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TEXTO
POR QUE O BRASIL AINDA APOSTA EM TERMELÉTRICAS
Uma audiência pública sobre a instalação de uma termelétrica a gás natural em Samambaia (DF), a cerca de 35 quilômetros da praça dos Três Poderes, foi suspensa pela Justiça em março porque a população não teve tempo hábil para ser informada. Um mês antes, duas empresas desistiram de construir uma usina a carvão em Candiota e Hulha Negra, no Rio Grande do Sul, após o empreendimento ser questionado judicialmente.
Os dois casos geram intensos debates sobre os impactos ambientais locais desses empreendimentos e sobre a emissão de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. E reforçam o questionamento: por que o Brasil ainda investe em termelétricas movidas a combustíveis fósseis, como gás natural e carvão, em plena crise climática?
O principal argumento a favor das termelétricas é a segurança energética. Ou seja, elas poderiam ser acionadas a qualquer momento, independentemente das condições climáticas, como possível falta de água, vento ou sol. Essa foi a justificativa usada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) durante o lançamento do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 na defesa do “fortalecimento da geração termelétrica”.
Um estudo publicado em dezembro pela ONG Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) mostrou que as 67 termelétricas fósseis conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) emitiram, em 2023, 17,9 milhões de toneladas de gás carbônico (CO₂), o principal responsável pelo aquecimento global.
Para se ter uma ideia da magnitude dessas emissões, alertou a pesquisadora do IEMA, Raíssa Gomes, as termelétricas fósseis lançaram na atmosfera mais gás carbônico do que o município de São Paulo. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), os paulistanos foram responsáveis por emitir 14,5 milhões de toneladas do gás em 2023.
“Ou seja, apenas as térmicas fósseis do SIN emitiram mais gases de efeito estufa do que a maior cidade do país, com seus mais de 11 milhões de habitantes e intensa atividade econômica”, comparou a pesquisadora.
Para o físico especializado em mudanças climáticas e pesquisador do Instituto ClimaInfo, Shigueo Watanabe Jr, outras alternativas poderiam reduzir a necessidade das termelétricas, como a “repotencialização das hidrelétricas”. “A maior parte das hidrelétricas do Sudeste foram construídas na década de 1970, 1980. Mas hoje a situação é diferente. Se você trocar as turbinas, tem um ganho potencial de energia e de potência sem mexer na altura do reservatório, sem mexer em nada da parte física”, disse.
Além disso, segundo o especialista, em relação ao vento e ao sol. “Se eu fosse um planejador energético, estaria muito mais preocupado com o preço do gás. A Rússia invade a Ucrânia, e o preço do gás dispara. Aí o Catar fala assim: ‘Não, tá muito alto, eu vou bombar mais gás, o preço do gás cai.’ É totalmente imprevisível”, avaliou.
Para o pesquisador, os interesses econômicos estão por trás de grande parte das termelétricas. “Existe um lobby muito forte para alavancar mais ainda o gás natural. Toda vez que você tem alguma obra de uma termelétrica, há vários interesses políticos e econômicos e um lobby muito forte dentro do Congresso e dentro dos ministérios para poder ter mais gás, mais termelétrica.”.
Esse lobby pode ser visto em dois jabutis colocados em leis na área de energia – o termo é usado para designar um apêndice incluído em um projeto que trata de tema diferente do assunto principal. Em 2021, o Congresso Nacional aprovou uma lei que viabilizou a privatização da Eletrobras. Mas os congressistas colocaram no texto a obrigação da contratação de 8 gigawatt (GW) de eletricidade das termelétricas a gás natural sem infraestrutura de distribuição.
Já no projeto de lei que discutiu o marco legal para a geração de energia eólica offshore (em alto mar), os parlamentares acrescentaram a obrigação de contratar 4,25 GW de usinas termelétricas a gás natural. Eles também prorrogaram os contratos das usinas a carvão de 2040 para 2050. Em janeiro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto, mas vetou os jabutis, alegando que iam na contramão da lei sancionada, por serem matrizes mais poluidoras, caras e ineficientes. [...]
A história das termelétricas atuais está relacionada com a crise de 2001, quando houve forte escassez de chuva, comprometendo os reservatórios de água das usinas hidrelétricas e o fornecimento de energia. “A maior parte das termelétricas que estão em operação hoje vieram do apagão que teve no governo Fernando Henrique. Eles criaram um programa prioritário de térmicas, que era basicamente térmicas a gás. Naquela época já se falava em aquecimento global, mas nada parecido com o que se fala hoje”, lembrou Watanabe Jr.
De acordo com Raíssa Gomes, com a expansão das fontes renováveis como a solar e a eólica, há uma transição em curso para que as térmicas fósseis operem cada vez mais de forma pontual, apenas em períodos de maior demanda ou baixa geração renovável. “Essa transição é fundamental, pois as termelétricas fósseis, ao contrário das fontes renováveis, são altamente emissoras de gases de efeito estufa e de emissões atmosféricas locais como óxidos de nitrogênio, enxofre, monóxido de carbono e material particulado.”
Além disso, segundo a pesquisadora, dependendo do sistema de resfriamento adotado, as usinas podem ter um elevado consumo de água, o que agrava a pressão sobre os recursos hídricos. “Soma-se a isso o fato de que a geração térmica, especialmente com combustíveis fósseis, tende a ser mais cara, contribuindo para o aumento nas tarifas de energia elétrica.” [...]
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/por-que-o-brasilainda-aposta-em-termelétricas/a-72700747>. Adaptado. Acesso
em: 20 de setembro de 2025.
