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Q1895796 Geografia
A água potável é aquela que pode ser consumida pelos seres vivos sem oferecer riscos à saúde. A água é um dos principais elementos responsáveis pelo desenvolvimento dos organismos vivos e pelas características atuais da superfície terrestre.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) sobre o movimento da água na Terra:
( ) Desde seu surgimento, a água está em constante movimento na natureza.
( ) O deslocamento da água também ocorre em razão da gravidade terrestre.
( ) Ainda que circule em vários estados físicos, a água existente no nosso planeta apresenta sempre o mesmo volume.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q1895795 Geografia
O Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) foi fundado em 1991 e é a mais abrangente iniciativa de integração da América Latina, surgida no contexto da redemocratização e reaproximação entre os países da região ao final da década de 1980.
Analise as afirmativas abaixo sobre o Mercosul:
1. Os seus Estados Partes fundadores são o Brasil, a Argentina e o Paraguai.
2. A Venezuela ingressou no bloco em 2012 e foi suspensa em 2016 sendo concedido ao país um prazo de quatro anos para que se adequasse à legislação, às normas internas e aos acordos e tratados do bloco econômico.
3. Estados Partes são os que participam dos acordos e tratados do Mercosul e possuem uma maior integração comercial e esses países têm direito a voto.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Alternativas
Q1895794 Geografia
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) sobre a dinâmica climática do globo terrestre:
( ) A radiação solar é a principal fonte de energia e a base da vida, vegetal e animal, na Terra.
( ) Toda a radiação proveniente do Sol que atinge o planeta Terra fica retida nos solos, ou água ou vegetação.
( ) A forma esférica da Terra faz com que a intensidade da radiação solar recebida seja igual nas diferentes latitudes.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q1895793 Conhecimentos Gerais
Migrante é forma genérica de se referir a uma pessoa que se desloca do seu país, estado ou região em que nasceu. As pessoas migram por diversos motivos todos os anos. O refugiado é uma categoria específica de emigrante.
Analise as afirmativas abaixo sobre os problemas do mundo contemporâneo que levam as pessoas a migrarem: 
1. Pessoas podem mudar de região ou país para fugir de guerras, conflitos internos, perseguição (política, étnica, religiosa, de gênero etc,), violação de direitos humanos, fome ou catástrofes naturais.
2. O solicitante de asilo, para a Organização das Nações Unidas (ONU), é a pessoa que pediu proteção internacional e aguarda a concessão do status de refugiado.
3. Asilado, para a Organização das Nações Unidas (ONU), é o refugiado aceito oficialmente pelo país ao qual pediu refúgio.
4. O refugiado é um migrante forçado, que teve que fugir do seu país, pois a sua sobrevivência física estava ameaçada, o que é um reflexo de um grande padrão de violação dos direitos humanos.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Alternativas
Q1895792 Português
Assinale a alternativa em que as duas frases têm correta regência verbal.
Alternativas
Q1895791 Português
Identifique abaixo as frases certas ( C ) e as erradas ( E ), quanto à escrita correta. 
1. A saida do hospital é bloqueada, os policiais vem e o tumulto se inicia. 2. Acredito que deva existir, neste hospital, melhores condições de atendimento, pois os resultados são melhores. 3. Se houvessem mais médicos e enfermeiras, a saúde pública estaria em outras condições. 4. Dois metros é suficiente para se manter o distanciamento social, devido à pandemia. 5. Nem um nem outro concordaram com as novas normas, haja vista os problemas que elas causariam.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q1895790 Português
Analise o texto abaixo:
“___________noite chegou e realmente havia combinado que ele poderia chegar.......... noite, porém como chegou.........pressas, precisei olhá-lo cara.........cara para poder ouvir sua explicação. Ah, creia-me, nunca pensei em ir ............hospital novamente, mas vendo .........ferimentos.......... olho nu, compreendi que era_______ situação mais certa a fazer.”
Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente as lacunas do texto.
Alternativas
Q1895789 Português

Leia o texto.

Bonitas mesmo.

Quando é que uma mulher é realmente bonita? No momento em que sai do cabeleireiro? Quando está numa festa? Quando posa para uma foto? Clic, clic, clic. Sorriso amarelo, postura artificial, desempenho para o público. Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo.

    Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.

    Caminhando pela rua, sol escaldante, a manga da blusa arregaçada, a nuca ardendo, o cabelo sendo erguido num coque malfeito, um ar de desaprovação pelo atraso do ônibus, centenas de pessoas cruzando-se e ninguém enxergando ninguém, ela enxuga a testa com a palma da mão, ajeita a sobrancelha com os dedos. Perfeita.

