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“O Agente Secreto” abarca imensidão e atualidade da violência brasileira
É tão vasto o horizonte aberto por “O Agente Secreto” que mais justo será fatiá-lo para melhor compreensão. Ele é, entre outras coisas, um filme sobre cinema. Ele começa em 1977, quando “Tubarão”, o longa de Steven Spielberg, estava na cabeça de todo mundo. Os tubarões estavam na cabeça de um menino de cinco ou seis anos, filho de Marcelo — Wagner Moura —, o protagonista do filme.
O tubarão do “Tubarão” não era apenas um peixe. Ele matava suas vítimas. E, quanto mais é perseguido, maior, mais ameaçador, mais horrendo e furioso se torna.
Naquele ano, também, o Brasil já estava saindo da fase mais difícil [...]. Nesse momento, Marcelo volta ao Recife para viver, bem discretamente, numa comunidade de “refugiados” e para encontrar um documento de identificação que, de certa forma, pode comprovar para ele a existência de sua mãe.
A mãe não é sua única perda. Foi criado pelo avô e perdeu a mulher. Sua pesquisa, do tempo em que era professor universitário, foi roubada. Foi difamado por um industrial paulista e é ameaçado de morte por ex-militares, hoje dedicados profissionalmente ao assassinato. O filme explicará tudo isso e por que esses fatos aconteceram.
Como já se pode notar, estamos no território de “Tubarão”, de uma boca cada vez mais imensa que se abre para apanhar o que vier. A diferença fundamental é que “Tubarão” se propõe como um longa de aventura e terror, enquanto “O Agente Secreto” é uma obra de mistério — e terror.
Há mais cinemas na história — e atenção a partir daqui com os “spoilers”.
O sogro de Marcelo — papel de Carlos Francisco — é projecionista do Cine São Luiz, em Recife. É também no prédio onde no passado existiu um cinema que Fernando, o filho de Marcelo, pratica a medicina. Num banco de sangue, isto é, um lugar onde o sangue não existe como perda — jorro vindo de corpos mortos —, mas como regeneração e vida — “O Agente Secreto” não é, afinal, um filme sem esperança.
O cinema, como se sabe, sempre foi um lugar de refúgio — tanto para fugitivos em geral como para namorados. E Marcelo, quando chega a Recife, logo no início do longa, vai para uma comunidade de pessoas que se dizem “refugiadas”.
A presença do cinema é, claro, apenas uma fatia — talvez minguada — da imensidade a que se abre o novo filme de Kleber Mendonça Filho. Ele trata da violência que ora é oficial, ora é particular, [...] da destruição de reputações e do roubo de ideias, do assassinato [...]. Essa máquina infernal existia no passado e não deixou de existir no presente.
“O Agente Secreto” é o longa onde mais evidentes são as ressonâncias de “O Som ao Redor”. Assim como a moderna Recife é o lugar onde sobrevive a antiga exploração dos engenhos em “O Som ao Redor”, o Brasil é o lugar onde práticas iníquas vão se perpetuando sempre adaptadas às condições do presente.
E tudo isso é o que temos a deglutir, pouco a pouco, neste filme realmente imenso, com um elenco admiravelmente equilibrado em torno de um Wagner Moura assombroso.
Muito pessoalmente, devo dizer que nunca me comoveu muito o prêmio do júri que “Bacurau” ganhou alguns anos atrás. O prêmio foi dividido com “Os Miseráveis”, de Ladj Ly, que me parecia muito superior. Desta vez, Kleber ganhou o prêmio de melhor direção, o mesmo que Glauber Rocha levou por “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”. Não passa vergonha diante de seu predecessor.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/oagente-secreto-abarca-imensidao-e-atualidade-da-violenciabrasileira.shtml. Acesso em: 05 jan. 2026.
Considerando a análise de determinados elementos linguísticos presentes no texto, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Em “O filme explicará tudo isso e por que esses fatos aconteceram.”, a expressão destacada deveria estar empregada na forma “porque”, já que o uso “por que” – separado e sem acento – restringe-se a perguntas.
( ) No trecho “[...] para encontrar um documento de identificação que, de certa forma, pode comprovar para ele a existência de sua mãe.”, os verbos destacados apresentam complementos sem preposição, embora suas regências sejam distintas.
( ) No período: “É também no prédio onde no passado existiu um cinema que Fernando, o filho de Marcelo, pratica a medicina.”, os verbos empregados encontram-se no mesmo tempo verbal.
