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Q3615103 Português

Celular antes dos 13 impacta saúde mental e pode afetar 1 em cada 3 jovens da próxima geração, diz estudo

Pesquisa mostra que quanto mais cedo o primeiro smartphone chega, piores são os indicadores de saúde mental, como autoestima, regulação emocional e resiliência


Desde os anos 2000, o celular se tornou praticamente um apêndice da infância. A promessa de conexão e entretenimento – tudo na palma da mão – veio acompanhada de riscos pouco visíveis, mas com impactos significativos. Um estudo recém- -publicado no Journal of Human Development and Capabilities aborda justamente o que mais está em jogo nessa história: a saúde mental. Uma das descobertas mais importantes do estudo é que, quanto mais jovem a geração, pior tende a ser o nível de saúde mental e bem-estar. Isso contrasta com o que se observava historicamente: uma curva em formato de U ao longo da vida, em que o bem-estar costumava cair na meia-idade, mas melhorava novamente com o tempo.


(Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/. Acesso em: julho de 2025.)


A problemática do uso de smartphones por crianças e adolescentes é uma questão que desperta a cooperação entre familiares, escolas, sociedade, empresas e Estado. Nesse sentido, são medidas para o enfrentamento dessa realidade:

Alternativas
Q3615102 Português

Relatório mostra déficit de professores para a educação básica até 2030

Escassez de profissionais é preocupação mundial; no Brasil, o número de jovens até 24 anos na docência caiu 42%


Jornadas de trabalho exaustivas, acúmulo de funções e carreiras pouco atrativas fazem parte da realidade de professores não só no Brasil, mas no mundo, mostra relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lançado em português na terça-feira (22/7). O Relatório Global sobre Professores mostra como a escassez de profissionais afeta a educação dos países. O levantamento mostra que são necessários mais 44 milhões de docentes para dar conta da educação primária e secundária até 2030.


(Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/. Acesso em: julho de 2025.)


A escassez de profissionais da educação é uma realidade alarmante, que se agrava ao longo dos anos e preocupa diferentes países. Com foco no Brasil, onde a docência tem se tornado cada vez mais uma trajetória profissional de menor pretensão entre os vestibulandos, podem ser apontadas como medidas para modificar esse cenário: 

Alternativas
Q3615101 Português

Energia solar distribuída por assinatura vira alternativa à alta da conta de luz

Modelo por assinatura de energia solar atrai brasileiros em busca de economia e estabilidade.


Com a bandeira tarifária vermelha mantida para julho, consumidores de todo o país enfrentam aumentos na conta de luz. O adicional de R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos, somado à maior demanda por aquecedores e chuveiros elétricos durante o inverno, pressiona orçamentos familiares e empresariais. E é sob esse cenário que tem crescido a adesão a modelos alternativos de fornecimento de energia, incluindo a geração distribuída solar. Esse modelo permite que consumidores tenham acesso à energia solar sem a necessidade de instalar painéis em suas residências ou empresas.


(Disponível em: https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/. Acesso em: julho de 2025.) 


Com o crescimento constante na demanda pelo consumo de energia elétrica, novas alternativas para a produção têm se destacado, como a geração energética solar. Para atender às necessidades da população, o modelo de energia solar por assinatura pode se apresentar como solução para economia e preservação do ambiente, porque:

Alternativas
Q3615100 Português

Investir em educação para meninas: um passo essencial para o desenvolvimento sustentável


Quando pensamos em desenvolvimento sustentável, é comum associar o tema às inovações tecnológicas e à preservação ambiental. No entanto, há um pilar essencial, e muitas vezes invisível, que sustenta todas essas transformações: a educação. E, dentro desse universo, investir na educação de meninas é uma das estratégias mais eficazes para transformar realidades e construir sociedades mais justas e inclusivas. De acordo com um relatório da UNESCO divulgado no ano passado, o custo para a economia global da evasão escolar e da falta de educação pode chegar a 10 bilhões de dólares por ano até 2030 – valor superior à soma dos PIBs anuais da França e do Japão juntos.


