Questões de Concurso Para nutricionista

Foram encontradas 46.347 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q3650392 Português

Medo de ensinar

Publicado em 26/09/2023 Paulo Pestana - Crônica

  

      Dona Didi estava parada em frente ao portão. Todo dia era assim: ela recebia os alunos no pequeno alpendre do externato; mas alguma coisa estava errada. Eu mesmo vi quando começou o trabalho de demolição da ampla casa amarela que abrigava a escola; vi quando o muro baixo foi substituído por um tapume. Também vi um prédio pronto no mesmo lugar, ao lado da Catedral, naquela rua íngreme que nos fazia chegar arfando [ ] aula.

    Mas ela estava lá. Não chegava a ser gorda, mas era corpulenta, tinha o cenho sempre decidido e fechado, com sorrisos reservados apenas aos pais. E trazia permanentemente uma ameaçadora régua numa das mãos, batendo-a na palma da outra mão; corria entre os alunos[ ] lenda que ela guardava uma palmatória, na esperança de que seu uso fosse novamente autorizado para punir os maus alunos.

    Mas eu sabia que Dona Didi havia morrido. Foi este o motivo de a escola ter fechado. Ainda assim ela estava ali. Ao lado dela, como sempre, a mais bela professora do mundo, a minha professora – como era mesmo o nome dela? Não conseguia lembrar.

    É por essas e outras que eu ainda acho que o medo é uma força maior que o amor – como é que eu lembro o nome da mulher que mais me meteu medo na vida e não lembro como se chamava a dona do sorriso mais doce, que guiava minha mão sobre a pauta de caligrafia?

    A sensação era estranha – eu ainda não tinha consciência de que era um sonho, até porque, no meu caso, eles são quase sempre misteriosos, fragmentados, desconexos. Jung ensinou que o sonho é uma força da natureza, não depende de nada para aparecer, mas pode ser uma reação [ ] uma situação de consciência. Parece que era o caso.

    Há alguns dias eu tivera uma conversa com uma amiga professora em escola pública de uma cidade satélite que renovou a minha inabalável crença no fracasso da raça humana. Narrou casos cada vez mais frequentes de agressões verbais, de intimidações e até de violência física contra colegas.

    Ela está para desistir. Nem a Lei que garante ao professor autoridade para retirar um aluno da sala de aula – o que, por si só, mostra o tamanho do absurdo vivido pelos mestres – serve de paliativo. “A gente entra na sala com os nervos[ ] flor da pele, sem saber o que esperar”, me disse, enquanto eu me lembrava do dia, décadas atrás, que Ambrósio fez xixi nas calças durante uma bronca, em que ficou o tempo todo de cabeça baixa.

    Não sei o que aconteceu com o conceito de autoridade, que vem sendo corroído em nome de uma liberdade que não respeita ninguém e que, portanto, não é liberdade. Nos últimos anos, tem assumido ares de epidemia, já que ninguém quer se submeter a nada, mas, quando um professor tem medo de ensinar, é sinal de que a picada está no fim.

    E ainda tem gente que acha que vamos começar resolvendo os problemas brasileiros obrigando motorista [ ] acender o farol durante o dia ou adoçando palavras para disfarçar o amargor do preconceito.

PESTANA, Paulo. Medo de ensinar. Correio Braziliense, 18 de setembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br//medo-deensinar/. Acesso em: 29 set. 2023. Adaptado.

Nos trechos “Dona Didi estava parada em frente ao portão.” (1º parágrafo) e “Não chegava a ser gorda, mas era corpulenta [...]” (2º parágrafo), os verbos destacados são classificados como 
Alternativas
Q3650391 Português

Medo de ensinar

Publicado em 26/09/2023 Paulo Pestana - Crônica

  

      Dona Didi estava parada em frente ao portão. Todo dia era assim: ela recebia os alunos no pequeno alpendre do externato; mas alguma coisa estava errada. Eu mesmo vi quando começou o trabalho de demolição da ampla casa amarela que abrigava a escola; vi quando o muro baixo foi substituído por um tapume. Também vi um prédio pronto no mesmo lugar, ao lado da Catedral, naquela rua íngreme que nos fazia chegar arfando [ ] aula.

