Quando Machado de Assis escreveu este texto, utilizou de li...
“A universidade esperava-me com as suas matérias árduas; estudei-as muito mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel; deram-mo com a solenidade do estilo, após os anos da lei; uma bela festa que me encheu de orgulho e de saudades - principalmente de saudades. Tinha eu conquistado em Coimbra uma grande nomeada de folião; era um acadêmico estróina¹, superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas. No dia em que a universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso. Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-me a responsabilidade. Guardei-o, deixei as margens do Mondego, e vim por ali fora assaz desconsolado, mas sentindo já uns ímpetos, uma curiosidade, um desejo de acotovelar os outros, de influir, de gozar, de viver - de prolongar a universidade pela vida adiante…”
¹Estróina = Irresponsável
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Saraiva, 2011)
Quando Machado de Assis escreveu este texto, utilizou de linguagem simples e coloquial à época, pois sua intenção não era produzir uma forma de literatura exclusiva, mas, sim, acessível. Não obstante, com o passar do tempo, o linguajar utilizado pelo autor hoje parece muito mais formal e rebuscado do que aquele que se costuma utilizar nos textos contemporâneos. Ainda assim, mesmo que alguns termos nos pareçam estranhos, esta obra do século XIX nos é até hoje compreensível, bastando que tenhamos algum domínio da norma culta.
Tendo isto em vista, assinale a alternativa abaixo que resume o texto de maneira mais apropriada.
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Comentário da questão – Interpretação de Texto
Tema central: A questão avalia a interpretação de texto, cobrando do candidato a habilidade de identificar a ideia principal e resumir adequadamente o conteúdo exposto pelo narrador.
Justificativa da alternativa correta (E):
A alternativa E é a mais apropriada, pois sintetiza a reflexão do narrador sobre sua trajetória universitária, o sentimento de nostalgia e o desejo de que a experiência acadêmica se prolongasse para além da graduação. Veja o trecho-chave: “...sentindo já uns ímpetos, uma curiosidade, um desejo de acotovelar os outros, de influir, de gozar, de viver – de prolongar a universidade pela vida adiante...”. A alternativa respeita a lógica interna (“coerência textual”) e não introduz elementos estranhos, fazendo a leitura correta dos sentimentos nostálgicos e da ponderação do personagem.
Análise das alternativas incorretas:
A) Erro: Falar em “carreira de diplomata na Europa Oriental” é um acréscimo indevido, pois não há referência alguma à profissão ou ao local.
B) Erro: O narrador se diz estudante medíocre e não “ótimo aluno”, invertendo o sentido do texto.
C) Erro: Não há menção a “exílio” ou “dificuldades financeiras”; são informações fora do contexto apresentado.
D) Erro: Apesar de citar “romantismo prático” e “liberalismo teórico”, o foco do texto não é a política acadêmica, mas sim o balanço pessoal do narrador sobre sua vivência universitária.
Estratégia e Conceito:
Em questões de resumo/interpretação, evite alternativas que incluam informações não mencionadas no texto ou distorçam o sentido do que foi dito. Aplique a regra da fidelidade textual (cf. Bechara, "Moderna Gramática", coesão e coerência): a alternativa correta deve retomar a ideia central, sem extrapolações ou desvios.
Ao atentar-se para os sentimentos e desejos do narrador, e para os limites do que de fato foi dito, você terá mais segurança para marcar alternativas em provas de concurso!
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Comentários
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GABARITO: LETRA E
a) Este texto foca nas experiências da juventude do narrador, versando sobre romances, libertinagem e o início de sua carreira profissional de diplomata na Europa Oriental → incorreto, em nenhum momento o texto versa acerca da carreira de diplomota.
b) Neste texto, o narrador nos diz que, apesar de ter sido um ótimo aluno, não recebeu qualquer reconhecimento acadêmico pelos seus pares na Europa senão enquanto boêmio → incorreto, há sim reconhecimento, segundo o texto "[...] e nem por isso perdi o grau de bacharel; deram-mo com a solenidade do estilo, após os anos da lei [...]".
c) Este texto versa sobre os anos em que o narrador esteve estudando em seu exílio em Portugal, relatando que a tristeza pelas dificuldades financeiras só desaparecia quando participava de festas → incorreto, o texto relata a vida de um estudante que passava entre estudos e festas, não relata qualquer exílio nem tristeza.
d) Vivendo a vida universitária intensamente, o narrador nos mostra que esteve profundamente envolvido com a política acadêmica e foca nas explicações do mesmo acerca do que chamou de “romantismo prático” e “liberalismo teórico” → incorreto, o foco é acerca da vivência dos momentos e da época de estudante, não há foco explicativo e sim narrativo.
e) Neste texto, o narrador fala sobre sua performance na universidade e pondera saudosamente o aproveitamento que teve de sua vida universitária, concluindo, por fim, que gostaria que o restante de sua existência fosse como uma continuidade daquela época → correto, o desejo do narrador é de prolongar a universidade pela vida adiante (ou seja, dar continuidade à sua vivênica).
☛ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!
GABARITO E
Neste texto, o narrador fala sobre sua performance na universidade (A universidade esperava-me com as suas matérias árduas; estudei-as muito mediocremente / era um acadêmico estróina¹, superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas) e pondera saudosamente o aproveitamento que teve de sua vida universitária ( No dia em que a universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso), concluindo, por fim, que gostaria que o restante de sua existência fosse como uma continuidade daquela época (de prolongar a universidade pela vida adiante…)
Texto representa o que eu vivo hoje. Rs.
Texto bom para compreender..
Agora quando é aqueles textos enormes, tomamos cuidado!
Você vai conseguir....
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