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Q3230126 Libras
Assinale a alternativa correta. No estudo da fonologia das línguas de sinais, as unidades fonológicas apresentam restrições fonotáticas que regulam sua ocorrência. De acordo com os estudos de Klima e Bellugi (1979), algumas dessas restrições incluem a ocorrência de unidades não marcadas, que são formas mais comuns e menos complexas nas línguas de sinais. Diante disso, marque a alternativa que apresenta corretamente exemplos de unidades não marcadas:
Alternativas
Q3230125 Raciocínio Lógico

Os sinais das figuras I, II, III e IV, abaixo, correspondem, respectivamente, aos sinais:


I. Q15_1.png (165×68)


II. Q15_2.png (117×64)


III. Q15_3.png (173×61)


IV. Q15_4.png (157×61)


A sequência correta é:

Alternativas
Q3230123 Libras
Na Língua Brasileira de Sinais, Quadros e Karnopp (2004) classificam os sinais verbais em três categorias principais: verbos simples, verbos com concordância e verbos espaciais. Analise as sentenças a seguir e identifique qual categoria de verbo se aplica a cada uma delas:

I. Meu amigo AMA Yasmin.
II. Eduardo TRABALHA em uma empresa importante.
III. A Clara se PREOCUPA em como pagar a tributação.
IV. A empregadora CONVIDOU seus funcionários para comemorar o aniversário dela.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3230122 Libras
Na Língua Brasileira de Sinais, Quadros e Karnopp (2004) classificam os sinais verbais em três categorias principais: verbos simples, verbos com concordância e verbos espaciais. Analise as sentenças a seguir e identifique qual categoria de verbo se aplica a cada uma delas:

I. Bruno GANHOU uma medalha de ouro da Paraolimpíada.
II. Fernando ENVIOU uma mensagem para vizinho.
III. O pedreiro PINTOU no teto da cozinha.
IV. A empregada GOSTA de fazer faxina.

Assinale a alternativa correta.  
Alternativas
Q3230121 Libras
Com base nos três parâmetros (configuração de mão-CM, locação-L e movimento-M) do sinal MAS representado na figura abaixo, analise as assertivas:

Q11.png (165×80)

I. CM deste sinal é a letra D.
II. L deste sinal fica no espaço neutro.
III. CM deste sinal é a letra G.
IV. M deste sinal é círculo.

Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3230112 Pedagogia
O Currículo Base da Educação Josefense se destaca por incorporar temas fundamentais para a formação cidadã, como a diversidade e os direitos humanos. Com base nesse currículo, qual é a importância de tratar a diversidade na educação municipal?
Alternativas
Q3181881 Linguística
Considere as afirmativas relacionadas à aquisição de linguagem apresentadas a seguir. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) O processo de aquisição de linguagem é universal.
(__) Por volta dos 3 anos de idade, quase toda a complexidade de uma língua é aprendida.
(__) Toda criança sem deficiência adquire uma língua natural, sem nenhum treinamento especial e sem um input linguístico sequenciado.
Marque a alternativa que apresenta a sequência correta.

Alternativas
Q3181880 Sociologia

Associe a segunda coluna de acordo com a primeira, relacionando as identidades surdas às suas características.


Primeira coluna: Identidade surda


1.Identidade surda embaçada

2.Identidade surda híbrida

3.Identidade surda de diáspora


Segunda coluna: Características 


(__) Estão presentes entre os surdos que passam de um país a outro ou, até mesmo passam de um Estado brasileiro a outro, ou ainda de um grupo surdo a outro.


(__) Os surdos não conseguem apreender a representação da identidade ouvinte, tampouco conseguem compreender a fala.


(__) Os surdos que nasceram ouvintes, mas com o tempo ficaram surdos, ou por doença, ou devido a algum acidente, entre outros fatores.Assim sendo, terão presentes as duas línguas em uma dependência dos sinais e do pensamento na língua oral.


Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:

Alternativas
Q3181879 Libras
Com base na obra As imagens do outro sobre a cultura surda (STROBEL, 2008), analise as afirmativas sobre a Língua Brasileira de Sinais e seu papel no desenvolvimento linguístico das pessoas surdas:

I.A Libras é uma língua natural da comunidade surda brasileira, que se realiza através da modalidade espaço-visual e possui estrutura gramatical própria.
II.A Língua Brasileira de Sinais tem autonomia linguística em relação à língua portuguesa, com estrutura gramatical independente que não deriva da língua oral.
III.Como qualquer língua viva, a Libras passa por processos históricos de mudança linguística, com sinais podendo sofrer alterações ao longo do tempo, refletindo transformações culturais da comunidade surda.
IV.Crianças surdas filhas de pais surdos e crianças surdas filhas de pais ouvintes apresentam o mesmo padrão de desenvolvimento linguístico e aquisição de linguagem. 
É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3181878 Libras
De acordo com Karin Strobel (2008), em sua obra As imagens do outro sobre a cultura surda , a autora apresenta oito artefatos culturais que constituem a cultura surda. Em relação à classificação desse sistema, dentro dos artefatos culturais propostos por Strobel, o SignWriting é considerado um artefato de: 
Alternativas
Q3181877 Pedagogia
A aquisição da Língua Brasileira de Sinais (Libras) por crianças surdas segue estágios de desenvolvimento linguístico específicos. Em relação às fases deste processo, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3181876 Pedagogia

De acordo com o Decreto n.º 5.626/2005, que regulamenta a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão, a garantia do direito à educação das pessoas surdas ou com deficiência auditiva deve ser por meio da organização de:


I.Escolas e classes de educação bilíngue, abertas a alunos surdos e ouvintes, com professores bilíngues, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental.


II.Escolas bilíngues ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a alunos surdos e ouvintes, para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio ou educação profissional, com docentes das diferentes áreas do conhecimento, cientes da singularidade linguística dos alunos surdos, bem como com a presença de tradutores e intérpretes de Libras - Língua Portuguesa.


III.Escolas bilíngues ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas para alunos surdos, para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio ou educação profissional, com docentes das diferentes áreas do conhecimento, cientes da singularidade linguística dos alunos surdos.


É correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3181875 Legislação Federal
A Lei n.º 14.191/2021 altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para estabelecer a educação bilíngue de surdos como uma modalidade de ensino no Brasil. De acordo com a Lei n.º 14.191/2021, é correto afirmar que ela:
Alternativas
Q3181874 Pedagogia

Considere as afirmativas relacionadas à Educação bilíngue do Currículo da Educação Básica do Sistema Municipal de Ensino de Blumenau apresentadas a seguir. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:


(__) A Educação Bilíngue baseia-se na ideia do currículo integrado em que diferentes componentes curriculares são abordados nas duas línguas: Língua Portuguesa e língua adicional, ou seja, ambas as línguas são de instrução.


(__) Os professores − referência e de língua adicional − ministram as aulas dos diferentes componentes curriculares de maneira conjunta e colaborativa.


(__) Para o ensino da Língua Brasileira de Sinais, tem-se como foco que o estudante ouvinte aproprie-se dela como segunda língua, (re)conhecendo as características próprias da cultura surda.


(__) É necessário de que todos os professores sejam fluentes na língua adicional e não somente o professor da segunda língua.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta

Alternativas
Q3181873 Libras
O bilinguismo para crianças surdas envolve o uso de duas línguas: Língua Brasileira de Sinais (Libras) e Língua Portuguesa. Com base nessa abordagem, quais das alternativas a seguir descrevem corretamente os benefícios do bilinguismo na educação de crianças surdas?
Alternativas
Q3181872 Pedagogia
A educação especial é uma modalidade de ensino que abrange todos os níveis, etapas e modalidades e oferece o atendimento educacional (AEE). De acordo com a legislação e as diretrizes do Currículo da Educação Básica do Sistema Municipal de Ensino de Blumenau (2021), qual das afirmativas a seguir corresponde ao papel da AEE?
Alternativas
Q3181851 Português

O texto seguinte servirá de base para responder a questão.


Escrever as emoções: o sentido de dar palavras à ebulição interior


Julián Fuks


Às vezes sinto que minha filha tem escrito mais do que eu, ou tem sido mais verdadeira no que escreve. Mais imediata, talvez, no desembaraço de seus sete anos de idade. Criou agora seu caderno de sentimentos, algo como um diário ilustrado onde ela registra cada emoção forte que a acomete. Eu olho a urgência com que ela corre para o caderno, o vigor com que empunha o lápis, a concentração com que passa a ignorar tudo o que a cerca. Nada mais lhe importa nesse momento, a escrita toma toda a sua existência, e assim cada emoção turbulenta de origem se faz satisfação e leveza. Escreveu algo de essencial, traçou em linhas exatas seu sentimento, deu a uma vaga abstração sua forma concreta. Quisera eu escrever dessa maneira.