    Mas ela estava lá. Não chegava a ser gorda, mas era corpulenta, tinha o cenho sempre decidido e fechado, com sorrisos reservados apenas aos pais. E trazia permanentemente uma ameaçadora régua numa das mãos, batendo-a na palma da outra mão; corria entre os alunos[ ] lenda que ela guardava uma palmatória, na esperança de que seu uso fosse novamente autorizado para punir os maus alunos.

    Mas eu sabia que Dona Didi havia morrido. Foi este o motivo de a escola ter fechado. Ainda assim ela estava ali. Ao lado dela, como sempre, a mais bela professora do mundo, a minha professora – como era mesmo o nome dela? Não conseguia lembrar.

    É por essas e outras que eu ainda acho que o medo é uma força maior que o amor – como é que eu lembro o nome da mulher que mais me meteu medo na vida e não lembro como se chamava a dona do sorriso mais doce, que guiava minha mão sobre a pauta de caligrafia?

    A sensação era estranha – eu ainda não tinha consciência de que era um sonho, até porque, no meu caso, eles são quase sempre misteriosos, fragmentados, desconexos. Jung ensinou que o sonho é uma força da natureza, não depende de nada para aparecer, mas pode ser uma reação [ ] uma situação de consciência. Parece que era o caso.

    Há alguns dias eu tivera uma conversa com uma amiga professora em escola pública de uma cidade satélite que renovou a minha inabalável crença no fracasso da raça humana. Narrou casos cada vez mais frequentes de agressões verbais, de intimidações e até de violência física contra colegas.

    Ela está para desistir. Nem a Lei que garante ao professor autoridade para retirar um aluno da sala de aula – o que, por si só, mostra o tamanho do absurdo vivido pelos mestres – serve de paliativo. “A gente entra na sala com os nervos[ ] flor da pele, sem saber o que esperar”, me disse, enquanto eu me lembrava do dia, décadas atrás, que Ambrósio fez xixi nas calças durante uma bronca, em que ficou o tempo todo de cabeça baixa.

    Não sei o que aconteceu com o conceito de autoridade, que vem sendo corroído em nome de uma liberdade que não respeita ninguém e que, portanto, não é liberdade. Nos últimos anos, tem assumido ares de epidemia, já que ninguém quer se submeter a nada, mas, quando um professor tem medo de ensinar, é sinal de que a picada está no fim.

    E ainda tem gente que acha que vamos começar resolvendo os problemas brasileiros obrigando motorista [ ] acender o farol durante o dia ou adoçando palavras para disfarçar o amargor do preconceito.

PESTANA, Paulo. Medo de ensinar. Correio Braziliense, 18 de setembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br//medo-deensinar/. Acesso em: 29 set. 2023. Adaptado.

Pode-se afirmar que a inspiração do autor para a escrita da crônica foi
Alternativas
Q3650390 Português

Medo de ensinar

Publicado em 26/09/2023 Paulo Pestana - Crônica

  

      Dona Didi estava parada em frente ao portão. Todo dia era assim: ela recebia os alunos no pequeno alpendre do externato; mas alguma coisa estava errada. Eu mesmo vi quando começou o trabalho de demolição da ampla casa amarela que abrigava a escola; vi quando o muro baixo foi substituído por um tapume. Também vi um prédio pronto no mesmo lugar, ao lado da Catedral, naquela rua íngreme que nos fazia chegar arfando [ ] aula.