( ) Em “Essa máquina infernal existia no passado e não deixou de existir no presente. [...] Assim como a moderna Recife é o lugar onde sobrevive a antiga exploração dos engenhos em ‘O Som ao Redor’, as expressões destacadas têm a mesma função sintática.
“O Agente Secreto” abarca imensidão e atualidade da violência brasileira
É tão vasto o horizonte aberto por “O Agente Secreto” que mais justo será fatiá-lo para melhor compreensão. Ele é, entre outras coisas, um filme sobre cinema. Ele começa em 1977, quando “Tubarão”, o longa de Steven Spielberg, estava na cabeça de todo mundo. Os tubarões estavam na cabeça de um menino de cinco ou seis anos, filho de Marcelo — Wagner Moura —, o protagonista do filme.
O tubarão do “Tubarão” não era apenas um peixe. Ele matava suas vítimas. E, quanto mais é perseguido, maior, mais ameaçador, mais horrendo e furioso se torna.
Naquele ano, também, o Brasil já estava saindo da fase mais difícil [...]. Nesse momento, Marcelo volta ao Recife para viver, bem discretamente, numa comunidade de “refugiados” e para encontrar um documento de identificação que, de certa forma, pode comprovar para ele a existência de sua mãe.
A mãe não é sua única perda. Foi criado pelo avô e perdeu a mulher. Sua pesquisa, do tempo em que era professor universitário, foi roubada. Foi difamado por um industrial paulista e é ameaçado de morte por ex-militares, hoje dedicados profissionalmente ao assassinato. O filme explicará tudo isso e por que esses fatos aconteceram.
Como já se pode notar, estamos no território de “Tubarão”, de uma boca cada vez mais imensa que se abre para apanhar o que vier. A diferença fundamental é que “Tubarão” se propõe como um longa de aventura e terror, enquanto “O Agente Secreto” é uma obra de mistério — e terror.
Há mais cinemas na história — e atenção a partir daqui com os “spoilers”.
O sogro de Marcelo — papel de Carlos Francisco — é projecionista do Cine São Luiz, em Recife. É também no prédio onde no passado existiu um cinema que Fernando, o filho de Marcelo, pratica a medicina. Num banco de sangue, isto é, um lugar onde o sangue não existe como perda — jorro vindo de corpos mortos —, mas como regeneração e vida — “O Agente Secreto” não é, afinal, um filme sem esperança.
O cinema, como se sabe, sempre foi um lugar de refúgio — tanto para fugitivos em geral como para namorados. E Marcelo, quando chega a Recife, logo no início do longa, vai para uma comunidade de pessoas que se dizem “refugiadas”.
A presença do cinema é, claro, apenas uma fatia — talvez minguada — da imensidade a que se abre o novo filme de Kleber Mendonça Filho. Ele trata da violência que ora é oficial, ora é particular, [...] da destruição de reputações e do roubo de ideias, do assassinato [...]. Essa máquina infernal existia no passado e não deixou de existir no presente.
“O Agente Secreto” é o longa onde mais evidentes são as ressonâncias de “O Som ao Redor”. Assim como a moderna Recife é o lugar onde sobrevive a antiga exploração dos engenhos em “O Som ao Redor”, o Brasil é o lugar onde práticas iníquas vão se perpetuando sempre adaptadas às condições do presente.
E tudo isso é o que temos a deglutir, pouco a pouco, neste filme realmente imenso, com um elenco admiravelmente equilibrado em torno de um Wagner Moura assombroso.
Muito pessoalmente, devo dizer que nunca me comoveu muito o prêmio do júri que “Bacurau” ganhou alguns anos atrás. O prêmio foi dividido com “Os Miseráveis”, de Ladj Ly, que me parecia muito superior. Desta vez, Kleber ganhou o prêmio de melhor direção, o mesmo que Glauber Rocha levou por “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”. Não passa vergonha diante de seu predecessor.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/oagente-secreto-abarca-imensidao-e-atualidade-da-violenciabrasileira.shtml. Acesso em: 05 jan. 2026.
“O Agente Secreto” abarca imensidão e atualidade da violência brasileira
É tão vasto o horizonte aberto por “O Agente Secreto” que mais justo será fatiá-lo para melhor compreensão. Ele é, entre outras coisas, um filme sobre cinema. Ele começa em 1977, quando “Tubarão”, o longa de Steven Spielberg, estava na cabeça de todo mundo. Os tubarões estavam na cabeça de um menino de cinco ou seis anos, filho de Marcelo — Wagner Moura —, o protagonista do filme.