(Disponível em: https://al1.com.br/informacao/noticias/156363/. Acesso em: julho de 2025.)


O desenvolvimento sustentável não se faz sem educação. Logo, as meninas são as mais afetadas nesse cenário, sobretudo, aquelas de baixa renda. Dessa forma, podem ser apontadas como medidas para garantir sua permanência nas escolas: 

Alternativas
Q3615099 Português

Ana Maria Gonçalves é a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras


A publicitária, escritora, roteirista e dramaturga Ana Maria Gonçalves foi eleita na tarde desta quinta-feira (10) para a cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras, vaga aberta com a morte de Evanildo Bechara. Ela se torna a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira da academia, que completa este mês 128 anos. Ana Maria obteve 30 votos. Em segundo lugar ficou Eliane Potiguara. Mineira de Ibiá, Ana Maria Gonçalves tem 55 anos e é autora, entre outras obras, de “Um defeito de cor” (Record), que conta a trajetória de uma menina nascida no Reino do Daomé e capturada como escrava aos 8 anos, até a sua volta à terra natal. O livro, multipremiado, inspirou o enredo da Portela para o carnaval 2024. A personagem principal é inspirada em Luísa Mahin, uma das lideranças da Revolta dos Malês.


(Disponível em: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/. Acesso em: julho de 2025.) 

A Academia Brasileira de Letras (ABL) é a instituição de maior destaque, em território nacional, voltada à literatura. Nesse sentido, a eleição da Ana Maria Gonçalves como a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira nesse espaço é significativa, pois: 
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Q3615098 Raciocínio Lógico
José é pai de Marcos. Marcos tem dois irmãos chamados Pedro e Renata. Ana é sobrinha de Renata. Qual é a relação entre José e Ana?
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Q3615097 Matemática
Considere o número 78.452. Qual é a soma dos valores posicionais dos algarismos 7 e 4 nesse número?
Alternativas
Q3615096 Raciocínio Lógico
Sabe-se que Maria trabalha de segunda a sexta-feira e folga aos finais de semana. Em um mês com 30 dias que começou em uma quinta-feira, quantos dias úteis ela trabalhará? 
Alternativas
Q3615095 Raciocínio Lógico
Qual das figuras citadas a seguir possui somente duas linhas de simetria?
Alternativas
Q3615094 Matemática

Carlos foi ao mercado com uma lista de compras e verificou os preços dos seguintes itens:


• 2 pacotes de arroz a R$ 32,50 cada;

• 1 litro de leite a R$ 7,50;

• 3 barras de chocolate a R$ 8,50 cada;

• 1 pacote de café a R$ 32,00; e

• 2 refrigerantes a R$ 9,50 cada.


Quanto Carlos gastou no total?

Alternativas
Q3615093 Raciocínio Lógico

Em uma fila com cinco pessoas (Ana, Bruno, Carlos, Daniela e Eduardo), sabe-se que:


• Ana está imediatamente à frente de Carlos;

• Daniela está entre Bruno e Eduardo; e

• Bruno é o primeiro da fila.


Quem está na última posição?

Alternativas
Q3615092 Matemática
Para uma festa de aniversário infantil, Carla encomendou 290 doces. Ela convidou 30 pessoas, mas 6 delas faltaram. Ao organizar a mesa para os doces, percebeu que houve um erro na encomenda e faltaram 50 unidades. Se todos os doces restantes forem divididos igualmente entre os convidados presentes, quantos doces cada um poderá comer? 
Alternativas
Q3615091 Raciocínio Lógico
Tiago está planejando uma viagem para comemorar seu aniversário, que acontece no dia 5 de setembro. Ele sabe que o dia 1º de agosto cairá numa terça-feira do ano. Com base nas informações, em qual dia da semana cairá o aniversário de Tiago?
Alternativas
Q3615090 Raciocínio Lógico
Marcos desenhou a letra “L” no papel, na posição inicial correta da letra. Ao girar esse papel 90° no sentido horário, e depois 180° no sentido anti-horário a partir da nova posição, é correto afirmar que a base “L” estará: 
Alternativas
Q3615089 Raciocínio Lógico

Observe a sequência a seguir:


7 – 10 – 16 – 25 – 37 – ?