    Mas ela estava lá. Não chegava a ser gorda, mas era corpulenta, tinha o cenho sempre decidido e fechado, com sorrisos reservados apenas aos pais. E trazia permanentemente uma ameaçadora régua numa das mãos, batendo-a na palma da outra mão; corria entre os alunos[ ] lenda que ela guardava uma palmatória, na esperança de que seu uso fosse novamente autorizado para punir os maus alunos.

    Mas eu sabia que Dona Didi havia morrido. Foi este o motivo de a escola ter fechado. Ainda assim ela estava ali. Ao lado dela, como sempre, a mais bela professora do mundo, a minha professora – como era mesmo o nome dela? Não conseguia lembrar.

    É por essas e outras que eu ainda acho que o medo é uma força maior que o amor – como é que eu lembro o nome da mulher que mais me meteu medo na vida e não lembro como se chamava a dona do sorriso mais doce, que guiava minha mão sobre a pauta de caligrafia?

    A sensação era estranha – eu ainda não tinha consciência de que era um sonho, até porque, no meu caso, eles são quase sempre misteriosos, fragmentados, desconexos. Jung ensinou que o sonho é uma força da natureza, não depende de nada para aparecer, mas pode ser uma reação [ ] uma situação de consciência. Parece que era o caso.

    Há alguns dias eu tivera uma conversa com uma amiga professora em escola pública de uma cidade satélite que renovou a minha inabalável crença no fracasso da raça humana. Narrou casos cada vez mais frequentes de agressões verbais, de intimidações e até de violência física contra colegas.

    Ela está para desistir. Nem a Lei que garante ao professor autoridade para retirar um aluno da sala de aula – o que, por si só, mostra o tamanho do absurdo vivido pelos mestres – serve de paliativo. “A gente entra na sala com os nervos[ ] flor da pele, sem saber o que esperar”, me disse, enquanto eu me lembrava do dia, décadas atrás, que Ambrósio fez xixi nas calças durante uma bronca, em que ficou o tempo todo de cabeça baixa.

    Não sei o que aconteceu com o conceito de autoridade, que vem sendo corroído em nome de uma liberdade que não respeita ninguém e que, portanto, não é liberdade. Nos últimos anos, tem assumido ares de epidemia, já que ninguém quer se submeter a nada, mas, quando um professor tem medo de ensinar, é sinal de que a picada está no fim.

    E ainda tem gente que acha que vamos começar resolvendo os problemas brasileiros obrigando motorista [ ] acender o farol durante o dia ou adoçando palavras para disfarçar o amargor do preconceito.

PESTANA, Paulo. Medo de ensinar. Correio Braziliense, 18 de setembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br//medo-deensinar/. Acesso em: 29 set. 2023. Adaptado.

A partir da leitura da crônica apresentada, infere-se que o autor
Alternativas
Q3649784 Nutrição
A interpretação de exames laboratoriais integra o raciocínio clínico nutricional. Em quadro inicial de anemia ferropriva, assinale o perfil laboratorial mais compatível.
Alternativas
Q3649783 Nutrição
A organização da atenção nutricional em saúde pública articula vigilância, diretrizes e ações intersetoriais. Assim sendo, julgue as afirmativas.

I. SISVAN monitora estado nutricional com dados antropométricos e marcadores de consumo para planejamento local.
II. PNAE provê recursos e prevê educação alimentar e nutricional no ambiente escolar como componente regular.
III. PNAN limita-se a atendimento clínico individual em ambulatórios, com escopo assistencial reduzido.
IV. Guia Alimentar propõe bases para ambientes alimentares saudáveis e integração com políticas setoriais.

Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS.
Alternativas
Q3649782 Nutrição
Distúrbios nutricionais na infância e adolescência exigem abordagem familiar, metas graduais e monitoramento de comorbidades. Assinale o plano alinhado à melhor prática.
Alternativas
Q3649781 Nutrição
Em pré-escolares e escolares, escolhas refletem ambiente, exposição e modelagem familiar. A estratégia com melhor adesão para mudança de hábito alimentar é:
Alternativas
Q3649780 Nutrição
A fisiologia da lactação envolve controle neuroendócrino, técnica de pega e manejo da oferta. Leia com atenção as afirmações a seguir.