TEXTO
POR QUE O BRASIL AINDA APOSTA EM TERMELÉTRICAS
Uma audiência pública sobre a instalação de uma termelétrica a gás natural em Samambaia (DF), a cerca de 35 quilômetros da praça dos Três Poderes, foi suspensa pela Justiça em março porque a população não teve tempo hábil para ser informada. Um mês antes, duas empresas desistiram de construir uma usina a carvão em Candiota e Hulha Negra, no Rio Grande do Sul, após o empreendimento ser questionado judicialmente.
Os dois casos geram intensos debates sobre os impactos ambientais locais desses empreendimentos e sobre a emissão de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. E reforçam o questionamento: por que o Brasil ainda investe em termelétricas movidas a combustíveis fósseis, como gás natural e carvão, em plena crise climática?
O principal argumento a favor das termelétricas é a segurança energética. Ou seja, elas poderiam ser acionadas a qualquer momento, independentemente das condições climáticas, como possível falta de água, vento ou sol. Essa foi a justificativa usada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) durante o lançamento do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 na defesa do “fortalecimento da geração termelétrica”.
Um estudo publicado em dezembro pela ONG Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) mostrou que as 67 termelétricas fósseis conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) emitiram, em 2023, 17,9 milhões de toneladas de gás carbônico (CO₂), o principal responsável pelo aquecimento global.
Para se ter uma ideia da magnitude dessas emissões, alertou a pesquisadora do IEMA, Raíssa Gomes, as termelétricas fósseis lançaram na atmosfera mais gás carbônico do que o município de São Paulo. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), os paulistanos foram responsáveis por emitir 14,5 milhões de toneladas do gás em 2023.
“Ou seja, apenas as térmicas fósseis do SIN emitiram mais gases de efeito estufa do que a maior cidade do país, com seus mais de 11 milhões de habitantes e intensa atividade econômica”, comparou a pesquisadora.
Para o físico especializado em mudanças climáticas e pesquisador do Instituto ClimaInfo, Shigueo Watanabe Jr, outras alternativas poderiam reduzir a necessidade das termelétricas, como a “repotencialização das hidrelétricas”. “A maior parte das hidrelétricas do Sudeste foram construídas na década de 1970, 1980. Mas hoje a situação é diferente. Se você trocar as turbinas, tem um ganho potencial de energia e de potência sem mexer na altura do reservatório, sem mexer em nada da parte física”, disse.
Além disso, segundo o especialista, em relação ao vento e ao sol. “Se eu fosse um planejador energético, estaria muito mais preocupado com o preço do gás. A Rússia invade a Ucrânia, e o preço do gás dispara. Aí o Catar fala assim: ‘Não, tá muito alto, eu vou bombar mais gás, o preço do gás cai.’ É totalmente imprevisível”, avaliou.
Para o pesquisador, os interesses econômicos estão por trás de grande parte das termelétricas. “Existe um lobby muito forte para alavancar mais ainda o gás natural. Toda vez que você tem alguma obra de uma termelétrica, há vários interesses políticos e econômicos e um lobby muito forte dentro do Congresso e dentro dos ministérios para poder ter mais gás, mais termelétrica.”.
Esse lobby pode ser visto em dois jabutis colocados em leis na área de energia – o termo é usado para designar um apêndice incluído em um projeto que trata de tema diferente do assunto principal. Em 2021, o Congresso Nacional aprovou uma lei que viabilizou a privatização da Eletrobras. Mas os congressistas colocaram no texto a obrigação da contratação de 8 gigawatt (GW) de eletricidade das termelétricas a gás natural sem infraestrutura de distribuição.
Já no projeto de lei que discutiu o marco legal para a geração de energia eólica offshore (em alto mar), os parlamentares acrescentaram a obrigação de contratar 4,25 GW de usinas termelétricas a gás natural. Eles também prorrogaram os contratos das usinas a carvão de 2040 para 2050. Em janeiro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto, mas vetou os jabutis, alegando que iam na contramão da lei sancionada, por serem matrizes mais poluidoras, caras e ineficientes. [...]
A história das termelétricas atuais está relacionada com a crise de 2001, quando houve forte escassez de chuva, comprometendo os reservatórios de água das usinas hidrelétricas e o fornecimento de energia. “A maior parte das termelétricas que estão em operação hoje vieram do apagão que teve no governo Fernando Henrique. Eles criaram um programa prioritário de térmicas, que era basicamente térmicas a gás. Naquela época já se falava em aquecimento global, mas nada parecido com o que se fala hoje”, lembrou Watanabe Jr.
De acordo com Raíssa Gomes, com a expansão das fontes renováveis como a solar e a eólica, há uma transição em curso para que as térmicas fósseis operem cada vez mais de forma pontual, apenas em períodos de maior demanda ou baixa geração renovável. “Essa transição é fundamental, pois as termelétricas fósseis, ao contrário das fontes renováveis, são altamente emissoras de gases de efeito estufa e de emissões atmosféricas locais como óxidos de nitrogênio, enxofre, monóxido de carbono e material particulado.”
Além disso, segundo a pesquisadora, dependendo do sistema de resfriamento adotado, as usinas podem ter um elevado consumo de água, o que agrava a pressão sobre os recursos hídricos. “Soma-se a isso o fato de que a geração térmica, especialmente com combustíveis fósseis, tende a ser mais cara, contribuindo para o aumento nas tarifas de energia elétrica.” [...]
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/por-que-o-brasilainda-aposta-em-termelétricas/a-72700747>. Adaptado. Acesso
em: 20 de setembro de 2025.
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POR QUE O BRASIL AINDA APOSTA EM TERMELÉTRICAS
Uma audiência pública sobre a instalação de uma termelétrica a gás natural em Samambaia (DF), a cerca de 35 quilômetros da praça dos Três Poderes, foi suspensa pela Justiça em março porque a população não teve tempo hábil para ser informada. Um mês antes, duas empresas desistiram de construir uma usina a carvão em Candiota e Hulha Negra, no Rio Grande do Sul, após o empreendimento ser questionado judicialmente.