Qual é o próximo número da sequência?

Alternativas
Q3615088 Português

O conde e o passarinho


    Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos. Suas crônicas alegram-se e se entristecem com frequência de nomes de pássaros nacionais que eu só conheço de ouvir dizer – o que me dá um certo complexo de inferioridade. Já andei, certa vez, planejando estudar ornitologia por causa disto, e lembro-me de que na viagem que fiz com ele à sua Cachoeiro do Itapemirim, quando da homenagem que lhe prestou a cidade, foi com um sentimento de gula que recebi o maravilhoso disco de pios artificiais de passarinhos, feito pela família Coelho, que disso criou uma pequena indústria local. Tais projetos nunca foram adiante, como vários outros, entre os quais um de estudar carpintaria: e este, inclusive, concertado com o próprio Rubem – e que resultou em arrancarmos, ato contínuo, a porta da garagem da minha antiga casa, sairmos meia hora depois para matar o calor com uma cerveja gelada, e nunca mais voltarmos à dita porta, que se quedou jazente por dias a fio, vítima de nossa impostura.

    O Braga conhece bem sua passarada, isso ninguém lhe tira. O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, segundo me conta minha irmã Lygia, testemunha ocular do mesmo. Pois o que se deduz da história é que o Braga pode conhecer muito bem tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, tiê-sangue, sabiá, gaturamo, cambaxirra e até mesmo vira-bosta – mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado. Dito o quê, passemos à narrativa.

    Parece que o Braga vinha um dia assim muito bem pela Cinelândia, quando topou com um vendedor de passarinhos oferecendo a preço de ocasião um casal de canários dentro de uma gaiola cuja bossinha era ser dividida por uma separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea. A gracinha era abrir a portinhola do macho, deixá-lo fugir e depois vê-lo voltar docemente, no pio da fêmea.

    O Braguinha, que além de gostar de pássaros não é tolo, assistiu com o maior interesse a mais essa demonstração, entregou o dinheiro, meteu a gaiola debaixo do braço e tocou-se para o Leblon, sequioso de mostrar seu novo brinco ao aborígine. E deu-lhe a sorte de encontrar minha irmã Lygia, que além de ser uma esplêndida assistência para demonstrações desse teor, é pessoa mais de se apiedar que de caçoar da desdita alheia.

    O Braga colocou a gaiola em posição, abriu a porta e lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções. A fêmea, como previsto, abriu o bico, e o canário, ao ouvi-la, fez direitinho como mandava o figurino: voltou e posou junto à porta aberta. Mas o divórcio entrou? Nem o canário. O bichinho ficou prudentemente à porta, mas entrar dentro mesmo da gaiola que é bom... ahn-ahn. O Braga animou a ave canora com milhões de piu-pius, fez-lhe mentalmente enérgicas perorações contra a sua calhordice – tudo isso, conta minha irmã Lygia, com olhos onde se começava a notar uma certa apreensão. O canário, nada.

    Quem sabe, ponderou minha irmã, um elemento verde qualquer colocado junto à porta, uma folha de alface, por exemplo, não animaria o bichinho? Foi trazida a folha de alface e colocada junto à porta. Durante essa operação, o canário levantou voo, e a canarinha, aproveitando-se da ocupação dos dois, fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola da separação; dali para o Jardim Botânico, não teve nem graça.

    Diz minha irmã que o Braga ficou triste, triste. E como a esperança é a última que morre, antes de ir embora ainda ajeitou a gaiolinha para uma espera: quem sabe os pilantras não voltariam à noite...

    Canário, hein Braguinha?...