I. Produção láctea depende apenas de prolactina, com ejeção independente de estímulo tátil.
II. Porção inicial da mamada apresenta teor lipídico superior ao leite posterior em padrão estável.
III. Livre demanda regula oferta por mecanismo de feedback, favorecendo transferência eficiente de leite.
IV. Contato pele a pele na primeira hora ajuda estabelecimento e manutenção da amamentação eficaz.

Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS.
Alternativas
Q3649779 Nutrição
No período de lactação, a nutriz apresenta necessidades específicas de energia, proteína, iodo e vitamina A, além de manejo alimentar que preserve produção. Assinale a orientação CORRETA sobre lactação.
Alternativas
Q3649778 Nutrição
Recomendações nutricionais na gestação visam suprir demandas de crescimento fetal e preservar saúde materna, prevenindo complicações. Assinale a conduta alinhada a essa lógica.
Alternativas
Q3649777 Nutrição
Alterações fisiológicas da gestação incluem expansão do volume plasmático, maior demanda de ferro e modulação da sensibilidade à insulina. Assinale a afirmação que sintetiza essas adaptações.
Alternativas
Q3649776 Nutrição
Uma UAN hospitalar enfrenta teto orçamentário por refeição, variação sazonal de preços e necessidade de previsibilidade. Marque a abordagem de planejamento e custos que sustenta qualidade.
Alternativas
Q3649775 Nutrição
Na dietoterapia, ajustes de macronutrientes e micronutrientes buscam compatibilizar fisiopatologia e gasto energético. Em paciente com DPOC em retenção crônica de dióxido de carbono, assinale a estratégia que apoia ventilação.
Alternativas
Q3649774 Nutrição
Em refeitório institucional, a salada de maionese artesanal permaneceu oito horas a vinte e cinco graus, seguida de consumo com início de vômitos e dor abdominal em três horas. Assinale a alternativa que apresenta a etiologia e a abordagem inicial mais prováveis para o acontecimento.
Alternativas
Q3649773 Nutrição
Processos tecnológicos modificam perigos e atributos de alimentos vegetais e de origem animal. A afirmação que descreve uma aplicação CORRETA, está na opção 
Alternativas
Q3649772 Nutrição
Em unidade de alimentação, chega lote de pescados com temperatura interna de quatro graus, odor marinho limpo e elasticidade preservada; a câmara fria opera a dois graus com alto giro. Assinale o procedimento que consolida qualidade e segurança.
Alternativas
Q3649771 Nutrição
Fichas técnicas asseguram padronização, rendimento e custo por porção. Assinale o conjunto de campos que atende controle produtivo e econômico em UAN.
Alternativas
Q3649770 Nutrição
Técnica dietética integra cortes, métodos de cocção e ajustes sensoriais para preservar valor nutritivo e qualidade. Assinale a combinação que favorece melhor textura e retenção de vitaminas hidrossolúveis em hortaliças.
Alternativas
Q3649769 Nutrição
Diretrizes alimentares para a população brasileira valorizam alimentos in natura, modos de preparo caseiros e ambientes que protegem escolhas saudáveis em diferentes idades. Assinale a proposta que traduz essa orientação.
Alternativas
Q3649768 Nutrição
A distinção entre nutrientes essenciais e não essenciais envolve vias metabólicas e possibilidade de síntese endógena. Assinale a afirmativa CORRETA sobre esse assunto.
Alternativas
Respostas
8981: A
8982: X
8983: D
8984: C
8985: E
8986: B
8987: A
8988: C
8989: D
8990: E
8991: A
8992: B
8993: C
8994: D
8995: B
8996: A
8997: E
8998: C
8999: D
9000: A