Os dois casos geram intensos debates sobre os impactos ambientais locais desses empreendimentos e sobre a emissão de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. E reforçam o questionamento: por que o Brasil ainda investe em termelétricas movidas a combustíveis fósseis, como gás natural e carvão, em plena crise climática?
O principal argumento a favor das termelétricas é a segurança energética. Ou seja, elas poderiam ser acionadas a qualquer momento, independentemente das condições climáticas, como possível falta de água, vento ou sol. Essa foi a justificativa usada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) durante o lançamento do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 na defesa do “fortalecimento da geração termelétrica”.
Um estudo publicado em dezembro pela ONG Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) mostrou que as 67 termelétricas fósseis conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) emitiram, em 2023, 17,9 milhões de toneladas de gás carbônico (CO₂), o principal responsável pelo aquecimento global.
Para se ter uma ideia da magnitude dessas emissões, alertou a pesquisadora do IEMA, Raíssa Gomes, as termelétricas fósseis lançaram na atmosfera mais gás carbônico do que o município de São Paulo. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), os paulistanos foram responsáveis por emitir 14,5 milhões de toneladas do gás em 2023.
“Ou seja, apenas as térmicas fósseis do SIN emitiram mais gases de efeito estufa do que a maior cidade do país, com seus mais de 11 milhões de habitantes e intensa atividade econômica”, comparou a pesquisadora.
Para o físico especializado em mudanças climáticas e pesquisador do Instituto ClimaInfo, Shigueo Watanabe Jr, outras alternativas poderiam reduzir a necessidade das termelétricas, como a “repotencialização das hidrelétricas”. “A maior parte das hidrelétricas do Sudeste foram construídas na década de 1970, 1980. Mas hoje a situação é diferente. Se você trocar as turbinas, tem um ganho potencial de energia e de potência sem mexer na altura do reservatório, sem mexer em nada da parte física”, disse.
Além disso, segundo o especialista, em relação ao vento e ao sol. “Se eu fosse um planejador energético, estaria muito mais preocupado com o preço do gás. A Rússia invade a Ucrânia, e o preço do gás dispara. Aí o Catar fala assim: ‘Não, tá muito alto, eu vou bombar mais gás, o preço do gás cai.’ É totalmente imprevisível”, avaliou.
Para o pesquisador, os interesses econômicos estão por trás de grande parte das termelétricas. “Existe um lobby muito forte para alavancar mais ainda o gás natural. Toda vez que você tem alguma obra de uma termelétrica, há vários interesses políticos e econômicos e um lobby muito forte dentro do Congresso e dentro dos ministérios para poder ter mais gás, mais termelétrica.”.
Esse lobby pode ser visto em dois jabutis colocados em leis na área de energia – o termo é usado para designar um apêndice incluído em um projeto que trata de tema diferente do assunto principal. Em 2021, o Congresso Nacional aprovou uma lei que viabilizou a privatização da Eletrobras. Mas os congressistas colocaram no texto a obrigação da contratação de 8 gigawatt (GW) de eletricidade das termelétricas a gás natural sem infraestrutura de distribuição.
Já no projeto de lei que discutiu o marco legal para a geração de energia eólica offshore (em alto mar), os parlamentares acrescentaram a obrigação de contratar 4,25 GW de usinas termelétricas a gás natural. Eles também prorrogaram os contratos das usinas a carvão de 2040 para 2050. Em janeiro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto, mas vetou os jabutis, alegando que iam na contramão da lei sancionada, por serem matrizes mais poluidoras, caras e ineficientes. [...]
A história das termelétricas atuais está relacionada com a crise de 2001, quando houve forte escassez de chuva, comprometendo os reservatórios de água das usinas hidrelétricas e o fornecimento de energia. “A maior parte das termelétricas que estão em operação hoje vieram do apagão que teve no governo Fernando Henrique. Eles criaram um programa prioritário de térmicas, que era basicamente térmicas a gás. Naquela época já se falava em aquecimento global, mas nada parecido com o que se fala hoje”, lembrou Watanabe Jr.
De acordo com Raíssa Gomes, com a expansão das fontes renováveis como a solar e a eólica, há uma transição em curso para que as térmicas fósseis operem cada vez mais de forma pontual, apenas em períodos de maior demanda ou baixa geração renovável. “Essa transição é fundamental, pois as termelétricas fósseis, ao contrário das fontes renováveis, são altamente emissoras de gases de efeito estufa e de emissões atmosféricas locais como óxidos de nitrogênio, enxofre, monóxido de carbono e material particulado.”
Além disso, segundo a pesquisadora, dependendo do sistema de resfriamento adotado, as usinas podem ter um elevado consumo de água, o que agrava a pressão sobre os recursos hídricos. “Soma-se a isso o fato de que a geração térmica, especialmente com combustíveis fósseis, tende a ser mais cara, contribuindo para o aumento nas tarifas de energia elétrica.” [...]
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/por-que-o-brasilainda-aposta-em-termelétricas/a-72700747>. Adaptado. Acesso
em: 20 de setembro de 2025.
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POR QUE O BRASIL AINDA APOSTA EM TERMELÉTRICAS
Uma audiência pública sobre a instalação de uma termelétrica a gás natural em Samambaia (DF), a cerca de 35 quilômetros da praça dos Três Poderes, foi suspensa pela Justiça em março porque a população não teve tempo hábil para ser informada. Um mês antes, duas empresas desistiram de construir uma usina a carvão em Candiota e Hulha Negra, no Rio Grande do Sul, após o empreendimento ser questionado judicialmente.