O tubarão do “Tubarão” não era apenas um peixe. Ele matava suas vítimas. E, quanto mais é perseguido, maior, mais ameaçador, mais horrendo e furioso se torna.
Naquele ano, também, o Brasil já estava saindo da fase mais difícil [...]. Nesse momento, Marcelo volta ao Recife para viver, bem discretamente, numa comunidade de “refugiados” e para encontrar um documento de identificação que, de certa forma, pode comprovar para ele a existência de sua mãe.
A mãe não é sua única perda. Foi criado pelo avô e perdeu a mulher. Sua pesquisa, do tempo em que era professor universitário, foi roubada. Foi difamado por um industrial paulista e é ameaçado de morte por ex-militares, hoje dedicados profissionalmente ao assassinato. O filme explicará tudo isso e por que esses fatos aconteceram.
Como já se pode notar, estamos no território de “Tubarão”, de uma boca cada vez mais imensa que se abre para apanhar o que vier. A diferença fundamental é que “Tubarão” se propõe como um longa de aventura e terror, enquanto “O Agente Secreto” é uma obra de mistério — e terror.
Há mais cinemas na história — e atenção a partir daqui com os “spoilers”.
O sogro de Marcelo — papel de Carlos Francisco — é projecionista do Cine São Luiz, em Recife. É também no prédio onde no passado existiu um cinema que Fernando, o filho de Marcelo, pratica a medicina. Num banco de sangue, isto é, um lugar onde o sangue não existe como perda — jorro vindo de corpos mortos —, mas como regeneração e vida — “O Agente Secreto” não é, afinal, um filme sem esperança.
O cinema, como se sabe, sempre foi um lugar de refúgio — tanto para fugitivos em geral como para namorados. E Marcelo, quando chega a Recife, logo no início do longa, vai para uma comunidade de pessoas que se dizem “refugiadas”.
A presença do cinema é, claro, apenas uma fatia — talvez minguada — da imensidade a que se abre o novo filme de Kleber Mendonça Filho. Ele trata da violência que ora é oficial, ora é particular, [...] da destruição de reputações e do roubo de ideias, do assassinato [...]. Essa máquina infernal existia no passado e não deixou de existir no presente.
“O Agente Secreto” é o longa onde mais evidentes são as ressonâncias de “O Som ao Redor”. Assim como a moderna Recife é o lugar onde sobrevive a antiga exploração dos engenhos em “O Som ao Redor”, o Brasil é o lugar onde práticas iníquas vão se perpetuando sempre adaptadas às condições do presente.
E tudo isso é o que temos a deglutir, pouco a pouco, neste filme realmente imenso, com um elenco admiravelmente equilibrado em torno de um Wagner Moura assombroso.
Muito pessoalmente, devo dizer que nunca me comoveu muito o prêmio do júri que “Bacurau” ganhou alguns anos atrás. O prêmio foi dividido com “Os Miseráveis”, de Ladj Ly, que me parecia muito superior. Desta vez, Kleber ganhou o prêmio de melhor direção, o mesmo que Glauber Rocha levou por “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”. Não passa vergonha diante de seu predecessor.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/oagente-secreto-abarca-imensidao-e-atualidade-da-violenciabrasileira.shtml. Acesso em: 05 jan. 2026.
“O Agente Secreto” abarca imensidão e atualidade da violência brasileira
É tão vasto o horizonte aberto por “O Agente Secreto” que mais justo será fatiá-lo para melhor compreensão. Ele é, entre outras coisas, um filme sobre cinema. Ele começa em 1977, quando “Tubarão”, o longa de Steven Spielberg, estava na cabeça de todo mundo. Os tubarões estavam na cabeça de um menino de cinco ou seis anos, filho de Marcelo — Wagner Moura —, o protagonista do filme.
O tubarão do “Tubarão” não era apenas um peixe. Ele matava suas vítimas. E, quanto mais é perseguido, maior, mais ameaçador, mais horrendo e furioso se torna.
Naquele ano, também, o Brasil já estava saindo da fase mais difícil [...]. Nesse momento, Marcelo volta ao Recife para viver, bem discretamente, numa comunidade de “refugiados” e para encontrar um documento de identificação que, de certa forma, pode comprovar para ele a existência de sua mãe.