    Saindo do banho, a toalha abandonada no chão, o corpo ainda úmido, as mãos desembaçando o espelho, creme hidratante nas pernas, desodorante, um último minuto de relaxamento, há um dia inteiro pra percorrer e assim que a porta do banheiro for aberta já não será mais dona de si mesma. Escovar os dentes, cuspir, enxugar a boca, respirar fundo. Espetacular.

    Dentro do teatro, as luzes apagadas, o riso solto, escancarado, as mãos aplaudindo em cena aberta, sem comandos, seu tronco deslocando-se quando uma fala surpreende, gargalhada que não se constrange, não obedece à adequação, gengiva à mostra, seu ombro encostado no ombro ao lado, ambos voltados pra frente, a mão tapando a boca num breve acesso de timidez por tanta alegria. Um sonho.

    O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas, um lenço de papel catado na bolsa, o nariz sendo assoado, os dedos limpando as pálpebras, o retrovisor acusando os olhos vermelhos e mesmo assim servindo de amparo, estou aqui com você, só eu estou te vendo. Encantadora.

(Martha Medeiros)

Assinale a alternativa correta, considerando o texto.
Alternativas
Q1895788 Português

Leia o texto.

Bonitas mesmo.

Quando é que uma mulher é realmente bonita? No momento em que sai do cabeleireiro? Quando está numa festa? Quando posa para uma foto? Clic, clic, clic. Sorriso amarelo, postura artificial, desempenho para o público. Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo.

    Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.

    Caminhando pela rua, sol escaldante, a manga da blusa arregaçada, a nuca ardendo, o cabelo sendo erguido num coque malfeito, um ar de desaprovação pelo atraso do ônibus, centenas de pessoas cruzando-se e ninguém enxergando ninguém, ela enxuga a testa com a palma da mão, ajeita a sobrancelha com os dedos. Perfeita.

    Saindo do banho, a toalha abandonada no chão, o corpo ainda úmido, as mãos desembaçando o espelho, creme hidratante nas pernas, desodorante, um último minuto de relaxamento, há um dia inteiro pra percorrer e assim que a porta do banheiro for aberta já não será mais dona de si mesma. Escovar os dentes, cuspir, enxugar a boca, respirar fundo. Espetacular.

    Dentro do teatro, as luzes apagadas, o riso solto, escancarado, as mãos aplaudindo em cena aberta, sem comandos, seu tronco deslocando-se quando uma fala surpreende, gargalhada que não se constrange, não obedece à adequação, gengiva à mostra, seu ombro encostado no ombro ao lado, ambos voltados pra frente, a mão tapando a boca num breve acesso de timidez por tanta alegria. Um sonho.

    O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas, um lenço de papel catado na bolsa, o nariz sendo assoado, os dedos limpando as pálpebras, o retrovisor acusando os olhos vermelhos e mesmo assim servindo de amparo, estou aqui com você, só eu estou te vendo. Encantadora.

(Martha Medeiros)

Avalie as afirmativas abaixo feitas sobre o texto.
1. A cronista questiona a pressão estética que a sociedade impõe às mulheres. 2. A cronista deixa claro que a beleza feminina vai além da aparência. 3. No cotidiano da vida, no corre-corre diário é que a mulher mostra sua verdadeira beleza, segundo a cronista. 4. A cronista termina cada parágrafo com uma palavra que exalta a vida da mulher que trabalha. 5. A preocupação em ficar bonita deixa a mulher mais feia no seu interior, segundo a cronista.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Alternativas
Q1871382 Noções de Informática
A opção do Painel de Controle no Microsoft Windows 10 em que se pode alterar o formato de números do sistema operacional é:
Alternativas
Q1871381 Noções de Informática
Considerando as informações sobre ataques na internet disponibilizadas pelo Cert.br, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q1871380 Noções de Informática
São extensões válidas de salvamento de arquivos que podemos escolher ao solicitar a opção “Salvar Como” no Microsoft Word para Office 365, exceto:
Alternativas
Q1871379 Noções de Informática

Analise as seguintes afirmativas sobre backup.

I. Backup é um termo em inglês que significa cópia de segurança.

II. É a existência de cópia de um ou mais arquivos guardados em diferentes dispositivos de armazenamento.

III. A fita é um meio de armazenamento utilizado para fazer backup.

Estão corretas as afirmativas 

Alternativas
Q1871378 Noções de Informática

Analise as seguintes afirmativas sobre o Microsoft Excel para Office 365.