Os dois casos geram intensos debates sobre os impactos ambientais locais desses empreendimentos e sobre a emissão de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. E reforçam o questionamento: por que o Brasil ainda investe em termelétricas movidas a combustíveis fósseis, como gás natural e carvão, em plena crise climática?
O principal argumento a favor das termelétricas é a segurança energética. Ou seja, elas poderiam ser acionadas a qualquer momento, independentemente das condições climáticas, como possível falta de água, vento ou sol. Essa foi a justificativa usada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) durante o lançamento do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 na defesa do “fortalecimento da geração termelétrica”.
Um estudo publicado em dezembro pela ONG Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) mostrou que as 67 termelétricas fósseis conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) emitiram, em 2023, 17,9 milhões de toneladas de gás carbônico (CO₂), o principal responsável pelo aquecimento global.
Para se ter uma ideia da magnitude dessas emissões, alertou a pesquisadora do IEMA, Raíssa Gomes, as termelétricas fósseis lançaram na atmosfera mais gás carbônico do que o município de São Paulo. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), os paulistanos foram responsáveis por emitir 14,5 milhões de toneladas do gás em 2023.
“Ou seja, apenas as térmicas fósseis do SIN emitiram mais gases de efeito estufa do que a maior cidade do país, com seus mais de 11 milhões de habitantes e intensa atividade econômica”, comparou a pesquisadora.
Para o físico especializado em mudanças climáticas e pesquisador do Instituto ClimaInfo, Shigueo Watanabe Jr, outras alternativas poderiam reduzir a necessidade das termelétricas, como a “repotencialização das hidrelétricas”. “A maior parte das hidrelétricas do Sudeste foram construídas na década de 1970, 1980. Mas hoje a situação é diferente. Se você trocar as turbinas, tem um ganho potencial de energia e de potência sem mexer na altura do reservatório, sem mexer em nada da parte física”, disse.
Além disso, segundo o especialista, em relação ao vento e ao sol. “Se eu fosse um planejador energético, estaria muito mais preocupado com o preço do gás. A Rússia invade a Ucrânia, e o preço do gás dispara. Aí o Catar fala assim: ‘Não, tá muito alto, eu vou bombar mais gás, o preço do gás cai.’ É totalmente imprevisível”, avaliou.
Para o pesquisador, os interesses econômicos estão por trás de grande parte das termelétricas. “Existe um lobby muito forte para alavancar mais ainda o gás natural. Toda vez que você tem alguma obra de uma termelétrica, há vários interesses políticos e econômicos e um lobby muito forte dentro do Congresso e dentro dos ministérios para poder ter mais gás, mais termelétrica.”.
Esse lobby pode ser visto em dois jabutis colocados em leis na área de energia – o termo é usado para designar um apêndice incluído em um projeto que trata de tema diferente do assunto principal. Em 2021, o Congresso Nacional aprovou uma lei que viabilizou a privatização da Eletrobras. Mas os congressistas colocaram no texto a obrigação da contratação de 8 gigawatt (GW) de eletricidade das termelétricas a gás natural sem infraestrutura de distribuição.
Já no projeto de lei que discutiu o marco legal para a geração de energia eólica offshore (em alto mar), os parlamentares acrescentaram a obrigação de contratar 4,25 GW de usinas termelétricas a gás natural. Eles também prorrogaram os contratos das usinas a carvão de 2040 para 2050. Em janeiro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto, mas vetou os jabutis, alegando que iam na contramão da lei sancionada, por serem matrizes mais poluidoras, caras e ineficientes. [...]
A história das termelétricas atuais está relacionada com a crise de 2001, quando houve forte escassez de chuva, comprometendo os reservatórios de água das usinas hidrelétricas e o fornecimento de energia. “A maior parte das termelétricas que estão em operação hoje vieram do apagão que teve no governo Fernando Henrique. Eles criaram um programa prioritário de térmicas, que era basicamente térmicas a gás. Naquela época já se falava em aquecimento global, mas nada parecido com o que se fala hoje”, lembrou Watanabe Jr.
De acordo com Raíssa Gomes, com a expansão das fontes renováveis como a solar e a eólica, há uma transição em curso para que as térmicas fósseis operem cada vez mais de forma pontual, apenas em períodos de maior demanda ou baixa geração renovável. “Essa transição é fundamental, pois as termelétricas fósseis, ao contrário das fontes renováveis, são altamente emissoras de gases de efeito estufa e de emissões atmosféricas locais como óxidos de nitrogênio, enxofre, monóxido de carbono e material particulado.”
Além disso, segundo a pesquisadora, dependendo do sistema de resfriamento adotado, as usinas podem ter um elevado consumo de água, o que agrava a pressão sobre os recursos hídricos. “Soma-se a isso o fato de que a geração térmica, especialmente com combustíveis fósseis, tende a ser mais cara, contribuindo para o aumento nas tarifas de energia elétrica.” [...]
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/por-que-o-brasilainda-aposta-em-termelétricas/a-72700747>. Adaptado. Acesso
em: 20 de setembro de 2025.
TEXTO
POR QUE O BRASIL AINDA APOSTA EM TERMELÉTRICAS
Uma audiência pública sobre a instalação de uma termelétrica a gás natural em Samambaia (DF), a cerca de 35 quilômetros da praça dos Três Poderes, foi suspensa pela Justiça em março porque a população não teve tempo hábil para ser informada. Um mês antes, duas empresas desistiram de construir uma usina a carvão em Candiota e Hulha Negra, no Rio Grande do Sul, após o empreendimento ser questionado judicialmente.
Os dois casos geram intensos debates sobre os impactos ambientais locais desses empreendimentos e sobre a emissão de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. E reforçam o questionamento: por que o Brasil ainda investe em termelétricas movidas a combustíveis fósseis, como gás natural e carvão, em plena crise climática?
