Questões de Concurso
Para museólogo
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“A universidade esperava-me com as suas matérias árduas; estudei-as muito mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel; deram-mo com a solenidade do estilo, após os anos da lei; uma bela festa que me encheu de orgulho e de saudades - principalmente de saudades. Tinha eu conquistado em Coimbra uma grande nomeada de folião; era um acadêmico estróina¹, superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas. No dia em que a universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso. Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-me a responsabilidade. Guardei-o, deixei as margens do Mondego, e vim por ali fora assaz desconsolado, mas sentindo já uns ímpetos, uma curiosidade, um desejo de acotovelar os outros, de influir, de gozar, de viver - de prolongar a universidade pela vida adiante…”
¹Estróina = Irresponsável
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Saraiva, 2011)
Observe a seguinte frase expressa no texto:
“Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-me a responsabilidade”.
Tendo em mente que carta de alforria era o documento que libertava um escravo de sua condição durante o período anterior à abolição, é correto afirmar que, neste trecho, o autor se utiliza de:
“A universidade esperava-me com as suas matérias árduas; estudei-as muito mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel; deram-mo com a solenidade do estilo, após os anos da lei; uma bela festa que me encheu de orgulho e de saudades - principalmente de saudades. Tinha eu conquistado em Coimbra uma grande nomeada de folião; era um acadêmico estróina¹, superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas. No dia em que a universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso. Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-me a responsabilidade. Guardei-o, deixei as margens do Mondego, e vim por ali fora assaz desconsolado, mas sentindo já uns ímpetos, uma curiosidade, um desejo de acotovelar os outros, de influir, de gozar, de viver - de prolongar a universidade pela vida adiante…”
¹Estróina = Irresponsável
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Saraiva, 2011)
Quando Machado de Assis escreveu este texto, utilizou de linguagem simples e coloquial à época, pois sua intenção não era produzir uma forma de literatura exclusiva, mas, sim, acessível. Não obstante, com o passar do tempo, o linguajar utilizado pelo autor hoje parece muito mais formal e rebuscado do que aquele que se costuma utilizar nos textos contemporâneos. Ainda assim, mesmo que alguns termos nos pareçam estranhos, esta obra do século XIX nos é até hoje compreensível, bastando que tenhamos algum domínio da norma culta.
Tendo isto em vista, assinale a alternativa abaixo que resume o texto de maneira mais apropriada.
“Muitas vezes menos mortais do que as epidemias, porém mais frequentes, as sedições de toda natureza marcavam com súbita violência os tempos fortes de uma inquietude coletiva que, entre as explosões, permanecia silenciosa, até mesmo subterrânea. (...) Pode-se então falar, na civilização da Europa pré-industrial, com a condição de não tomar a expressão ao pé da letra, de uma ‘cotidianidade da revolta’”.
(DELUMEAU, Jean. História do Medo no Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 2009)
Considere as seguintes afirmações:
I - O texto poderia ser reorganizado da seguinte forma, sem perda de sentido: “As sedições de toda natureza marcavam com súbita violência os tempos fortes de uma inquietude coletiva que permanecia silenciosa ou subterrânea a não ser nos momentos de explosão. Elas eram menos mortais do que as ondas de epidemia, mas eram mais frequentes. (...) Pode-se então falar que as revoltas ocorriam cotidianamente durante a época da civilização da Europa pré-industrial, ainda que não se possa levar esta frase ao pé da letra”.
II - A oração “as sedições de toda natureza marcavam com súbita violência os tempos fortes de uma inquietude coletiva” e a oração “que (...) permanecia silenciosa (...)” possuem uma relação de subordinação adjetiva entre si, sendo a primeira a oração principal e a segunda, um termo integrante.
III - O texto fala sobre como, durante o período anterior à Era Industrial, a Europa passou por um período repleto de revoltas e de doenças, sendo que essas ocorriam com maior frequência que aquelas.
Assinale a alternativa que indica as afirmações corretas sobre o texto supramencionado.
“Muitas vezes menos mortais do que as epidemias, porém mais frequentes, as sedições de toda natureza marcavam com súbita violência os tempos fortes de uma inquietude coletiva que, entre as explosões, permanecia silenciosa, até mesmo subterrânea. (...) Pode-se então falar, na civilização da Europa pré-industrial, com a condição de não tomar a expressão ao pé da letra, de uma ‘cotidianidade da revolta’”.
(DELUMEAU, Jean. História do Medo no Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 2009)
Até algum tempo atrás, era difícil pensar em como os deficientes visuais poderiam visitar os museus, que são especialmente focados na matéria visual. Com a acessibilidade em pauta, foram então criadas uma série de recursos para que cegos entendam as obras de arte e consigam “enxergar” através do toque, democratizando a cultura e abraçando a inclusão. Sobre as formas práticas dessa acessibilidade, analise os itens abaixo:
I. Disponibilizar audioguias gratuitos com descrição das imagens e da expografia, além de trilhas sonoras e depoimentos de artistas e curadores.
II. Tour guiado, no qual os visitantes são conduzidos por educadores capacitados para descrever as obras e mediar o passeio.
III. Uso ou a criação de um acervo tátil, no qual réplicas de quadros, maquetes e esculturas servem de apoio para o deficiente visual entender do que se tratam as obras, tendo uma experiência mais próxima do que está exposto.
IV. Placas em Braile e pisos táteis já se tornaram item essencial em museus, que estão correndo atrás do tempo perdido.
Analisados os itens é CORRETO afirmar que:
A função social dos museus é uma discussão reiterada e nunca esgotada, pois, se ele é inteiramente ligado a (quase que condicionado por) aspectos tangíveis como a edificação, as salas, vitrines e coleções, é exatamente nele que tudo é desfuncionalizado e reinventado ao se inserir em uma nova ordem simbólica (DELOCHE, 2010, p. 13). É também um domínio das imaterialidades. Sobre o tema, analise os itens abaixo:
I. O nascimento dos museus está ligado ao reconhecimento oficial do caráter sagrado de traços que definem o humano: seu reconhecimento como único e atemporal e de cada um dos seres como possuidores da humanidade em si dá um sentido semelhante às suas obras e a elas o poder de nos tornarem mais humanos quando em contato com seus repositórios por excelência, os museus.
II. Muito se fala, portanto, sobre a função social dos museus, mas é preciso delimitá-la bem. Foi depois da Mesa-Redonda sobre o Papel do Museu na América Latina, organizada pela UNESCO, em Santiago do Chile – 1972, que o ICOM, em mais uma atualização de seu conceito de museu, incluiu a ideia de instituição “a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento”.
III. O papel social e educativo do museu é unicamente o de conservar e preservar a memória de uma coletividade, possibilitando que ela fique devidamente armazenada em local seguro.
IV. A função da instituição museu tem como componentes o perfil preservacionista, científico e educativo (BRUNO, 1995, p. 65), e a função social se realizaria na intersecção de duas outras, a científica e a educativa, ao “propiciar a compreensão sobre o patrimônio / herança e o exercício da cidadania”.
Analisados os itens é CORRETO afirmar que: