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Q4302688 Português

Leia o texto abaixo para responder à questão.


O Bicho


Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.


O bicho, meu Deus, era um homem.


(BANDEIRA, Manuel. Belo belo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948)



Observe o emprego dos artigos em “um bicho” (1º verso da 1ª estrofe) e “O bicho” (7º verso da 1ª estrofe e no único verso da 2ª estrofe). A alternância entre “um” e “o” contribui para
Alternativas
Q4302687 Português

Leia o texto abaixo para responder à questão.


O Bicho


Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.


O bicho, meu Deus, era um homem.


(BANDEIRA, Manuel. Belo belo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948)



Considerando uma análise Pragmática do poema, com foco na intenção do sujeito lírico e nos efeitos causados no leitor, avalie as assertivas abaixo:
I. Ao demonstrar que “o bicho” era um ser humano faminto e excluído, o sujeito lírico denuncia as condições de sofrimento e desumanidade da miséria.
II. A estratégia discursiva do sujeito lírico ao longo do poema promove a interpretação da cena da fome extrema apenas como uma parte do cotidiano.
III. A identificação final do “bicho” evidencia o espanto do sujeito lírico diante da descoberta e provoca no leitor compaixão pela terrível condição social dos famintos e excluídos.
IV. O poema parece ter a função de chocar o leitor sobre a situação das pessoas relegadas à miséria, para isso coloca o homem na condição de um animal faminto qualquer.
Selecione a alternativa correta.
Alternativas
Q4302686 Português

Leia o texto abaixo para a questão:


        “[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo. 

        E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.

        — Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...

        Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo. 

        Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.

        Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!

        […] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.

        — A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem. 

        Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.

        […]

        Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]


(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)

Considere o trecho: “Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]”. O emprego dos pontos para isolar a oração “E estava mesmo” tem como efeito principal 
Alternativas
Q4302685 Português

Leia o texto abaixo para a questão:


        “[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo. 

        E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.

        — Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...

        Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo. 

        Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.

        Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!

        […] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.

        — A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem. 

        Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.

        […]

        Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]


(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)

Observe atentamente o fragmento: “Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!”. Na descrição da cobra, predomina qual função de linguagem?
Alternativas
Q4302684 Português

Leia o texto abaixo para a questão:


        “[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo. 

        E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.

        — Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...

        Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo. 

        Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.

        Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!

        […] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.

        — A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem. 

        Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.

        […]

        Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]


(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)

Analise o excerto: “— A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem”. A expressão estas coisas contribui para a coesão textual, porque 
Alternativas
Q4302683 Literatura

Leia o texto abaixo para a questão:


        “[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo. 

        E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.

        — Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...

        Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo. 

        Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.

        Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!

        […] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.

        — A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem. 

        Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.

        […]

        Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]


(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)

O fragmento textual apresentado caracteriza-se como parte de uma obra da literatura regional amazônica, porque
Alternativas
Q4302682 Português
4.jpg (573×167)
(BECK, Alexandre. Armandinho. Disponível em: https://tirasarmandinho.tumblr.com/. Acesso em: 05 de julho, 2026.)
A tirinha é um gênero textual multimodal que aborda temas cotidianos, apresenta críticas sociais e reflexões ou cria efeito cômico. Nesse sentido, na tirinha do Armandinho, o humor decorre principalmente de 
Alternativas
Q4302681 Português

Para a questão, leia atentamente o texto a seguir: 


“Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-deDeus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes.


Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – “Ninguém entende muita coisa que ela fala...” – dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - “Ele xurugou?” – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da abelha que se voou para uma nuvem; de uma porção de meninas e meninos sentados a uma mesa de doces, comprida, comprida, por tempo que nem se acabava; ou da precisão de se fazer lista das coisas todas que no dia por dia a gente vem perdendo. Só a pura vida. 


Em geral, porém, Nhinhinha, com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncios. Nem parecia gostar ou desgostar especialmente de coisa ou pessoa nenhuma. Botavam para ela a comida, ela continuava sentada, o prato de folha no colo, comia logo a carne ou o ovo, os torresmos, o do que fosse mais gostoso e atraente, e ia consumindo depois o resto, feijão, angu, ou arroz, abóbora, com artística lentidão. De vê-la tão perpétua e imperturbada, a gente se assustava de repente. – “Nhinhinha, que é que você está fazendo?” – perguntava-se. E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - “Eu... to-u... fa-a-zendo”. Fazia vácuos. Seria mesmo seu tanto tolinha? 


Nada a intimidava. Ouvia o Pai querendo que a Mãe coasse um café forte, e comentava, se sorrindo: - “Menino pidão... Menino pidão...” Costumava também dirigir-se à Mãe desse jeito: - “Menina grande... Menina grande...” Com isso Pai e Mãe davam de zangar-se. Em vão. Nhinhinha murmurava só: - “Deixa... Deixa...” – suasibilíssima, inábil como uma flor. O mesmo dizia quando vinham chamá-la para qualquer novidade, dessas de entusiasmar adultos e crianças. Não se importava com os acontecimentos. Tranqüila, mas viçosa em saúde. Ninguém tinha real poder sobre ela, não se sabiam suas preferências. Como puni-la? E, baterlhe, não ousassem; nem havia motivo. Mas, o respeito que tinha por Mãe e Pai, parecia mais uma engraças espécie de tolerância. E Nhinhinha gostava de mim. [...]”