O principal argumento a favor das termelétricas é a segurança energética. Ou seja, elas poderiam ser acionadas a qualquer momento, independentemente das condições climáticas, como possível falta de água, vento ou sol. Essa foi a justificativa usada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) durante o lançamento do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 na defesa do “fortalecimento da geração termelétrica”.
Um estudo publicado em dezembro pela ONG Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) mostrou que as 67 termelétricas fósseis conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) emitiram, em 2023, 17,9 milhões de toneladas de gás carbônico (CO₂), o principal responsável pelo aquecimento global.
Para se ter uma ideia da magnitude dessas emissões, alertou a pesquisadora do IEMA, Raíssa Gomes, as termelétricas fósseis lançaram na atmosfera mais gás carbônico do que o município de São Paulo. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), os paulistanos foram responsáveis por emitir 14,5 milhões de toneladas do gás em 2023.
“Ou seja, apenas as térmicas fósseis do SIN emitiram mais gases de efeito estufa do que a maior cidade do país, com seus mais de 11 milhões de habitantes e intensa atividade econômica”, comparou a pesquisadora.
Para o físico especializado em mudanças climáticas e pesquisador do Instituto ClimaInfo, Shigueo Watanabe Jr, outras alternativas poderiam reduzir a necessidade das termelétricas, como a “repotencialização das hidrelétricas”. “A maior parte das hidrelétricas do Sudeste foram construídas na década de 1970, 1980. Mas hoje a situação é diferente. Se você trocar as turbinas, tem um ganho potencial de energia e de potência sem mexer na altura do reservatório, sem mexer em nada da parte física”, disse.
Além disso, segundo o especialista, em relação ao vento e ao sol. “Se eu fosse um planejador energético, estaria muito mais preocupado com o preço do gás. A Rússia invade a Ucrânia, e o preço do gás dispara. Aí o Catar fala assim: ‘Não, tá muito alto, eu vou bombar mais gás, o preço do gás cai.’ É totalmente imprevisível”, avaliou.
Para o pesquisador, os interesses econômicos estão por trás de grande parte das termelétricas. “Existe um lobby muito forte para alavancar mais ainda o gás natural. Toda vez que você tem alguma obra de uma termelétrica, há vários interesses políticos e econômicos e um lobby muito forte dentro do Congresso e dentro dos ministérios para poder ter mais gás, mais termelétrica.”.
Esse lobby pode ser visto em dois jabutis colocados em leis na área de energia – o termo é usado para designar um apêndice incluído em um projeto que trata de tema diferente do assunto principal. Em 2021, o Congresso Nacional aprovou uma lei que viabilizou a privatização da Eletrobras. Mas os congressistas colocaram no texto a obrigação da contratação de 8 gigawatt (GW) de eletricidade das termelétricas a gás natural sem infraestrutura de distribuição.
Já no projeto de lei que discutiu o marco legal para a geração de energia eólica offshore (em alto mar), os parlamentares acrescentaram a obrigação de contratar 4,25 GW de usinas termelétricas a gás natural. Eles também prorrogaram os contratos das usinas a carvão de 2040 para 2050. Em janeiro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto, mas vetou os jabutis, alegando que iam na contramão da lei sancionada, por serem matrizes mais poluidoras, caras e ineficientes. [...]
A história das termelétricas atuais está relacionada com a crise de 2001, quando houve forte escassez de chuva, comprometendo os reservatórios de água das usinas hidrelétricas e o fornecimento de energia. “A maior parte das termelétricas que estão em operação hoje vieram do apagão que teve no governo Fernando Henrique. Eles criaram um programa prioritário de térmicas, que era basicamente térmicas a gás. Naquela época já se falava em aquecimento global, mas nada parecido com o que se fala hoje”, lembrou Watanabe Jr.
De acordo com Raíssa Gomes, com a expansão das fontes renováveis como a solar e a eólica, há uma transição em curso para que as térmicas fósseis operem cada vez mais de forma pontual, apenas em períodos de maior demanda ou baixa geração renovável. “Essa transição é fundamental, pois as termelétricas fósseis, ao contrário das fontes renováveis, são altamente emissoras de gases de efeito estufa e de emissões atmosféricas locais como óxidos de nitrogênio, enxofre, monóxido de carbono e material particulado.”
Além disso, segundo a pesquisadora, dependendo do sistema de resfriamento adotado, as usinas podem ter um elevado consumo de água, o que agrava a pressão sobre os recursos hídricos. “Soma-se a isso o fato de que a geração térmica, especialmente com combustíveis fósseis, tende a ser mais cara, contribuindo para o aumento nas tarifas de energia elétrica.” [...]
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/por-que-o-brasilainda-aposta-em-termelétricas/a-72700747>. Adaptado. Acesso
em: 20 de setembro de 2025.
TEXTO
POR QUE O BRASIL AINDA APOSTA EM TERMELÉTRICAS
Uma audiência pública sobre a instalação de uma termelétrica a gás natural em Samambaia (DF), a cerca de 35 quilômetros da praça dos Três Poderes, foi suspensa pela Justiça em março porque a população não teve tempo hábil para ser informada. Um mês antes, duas empresas desistiram de construir uma usina a carvão em Candiota e Hulha Negra, no Rio Grande do Sul, após o empreendimento ser questionado judicialmente.
Os dois casos geram intensos debates sobre os impactos ambientais locais desses empreendimentos e sobre a emissão de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. E reforçam o questionamento: por que o Brasil ainda investe em termelétricas movidas a combustíveis fósseis, como gás natural e carvão, em plena crise climática?