I. Não é possível exportar dados para o Microsoft Excel diretamente de um arquivo de texto ou documento do Word.

II. Usando o assistente de importação de texto no Microsoft Excel, é possível importar dados de um arquivo de texto para uma planilha.

III. O assistente de importação de texto do Microsoft Excel examina o arquivo de texto que está sendo importado e ajuda a garantir que os dados sejam importados da maneira desejada.

Estão corretas as afirmativas

Alternativas
Q1871376 Matemática

Pedro desafiou Davi a descobrir o dia do mês em que ele fará aniversário. Para isso, Pedro deu três dicas:

– O dia do mês do meu aniversário é um número primo.

– Somando-se uma unidade ao dia do mês em que eu nasci, obtém-se um número divisível por 6.

– O antecessor do dia do mês do meu aniversário, é múltiplo de 4.

Considerando que Davi analisará corretamente todas as dicas, ele conseguirá acertar o dia do mês do aniversário de Pedro, no máximo, na

Alternativas
Q1871375 Matemática

Para as comemorações do aniversário de sua empresa, Eva contratou quatro comediantes de comédia stand up. Durante a festa, Eva distribuirá entre os comediantes, por meio de um sorteio, cinco temas diferentes, numerados de 1 a 5, que deverão ser apresentados em ordem crescente. Todos os temas deverão ser apresentados, cada tema só poderá ser executado por um único comediante e cada comediante deverá apresentar pelo menos um dos temas propostos.

Logo, o número de maneiras distintas em que os cinco temas poderão ser apresentados pelos comediantes é igual a

Alternativas
Q1871374 Matemática

A tabela a seguir apresenta, de acordo com o Censo 2010 realizado no Brasil, o número de municípios por região brasileira.


Imagem associada para resolução da questão


Os dados a seguir representam o percentual de municípios brasileiros que têm a inciativa da coleta seletiva por região.


Imagem associada para resolução da questão


Com base nos dados apresentados, escolhendo-se ao acaso um dos municípios brasileiros que têm a inciativa da coleta seletiva, a probabilidade de ser um município da região Centro-Oeste é de, aproximadamente,

Alternativas
Q1871373 Matemática

A média das alturas dos dez jogadores de basquete da seleção de uma escola é 1,90 m. Por uma definição técnica, o menor jogador do time, que mede 1,80 m, é substituído por outro. Após a substituição, a média das alturas dos jogadores passa a ser 1,92 m.

Sendo assim, qual é a altura do jogador substituto?

Alternativas
Q1871372 Português

Coronavírus expõe a nossa desinformação sobre a China,

o maior fenômeno econômico dos nossos tempos

Não é a primeira vez que a China passa por uma crise epidêmica. A história das doenças contagiosas que espalham medo é longa. Também é longa a história de como as autoridades chinesas, com seus erros e acertos, contornaram suas próprias crises, como no surto de cólera de 1949 e a varíola em 1950.

A mais recente e marcante epidemia foi a Síndrome Respiratória Aguda Severa, a Sars, na sigla em inglês. Como pontuaram os sinólogos Arthur Kleinman e James Watson, no livro “Sars in China: prelude to pandemic?”, a Sars em 2003 provocou uma das mais sérias crises de saúde de nossos tempos. Kleinman, que tem cinco décadas de experiência em intervenção em saúde pública na China, acredita que a epidemia foi uma espécie de prelúdio de novas catástrofes de saúde que viriam acontecer no século 21. Ainda que o número de mortes tenha sido de aproximadamente 1.000 pessoas — pequeno, comparado a outras epidemias —, a Sars mobilizou inseguranças, medos e preconceitos sobre o país. Os Estados Unidos não pouparam os boatos de que se estaria espalhando bioterror em seu território. O impacto sobre as vidas humanas na China e sobre a economia global foi tremendo, desvelando a fragilidade do mundo globalizado.

Passada a Sars, hoje a notícia do coronavírus se espalha por meio de uma onda de pânico moral que mistura fake news, desinformação, racismo e estereótipos tolos. Notícias falsas gravíssimas percorrem o WhatsApp. A mais debatida nas redes sociais foi a de que o vírus teria tido origem na sopa de morcegos, o que fez com que brasileiros — que vivem no país em que se come coração de galinha e tripa de boi — ficassem escandalizados. Um vídeo no Twitter mostrava uma cena grotesca de um jovem chinês comendo um pássaro vivo, como a prova cabal de que era por isso que o vírus se espalha.

