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O paradoxo do amor correspondido
Amar e ser amado é o credo-que-delícia que nos move. Estamos sempre à procura da prova de que nossa existência significa algo para alguém, necessitando de um reconhecimento particular por força da nossa condição humana. Ser amado como pessoa pública, por exemplo, no atacado, pode gerar uma sensação deliciosa de aceitação social, mas não resolve a questão do amor, que exige intimidade.
Sentir-se amado deriva de ter sido amado nos primórdios, mas também de o quanto fomos capazes de nos alimentar desse investimento inicial. Não existe amor livre de ambivalência, o que inclui o amor-próprio, que não se abstém do ódio a nós mesmos. Pais e cuidadores podem dar o seu melhor, mas esbarrarão nesse ódio estrutural que sentimos uns pelos outros e por nós mesmos.
O mundo ideal é aquele no qual lançamos um olhar benevolente sobre nossos inúmeros defeitos e evitamos atuar nosso ódio, que tem como função nos descolar dos demais.
Essa história ganha novos contornos quando conhecemos o amor para além das fronteiras do lar e o tatibitate familiar é colocado à prova. Ali podemos descobrir que fomos amados pelo que, a partir de então, será considerado nosso pior defeito ou, pelo contrário, seremos amados pelos motivos que eram detestados em nossa comunidade de origem. Da casa ao mundo há pontes e abismos.
Não raro se vê um sistema de compensações, no qual quem foi muito preterido na família busca reconhecimento social a todo custo. Pode acontecer de alguém que foi muito prestigiado em casa exigir que o tratem de igual maneira fora dela ou já se sentir tão investido afetivamente que prefira o ostracismo.
As combinações são inúmeras, uma vez que o que escolhemos fazer com nossa herança afetiva é de nossa responsabilidade, mesmo que se trate, em grande parte, de escolhas inconscientes.
Na ciranda dos desencontros drummondianos que estruturam as relações amorosas, não alcançamos o outro, cuja singularidade sempre nos escapa. Ainda assim, alguns vivem o que chamamos de amor correspondido. Mas, afinal, qual é a correspondência amorosa possível? O que nos une, para além do cinismo, da ambivalência ou da coerção, é a sensação compartilhada de que não se sabe bem por que, no fim das contas, aquele a quem amamos também nos ama.
O amor correspondido parte do paradoxo de que ambos sentem que recebem mais do que dão e se perguntam, então, por que alguém tão bacana os escolheria. Esse jogo funciona porque é jogado pelo par ao mesmo tempo.
Quando um sente que o outro lhe deve, estamos diante de relações assimétricas que vão da infelicidade à mais franca violência. O amor correspondido funciona porque os dois acham que o parceiro “é bom demais para ser verdade”, porque ambos compartilham da mesma ilusão.
(Por: Vera Iaconelli. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vera-iaconelli/. Acesso em: março de 2026. Adaptado.)
O paradoxo do amor correspondido
Amar e ser amado é o credo-que-delícia que nos move. Estamos sempre à procura da prova de que nossa existência significa algo para alguém, necessitando de um reconhecimento particular por força da nossa condição humana. Ser amado como pessoa pública, por exemplo, no atacado, pode gerar uma sensação deliciosa de aceitação social, mas não resolve a questão do amor, que exige intimidade.
Sentir-se amado deriva de ter sido amado nos primórdios, mas também de o quanto fomos capazes de nos alimentar desse investimento inicial. Não existe amor livre de ambivalência, o que inclui o amor-próprio, que não se abstém do ódio a nós mesmos. Pais e cuidadores podem dar o seu melhor, mas esbarrarão nesse ódio estrutural que sentimos uns pelos outros e por nós mesmos.
O mundo ideal é aquele no qual lançamos um olhar benevolente sobre nossos inúmeros defeitos e evitamos atuar nosso ódio, que tem como função nos descolar dos demais.
Essa história ganha novos contornos quando conhecemos o amor para além das fronteiras do lar e o tatibitate familiar é colocado à prova. Ali podemos descobrir que fomos amados pelo que, a partir de então, será considerado nosso pior defeito ou, pelo contrário, seremos amados pelos motivos que eram detestados em nossa comunidade de origem. Da casa ao mundo há pontes e abismos.
Não raro se vê um sistema de compensações, no qual quem foi muito preterido na família busca reconhecimento social a todo custo. Pode acontecer de alguém que foi muito prestigiado em casa exigir que o tratem de igual maneira fora dela ou já se sentir tão investido afetivamente que prefira o ostracismo.
As combinações são inúmeras, uma vez que o que escolhemos fazer com nossa herança afetiva é de nossa responsabilidade, mesmo que se trate, em grande parte, de escolhas inconscientes.
Na ciranda dos desencontros drummondianos que estruturam as relações amorosas, não alcançamos o outro, cuja singularidade sempre nos escapa. Ainda assim, alguns vivem o que chamamos de amor correspondido. Mas, afinal, qual é a correspondência amorosa possível? O que nos une, para além do cinismo, da ambivalência ou da coerção, é a sensação compartilhada de que não se sabe bem por que, no fim das contas, aquele a quem amamos também nos ama.
O amor correspondido parte do paradoxo de que ambos sentem que recebem mais do que dão e se perguntam, então, por que alguém tão bacana os escolheria. Esse jogo funciona porque é jogado pelo par ao mesmo tempo.
Quando um sente que o outro lhe deve, estamos diante de relações assimétricas que vão da infelicidade à mais franca violência. O amor correspondido funciona porque os dois acham que o parceiro “é bom demais para ser verdade”, porque ambos compartilham da mesma ilusão.