O principal argumento a favor das termelétricas é a segurança energética. Ou seja, elas poderiam ser acionadas a qualquer momento, independentemente das condições climáticas, como possível falta de água, vento ou sol. Essa foi a justificativa usada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) durante o lançamento do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 na defesa do “fortalecimento da geração termelétrica”.
Um estudo publicado em dezembro pela ONG Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) mostrou que as 67 termelétricas fósseis conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) emitiram, em 2023, 17,9 milhões de toneladas de gás carbônico (CO₂), o principal responsável pelo aquecimento global.
Para se ter uma ideia da magnitude dessas emissões, alertou a pesquisadora do IEMA, Raíssa Gomes, as termelétricas fósseis lançaram na atmosfera mais gás carbônico do que o município de São Paulo. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), os paulistanos foram responsáveis por emitir 14,5 milhões de toneladas do gás em 2023.
“Ou seja, apenas as térmicas fósseis do SIN emitiram mais gases de efeito estufa do que a maior cidade do país, com seus mais de 11 milhões de habitantes e intensa atividade econômica”, comparou a pesquisadora.
Para o físico especializado em mudanças climáticas e pesquisador do Instituto ClimaInfo, Shigueo Watanabe Jr, outras alternativas poderiam reduzir a necessidade das termelétricas, como a “repotencialização das hidrelétricas”. “A maior parte das hidrelétricas do Sudeste foram construídas na década de 1970, 1980. Mas hoje a situação é diferente. Se você trocar as turbinas, tem um ganho potencial de energia e de potência sem mexer na altura do reservatório, sem mexer em nada da parte física”, disse.
Além disso, segundo o especialista, em relação ao vento e ao sol. “Se eu fosse um planejador energético, estaria muito mais preocupado com o preço do gás. A Rússia invade a Ucrânia, e o preço do gás dispara. Aí o Catar fala assim: ‘Não, tá muito alto, eu vou bombar mais gás, o preço do gás cai.’ É totalmente imprevisível”, avaliou.
Para o pesquisador, os interesses econômicos estão por trás de grande parte das termelétricas. “Existe um lobby muito forte para alavancar mais ainda o gás natural. Toda vez que você tem alguma obra de uma termelétrica, há vários interesses políticos e econômicos e um lobby muito forte dentro do Congresso e dentro dos ministérios para poder ter mais gás, mais termelétrica.”.
Esse lobby pode ser visto em dois jabutis colocados em leis na área de energia – o termo é usado para designar um apêndice incluído em um projeto que trata de tema diferente do assunto principal. Em 2021, o Congresso Nacional aprovou uma lei que viabilizou a privatização da Eletrobras. Mas os congressistas colocaram no texto a obrigação da contratação de 8 gigawatt (GW) de eletricidade das termelétricas a gás natural sem infraestrutura de distribuição.
Já no projeto de lei que discutiu o marco legal para a geração de energia eólica offshore (em alto mar), os parlamentares acrescentaram a obrigação de contratar 4,25 GW de usinas termelétricas a gás natural. Eles também prorrogaram os contratos das usinas a carvão de 2040 para 2050. Em janeiro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto, mas vetou os jabutis, alegando que iam na contramão da lei sancionada, por serem matrizes mais poluidoras, caras e ineficientes. [...]
A história das termelétricas atuais está relacionada com a crise de 2001, quando houve forte escassez de chuva, comprometendo os reservatórios de água das usinas hidrelétricas e o fornecimento de energia. “A maior parte das termelétricas que estão em operação hoje vieram do apagão que teve no governo Fernando Henrique. Eles criaram um programa prioritário de térmicas, que era basicamente térmicas a gás. Naquela época já se falava em aquecimento global, mas nada parecido com o que se fala hoje”, lembrou Watanabe Jr.
De acordo com Raíssa Gomes, com a expansão das fontes renováveis como a solar e a eólica, há uma transição em curso para que as térmicas fósseis operem cada vez mais de forma pontual, apenas em períodos de maior demanda ou baixa geração renovável. “Essa transição é fundamental, pois as termelétricas fósseis, ao contrário das fontes renováveis, são altamente emissoras de gases de efeito estufa e de emissões atmosféricas locais como óxidos de nitrogênio, enxofre, monóxido de carbono e material particulado.”
Além disso, segundo a pesquisadora, dependendo do sistema de resfriamento adotado, as usinas podem ter um elevado consumo de água, o que agrava a pressão sobre os recursos hídricos. “Soma-se a isso o fato de que a geração térmica, especialmente com combustíveis fósseis, tende a ser mais cara, contribuindo para o aumento nas tarifas de energia elétrica.” [...]
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/por-que-o-brasilainda-aposta-em-termelétricas/a-72700747>. Adaptado. Acesso
em: 20 de setembro de 2025.
TEXTO
POR QUE O BRASIL AINDA APOSTA EM TERMELÉTRICAS
Uma audiência pública sobre a instalação de uma termelétrica a gás natural em Samambaia (DF), a cerca de 35 quilômetros da praça dos Três Poderes, foi suspensa pela Justiça em março porque a população não teve tempo hábil para ser informada. Um mês antes, duas empresas desistiram de construir uma usina a carvão em Candiota e Hulha Negra, no Rio Grande do Sul, após o empreendimento ser questionado judicialmente.
Os dois casos geram intensos debates sobre os impactos ambientais locais desses empreendimentos e sobre a emissão de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. E reforçam o questionamento: por que o Brasil ainda investe em termelétricas movidas a combustíveis fósseis, como gás natural e carvão, em plena crise climática?
O principal argumento a favor das termelétricas é a segurança energética. Ou seja, elas poderiam ser acionadas a qualquer momento, independentemente das condições climáticas, como possível falta de água, vento ou sol. Essa foi a justificativa usada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) durante o lançamento do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 na defesa do “fortalecimento da geração termelétrica”.