Na apuração de informações para esta coluna, descobri, com a ajuda do professor David Nemer, da Universidade de Virgínia (EUA), que grupos no WhatsApp foram inundados de boatos, em forma de “breaking news”, que diziam que os chineses estavam morrendo caídos nas ruas, que pais abandonaram filhos no aeroporto ao saberem da contaminação e que 23 milhões de pessoas estavam em quarentena e 112 mil haviam morrido. Essa é a narrativa apocalíptica — ou a doutrina do choque, como diria a escritora Naomi Klein — sempre muito bem manipulada para fins políticos.

Tudo isso repete o antigo imaginário euro-estadunidense que procura associar a China à impureza simbólica e concreta. Há pelo menos 30 anos, a imprensa liberal ocidental, quando aborda a produção de manufaturas baratas, recorre sistematicamente à expressão “infestação” do mundo de mercadorias chinesas. Os chineses estão sempre contaminando o mundo de alguma forma.

Tudo isso repete o antigo imaginário euro-estadunidense que procura associar a China à impureza simbólica e concreta. Há pelo menos 30 anos, a imprensa liberal ocidental, quando aborda a produção de manufaturas baratas, recorre sistematicamente à expressão “infestação” do mundo de mercadorias chinesas. Os chineses estão sempre contaminando o mundo de alguma forma. 

É evidente que a manchete do hospital tem uma intenção positiva, que é mostrar uma China dinâmica, com tecnologia de ponta e vontade governamental para resolver seus problemas internos. Mas não deixa de ser o estereótipo do outro extremo, que reatualiza o eterno retorno da mítica chinesa acerca de suas grandiosas construções.

Autores como historiador búlgaro Tzvetan Todorov e o antropólogo francês François Laplantine mostraram que a imagem do Brasil pelos missionários europeus no século 16 era ambivalente: entre o mau e o bom selvagem, paraíso ou inferno. Os maus selvagens eram os indígenas rudes, sem roupa, sem pelo, sem alma. Os bons selvagens eram os nativos de alma pura, que não conheciam a malícia e a maldade.

No caso dos morcegos e desinformação, vê-se um etnocentrismo cru que desumaniza o outro. No caso do hospital, cai-se em idealização também estereotipada.

É importante frisar que não estou fazendo uma crítica a quem compartilhou a notícia. Eu mesma compartilhei. A construção rápida de um hospital mostra pragmatismo diante da calamidade. Além disso, a notícia tem um papel político para se opor à fantasia acerca dos morcegos, que fixam os chineses em um lugar bárbaro e exótico.

O problema, portanto, não é nossa ação individual, mas precisamente o desalentadorfato de que, entre o morcego e o hospital, não sobra quase nada. Caímos sempre na armadilha do dualismo “tradição-modernidade”. Se a gente olha esse debate de longe, estruturalmente, o que concluímos é que não saímos do mesmo lugar de narrativas extremas e caricatas sobre o maior fenômeno econômico mundial dos nossos tempos. Sabemos muito pouco sobre o país mais populoso do mundo, com quase 1,4 bilhão de pessoas. [...]

MACHADO, Rosana. Disponível em: www.theintercept.

com/2020/01/28/coronavirus-desinformacao-china.

Acesso em: 27 out. 2021.

Assinale a alternativa em que a palavra destacada é uma conjunção subordinativa conformativa.
Alternativas
Q1871371 Português

Coronavírus expõe a nossa desinformação sobre a China,

o maior fenômeno econômico dos nossos tempos

Não é a primeira vez que a China passa por uma crise epidêmica. A história das doenças contagiosas que espalham medo é longa. Também é longa a história de como as autoridades chinesas, com seus erros e acertos, contornaram suas próprias crises, como no surto de cólera de 1949 e a varíola em 1950.

A mais recente e marcante epidemia foi a Síndrome Respiratória Aguda Severa, a Sars, na sigla em inglês. Como pontuaram os sinólogos Arthur Kleinman e James Watson, no livro “Sars in China: prelude to pandemic?”, a Sars em 2003 provocou uma das mais sérias crises de saúde de nossos tempos. Kleinman, que tem cinco décadas de experiência em intervenção em saúde pública na China, acredita que a epidemia foi uma espécie de prelúdio de novas catástrofes de saúde que viriam acontecer no século 21. Ainda que o número de mortes tenha sido de aproximadamente 1.000 pessoas — pequeno, comparado a outras epidemias —, a Sars mobilizou inseguranças, medos e preconceitos sobre o país. Os Estados Unidos não pouparam os boatos de que se estaria espalhando bioterror em seu território. O impacto sobre as vidas humanas na China e sobre a economia global foi tremendo, desvelando a fragilidade do mundo globalizado.

