnante; e da esquerda deixava pender uma delgada corda de linho.

     — Inferno! Maldição! — bradara ele com voz rouca. — Onde estará ela? — e perscrutava com a vista por entre os arvoredos desiguais que desfilavam à margem da estrada.

    — Tu me pagarás — resmungava ele. — E aproximando-se de mim:

    Não viu, minha senhora — interrogou com acento, cuja dureza procurava reprimir —, não viu por aqui passar uma negra, que me fugiu das mãos ainda há pouco? Uma negra que se finge doida... Tenho as calças rotas de correr atrás dela por estas brenhas. Já não tenho fôlego.

    Aquele homem de aspecto feroz era o algoz daquela pobre vítima, compreendi com horror. De pronto, tive um expediente:

    — Vi-a — tornei-lhe com a naturalidade que o caso exigia —, vi-a, e ela também me viu, corria em direção a este lugar; mas, parecendo intimidar-se com minha presença, tomou direção oposta, volvendo-se repentinamente sobre seus passos. Por fim, vi-a desaparecer, internando-se na espessura, muito além da senda que ali se abre.

    E, dizendo isto, indiquei-lhe com um aceno a senda que ficava a mais de cem passos de distância, aquém do morro em que me achava.

    Minhas palavras inexatas, o ardiu de que me servi, visavam a fazê-lo retroceder: logrei o meu intento.


REIS, Maria Firmina dos. A escrava. 2. ed. Brasília: Edições Câmara, 2019. Adaptado. 
A personagem, ao narrar o episódio da perseguição à mulher escravizada, busca instigar uma reação, um sentimento. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta o efeito produzido no leitor.
Alternativas
Q4382935 Contabilidade Pública
Em 31 de dezembro, o contador de determinado Poder verifica os seguintes eventos:

I. despesa regularmente empenhada e liquidada, ainda não paga;
II. despesa empenhada relativa a obrigação contratual cujo objeto ainda não foi entregue;
III. obrigação assumida nos últimos dois quadrimestres do mandato, com parcela a pagar no exercício seguinte, sem disponibilidade de caixa suficiente;
IV. serviço efetivamente recebido antes do encerramento do exercício, com obrigação patrimonial presente, embora a liquidação orçamentária não tenha sido formalmente concluída.

Com base na Lei nº 4.320/1964, na LRF e na lógica patrimonial da CASP, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4382934 Direito Administrativo
Após a celebração de contrato administrativo, sobrevém evento extraordinário enquadrável nas hipóteses legais de recomposição da equação econômicofinanceira. A Administração reconhece tecnicamente a ocorrência, mas sustenta que eventual recomposição somente poderia ocorrer por ocasião da prorrogação contratual e desde que houvesse saldo na dotação originariamente estimada. Considerando a Lei nº 14.133/2021, assinale a alternativa mais adequada.
Alternativas
Q4382933 Banco de Dados
Para implantação de plataforma corporativa de Business Intelligence, determinado ente público pretende integrar dados provenientes dos sistemas de execução orçamentária e financeira, folha de pagamento, arrecadação tributária, licitações, contratos e patrimônio. O projeto técnico prevê as seguintes características:

I. Os dados dos sistemas transacionais serão extraídos periodicamente para repositório analítico, preservando-se mecanismos que permitam identificar a fonte, o momento da extração e as transformações aplicadas;
II. Para acelerar correções, usuários da controladoria poderão alterar diretamente valores consolidados no painel, sem modificação da base de origem, desde que registrem justificativa em campo de texto;
III. Serão adotados perfis de acesso diferenciados, inclusive porque determinados conjuntos utilizados na análise contêm dados pessoais que não são necessários a todos os usuários;
IV. Indicadores gerenciais serão calculados mediante regras parametrizadas e versionadas, permitindo identificar qual regra estava vigente na geração de determinado relatório;
V. Após a consolidação dos dados no ambiente analítico, os registros de origem poderão ser eliminados sempre que o painel reproduzir seus valores, pois a consistência matemática entre totalizadores é suficiente para garantir auditabilidade.

À luz dos requisitos de governança da informação, controles internos, auditabilidade e proteção de dados, assinale a alternativa que apresenta a avaliação tecnicamente mais adequada.
Alternativas
Q4382932 Controle Externo
Acerca do sistema constitucional de controle externo, analise:

I. O controle externo da União é exercido pelo Congresso Nacional com auxílio do Tribunal de Contas da União.
II. Compete ao Tribunal de Contas julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos, nas hipóteses constitucionalmente estabelecidas.
III. As contas anuais do Presidente da República são julgadas definitivamente pelo TCU.
IV. A fiscalização constitucional compreende, entre outros aspectos, legalidade, legitimidade e economicidade.

A sequência correta é:
Alternativas
Q4382931 Contabilidade Pública
Ao realizar a conciliação bancária em 31 de dezembro, o contador de uma autarquia encontrou saldo contábil positivo de R$ 1.284.000 na conta Bancos e saldo positivo de R$ 1.402.000 no extrato bancário. Foram identificados os seguintes eventos:

I. Cheques emitidos e corretamente contabilizados pela autarquia, no total de R$ 168.000, ainda não apresentados ao banco;
II. Depósito de R$ 96.000 efetuado e corretamente contabilizado em 31 de dezembro, ainda não creditado pelo banco;
III. Tarifa bancária de R$ 12.000 debitada pelo banco, ainda não contabilizada pela autarquia;
IV. Crédito de R$ 40.000 efetuado pelo banco e já integrante do saldo do extrato, relativo a receita pertencente à autarquia, ainda não contabilizado;
V. Pagamento a fornecedor no valor de R$ 24.000 corretamente processado pelo banco, mas registrado pela contabilidade, por equívoco, como saída de R$ 42.000.

Após distinguir as diferenças temporárias de conciliação dos fatos que efetivamente exigem ajuste na escrituração, o saldo contábil ajustado da conta Bancos será: 
Alternativas
Q4382930 Administração Financeira e Orçamentária
Lei municipal cria benefício financeiro mensal por prazo indeterminado, produzindo aumento de despesa corrente a partir de julho de 2027. O projeto foi acompanhado da estimativa de impacto para 2027, 2028 e 2029, mas não demonstrou a origem dos recursos para custeio nem apresentou mecanismo permanente de compensação, embora o aumento comprometa as metas fiscais. À luz da LRF, a criação da despesa: 
Alternativas
Respostas
16921: C
16922: D
16923: C
16924: B
16925: A
16926: A
16927: A
16928: A
16929: E
16930: D
16931: B
16932: C
16933: A
16934: E
16935: D
16936: A
16937: B
16938: D
16939: C
16940: B