(Por: Vera Iaconelli. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vera-iaconelli/. Acesso em: março de 2026. Adaptado.)
O paradoxo do amor correspondido
Amar e ser amado é o credo-que-delícia que nos move. Estamos sempre à procura da prova de que nossa existência significa algo para alguém, necessitando de um reconhecimento particular por força da nossa condição humana. Ser amado como pessoa pública, por exemplo, no atacado, pode gerar uma sensação deliciosa de aceitação social, mas não resolve a questão do amor, que exige intimidade.
Sentir-se amado deriva de ter sido amado nos primórdios, mas também de o quanto fomos capazes de nos alimentar desse investimento inicial. Não existe amor livre de ambivalência, o que inclui o amor-próprio, que não se abstém do ódio a nós mesmos. Pais e cuidadores podem dar o seu melhor, mas esbarrarão nesse ódio estrutural que sentimos uns pelos outros e por nós mesmos.
O mundo ideal é aquele no qual lançamos um olhar benevolente sobre nossos inúmeros defeitos e evitamos atuar nosso ódio, que tem como função nos descolar dos demais.
Essa história ganha novos contornos quando conhecemos o amor para além das fronteiras do lar e o tatibitate familiar é colocado à prova. Ali podemos descobrir que fomos amados pelo que, a partir de então, será considerado nosso pior defeito ou, pelo contrário, seremos amados pelos motivos que eram detestados em nossa comunidade de origem. Da casa ao mundo há pontes e abismos.
Não raro se vê um sistema de compensações, no qual quem foi muito preterido na família busca reconhecimento social a todo custo. Pode acontecer de alguém que foi muito prestigiado em casa exigir que o tratem de igual maneira fora dela ou já se sentir tão investido afetivamente que prefira o ostracismo.
As combinações são inúmeras, uma vez que o que escolhemos fazer com nossa herança afetiva é de nossa responsabilidade, mesmo que se trate, em grande parte, de escolhas inconscientes.
Na ciranda dos desencontros drummondianos que estruturam as relações amorosas, não alcançamos o outro, cuja singularidade sempre nos escapa. Ainda assim, alguns vivem o que chamamos de amor correspondido. Mas, afinal, qual é a correspondência amorosa possível? O que nos une, para além do cinismo, da ambivalência ou da coerção, é a sensação compartilhada de que não se sabe bem por que, no fim das contas, aquele a quem amamos também nos ama.
O amor correspondido parte do paradoxo de que ambos sentem que recebem mais do que dão e se perguntam, então, por que alguém tão bacana os escolheria. Esse jogo funciona porque é jogado pelo par ao mesmo tempo.
Quando um sente que o outro lhe deve, estamos diante de relações assimétricas que vão da infelicidade à mais franca violência. O amor correspondido funciona porque os dois acham que o parceiro “é bom demais para ser verdade”, porque ambos compartilham da mesma ilusão.
(Por: Vera Iaconelli. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vera-iaconelli/. Acesso em: março de 2026. Adaptado.)
I. Conjunto de características que definem a natureza de um documento conforme sua função e atividade que o gerou. II. Conjunto de medidas e estratégias voltadas à proteção do documento contra danos e deterioração ao longo do tempo. III. Conjunto de intervenções realizadas com o objetivo de estabilizar ou reparar danos já existentes em documentos. IV. Material no qual a informação é registrada, como papel, filme ou meio digital. V. Procedimento que consiste na destinação de documentos do arquivo intermediário para guarda definitiva.
Assinale a correspondência correta.
I. “O recebimento de materiais envolve a conferência quantitativa e qualitativa dos itens entregues, bem como a verificação de sua conformidade com as especificações estabelecidas no processo de aquisição.”
PORQUE
II. “A armazenagem adequada dos materiais compreende a organização física dos estoques com base em critérios como rotatividade, características dos itens e condições ambientais, contribuindo para a preservação e o acesso eficiente aos bens ao longo do tempo.”
Assinale a alternativa correta.
I. Empatia, comunicação eficiente, autoconsciência, controle emocional e relacionamento sadio entre os membros da organização são fatores que compõem o rol das competências emocionais das equipes em uma organização. II. Os indivíduos se relacionam uns com os outros basicamente em dois níveis: cognitivo e socioemocional. Por isso, um grupo se torna uma equipe naturalmente, por decurso de prazo. III. Nas relações entre indivíduos e organização, não há que se falar em sinergia, pois as competências emocionais têm primazia e são muito mais importantes que fatores técnicos e cognitivos. IV. Quanto aos aspectos relacionados às tomadas de decisões em uma organização, as decisões em grupo costumam ser mais demoradas. Contudo, nesses casos, implementar o que foi decidido normalmente é mais rápido e fácil do que nos casos em que as decisões vêm de cima para baixo. V. A composição das equipes é um ponto-chave nas relações indivíduos/organização. Quanto mais multifuncionais forem as pessoas, pior. Por outro lado, é salutar haver consideráveis diferenças técnicas entre os membros da equipe, senão torna- -se difícil manter a sinergia.
Está correto o que se afirma apenas em
I. O arranjo descrito caracteriza estrutura matricial, ao integrar a departamentalização funcional com a organização orientada a projetos, mantendo vínculos simultâneos de subordinação. II. A coexistência de autoridade funcional e de projeto demanda mecanismos formais de coordenação, em razão do potencial de conflitos decorrentes da dualidade de comando. III. A estrutura funcional permanece como base da organização, coexistindo com as equipes de projetos no arranjo adotado. IV. A formação de equipes multidisciplinares em estruturas matriciais contribui para a integração de conhecimentos especializados e para o enfrentamento de demandas organizacionais complexas.
Está correto o que se afirma em