Passada a Sars, hoje a notícia do coronavírus se espalha por meio de uma onda de pânico moral que mistura fake news, desinformação, racismo e estereótipos tolos. Notícias falsas gravíssimas percorrem o WhatsApp. A mais debatida nas redes sociais foi a de que o vírus teria tido origem na sopa de morcegos, o que fez com que brasileiros — que vivem no país em que se come coração de galinha e tripa de boi — ficassem escandalizados. Um vídeo no Twitter mostrava uma cena grotesca de um jovem chinês comendo um pássaro vivo, como a prova cabal de que era por isso que o vírus se espalha.

Na apuração de informações para esta coluna, descobri, com a ajuda do professor David Nemer, da Universidade de Virgínia (EUA), que grupos no WhatsApp foram inundados de boatos, em forma de “breaking news”, que diziam que os chineses estavam morrendo caídos nas ruas, que pais abandonaram filhos no aeroporto ao saberem da contaminação e que 23 milhões de pessoas estavam em quarentena e 112 mil haviam morrido. Essa é a narrativa apocalíptica — ou a doutrina do choque, como diria a escritora Naomi Klein — sempre muito bem manipulada para fins políticos.

Tudo isso repete o antigo imaginário euro-estadunidense que procura associar a China à impureza simbólica e concreta. Há pelo menos 30 anos, a imprensa liberal ocidental, quando aborda a produção de manufaturas baratas, recorre sistematicamente à expressão “infestação” do mundo de mercadorias chinesas. Os chineses estão sempre contaminando o mundo de alguma forma.

Tudo isso repete o antigo imaginário euro-estadunidense que procura associar a China à impureza simbólica e concreta. Há pelo menos 30 anos, a imprensa liberal ocidental, quando aborda a produção de manufaturas baratas, recorre sistematicamente à expressão “infestação” do mundo de mercadorias chinesas. Os chineses estão sempre contaminando o mundo de alguma forma. 

É evidente que a manchete do hospital tem uma intenção positiva, que é mostrar uma China dinâmica, com tecnologia de ponta e vontade governamental para resolver seus problemas internos. Mas não deixa de ser o estereótipo do outro extremo, que reatualiza o eterno retorno da mítica chinesa acerca de suas grandiosas construções.

Autores como historiador búlgaro Tzvetan Todorov e o antropólogo francês François Laplantine mostraram que a imagem do Brasil pelos missionários europeus no século 16 era ambivalente: entre o mau e o bom selvagem, paraíso ou inferno. Os maus selvagens eram os indígenas rudes, sem roupa, sem pelo, sem alma. Os bons selvagens eram os nativos de alma pura, que não conheciam a malícia e a maldade.

No caso dos morcegos e desinformação, vê-se um etnocentrismo cru que desumaniza o outro. No caso do hospital, cai-se em idealização também estereotipada.

É importante frisar que não estou fazendo uma crítica a quem compartilhou a notícia. Eu mesma compartilhei. A construção rápida de um hospital mostra pragmatismo diante da calamidade. Além disso, a notícia tem um papel político para se opor à fantasia acerca dos morcegos, que fixam os chineses em um lugar bárbaro e exótico.

O problema, portanto, não é nossa ação individual, mas precisamente o desalentadorfato de que, entre o morcego e o hospital, não sobra quase nada. Caímos sempre na armadilha do dualismo “tradição-modernidade”. Se a gente olha esse debate de longe, estruturalmente, o que concluímos é que não saímos do mesmo lugar de narrativas extremas e caricatas sobre o maior fenômeno econômico mundial dos nossos tempos. Sabemos muito pouco sobre o país mais populoso do mundo, com quase 1,4 bilhão de pessoas. [...]

MACHADO, Rosana. Disponível em: www.theintercept.

com/2020/01/28/coronavirus-desinformacao-china.

Acesso em: 27 out. 2021.

A palavra “coronavírus” é formada pelo processo de
Alternativas
Respostas
8661: A
8662: D
8663: B
8664: E
8665: A
8666: E
8667: B
8668: D
8669: C
8670: A
8671: B
8672: C
8673: D
8674: D
8675: C
8676: A
8677: B
8678: C
8679: C
8680: D