(DE MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 81-83. Crônica publicada, originalmente, no jornal “A noite”, de 02/04/1956. Adaptado.)

Ao longo do texto, é possível observar, em diversos momentos, a utilização de travessões (–) como recurso textual. Nesse sentido, é correto afirmar que o travessão é um sinal de pontuação utilizado para, EXCETO: 
Alternativas
Q3615087 Português

O conde e o passarinho


    Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos. Suas crônicas alegram-se e se entristecem com frequência de nomes de pássaros nacionais que eu só conheço de ouvir dizer – o que me dá um certo complexo de inferioridade. Já andei, certa vez, planejando estudar ornitologia por causa disto, e lembro-me de que na viagem que fiz com ele à sua Cachoeiro do Itapemirim, quando da homenagem que lhe prestou a cidade, foi com um sentimento de gula que recebi o maravilhoso disco de pios artificiais de passarinhos, feito pela família Coelho, que disso criou uma pequena indústria local. Tais projetos nunca foram adiante, como vários outros, entre os quais um de estudar carpintaria: e este, inclusive, concertado com o próprio Rubem – e que resultou em arrancarmos, ato contínuo, a porta da garagem da minha antiga casa, sairmos meia hora depois para matar o calor com uma cerveja gelada, e nunca mais voltarmos à dita porta, que se quedou jazente por dias a fio, vítima de nossa impostura.

    O Braga conhece bem sua passarada, isso ninguém lhe tira. O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, segundo me conta minha irmã Lygia, testemunha ocular do mesmo. Pois o que se deduz da história é que o Braga pode conhecer muito bem tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, tiê-sangue, sabiá, gaturamo, cambaxirra e até mesmo vira-bosta – mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado. Dito o quê, passemos à narrativa.

    Parece que o Braga vinha um dia assim muito bem pela Cinelândia, quando topou com um vendedor de passarinhos oferecendo a preço de ocasião um casal de canários dentro de uma gaiola cuja bossinha era ser dividida por uma separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea. A gracinha era abrir a portinhola do macho, deixá-lo fugir e depois vê-lo voltar docemente, no pio da fêmea.

    O Braguinha, que além de gostar de pássaros não é tolo, assistiu com o maior interesse a mais essa demonstração, entregou o dinheiro, meteu a gaiola debaixo do braço e tocou-se para o Leblon, sequioso de mostrar seu novo brinco ao aborígine. E deu-lhe a sorte de encontrar minha irmã Lygia, que além de ser uma esplêndida assistência para demonstrações desse teor, é pessoa mais de se apiedar que de caçoar da desdita alheia.

    O Braga colocou a gaiola em posição, abriu a porta e lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções. A fêmea, como previsto, abriu o bico, e o canário, ao ouvi-la, fez direitinho como mandava o figurino: voltou e posou junto à porta aberta. Mas o divórcio entrou? Nem o canário. O bichinho ficou prudentemente à porta, mas entrar dentro mesmo da gaiola que é bom... ahn-ahn. O Braga animou a ave canora com milhões de piu-pius, fez-lhe mentalmente enérgicas perorações contra a sua calhordice – tudo isso, conta minha irmã Lygia, com olhos onde se começava a notar uma certa apreensão. O canário, nada.

    Quem sabe, ponderou minha irmã, um elemento verde qualquer colocado junto à porta, uma folha de alface, por exemplo, não animaria o bichinho? Foi trazida a folha de alface e colocada junto à porta. Durante essa operação, o canário levantou voo, e a canarinha, aproveitando-se da ocupação dos dois, fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola da separação; dali para o Jardim Botânico, não teve nem graça.

    Diz minha irmã que o Braga ficou triste, triste. E como a esperança é a última que morre, antes de ir embora ainda ajeitou a gaiolinha para uma espera: quem sabe os pilantras não voltariam à noite...

    Canário, hein Braguinha?...


(DE MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 81-83. Crônica publicada, originalmente, no jornal “A noite”, de 02/04/1956. Adaptado.)