A mãe não é sua única perda. Foi criado pelo avô e perdeu a mulher. Sua pesquisa, do tempo em que era professor universitário, foi roubada. Foi difamado por um industrial paulista e é ameaçado de morte por ex-militares, hoje dedicados profissionalmente ao assassinato. O filme explicará tudo isso e por que esses fatos aconteceram.
Como já se pode notar, estamos no território de “Tubarão”, de uma boca cada vez mais imensa que se abre para apanhar o que vier. A diferença fundamental é que “Tubarão” se propõe como um longa de aventura e terror, enquanto “O Agente Secreto” é uma obra de mistério — e terror.
Há mais cinemas na história — e atenção a partir daqui com os “spoilers”.
O sogro de Marcelo — papel de Carlos Francisco — é projecionista do Cine São Luiz, em Recife. É também no prédio onde no passado existiu um cinema que Fernando, o filho de Marcelo, pratica a medicina. Num banco de sangue, isto é, um lugar onde o sangue não existe como perda — jorro vindo de corpos mortos —, mas como regeneração e vida — “O Agente Secreto” não é, afinal, um filme sem esperança.
O cinema, como se sabe, sempre foi um lugar de refúgio — tanto para fugitivos em geral como para namorados. E Marcelo, quando chega a Recife, logo no início do longa, vai para uma comunidade de pessoas que se dizem “refugiadas”.
A presença do cinema é, claro, apenas uma fatia — talvez minguada — da imensidade a que se abre o novo filme de Kleber Mendonça Filho. Ele trata da violência que ora é oficial, ora é particular, [...] da destruição de reputações e do roubo de ideias, do assassinato [...]. Essa máquina infernal existia no passado e não deixou de existir no presente.
“O Agente Secreto” é o longa onde mais evidentes são as ressonâncias de “O Som ao Redor”. Assim como a moderna Recife é o lugar onde sobrevive a antiga exploração dos engenhos em “O Som ao Redor”, o Brasil é o lugar onde práticas iníquas vão se perpetuando sempre adaptadas às condições do presente.
E tudo isso é o que temos a deglutir, pouco a pouco, neste filme realmente imenso, com um elenco admiravelmente equilibrado em torno de um Wagner Moura assombroso.
Muito pessoalmente, devo dizer que nunca me comoveu muito o prêmio do júri que “Bacurau” ganhou alguns anos atrás. O prêmio foi dividido com “Os Miseráveis”, de Ladj Ly, que me parecia muito superior. Desta vez, Kleber ganhou o prêmio de melhor direção, o mesmo que Glauber Rocha levou por “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”. Não passa vergonha diante de seu predecessor.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/oagente-secreto-abarca-imensidao-e-atualidade-da-violenciabrasileira.shtml. Acesso em: 05 jan. 2026.
( ) O texto tem caráter predominantemente expositivo, pois seu objetivo principal é informar o leitor, de forma neutra e objetiva, sobre o enredo, o elenco e a data de lançamento do filme.
( ) Uma função central da resenha crítica é a avaliação, o que fica claro quando o autor analisa elementos do filme (como a metáfora do tubarão) e emite juízos de valor, posicionando a obra em um contexto cinematográfico mais amplo.
( ) A argumentação é um traço essencial desse gênero. Para sustentar sua tese sobre a “imensidão” do filme, o autor seleciona e interpreta evidências textuais, como os símbolos do cinema e do sangue, e estabelece comparações com outros filmes.
( ) A estrutura do texto é livre e associativa, sem preocupação com a persuasão do leitor, uma vez que o gênero resenha prioriza a expressão impressionista e pessoal do autor, a despeito de qualquer tentativa de análise fundamentada.
“O Agente Secreto” abarca imensidão e atualidade da violência brasileira
É tão vasto o horizonte aberto por “O Agente Secreto” que mais justo será fatiá-lo para melhor compreensão. Ele é, entre outras coisas, um filme sobre cinema. Ele começa em 1977, quando “Tubarão”, o longa de Steven Spielberg, estava na cabeça de todo mundo. Os tubarões estavam na cabeça de um menino de cinco ou seis anos, filho de Marcelo — Wagner Moura —, o protagonista do filme.
O tubarão do “Tubarão” não era apenas um peixe. Ele matava suas vítimas. E, quanto mais é perseguido, maior, mais ameaçador, mais horrendo e furioso se torna.