(Adaptado de ROSA, João Guimarães. A Menina de Lá. In: Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1962)

Nos fragmentos “Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse” e “E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - “Eu... to-u... fa-a-zendo”. Fazia vácuos.”, as expressões selecionadas contribuem para: 
Alternativas
Q4302680 Português

Para a questão, leia atentamente o texto a seguir: 


“Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-deDeus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes.


Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – “Ninguém entende muita coisa que ela fala...” – dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - “Ele xurugou?” – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da abelha que se voou para uma nuvem; de uma porção de meninas e meninos sentados a uma mesa de doces, comprida, comprida, por tempo que nem se acabava; ou da precisão de se fazer lista das coisas todas que no dia por dia a gente vem perdendo. Só a pura vida. 


Em geral, porém, Nhinhinha, com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncios. Nem parecia gostar ou desgostar especialmente de coisa ou pessoa nenhuma. Botavam para ela a comida, ela continuava sentada, o prato de folha no colo, comia logo a carne ou o ovo, os torresmos, o do que fosse mais gostoso e atraente, e ia consumindo depois o resto, feijão, angu, ou arroz, abóbora, com artística lentidão. De vê-la tão perpétua e imperturbada, a gente se assustava de repente. – “Nhinhinha, que é que você está fazendo?” – perguntava-se. E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - “Eu... to-u... fa-a-zendo”. Fazia vácuos. Seria mesmo seu tanto tolinha? 


Nada a intimidava. Ouvia o Pai querendo que a Mãe coasse um café forte, e comentava, se sorrindo: - “Menino pidão... Menino pidão...” Costumava também dirigir-se à Mãe desse jeito: - “Menina grande... Menina grande...” Com isso Pai e Mãe davam de zangar-se. Em vão. Nhinhinha murmurava só: - “Deixa... Deixa...” – suasibilíssima, inábil como uma flor. O mesmo dizia quando vinham chamá-la para qualquer novidade, dessas de entusiasmar adultos e crianças. Não se importava com os acontecimentos. Tranqüila, mas viçosa em saúde. Ninguém tinha real poder sobre ela, não se sabiam suas preferências. Como puni-la? E, baterlhe, não ousassem; nem havia motivo. Mas, o respeito que tinha por Mãe e Pai, parecia mais uma engraças espécie de tolerância. E Nhinhinha gostava de mim. [...]”


(Adaptado de ROSA, João Guimarães. A Menina de Lá. In: Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1962)

Com base no fragmento “Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-de-Deus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém”, analise as afirmativas abaixo e, em seguida, selecione a alternativa correta, considerando V como verdadeira e F como falsa.
I. O fragmento caracteriza os pais de Ninhinha a partir da descrição dos seus modos de vida, trabalho e costume religioso.
II. Há ênfase apenas na descrição dos atributos físicos do pai da personagem.
III. A menção a viver com terço na mão caracteriza a mãe de Ninhinha como uma personagem cuja religiosidade não está integrada ao cotidiano.
IV. A caracterização do espaço evidencia que a família vive em um ambiente rural e isolado, típico da vida sertaneja.
Alternativas
Q4302679 Português

Para a questão, leia atentamente o texto a seguir: 


“Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-deDeus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes.


Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – “Ninguém entende muita coisa que ela fala...” – dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - “Ele xurugou?” – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da abelha que se voou para uma nuvem; de uma porção de meninas e meninos sentados a uma mesa de doces, comprida, comprida, por tempo que nem se acabava; ou da precisão de se fazer lista das coisas todas que no dia por dia a gente vem perdendo. Só a pura vida. 


Em geral, porém, Nhinhinha, com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncios. Nem parecia gostar ou desgostar especialmente de coisa ou pessoa nenhuma. Botavam para ela a comida, ela continuava sentada, o prato de folha no colo, comia logo a carne ou o ovo, os torresmos, o do que fosse mais gostoso e atraente, e ia consumindo depois o resto, feijão, angu, ou arroz, abóbora, com artística lentidão. De vê-la tão perpétua e imperturbada, a gente se assustava de repente. – “Nhinhinha, que é que você está fazendo?” – perguntava-se. E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - “Eu... to-u... fa-a-zendo”. Fazia vácuos. Seria mesmo seu tanto tolinha? 