Um estudo publicado em dezembro pela ONG Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) mostrou que as 67 termelétricas fósseis conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) emitiram, em 2023, 17,9 milhões de toneladas de gás carbônico (CO₂), o principal responsável pelo aquecimento global.
Para se ter uma ideia da magnitude dessas emissões, alertou a pesquisadora do IEMA, Raíssa Gomes, as termelétricas fósseis lançaram na atmosfera mais gás carbônico do que o município de São Paulo. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), os paulistanos foram responsáveis por emitir 14,5 milhões de toneladas do gás em 2023.
“Ou seja, apenas as térmicas fósseis do SIN emitiram mais gases de efeito estufa do que a maior cidade do país, com seus mais de 11 milhões de habitantes e intensa atividade econômica”, comparou a pesquisadora.
Para o físico especializado em mudanças climáticas e pesquisador do Instituto ClimaInfo, Shigueo Watanabe Jr, outras alternativas poderiam reduzir a necessidade das termelétricas, como a “repotencialização das hidrelétricas”. “A maior parte das hidrelétricas do Sudeste foram construídas na década de 1970, 1980. Mas hoje a situação é diferente. Se você trocar as turbinas, tem um ganho potencial de energia e de potência sem mexer na altura do reservatório, sem mexer em nada da parte física”, disse.
Além disso, segundo o especialista, em relação ao vento e ao sol. “Se eu fosse um planejador energético, estaria muito mais preocupado com o preço do gás. A Rússia invade a Ucrânia, e o preço do gás dispara. Aí o Catar fala assim: ‘Não, tá muito alto, eu vou bombar mais gás, o preço do gás cai.’ É totalmente imprevisível”, avaliou.
Para o pesquisador, os interesses econômicos estão por trás de grande parte das termelétricas. “Existe um lobby muito forte para alavancar mais ainda o gás natural. Toda vez que você tem alguma obra de uma termelétrica, há vários interesses políticos e econômicos e um lobby muito forte dentro do Congresso e dentro dos ministérios para poder ter mais gás, mais termelétrica.”.
Esse lobby pode ser visto em dois jabutis colocados em leis na área de energia – o termo é usado para designar um apêndice incluído em um projeto que trata de tema diferente do assunto principal. Em 2021, o Congresso Nacional aprovou uma lei que viabilizou a privatização da Eletrobras. Mas os congressistas colocaram no texto a obrigação da contratação de 8 gigawatt (GW) de eletricidade das termelétricas a gás natural sem infraestrutura de distribuição.
Já no projeto de lei que discutiu o marco legal para a geração de energia eólica offshore (em alto mar), os parlamentares acrescentaram a obrigação de contratar 4,25 GW de usinas termelétricas a gás natural. Eles também prorrogaram os contratos das usinas a carvão de 2040 para 2050. Em janeiro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto, mas vetou os jabutis, alegando que iam na contramão da lei sancionada, por serem matrizes mais poluidoras, caras e ineficientes. [...]
A história das termelétricas atuais está relacionada com a crise de 2001, quando houve forte escassez de chuva, comprometendo os reservatórios de água das usinas hidrelétricas e o fornecimento de energia. “A maior parte das termelétricas que estão em operação hoje vieram do apagão que teve no governo Fernando Henrique. Eles criaram um programa prioritário de térmicas, que era basicamente térmicas a gás. Naquela época já se falava em aquecimento global, mas nada parecido com o que se fala hoje”, lembrou Watanabe Jr.
De acordo com Raíssa Gomes, com a expansão das fontes renováveis como a solar e a eólica, há uma transição em curso para que as térmicas fósseis operem cada vez mais de forma pontual, apenas em períodos de maior demanda ou baixa geração renovável. “Essa transição é fundamental, pois as termelétricas fósseis, ao contrário das fontes renováveis, são altamente emissoras de gases de efeito estufa e de emissões atmosféricas locais como óxidos de nitrogênio, enxofre, monóxido de carbono e material particulado.”
Além disso, segundo a pesquisadora, dependendo do sistema de resfriamento adotado, as usinas podem ter um elevado consumo de água, o que agrava a pressão sobre os recursos hídricos. “Soma-se a isso o fato de que a geração térmica, especialmente com combustíveis fósseis, tende a ser mais cara, contribuindo para o aumento nas tarifas de energia elétrica.” [...]
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/por-que-o-brasilainda-aposta-em-termelétricas/a-72700747>. Adaptado. Acesso
em: 20 de setembro de 2025.
De acordo com as Diretrizes Operacionais para Sala de Recursos Multifuncionais: Atendimento Educacional Especializado (AEE) do Estado do Piauí, o atendimento nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs) é planejado com o objetivo de complementar ou suplementar o ensino regular.
Com base nas diretrizes do AEE para as SRMs no Estado do Piauí, é CORRETO afirmar que o (os)
A Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva visa garantir que todos os alunos, incluindo aqueles com deficiência ou outras necessidades específicas, tenham acesso ao ensino regular de maneira equitativa. Isso implica criar condições que permitam a participação efetiva de todos, respeitando suas singularidades e promovendo sua inclusão plena no ambiente escolar.
Qual alternativa reflete CORRETAMENTE o objetivo da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva?
O profissional de apoio escolar desempenha um papel fundamental no processo de inclusão de alunos com deficiência ou outras necessidades educacionais específicas, garantindo sua autonomia, participação e interação no ambiente escolar, de acordo com suas necessidades individuais. Entre as atribuições desse profissional destacam-se:
I - Auxiliar na administração dos medicamentos, caso o estudante necessite, quando solicitado pelos pais ou responsável, sem apresentação da receita médica.
II - Proporcionar uma interação afetiva nas relações do estudante com as pessoas ao seu redor, minimizando o isolamento social.