Naquele ano, também, o Brasil já estava saindo da fase mais difícil [...]. Nesse momento, Marcelo volta ao Recife para viver, bem discretamente, numa comunidade de “refugiados” e para encontrar um documento de identificação que, de certa forma, pode comprovar para ele a existência de sua mãe.
A mãe não é sua única perda. Foi criado pelo avô e perdeu a mulher. Sua pesquisa, do tempo em que era professor universitário, foi roubada. Foi difamado por um industrial paulista e é ameaçado de morte por ex-militares, hoje dedicados profissionalmente ao assassinato. O filme explicará tudo isso e por que esses fatos aconteceram.
Como já se pode notar, estamos no território de “Tubarão”, de uma boca cada vez mais imensa que se abre para apanhar o que vier. A diferença fundamental é que “Tubarão” se propõe como um longa de aventura e terror, enquanto “O Agente Secreto” é uma obra de mistério — e terror.
Há mais cinemas na história — e atenção a partir daqui com os “spoilers”.
O sogro de Marcelo — papel de Carlos Francisco — é projecionista do Cine São Luiz, em Recife. É também no prédio onde no passado existiu um cinema que Fernando, o filho de Marcelo, pratica a medicina. Num banco de sangue, isto é, um lugar onde o sangue não existe como perda — jorro vindo de corpos mortos —, mas como regeneração e vida — “O Agente Secreto” não é, afinal, um filme sem esperança.
O cinema, como se sabe, sempre foi um lugar de refúgio — tanto para fugitivos em geral como para namorados. E Marcelo, quando chega a Recife, logo no início do longa, vai para uma comunidade de pessoas que se dizem “refugiadas”.
A presença do cinema é, claro, apenas uma fatia — talvez minguada — da imensidade a que se abre o novo filme de Kleber Mendonça Filho. Ele trata da violência que ora é oficial, ora é particular, [...] da destruição de reputações e do roubo de ideias, do assassinato [...]. Essa máquina infernal existia no passado e não deixou de existir no presente.
“O Agente Secreto” é o longa onde mais evidentes são as ressonâncias de “O Som ao Redor”. Assim como a moderna Recife é o lugar onde sobrevive a antiga exploração dos engenhos em “O Som ao Redor”, o Brasil é o lugar onde práticas iníquas vão se perpetuando sempre adaptadas às condições do presente.
E tudo isso é o que temos a deglutir, pouco a pouco, neste filme realmente imenso, com um elenco admiravelmente equilibrado em torno de um Wagner Moura assombroso.
Muito pessoalmente, devo dizer que nunca me comoveu muito o prêmio do júri que “Bacurau” ganhou alguns anos atrás. O prêmio foi dividido com “Os Miseráveis”, de Ladj Ly, que me parecia muito superior. Desta vez, Kleber ganhou o prêmio de melhor direção, o mesmo que Glauber Rocha levou por “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”. Não passa vergonha diante de seu predecessor.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/oagente-secreto-abarca-imensidao-e-atualidade-da-violenciabrasileira.shtml. Acesso em: 05 jan. 2026.
“O Agente Secreto” abarca imensidão e atualidade da violência brasileira
É tão vasto o horizonte aberto por “O Agente Secreto” que mais justo será fatiá-lo para melhor compreensão. Ele é, entre outras coisas, um filme sobre cinema. Ele começa em 1977, quando “Tubarão”, o longa de Steven Spielberg, estava na cabeça de todo mundo. Os tubarões estavam na cabeça de um menino de cinco ou seis anos, filho de Marcelo — Wagner Moura —, o protagonista do filme.
O tubarão do “Tubarão” não era apenas um peixe. Ele matava suas vítimas. E, quanto mais é perseguido, maior, mais ameaçador, mais horrendo e furioso se torna.
Naquele ano, também, o Brasil já estava saindo da fase mais difícil [...]. Nesse momento, Marcelo volta ao Recife para viver, bem discretamente, numa comunidade de “refugiados” e para encontrar um documento de identificação que, de certa forma, pode comprovar para ele a existência de sua mãe.
A mãe não é sua única perda. Foi criado pelo avô e perdeu a mulher. Sua pesquisa, do tempo em que era professor universitário, foi roubada. Foi difamado por um industrial paulista e é ameaçado de morte por ex-militares, hoje dedicados profissionalmente ao assassinato. O filme explicará tudo isso e por que esses fatos aconteceram.
