Observe a seguinte frase expressa no texto: “Explico-me: o ...
“A universidade esperava-me com as suas matérias árduas; estudei-as muito mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel; deram-mo com a solenidade do estilo, após os anos da lei; uma bela festa que me encheu de orgulho e de saudades - principalmente de saudades. Tinha eu conquistado em Coimbra uma grande nomeada de folião; era um acadêmico estróina¹, superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas. No dia em que a universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso. Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-me a responsabilidade. Guardei-o, deixei as margens do Mondego, e vim por ali fora assaz desconsolado, mas sentindo já uns ímpetos, uma curiosidade, um desejo de acotovelar os outros, de influir, de gozar, de viver - de prolongar a universidade pela vida adiante…”
¹Estróina = Irresponsável
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Saraiva, 2011)
Observe a seguinte frase expressa no texto:
“Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-me a responsabilidade”.
Tendo em mente que carta de alforria era o documento que libertava um escravo de sua condição durante o período anterior à abolição, é correto afirmar que, neste trecho, o autor se utiliza de:
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Tema central: Figuras de linguagem, especificamente metáfora. A questão exige identificar o uso de metáfora em um trecho do texto, habilidade central para a interpretação de textos em provas de concurso.
Justificativa da alternativa correta – Letra A
No trecho analisado, o autor afirma: "o diploma era uma carta de alforria". Aqui, ocorre uma metáfora, pois há uma relação implícita de semelhança entre “diploma” (que representa a conquista da liberdade intelectual e de oportunidades) e “carta de alforria” (documento que concedia liberdade ao escravo). Não há uso de conectivos comparativos explícitos (“como”, “tal qual”), o que descarta a comparação formal.
Segundo Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), metáfora é o emprego de uma palavra em sentido figurado, baseada numa relação de semelhança subentendida. Aqui, tanto diploma quanto carta de alforria libertam o indivíduo de uma condição anterior, tornando o emprego metafórico pertinente e claro.
Análise das alternativas incorretas
B) Metonímia: Incorreta. Não há relação de contiguidade, mas de semelhança analógica. Metonímia ocorre apenas em substituições por proximidade de sentido (ex: “beber um copo”, no lugar de “beber a água do copo”).
C) Antítese: Antítese é a oposição de ideias, mas aqui não há elementos ou palavras contrárias, e sim uma analogia.
D) Comparação: Falta o conectivo comparativo explícito (“como”). A comparação exige encadeamento ligando os termos; aqui, a proximidade está implícita.
E) Sarcasmo: Não há ironia ou inversão de valores, apenas analogia figurada. O significado não é oposto nem depreciativo.
Dica: Em questões sobre figuras de linguagem, fique atento à presença de conectivos; sem eles, geralmente haverá metáfora.
Resumo: O autor compara implicitamente "diploma" e "carta de alforria", caracterizando uma metáfora, como definem Bechara e Cunha & Cintra.
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GABARITO: LETRA A
“Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-me a responsabilidade”.
→ Temos uma metáfora. Ela trata do emprego da palavra fora do seu sentido básico, recebendo nova significação por uma comparação entre seres de universos distintos sem o uso explícito de um conectivo comparativo.
☛ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!
Antítese: aproximação de palavras que expressam ideias contrárias.
Metonímia:uso de uma palavra no lugar de outra. Meta: mudança/ Onoma: nome - mudança de nome
Metáfora: sentido figurado
Comparação: relação de similaridade, ou seja, pela comparação de dois termos ou ideias.
Metáfora = comparação anunciada no texto.
A questão trata de figuras de linguagem, que compreende figuras de construção (ou sintaxe), palavras, pensamento ou som. Façamos a análise do excerto:
“Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-me a responsabilidade.”
No segmento em destaque consta a metáfora, figura de linguagem que, de acordo com Othon M. Garcia, do ponto de vista formal, nada mais é do uma comparação implícita, destituída dos elementos comparativos (p.ex. como, tal...qual, tal...como).
a) Correto;
b) Incorreto. Na definição de Othon Garcia, dá-se o nome de metonímia as relações reais de ordem qualitativa que levam a empregar metonimicamente uma palavra por outra, a designar uma coisa com o nome de outra. Ex.: ler Machado de Assis;
c) Incorreto. A antítese é uma figura que consiste em opor a uma ideia de sentido contrário. É um dos recursos mais empregados em todos os tempos. Curiosamente, no período barroco, teve largo uso. Ex.: a claridade do dia contrapõe-se à escuridão da noite;
d) Incorreto. A comparação consiste no explícito paralelo entres elementos, estabelecido com a presença visível de um articulador que a explicite. Ex.: forte como um touro.
e) Incorreto. O sarcasmo consiste em expressar algo fora de seu sentido usual, em tom desdenhoso. Ex.: “Eu acho que a televisão é muito educativa. Sempre que alguém liga o aparelho, eu vou para outra sala e leio um livro” (Groucho Marx).
Letra A
Referência bibliográfica: Comunicação em Prosa Moderna, de Othon M. Garcia.
FOCO!
Galera, acerca da dúvida da maioria sintetizo:
Metáfora= o conectivo "como" não está expresso, logo sempre implícito.
Ex: o diploma era(implícito "como") uma carta de alforria.
Comparação= o conectivo "como", obrigatoriamente, vai aparecer expresso(escrito).
Ex: meu time de futebol é ruim como o seu time.
A dica é: para ser METÁFORA, leia o conctivo "como" que está implícito entre a oração ou sentença.
Treine isso e nunca mais vai esquecer.
Obs. Lembre-se de manter o sentido figurado também.
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