III - Planejar atividades pedagógicas na sala de aula, atuando como professor de acordo com o planejamento da instituição de ensino.
IV - Compartilhar com os professores suas observações para colaborar na discussão de caso, ampliando a acessibilidade do(s) estudante(s) ao conteúdo e sua participação nas atividades escolares.
Com base nas atribuições descritas, assinale a alternativa que indica, a afirmação CORRETA.
Disponível em: https://diversa.org.br/noticias. Acesso em: 19 set. 2024.
A imagem exemplifica a função do profissional de apoio escolar, destacando a importância de remover barreiras físicas e promover a inclusão. Qual a função desse profissional no ambiente escolar?
A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) garante o direito ao acompanhamento de um profissional de apoio escolar para estudantes que necessitam desse serviço, sendo que nem todo estudante com deficiência precisa de um mediador durante toda a jornada escolar.
Com base nessa Lei, o profissional de apoio escolar
É CORRETO afirmar que as características descritas acima são de alunos com
Segundo Fernandes (2013, p.132), a oferta de apoios especializados não se limita à presença física dos alunos com deficiências na escola regular. É necessário promover acessibilidade, “aprendizagem significativa e real participação social”.
Nessa perspectiva, qual o principal objetivo da inclusão?
De acordo com a Resolução CNE/CEB 4/2009, para atuar no AEE, o professor deve ter formação inicial que o habilite para o exercício da docência e formação específica para a Educação Especial.
De acordo com as atribuições desse professor, este profissional deve:
Para a questão tome como base o seguinte suporte:
adequada em instituições Na notícia intitulada “Conheça os modelos de Atendimento Educacional Especializado (AEE)”, publicada em 04/04/2024, Thaís Paiva explora os principais formatos de AEE, incluindo itinerante, colaborativo, no contraturno e híbrido. A reportagem destaca que “esses são alguns dos arranjos encontrados pelas redes de ensino para tornar o Atendimento Educacional Especializado (AEE) uma realidade nas escolas brasileiras. Se por um lado cada estado ou município tem autonomia para organizar a oferta desse serviço, por outro há aspectos previstos na legislação nacional que devem ser seguidos por todas as secretarias de educação.”
Disponível em: https://diversa.org.br/noticias/Acesso em: 13 set. 2024.
Para a questão tome como base o seguinte suporte:
adequada em instituições Na notícia intitulada “Conheça os modelos de Atendimento Educacional Especializado (AEE)”, publicada em 04/04/2024, Thaís Paiva explora os principais formatos de AEE, incluindo itinerante, colaborativo, no contraturno e híbrido. A reportagem destaca que “esses são alguns dos arranjos encontrados pelas redes de ensino para tornar o Atendimento Educacional Especializado (AEE) uma realidade nas escolas brasileiras. Se por um lado cada estado ou município tem autonomia para organizar a oferta desse serviço, por outro há aspectos previstos na legislação nacional que devem ser seguidos por todas as secretarias de educação.”
Disponível em: https://diversa.org.br/noticias/Acesso em: 13 set. 2024.
Com base na legislação e diretrizes do AEE, analise as afirmações a seguir:
I - Para o atendimento às necessidades específicas relacionadas às altas habilidades/superdotação, são desenvolvidas atividades de enriquecimento curricular nas escolas de ensino regular em articulação com as instituições de educação superior, profissional e tecnológica, de pesquisa, de artes, de esportes, entre outras.
II - Nos casos de escolarização em classe hospitalar ou em ambiente domiciliar, o AEE é ofertado aos alunos público-alvo da educação especial, de forma complementar ou suplementar.
III - Deve ser realizado apenas em escolas especializadas e excluir a continuidade de estudos em outros níveis de ensino, além de restrições à oferta de recursos materiais, sem considerar os aspectos pedagógicos.
IV - Não prevê o desenvolvimento de recursos didáticos inclusivos, mas deve garantir condições de acesso ao currículo, promovendo a acessibilidade aos materiais didáticos, aos espaços e equipamentos, aos sistemas de comunicação e informação e ao conjunto das atividades escolares.
Assinale a alternativa que identifica apenas as afirmações CORRETAS.
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva estabelece, em suas diretrizes, o Atendimento Educacional Especializado aos estudantes com deficiência.

Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br Acesso em: 13 set. 2024.
A imagem acima representa uma cena de atendimento educacional especializado. Nesse contexto, qual é o papel do AEE?
O poder público tem a responsabilidade de assegurar várias medidas para garantir a inclusão educacional e a qualidade do ensino para pessoas com deficiência.
Fonte: Lei nº 13.146/2015
Uma das responsabilidades do poder público para assegurar a inclusão educacional é
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva visa garantir o acesso, a permanência e a participação dos alunos com deficiência em todos os níveis e modalidades de ensino, incluindo a educação de jovens e adultos, a educação indígena, do campo e quilombola, e a educação superior, conforme descrito a seguir:
I - Na educação de jovens e adultos, as ações da educação especial possibilitam não somente a escolarização, mas também a formação para o mundo do trabalho e a participação social efetiva.
II - A política garante que, na educação superior, os recursos de acessibilidade estejam presentes apenas nos processos seletivos, já que a permanência depende exclusivamente dos esforços individuais dos alunos.
III - A interface da educação especial com a educação indígena, do campo e quilombola assegura que os serviços e atendimentos especializados sejam considerados nos projetos pedagógicos, respeitando as diferenças socioculturais desses grupos.
IV - Na educação de jovens e adultos, o atendimento educacional especializado deve ser ofertado exclusivamente em escolas especializadas, sem integração com a rede regular de ensino.
Assinale a alternativa que identifica apenas as afirmações CORRETAS.