Como já se pode notar, estamos no território de “Tubarão”, de uma boca cada vez mais imensa que se abre para apanhar o que vier. A diferença fundamental é que “Tubarão” se propõe como um longa de aventura e terror, enquanto “O Agente Secreto” é uma obra de mistério — e terror.
Há mais cinemas na história — e atenção a partir daqui com os “spoilers”.
O sogro de Marcelo — papel de Carlos Francisco — é projecionista do Cine São Luiz, em Recife. É também no prédio onde no passado existiu um cinema que Fernando, o filho de Marcelo, pratica a medicina. Num banco de sangue, isto é, um lugar onde o sangue não existe como perda — jorro vindo de corpos mortos —, mas como regeneração e vida — “O Agente Secreto” não é, afinal, um filme sem esperança.
O cinema, como se sabe, sempre foi um lugar de refúgio — tanto para fugitivos em geral como para namorados. E Marcelo, quando chega a Recife, logo no início do longa, vai para uma comunidade de pessoas que se dizem “refugiadas”.
A presença do cinema é, claro, apenas uma fatia — talvez minguada — da imensidade a que se abre o novo filme de Kleber Mendonça Filho. Ele trata da violência que ora é oficial, ora é particular, [...] da destruição de reputações e do roubo de ideias, do assassinato [...]. Essa máquina infernal existia no passado e não deixou de existir no presente.
“O Agente Secreto” é o longa onde mais evidentes são as ressonâncias de “O Som ao Redor”. Assim como a moderna Recife é o lugar onde sobrevive a antiga exploração dos engenhos em “O Som ao Redor”, o Brasil é o lugar onde práticas iníquas vão se perpetuando sempre adaptadas às condições do presente.
E tudo isso é o que temos a deglutir, pouco a pouco, neste filme realmente imenso, com um elenco admiravelmente equilibrado em torno de um Wagner Moura assombroso.
Muito pessoalmente, devo dizer que nunca me comoveu muito o prêmio do júri que “Bacurau” ganhou alguns anos atrás. O prêmio foi dividido com “Os Miseráveis”, de Ladj Ly, que me parecia muito superior. Desta vez, Kleber ganhou o prêmio de melhor direção, o mesmo que Glauber Rocha levou por “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”. Não passa vergonha diante de seu predecessor.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/11/oagente-secreto-abarca-imensidao-e-atualidade-da-violenciabrasileira.shtml. Acesso em: 05 jan. 2026.
I. Na analogia estabelecida entre os filmes “O Agente Secreto” e o “Tubarão”, a distinção essencial apontada pelo autor é de gênero: enquanto este é aventura/terror com um animal, aquele é mistério/terror com violências humanas e sociais.
II. O cinema, como o Cine São Luiz, funciona como um pano de fundo histórico e geográfico, cuja principal função é localizar a ação do filme no Recife dos anos 1970.
III. A comunidade de “refugiados” onde Marcelo passa a viver reforça a ideia do cinema como refúgio, criando um paralelo literal entre quem foge da violência política e quem busca abrigo na escuridão de uma sala de projeção.
IV. A ressonância com “O Som ao Redor” desloca o foco da análise, no texto, para uma leitura política que se sobrepõe e diminui a importância do caráter de reflexão sobre o que é fazer cinema, presente em “O Agente Secreto”.
I.O Projeto Político-Pedagógico − PPP é o documento que expressa a identidade e a proposta educativa da escola, devendo ser elaborado de forma coletiva.
II.O Conselho Escolar é um órgão colegiado com funções consultivas, mas a decisão final sobre o uso de recursos financeiros é privativa da direção da escola.
III.A autonomia escolar compreende as dimensões administrativa, jurídica e financeira, sendo limitada pela obrigatoriedade de cumprir as normas comuns nacionais.
Está correto o que se afirma em:
(__)A meta 1 do plano prevê a universalização da educação infantil na pré-escola para crianças de quatro a cinco anos de idade até o final de sua vigência.
(__)O acompanhamento da execução do plano é realizado de forma exclusiva pelo Ministério da Educação, sem a participação da sociedade civil organizada.
(__)O plano estabelece como meta a ampliação do investimento público em educação pública de forma a atingir o patamar de dez por cento do Produto Interno Bruto − PIB.