O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, [...] (2º§). No trecho anterior, observa-se o emprego de aspas na palavra “baixo”. Considerando o contexto de utilização, é correto afirmar que as aspas foram empregadas para: 
Alternativas
Q3615086 Português

O conde e o passarinho


    Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos. Suas crônicas alegram-se e se entristecem com frequência de nomes de pássaros nacionais que eu só conheço de ouvir dizer – o que me dá um certo complexo de inferioridade. Já andei, certa vez, planejando estudar ornitologia por causa disto, e lembro-me de que na viagem que fiz com ele à sua Cachoeiro do Itapemirim, quando da homenagem que lhe prestou a cidade, foi com um sentimento de gula que recebi o maravilhoso disco de pios artificiais de passarinhos, feito pela família Coelho, que disso criou uma pequena indústria local. Tais projetos nunca foram adiante, como vários outros, entre os quais um de estudar carpintaria: e este, inclusive, concertado com o próprio Rubem – e que resultou em arrancarmos, ato contínuo, a porta da garagem da minha antiga casa, sairmos meia hora depois para matar o calor com uma cerveja gelada, e nunca mais voltarmos à dita porta, que se quedou jazente por dias a fio, vítima de nossa impostura.

    O Braga conhece bem sua passarada, isso ninguém lhe tira. O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, segundo me conta minha irmã Lygia, testemunha ocular do mesmo. Pois o que se deduz da história é que o Braga pode conhecer muito bem tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, tiê-sangue, sabiá, gaturamo, cambaxirra e até mesmo vira-bosta – mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado. Dito o quê, passemos à narrativa.

    Parece que o Braga vinha um dia assim muito bem pela Cinelândia, quando topou com um vendedor de passarinhos oferecendo a preço de ocasião um casal de canários dentro de uma gaiola cuja bossinha era ser dividida por uma separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea. A gracinha era abrir a portinhola do macho, deixá-lo fugir e depois vê-lo voltar docemente, no pio da fêmea.

    O Braguinha, que além de gostar de pássaros não é tolo, assistiu com o maior interesse a mais essa demonstração, entregou o dinheiro, meteu a gaiola debaixo do braço e tocou-se para o Leblon, sequioso de mostrar seu novo brinco ao aborígine. E deu-lhe a sorte de encontrar minha irmã Lygia, que além de ser uma esplêndida assistência para demonstrações desse teor, é pessoa mais de se apiedar que de caçoar da desdita alheia.

    O Braga colocou a gaiola em posição, abriu a porta e lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções. A fêmea, como previsto, abriu o bico, e o canário, ao ouvi-la, fez direitinho como mandava o figurino: voltou e posou junto à porta aberta. Mas o divórcio entrou? Nem o canário. O bichinho ficou prudentemente à porta, mas entrar dentro mesmo da gaiola que é bom... ahn-ahn. O Braga animou a ave canora com milhões de piu-pius, fez-lhe mentalmente enérgicas perorações contra a sua calhordice – tudo isso, conta minha irmã Lygia, com olhos onde se começava a notar uma certa apreensão. O canário, nada.

    Quem sabe, ponderou minha irmã, um elemento verde qualquer colocado junto à porta, uma folha de alface, por exemplo, não animaria o bichinho? Foi trazida a folha de alface e colocada junto à porta. Durante essa operação, o canário levantou voo, e a canarinha, aproveitando-se da ocupação dos dois, fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola da separação; dali para o Jardim Botânico, não teve nem graça.

    Diz minha irmã que o Braga ficou triste, triste. E como a esperança é a última que morre, antes de ir embora ainda ajeitou a gaiolinha para uma espera: quem sabe os pilantras não voltariam à noite...

    Canário, hein Braguinha?...


(DE MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 81-83. Crônica publicada, originalmente, no jornal “A noite”, de 02/04/1956. Adaptado.)

No trecho “O Braga animou a ave canora com milhões de piu-pius, [...]” (5º§), considerando o contexto de utilização, o termo em destaque pode ser corretamente substituído por, EXCETO:
Alternativas
Q3615085 Português

O conde e o passarinho


    Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos. Suas crônicas alegram-se e se entristecem com frequência de nomes de pássaros nacionais que eu só conheço de ouvir dizer – o que me dá um certo complexo de inferioridade. Já andei, certa vez, planejando estudar ornitologia por causa disto, e lembro-me de que na viagem que fiz com ele à sua Cachoeiro do Itapemirim, quando da homenagem que lhe prestou a cidade, foi com um sentimento de gula que recebi o maravilhoso disco de pios artificiais de passarinhos, feito pela família Coelho, que disso criou uma pequena indústria local. Tais projetos nunca foram adiante, como vários outros, entre os quais um de estudar carpintaria: e este, inclusive, concertado com o próprio Rubem – e que resultou em arrancarmos, ato contínuo, a porta da garagem da minha antiga casa, sairmos meia hora depois para matar o calor com uma cerveja gelada, e nunca mais voltarmos à dita porta, que se quedou jazente por dias a fio, vítima de nossa impostura.

    O Braga conhece bem sua passarada, isso ninguém lhe tira. O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, segundo me conta minha irmã Lygia, testemunha ocular do mesmo. Pois o que se deduz da história é que o Braga pode conhecer muito bem tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, tiê-sangue, sabiá, gaturamo, cambaxirra e até mesmo vira-bosta – mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado. Dito o quê, passemos à narrativa.

    Parece que o Braga vinha um dia assim muito bem pela Cinelândia, quando topou com um vendedor de passarinhos oferecendo a preço de ocasião um casal de canários dentro de uma gaiola cuja bossinha era ser dividida por uma separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea. A gracinha era abrir a portinhola do macho, deixá-lo fugir e depois vê-lo voltar docemente, no pio da fêmea.

    O Braguinha, que além de gostar de pássaros não é tolo, assistiu com o maior interesse a mais essa demonstração, entregou o dinheiro, meteu a gaiola debaixo do braço e tocou-se para o Leblon, sequioso de mostrar seu novo brinco ao aborígine. E deu-lhe a sorte de encontrar minha irmã Lygia, que além de ser uma esplêndida assistência para demonstrações desse teor, é pessoa mais de se apiedar que de caçoar da desdita alheia.

    O Braga colocou a gaiola em posição, abriu a porta e lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções. A fêmea, como previsto, abriu o bico, e o canário, ao ouvi-la, fez direitinho como mandava o figurino: voltou e posou junto à porta aberta. Mas o divórcio entrou? Nem o canário. O bichinho ficou prudentemente à porta, mas entrar dentro mesmo da gaiola que é bom... ahn-ahn. O Braga animou a ave canora com milhões de piu-pius, fez-lhe mentalmente enérgicas perorações contra a sua calhordice – tudo isso, conta minha irmã Lygia, com olhos onde se começava a notar uma certa apreensão. O canário, nada.

    Quem sabe, ponderou minha irmã, um elemento verde qualquer colocado junto à porta, uma folha de alface, por exemplo, não animaria o bichinho? Foi trazida a folha de alface e colocada junto à porta. Durante essa operação, o canário levantou voo, e a canarinha, aproveitando-se da ocupação dos dois, fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola da separação; dali para o Jardim Botânico, não teve nem graça.

    Diz minha irmã que o Braga ficou triste, triste. E como a esperança é a última que morre, antes de ir embora ainda ajeitou a gaiolinha para uma espera: quem sabe os pilantras não voltariam à noite...

    Canário, hein Braguinha?...


(DE MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 81-83. Crônica publicada, originalmente, no jornal “A noite”, de 02/04/1956. Adaptado.)