Seu caderno se inicia com a mais simples e expressiva das páginas. Tutu triste, vê-se em letras pequenas, e embaixo seu autorretrato de olhos pesados e duas lágrimas gordas sobre as bochechas. Segue ainda por afetos límpidos: Tutu animada, raivosa, impaciente, sonolenta, Tutu sem acreditar no que está acontecendo, neste caso um desenho de si boquiaberta e de olhos vidrados. Depois disso ela parece ter percebido a necessidade de explorar as causas subjacentes aos sentimentos, como Balzac alguma vez decidiu dar as raízes ocultas de cada fato. Passou a anotar coisas como "Tutu empolgada com o acampamento", e "Tutu aliviada porque um homem horrível não ganhou as eleições".


"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador". Leio essa frase em Clarice Lispector e acredito entender algo sobre minha filha, e algo sobre mim. Clarice emenda que talvez por isso tome tantos anos entre um verdadeiro escrever e outro, ainda que se empunhe o lápis todos os dias por uma vida inteira. Para mim dá-se o mesmo, alinhavo palavras sempre que me visita o caderno de sentimentos. Ali, se o tivesse, talvez me fosse mais sincero dizer: "Julián embevecido de admiração por sua filha."


Não posso, no entanto, encerrar meu comentário sobre o caso nesse ponto, porque há um acontecimento recente muito mais digno de nota do que tudo isso que contei. Lê-se numa das páginas do caderno: "Tutu infeliz porque a Peps não está sendo uma boa pessoa". Não sei qual conflito a levou a registrar palavras tão acerbas contra a irmã, decerto alguma dessas pequenezas que diariamente trovejam na relação entre as duas, precedidas e sucedidas de risos desabridos e abraços enérgicos.


Penélope não deixou passar sem vingança a acusação insolente. Enquanto folheava o caderno da irmã e tentava decifrar as palavras escritas com que já começa a se familiarizar — começa a se irmanar, eu poderia dizer — acabou calhando de rasgar uma folha, digamos sem querer. Foi tal a indignação da irmã com o gesto destrutivo que me pareceu razoável mostrar a ela a página em que Tulipa descrevera sua decepção primeira e indagar com veemência: é isso o que você deseja? Essa é a emoção que você quer provocar na sua irmã, a infelicidade? Não seria preferível criar nela uma impressão mais positiva, e constar numa página que falasse de entusiasmo, carinho, alegria?


Penélope então me encarou com olhos indecifráveis, ainda um tanto severos, e respondeu com segurança e presteza: claro que sim, dou um jeito nisso. Correu até seu quarto, fechou-se ali por alguns minutos, criou entre os que a esperávamos um momento palpável de apreensão e suspense. Retornou com o semblante desanuviado, plena de satisfação e leveza. Numa folha avulsa ela desenhara a irmã com seu inseparável caderninho nas mãos, com um largo sorriso a lhe cruzar o rosto inteiro, e delineara na ortografia atrevida de seus quatro anos: "Tutu feliz porque a Peps se comportou bem."


Não pude senão me espantar com sua intrepidez, com sua decisão de se fazer autora da página que gostaria de ver. Sua sagacidade buscara um atalho: não era preciso suscitar na irmã o devido sentimento, a ficção poderia suprir bem esse seu desejo, e ainda expor o ridículo da bronca que o pai lhe dera. Ela é uma escritora diferente de nós, foi o que pensei, talvez mais inventiva, mais livre, menos submissa às insignificâncias da realidade e às suas emoções correspondentes. E ao pensá-lo entendi que, se tivesse afinal meu próprio caderno de sentimentos, também anotaria em página nova minha profunda admiração por ela.


Um último ato encerra a história, mostrando as intrincadas relações entre ficção e realidade, ou o modo como a escrita das emoções pode alterar nossa existência no mundo, cuidando estranhamente de nos aproximar dos outros. Tulipa viu a página que a irmã depositara sobre a mesa, e sentiu que um sorriso largo lhe cruzava o rosto inteiro, sentiu uma comoção que lhe dominava o peito. Correu nesse mesmo instante para registrar o sentimento novo em seu caderno, para criar com suas mãos a exata correspondência com o desenho da irmã. Deu assim testemunho de uma ficção que se fez emoção tão verdadeira que foi capaz de coincidir com a vida. Também assim eu desejaria a minha escrita.


Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2024/10/12/escrever-as -emocoes-o-sentido-de-dar-palavras-a-ebulicao-interior.htm. Acesso em 18 out. 2024.

Considerando as proposições, marque V, para as verdadeiras, e F, para as falsas:


No excerto "Depois disso ela parece ter percebido a necessidade de explorar as causas subjacentes aos sentimentos", a palavra em destaque pode ser substituída, sem prejuízo no sentido, por


(__) escondidas, desde que faça a adequação da regência nominal.


(__) explícitas, sem necessidade de adequar a regência nominal.


(__) evidentes, desde que faça a adequação da regência nominal.


(__) pressupostas, sem necessidade de adequar a regência nominal.


Marque a alternativa que apresenta a sequência correta: 

Alternativas
Q3181849 Português

O texto seguinte servirá de base para responder a questão.


Escrever as emoções: o sentido de dar palavras à ebulição interior


Julián Fuks


Às vezes sinto que minha filha tem escrito mais do que eu, ou tem sido mais verdadeira no que escreve. Mais imediata, talvez, no desembaraço de seus sete anos de idade. Criou agora seu caderno de sentimentos, algo como um diário ilustrado onde ela registra cada emoção forte que a acomete. Eu olho a urgência com que ela corre para o caderno, o vigor com que empunha o lápis, a concentração com que passa a ignorar tudo o que a cerca. Nada mais lhe importa nesse momento, a escrita toma toda a sua existência, e assim cada emoção turbulenta de origem se faz satisfação e leveza. Escreveu algo de essencial, traçou em linhas exatas seu sentimento, deu a uma vaga abstração sua forma concreta. Quisera eu escrever dessa maneira.


Seu caderno se inicia com a mais simples e expressiva das páginas. Tutu triste, vê-se em letras pequenas, e embaixo seu autorretrato de olhos pesados e duas lágrimas gordas sobre as bochechas. Segue ainda por afetos límpidos: Tutu animada, raivosa, impaciente, sonolenta, Tutu sem acreditar no que está acontecendo, neste caso um desenho de si boquiaberta e de olhos vidrados. Depois disso ela parece ter percebido a necessidade de explorar as causas subjacentes aos sentimentos, como Balzac alguma vez decidiu dar as raízes ocultas de cada fato. Passou a anotar coisas como "Tutu empolgada com o acampamento", e "Tutu aliviada porque um homem horrível não ganhou as eleições".


"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador". Leio essa frase em Clarice Lispector e acredito entender algo sobre minha filha, e algo sobre mim. Clarice emenda que talvez por isso tome tantos anos entre um verdadeiro escrever e outro, ainda que se empunhe o lápis todos os dias por uma vida inteira. Para mim dá-se o mesmo, alinhavo palavras sempre que me visita o caderno de sentimentos. Ali, se o tivesse, talvez me fosse mais sincero dizer: "Julián embevecido de admiração por sua filha."


Não posso, no entanto, encerrar meu comentário sobre o caso nesse ponto, porque há um acontecimento recente muito mais digno de nota do que tudo isso que contei. Lê-se numa das páginas do caderno: "Tutu infeliz porque a Peps não está sendo uma boa pessoa". Não sei qual conflito a levou a registrar palavras tão acerbas contra a irmã, decerto alguma dessas pequenezas que diariamente trovejam na relação entre as duas, precedidas e sucedidas de risos desabridos e abraços enérgicos.


Penélope não deixou passar sem vingança a acusação insolente. Enquanto folheava o caderno da irmã e tentava decifrar as palavras escritas com que já começa a se familiarizar — começa a se irmanar, eu poderia dizer — acabou calhando de rasgar uma folha, digamos sem querer. Foi tal a indignação da irmã com o gesto destrutivo que me pareceu razoável mostrar a ela a página em que Tulipa descrevera sua decepção primeira e indagar com veemência: é isso o que você deseja? Essa é a emoção que você quer provocar na sua irmã, a infelicidade? Não seria preferível criar nela uma impressão mais positiva, e constar numa página que falasse de entusiasmo, carinho, alegria?