Nada a intimidava. Ouvia o Pai querendo que a Mãe coasse um café forte, e comentava, se sorrindo: - “Menino pidão... Menino pidão...” Costumava também dirigir-se à Mãe desse jeito: - “Menina grande... Menina grande...” Com isso Pai e Mãe davam de zangar-se. Em vão. Nhinhinha murmurava só: - “Deixa... Deixa...” – suasibilíssima, inábil como uma flor. O mesmo dizia quando vinham chamá-la para qualquer novidade, dessas de entusiasmar adultos e crianças. Não se importava com os acontecimentos. Tranqüila, mas viçosa em saúde. Ninguém tinha real poder sobre ela, não se sabiam suas preferências. Como puni-la? E, baterlhe, não ousassem; nem havia motivo. Mas, o respeito que tinha por Mãe e Pai, parecia mais uma engraças espécie de tolerância. E Nhinhinha gostava de mim. [...]”


(Adaptado de ROSA, João Guimarães. A Menina de Lá. In: Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1962)

Sobre a personagem principal do conto de Guimarães Rosa, sua caracterização é feita a partir da combinação de estratégias descritivas diversas que, articuladas, produzem um certo estranhamento. Considerando as informações apresentadas sobre Maria Ninhinha, assinale a alternativa que expressa a descrição privilegiada pelo narrador.
Alternativas
Q4243391 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Leia a situação.

Durante a saída dos estudantes, o profissional de Apoio Escolar percebe que um aluno permanece sozinho na escola após o encerramento das atividades, sem que o responsável compareça para buscá-lo. Após tentar contato pelos meios previstos pela instituição, a equipe escolar segue os   procedimentos estabelecidos em seu protocolo interno.
Essa conduta está fundamentada, principalmente,
Alternativas
Q4243390 Pedagogia
Analise a situação.
Durante o expediente, um responsável procura o profissional de Apoio Escolar para obter informações sobre um procedimento disciplinar envolvendo outro estudante. O servidor tem conhecimento dos fatos, mas também sabe que tais informações são restritas.
Nessa situação, a conduta mais adequada é
Alternativas
Q4243389 Segurança e Saúde no Trabalho
Leia a situação.
Durante uma forte chuva, parte do pátio da escola fica alagada. Enquanto a equipe gestora organiza as providências necessárias, o profissional de Apoio Escolar identifica que estudantes continuam utilizando a área normalmente.
A medida mais adequada é
Alternativas
Q4243388 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
Leia a situação.
Uma escola recebeu um estudante com deficiência visual. Durante reunião de planejamento, foram apresentadas as seguintes propostas:
I. Organizar rotas acessíveis entre os ambientes da escola.
II. Orientar os servidores sobre formas adequadas de oferecer auxílio quando necessário.
III. Determinar que o estudante permaneça acompanhado exclusivamente por um colega durante todo o período escolar.
IV. Incentivar a participação do estudante em todas as atividades, respeitando sua autonomia.


À luz dos princípios da educação inclusiva, estão corretas apenas as propostas
Alternativas
Q4243387 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Leia a situação.
Durante o horário de entrada, um responsável procura o profissional de Apoio Escolar e solicita informações detalhadas sobre o comportamento de outro estudante da turma, afirmando conhecer sua família.
Considerando a ética profissional, a conduta mais adequada é
Alternativas
Q4243386 Conhecimentos de Serviços Gerais
Leia a situação.
Ao final do expediente, um servidor observa que as luzes de várias salas permaneceram acesas, embora não houvesse mais atividades no prédio. Antes de deixar a escola, verifica a situação e adota as providências necessárias para evitar desperdícios.
Essa atitude demonstra compromisso com
Alternativas
Q4243385 Pedagogia
Leia a situação.
Uma equipe escolar organiza um mutirão para reorganizar a biblioteca, identificar materiais danificados e melhorar a utilização dos espaços pelos estudantes. O profissional de Apoio Escolar participa das atividades juntamente com professores, direção e demais servidores.
Essa atuação evidencia, principalmente,
Alternativas
Q4243384 Noções de Primeiros Socorros
Observe a situação.
Durante uma atividade, um estudante sofre um corte superficial na mão ao manusear um material escolar. O profissional de Apoio Escolar realiza os primeiros cuidados previstos pela escola e comunica imediatamente a equipe responsável.
Nesse contexto, a finalidade dos primeiros socorros é
Alternativas
Q4243383 Pedagogia
Leia a situação.
Durante o recreio, um estudante relata ao profissional de Apoio Escolar que vem sendo  constantemente apelidado de forma ofensiva por colegas da turma. Segundo ele, a situação ocorre há várias semanas e tem causado tristeza e vontade de faltar às aulas.
A conduta mais adequada do profissional é
Alternativas
Q4243382 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Leia a situação.
Durante a saída dos estudantes, uma criança da Educação Infantil informa ao profissional de Apoio Escolar que somente deixará a escola quando sua mãe chegar. Pouco depois, um adulto desconhecido afirma ter sido autorizado verbalmente pela família para buscá-la.
A conduta mais adequada é
Alternativas
Respostas
21: E
22: D
23: D
24: C
25: C
26: B
27: A
28: C
29: E
30: A
31: A
32: D
33: B
34: C
35: C
36: D
37: C
38: B
39: B
40: D