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Q4287685 Ciência Política
A participação feminina na política brasileira é resultado de um longo processo de lutas por direitos civis e políticos. No município de Assunção (PB), essa trajetória também apresenta características próprias, refletindo avanços e desafios na representação das mulheres. Com base no texto, assinale a alternativa correta. 
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Q4287684 Geografia
Sobre as características geográficas do município de Assunção (PB), analise as afirmativas e assinale a alternativa correta. 
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Q4287683 História e Geografia de Estados e Municípios
Qual foi o principal fator que contribuiu para a segunda emancipação política de Assunção, ocorrida em 1994? 
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Q4287682 História e Geografia de Estados e Municípios
Diferentemente da maioria das cidades dos Cariris Velhos, que tiveram origem nas fazendas de gado e na atividade pecuária, o surgimento de Assunção esteve relacionado a um contexto específico de ocupação do território paraibano. A construção de estradas no início do século XX intensificou a circulação de pessoas e mercadorias, favorecendo o aparecimento de novos núcleos urbanos. Com base nesse contexto, assinale a alternativa correta.
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Q4287681 Sistemas Operacionais
Em um terminal Linux, um usuário está no diretório /home/ana, e existe o subdiretório Documentos/projetos. Assinale a alternativa que apresenta qual sequência de comandos, nessa ordem, exibe o caminho absoluto do diretório atual, acessa esse subdiretório e lista seu conteúdo em formato longo, incluindo arquivos ocultos.
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Q4287680 Noções de Informática
No Windows, considere um arquivo armazenado em uma unidade local, com a Lixeira habilitada, e cujo tamanho está dentro da capacidade configurada para a Lixeira. Ao selecionar esse arquivo no Explorador de Arquivos, assinale a alternativa que descreve corretamente a diferença entre pressionar Delete e pressionar Shift + Delete.
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Q4287679 Sistemas Operacionais
Em um computador com vários programas abertos, a memória RAM disponível torna-se insuficiente para manter todos os dados e instruções em uso imediato. Nessa situação, qual descrição apresenta corretamente o papel da memória virtual: 
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Q4287678 Noções de Informática
Um servidor público precisa explicar, de forma simples, a diferença entre HD, SSD e pendrive quanto ao armazenamento de dados. Assinale a alternativa que apresenta uma comparação correta. 
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Q4287677 Arquitetura de Computadores
 Durante a inicialização de um computador, assinale a alternativa que indica qual é a função principal da BIOS/UEFI. 
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Q4287676 Português




https://portalconteudoaberto.com.br/wpcontent/uploads/2023/10/Tirin

Observe o uso da pontuação na fala da personagem Mônica, no terceiro quadrinho: “OLHA O PASSARINHO!” A exclamação contribui para:
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Q4287675 Português




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Considerando os elementos verbais e não verbais presentes na tirinha, é correto afirmar que o efeito de humor é construído principalmente pela: 
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Q4287674 Português
     A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.

    Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.

    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão,  larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

     A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

     São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

     Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.


SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
 Leia o trecho:
“De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.”
Considerando o sentido da palavra olhar no contexto apresentado, assinale a alternativa correta.
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Q4287673 Português
     A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.

    Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.

    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão,  larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

     A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

     São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

     Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.


SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
 Leia o trecho a seguir.
"Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo."
Considerando a norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa em que a forma verbal ouve está empregada corretamente.
Alternativas
Q4287672 Português
     A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.

    Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.

    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão,  larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

     A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

     São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

     Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.


SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
Observe os vocábulos destacados em expressões relacionadas ao universo da crônica:
I.“a família reunida...” II.“um simples café...” III.“uma pequena mesa...”

Com base nos estudos da língua portuguesa, analise as afirmativas a seguir e marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso:
( ) A palavra “café” apresenta acento gráfico porque é uma palavra oxítona, isto é, possui a sílaba tônica na última posição (ca-FÉ).
( ) A palavra “família” deve ser pronunciada com maior intensidade na última sílaba, pois palavras terminadas em vogal tendem a apresentar tonicidade final.
( ) A palavra “mesa” apresenta tonicidade na primeira sílaba (ME-sa), sendo classificada como uma palavra paroxítona.
( ) A pronúncia adequada dos vocábulos, considerando os princípios da ortoépia e da prosódia, contribui para a expressividade da leitura literária, pois os aspectos sonoros da língua participam da construção dos sentidos.
( ) A palavra família é uma paroxítona e recebe acento gráfico conforme a regra das paroxítonas terminadas em ditongo crescente.


Após análise, conclui-se que a sequência correta é: 
Alternativas
Q4287671 Português
     A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.

    Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.

    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão,  larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

     A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

     São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

     Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.


SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
Considere os trechos da crônica:

I. "Ao fundo do botequim, um casal de pretos acaba de sentar-se..."
II. "São três velinhas brancas, minúsculas..."
III. "Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."

Analise as afirmativas a seguir sobre o emprego dos sinais de pontuação e assinale (V) para verdadeiro ou (F) para falso.
( ) No trecho I, a vírgula separa a expressão "Ao fundo do botequim", que exerce a função de adjunto adverbial de lugar deslocado, do restante da oração.

( ) No trecho II, a vírgula separa os adjetivos "brancas" e "minúsculas", que caracterizam o substantivo "velinhas", constituindo uma enumeração de termos com a mesma função sintática.

( ) No trecho III, os dois-pontos introduzem a explicação do desejo expresso pelo narrador na primeira parte do enunciado.

( ) No trecho III, a retirada dos dois-pontos preservaria integralmente a relação de explicação estabelecida entre as duas partes do período.

( ) No trecho II, as reticências foram empregadas para indicar a omissão de palavras que não alteram o sentido da frase.

Após análise, conclui-se que a sequência correta é: 
Alternativas
Q4287670 Português
     A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.

    Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.

    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão,  larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

     A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

     São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

     Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.


SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
 Leia o trecho da crônica. "A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor."
Analise as afirmativas a seguir e marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso.

( ) No contexto, a palavra compostura refere-se ao comportamento discreto, respeitoso e contido das personagens.
( ) A palavra compostura pode ser substituída por moderação, sem prejuízo significativo do sentido do texto.
( ) No trecho, a palavra compostura indica desorganização e agitação diante da situação vivida.
( ) A expressão "na contenção de gestos e palavras" contribui para a construção do sentido da palavra compostura.
( ) A palavra compostura foi empregada para caracterizar um comportamento marcado pela simplicidade e pela discrição.

Após análise, conclui-se que a sequência correta é: 
Alternativas
Q4287669 Português
     A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.

    Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.

    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão,  larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

     A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

     São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

     Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.


SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
Analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para verdadeiro ou (F) para falso.
( ) Ao longo da crônica, o narrador modifica sua percepção inicial ao descobrir que um acontecimento aparentemente comum pode revelar profundas experiências humanas.
( ) A descrição detalhada da comemoração do aniversário da menina tem como principal finalidade despertar no leitor um sentimento de piedade diante da pobreza da família.
( ) O encontro de olhares entre o narrador e o pai da menina contribui para transformar a relação entre observador e observado, culminando em um desfecho marcado pelo reconhecimento da dignidade humana.
( ) O desfecho da crônica evidencia que o narrador passa a compreender que a simplicidade do cotidiano pode constituir matéria-prima para a produção literária.
( ) O desfecho da crônica evidencia que o narrador continua acreditando que a literatura deve se basear apenas em fatos grandiosos, sem valorizar os elementos simples presentes no cotidiano.


Após análise, conclui-se que a sequência correta é
Alternativas
Q4287668 Português





Fonte: https://media.licdn.com/dms/image/v2/C4E12AQFeyyaWs4DVmQ/ar ticle-cover_image-shrink_600_2000/article-cover_imageshrink_600_2000/0/1528166551777?e=2147483647&v=beta&t=Eun twS1JgGDAcSeA0s-lHgEGScy8xnfbgLlSp9BMoDU. Acesso em 16/07/2026.

Ainda em relação à imagem, analise as afirmativas a seguir sobre as formas verbais empregadas no texto e assinale (V) para verdadeiro ou (F) para falso.

( ) A forma verbal haverá está conjugada no futuro do presente do modo indicativo.
( ) A forma verbal passar, no contexto do texto, está conjugada no futuro do subjuntivo.
( ) As formas verbais haverá e passar, no contexto do texto, pertencem ao mesmo modo verbal.
( ) A forma verbal passar expressa uma condição para a realização da ação indicada por haverá.
( ) A forma verbal haverá está conjugada no futuro do presente do modo subjuntivo.


Após análise, conclui-se que a sequência correta é: 
Alternativas
Q4287667 Português





Fonte: https://media.licdn.com/dms/image/v2/C4E12AQFeyyaWs4DVmQ/ar ticle-cover_image-shrink_600_2000/article-cover_imageshrink_600_2000/0/1528166551777?e=2147483647&v=beta&t=Eun twS1JgGDAcSeA0s-lHgEGScy8xnfbgLlSp9BMoDU. Acesso em 16/07/2026.

Releia o trecho:
"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses." (Rubem Alves)
Analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para as verdadeiro ou (F) para falso.

( ) O trecho constitui um período composto, pois apresenta duas orações.
( ) O trecho "Não haverá borboletas" corresponde à oração principal do período.
( ) A oração "se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses" é independente da oração principal e não estabelece relação de sentido com ela. 
( ) Se o texto fosse reescrito apenas como "Não haverá borboletas.", teríamos um período simples.
( ) A oração "se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses" é uma oração absoluta.


Após análise, conclui-se que a sequência correta é: 
Alternativas
Q4287666 Português





Fonte: https://media.licdn.com/dms/image/v2/C4E12AQFeyyaWs4DVmQ/ar ticle-cover_image-shrink_600_2000/article-cover_imageshrink_600_2000/0/1528166551777?e=2147483647&v=beta&t=Eun twS1JgGDAcSeA0s-lHgEGScy8xnfbgLlSp9BMoDU. Acesso em 16/07/2026.

Considerando o sentido do texto, analise as afirmativas a seguir e marque (V) para verdadeiro e (F) para falso.

( ) Dentro do contexto do texto, a palavra “metamorfoses” pode ser substituída por “transformações” sem prejuízo significativo de sentido.

( ) A palavra “silenciosas” tem como antônimo, no contexto, a palavra “barulhentas”.

( ) A substituição da palavra “longas” por “breves” mantém o mesmo sentido do texto.

( ) No texto, “vida e borboletas” estabelecem uma relação de antonímia.

( ) Dentro do contexto do texto, a palavra “metamorfoses” restringe-se ao seu significado dicionarizado, sem contribuir para a construção de um sentido figurado ou simbólico.


Após análise, conclui-se que a sequência correta é: 
Alternativas
Respostas
81: D
82: B
83: A
84: C
85: A
86: B
87: E
88: D
89: C
90: E
91: A
92: C
93: A
94: D
95: B
96: C
97: A
98: E
99: D
100: C