Penélope então me encarou com olhos indecifráveis, ainda um tanto severos, e respondeu com segurança e presteza: claro que sim, dou um jeito nisso. Correu até seu quarto, fechou-se ali por alguns minutos, criou entre os que a esperávamos um momento palpável de apreensão e suspense. Retornou com o semblante desanuviado, plena de satisfação e leveza. Numa folha avulsa ela desenhara a irmã com seu inseparável caderninho nas mãos, com um largo sorriso a lhe cruzar o rosto inteiro, e delineara na ortografia atrevida de seus quatro anos: "Tutu feliz porque a Peps se comportou bem."


Não pude senão me espantar com sua intrepidez, com sua decisão de se fazer autora da página que gostaria de ver. Sua sagacidade buscara um atalho: não era preciso suscitar na irmã o devido sentimento, a ficção poderia suprir bem esse seu desejo, e ainda expor o ridículo da bronca que o pai lhe dera. Ela é uma escritora diferente de nós, foi o que pensei, talvez mais inventiva, mais livre, menos submissa às insignificâncias da realidade e às suas emoções correspondentes. E ao pensá-lo entendi que, se tivesse afinal meu próprio caderno de sentimentos, também anotaria em página nova minha profunda admiração por ela.


Um último ato encerra a história, mostrando as intrincadas relações entre ficção e realidade, ou o modo como a escrita das emoções pode alterar nossa existência no mundo, cuidando estranhamente de nos aproximar dos outros. Tulipa viu a página que a irmã depositara sobre a mesa, e sentiu que um sorriso largo lhe cruzava o rosto inteiro, sentiu uma comoção que lhe dominava o peito. Correu nesse mesmo instante para registrar o sentimento novo em seu caderno, para criar com suas mãos a exata correspondência com o desenho da irmã. Deu assim testemunho de uma ficção que se fez emoção tão verdadeira que foi capaz de coincidir com a vida. Também assim eu desejaria a minha escrita.


Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2024/10/12/escrever-as -emocoes-o-sentido-de-dar-palavras-a-ebulicao-interior.htm. Acesso em 18 out. 2024.

Considerando as regras de formação de palavras com prefixos e falsos prefixos, assinale a alternativa em que todas as palavras seguem a mesma regra da palavra destacada no seguinte excerto: "e embaixo seu autorretrato de olhos pesados".
Alternativas
Q3181844 Português

O texto seguinte servirá de base para responder a questão.


Escrever as emoções: o sentido de dar palavras à ebulição interior


Julián Fuks


Às vezes sinto que minha filha tem escrito mais do que eu, ou tem sido mais verdadeira no que escreve. Mais imediata, talvez, no desembaraço de seus sete anos de idade. Criou agora seu caderno de sentimentos, algo como um diário ilustrado onde ela registra cada emoção forte que a acomete. Eu olho a urgência com que ela corre para o caderno, o vigor com que empunha o lápis, a concentração com que passa a ignorar tudo o que a cerca. Nada mais lhe importa nesse momento, a escrita toma toda a sua existência, e assim cada emoção turbulenta de origem se faz satisfação e leveza. Escreveu algo de essencial, traçou em linhas exatas seu sentimento, deu a uma vaga abstração sua forma concreta. Quisera eu escrever dessa maneira.


Seu caderno se inicia com a mais simples e expressiva das páginas. Tutu triste, vê-se em letras pequenas, e embaixo seu autorretrato de olhos pesados e duas lágrimas gordas sobre as bochechas. Segue ainda por afetos límpidos: Tutu animada, raivosa, impaciente, sonolenta, Tutu sem acreditar no que está acontecendo, neste caso um desenho de si boquiaberta e de olhos vidrados. Depois disso ela parece ter percebido a necessidade de explorar as causas subjacentes aos sentimentos, como Balzac alguma vez decidiu dar as raízes ocultas de cada fato. Passou a anotar coisas como "Tutu empolgada com o acampamento", e "Tutu aliviada porque um homem horrível não ganhou as eleições".


"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador". Leio essa frase em Clarice Lispector e acredito entender algo sobre minha filha, e algo sobre mim. Clarice emenda que talvez por isso tome tantos anos entre um verdadeiro escrever e outro, ainda que se empunhe o lápis todos os dias por uma vida inteira. Para mim dá-se o mesmo, alinhavo palavras sempre que me visita o caderno de sentimentos. Ali, se o tivesse, talvez me fosse mais sincero dizer: "Julián embevecido de admiração por sua filha."


Não posso, no entanto, encerrar meu comentário sobre o caso nesse ponto, porque há um acontecimento recente muito mais digno de nota do que tudo isso que contei. Lê-se numa das páginas do caderno: "Tutu infeliz porque a Peps não está sendo uma boa pessoa". Não sei qual conflito a levou a registrar palavras tão acerbas contra a irmã, decerto alguma dessas pequenezas que diariamente trovejam na relação entre as duas, precedidas e sucedidas de risos desabridos e abraços enérgicos.


Penélope não deixou passar sem vingança a acusação insolente. Enquanto folheava o caderno da irmã e tentava decifrar as palavras escritas com que já começa a se familiarizar — começa a se irmanar, eu poderia dizer — acabou calhando de rasgar uma folha, digamos sem querer. Foi tal a indignação da irmã com o gesto destrutivo que me pareceu razoável mostrar a ela a página em que Tulipa descrevera sua decepção primeira e indagar com veemência: é isso o que você deseja? Essa é a emoção que você quer provocar na sua irmã, a infelicidade? Não seria preferível criar nela uma impressão mais positiva, e constar numa página que falasse de entusiasmo, carinho, alegria?


Penélope então me encarou com olhos indecifráveis, ainda um tanto severos, e respondeu com segurança e presteza: claro que sim, dou um jeito nisso. Correu até seu quarto, fechou-se ali por alguns minutos, criou entre os que a esperávamos um momento palpável de apreensão e suspense. Retornou com o semblante desanuviado, plena de satisfação e leveza. Numa folha avulsa ela desenhara a irmã com seu inseparável caderninho nas mãos, com um largo sorriso a lhe cruzar o rosto inteiro, e delineara na ortografia atrevida de seus quatro anos: "Tutu feliz porque a Peps se comportou bem."


Não pude senão me espantar com sua intrepidez, com sua decisão de se fazer autora da página que gostaria de ver. Sua sagacidade buscara um atalho: não era preciso suscitar na irmã o devido sentimento, a ficção poderia suprir bem esse seu desejo, e ainda expor o ridículo da bronca que o pai lhe dera. Ela é uma escritora diferente de nós, foi o que pensei, talvez mais inventiva, mais livre, menos submissa às insignificâncias da realidade e às suas emoções correspondentes. E ao pensá-lo entendi que, se tivesse afinal meu próprio caderno de sentimentos, também anotaria em página nova minha profunda admiração por ela.


Um último ato encerra a história, mostrando as intrincadas relações entre ficção e realidade, ou o modo como a escrita das emoções pode alterar nossa existência no mundo, cuidando estranhamente de nos aproximar dos outros. Tulipa viu a página que a irmã depositara sobre a mesa, e sentiu que um sorriso largo lhe cruzava o rosto inteiro, sentiu uma comoção que lhe dominava o peito. Correu nesse mesmo instante para registrar o sentimento novo em seu caderno, para criar com suas mãos a exata correspondência com o desenho da irmã. Deu assim testemunho de uma ficção que se fez emoção tão verdadeira que foi capaz de coincidir com a vida. Também assim eu desejaria a minha escrita.


Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2024/10/12/escrever-as -emocoes-o-sentido-de-dar-palavras-a-ebulicao-interior.htm. Acesso em 18 out. 2024.

No trecho "Eu olho a urgência com que ela corre para o caderno, o vigor com que empunha o lápis, a concentração com que passa a ignorar tudo o que a cerca. Nada mais lhe importa nesse momento, a escrita toma toda a sua existência, e assim cada emoção turbulenta de origem se faz satisfação e leveza", a expressão em destaque trata-se de uma situação de:


I.coesão referencial anafórica, recuperando o contexto anterior para enfatizar o momento em que "a escrita toma toda a sua existência".


II.progressão temporal, referindo-se ao exato momento da ação em que "ela corre para o caderno".


III.coesão referencial catafórica, posto que anuncia o referente que virá na sequência, ou seja, a escrita tomar toda a sua existência.


IV.coesão referencial, assim como em "Leio essa frase em Clarice Lispector e acredito entender algo sobre minha filha, e algo sobre mim", no 3º parágrafo.


A partir da análise das proposições, é correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3180907 Libras

Assinale a alternativa que apresenta o numeral representado abaixo. 


Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Respostas
1441: B
1442: C
1443: E
1444: D
1445: C
1446: C
1447: A
1448: A
1449: A
1450: C
1451: A
1452: A
1453: B
1454: E
1455: B
1456: C
1457: B
1458: E
1459: A
1460: A