Assinale, a seguir, a alternativa que apresenta, respectivamente, um exemplo de palavra oxítona, paroxítona e proparoxítona. 
Alternativas
Q3615084 Português

O conde e o passarinho


    Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos. Suas crônicas alegram-se e se entristecem com frequência de nomes de pássaros nacionais que eu só conheço de ouvir dizer – o que me dá um certo complexo de inferioridade. Já andei, certa vez, planejando estudar ornitologia por causa disto, e lembro-me de que na viagem que fiz com ele à sua Cachoeiro do Itapemirim, quando da homenagem que lhe prestou a cidade, foi com um sentimento de gula que recebi o maravilhoso disco de pios artificiais de passarinhos, feito pela família Coelho, que disso criou uma pequena indústria local. Tais projetos nunca foram adiante, como vários outros, entre os quais um de estudar carpintaria: e este, inclusive, concertado com o próprio Rubem – e que resultou em arrancarmos, ato contínuo, a porta da garagem da minha antiga casa, sairmos meia hora depois para matar o calor com uma cerveja gelada, e nunca mais voltarmos à dita porta, que se quedou jazente por dias a fio, vítima de nossa impostura.

    O Braga conhece bem sua passarada, isso ninguém lhe tira. O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, segundo me conta minha irmã Lygia, testemunha ocular do mesmo. Pois o que se deduz da história é que o Braga pode conhecer muito bem tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, tiê-sangue, sabiá, gaturamo, cambaxirra e até mesmo vira-bosta – mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado. Dito o quê, passemos à narrativa.

    Parece que o Braga vinha um dia assim muito bem pela Cinelândia, quando topou com um vendedor de passarinhos oferecendo a preço de ocasião um casal de canários dentro de uma gaiola cuja bossinha era ser dividida por uma separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea. A gracinha era abrir a portinhola do macho, deixá-lo fugir e depois vê-lo voltar docemente, no pio da fêmea.

    O Braguinha, que além de gostar de pássaros não é tolo, assistiu com o maior interesse a mais essa demonstração, entregou o dinheiro, meteu a gaiola debaixo do braço e tocou-se para o Leblon, sequioso de mostrar seu novo brinco ao aborígine. E deu-lhe a sorte de encontrar minha irmã Lygia, que além de ser uma esplêndida assistência para demonstrações desse teor, é pessoa mais de se apiedar que de caçoar da desdita alheia.

    O Braga colocou a gaiola em posição, abriu a porta e lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções. A fêmea, como previsto, abriu o bico, e o canário, ao ouvi-la, fez direitinho como mandava o figurino: voltou e posou junto à porta aberta. Mas o divórcio entrou? Nem o canário. O bichinho ficou prudentemente à porta, mas entrar dentro mesmo da gaiola que é bom... ahn-ahn. O Braga animou a ave canora com milhões de piu-pius, fez-lhe mentalmente enérgicas perorações contra a sua calhordice – tudo isso, conta minha irmã Lygia, com olhos onde se começava a notar uma certa apreensão. O canário, nada.

    Quem sabe, ponderou minha irmã, um elemento verde qualquer colocado junto à porta, uma folha de alface, por exemplo, não animaria o bichinho? Foi trazida a folha de alface e colocada junto à porta. Durante essa operação, o canário levantou voo, e a canarinha, aproveitando-se da ocupação dos dois, fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola da separação; dali para o Jardim Botânico, não teve nem graça.

    Diz minha irmã que o Braga ficou triste, triste. E como a esperança é a última que morre, antes de ir embora ainda ajeitou a gaiolinha para uma espera: quem sabe os pilantras não voltariam à noite...

    Canário, hein Braguinha?...


(DE MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 81-83. Crônica publicada, originalmente, no jornal “A noite”, de 02/04/1956. Adaptado.)

Considerando os trechos extraídos da crônica, assinale aquele cujo sentido expresso pelo termo em destaque é INCORRETAMENTE indicado. 
Alternativas
Respostas
141: C
142: A
143: C
144: C
145: C
146: C
147: D
148: C
149: C
150: C
151: B
152: B
153: A
154: C
155: C
156: A
157: D
158: D
159: A
160: D