(__)A erradicação do analfabetismo absoluto e a superação das desigualdades educacionais são diretrizes fundamentais que orientam as metas do decênio.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
I.A Base Nacional Comum Curricular deve ser complementada, em cada sistema de ensino, por uma parte diversificada para atender as características regionais e locais.
II.A educação básica é organizada em etapas e modalidades, sendo que a educação especial e a educação de jovens e adultos constituem modalidades transversais.
III.O currículo escolar é definido como um conjunto estático de conteúdos disciplinares que devem ser transmitidos linearmente para garantir a produtividade.
Está correto o que se afirma em:
I.A Lei de Cotas reserva o percentual mínimo de cinquenta por cento das vagas em instituições federais para estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas.
II.O Programa Nacional de Assistência Estudantil − PNAES oferece apoio financeiro para moradia, transporte e alimentação para estudantes de baixa renda na educação superior pública.
III.A permanência estudantil é um conceito que se restringe à isenção do pagamento de mensalidades em universidades privadas pelo programa Universidade para Todos − ProUni.
Está correto o que se afirma em:
I.O currículo oculto refere-se às aprendizagens, valores e atitudes que são transmitidos de forma implícita pelas relações sociais e rituais no cotidiano da escola.
II.A perspectiva pós-crítica de currículo enfatiza temas como a diversidade cultural, o multiculturalismo e as políticas de identidade em oposição à visão técnica e neutra.
III.O currículo de base tecnicista organiza o saber de forma linear e fragmentada, priorizando a eficiência e a padronização das condutas dos estudantes em sala.
Está correto o que se afirma em:
(__)Cabe à União a coordenação da política nacional de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa e redistributiva.
(__)Os Municípios devem atuar prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil, garantindo o acesso universal nestas etapas da educação básica.
(__)O Distrito Federal possui competência exclusiva para legislar sobre o ensino superior, sendo-lhe vedada a atuação na educação básica sob qualquer forma.
(__)Os Estados atuarão prioritariamente no ensino médio e, em colaboração com os Municípios, na oferta e manutenção das redes de ensino fundamental.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
(__)O SINAES é composto por três pilares: a avaliação das instituições, a avaliação dos cursos de graduação e a avaliação do desempenho dos estudantes.
(__)A autoavaliação institucional deve ser entendida como um processo mediante o qual a instituição, com a participação de toda a comunidade acadêmica e de todos os seus segmentos, se analisa internamente, objetivando verificar o que realmente é e como deseja ser, considerando o que faz, o modo como se organiza e atua.
(__)O Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) avalia o rendimento dos alunos concluintes da graduação em relação aos conteúdos programáticos, habilidades e competências adquiridas, conforme as diretrizes curriculares.
(__)O resultado da avaliação externa não possui qualquer impacto no processo de recredenciamento das instituições de ensino superior junto ao Ministério da Educação.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
(__)O técnico deve atuar na organização e acompanhamento de atividades pedagógicas, auxiliando na integração entre o corpo docente e os órgãos de gestão.
(__)A função de articulação pedagógica exclui a participação desse profissional em processos de planejamento institucional por se tratar de atividade docente.
(__)Cabe ao técnico em assuntos educacionais colaborar na elaboração de projetos que visem à melhoria do processo de ensino-aprendizagem e da permanência discente.
(__)O papel do técnico limita-se à execução de tarefas burocráticas e de protocolo, sem interface com as instâncias de coordenação de curso ou departamentos.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
I.As universidades são instituições pluridisciplinares de formação de quadros de nível superior, caracterizadas pela indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
II.A preparação para o magistério superior será feita em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado em áreas específicas.
III.Os centros universitários são instituições de ensino superior que gozam de autonomia para criar cursos sem autorização prévia, desde que mantenham foco em pesquisa básica.
Está correto o que se afirma em:
(__)O planejamento escolar é um processo burocrático de preenchimento de formulários que deve ocorrer de forma isolada no início de cada ano letivo.
(__)A flexibilidade do plano de ensino permite que o docente realize ajustes durante a execução das atividades, considerando o ritmo de aprendizagem da turma.
(__)Os objetivos educacionais devem ser expressos de forma clara, indicando as competências e habilidades que se pretende desenvolver nos estudantes.
(__)A organização do trabalho pedagógico desconsidera a avaliação diagnóstica inicial por priorizar o cumprimento rigoroso da ementa fixada pelo departamento.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo: