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COLUNA I
1.Personificação
2.Hipérbole
3.Catacrese
4.Metáfora
5.Metonímia
COLUNA II
( ) "Li Clarice Lispector a tarde inteira."
( ) "A esperança sorria para os novos educadores."
( ) "A educação é o farol que ilumina o futuro."
( ) "Estou morrendo de cansaço após a jornada escolar."
( ) "O pé da página estava rasgado."
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo:
I. Obedecemos às normas do regimento escolar.
II. O diretor informou a mudança aos pais.
III. O sol nasceu radiante nesta manhã.
IV. Encontramos a solução do problema pedagógico.
Assinale a alternativa que apresenta a classificação correta da transitividade verbal, na ordem em que os verbos aparecem:
Leia o texto a seguir e responda à questão.
A Escola como Espaço de Tecituras Éticas
A democratização do ensino, para além da garantia do acesso físico aos bancos escolares, pressupõe uma reconfiguração profunda na arquitetura das relações pedagógicas. Não basta que o estudante ocupe uma cadeira; é imperativo que ele ocupe o lugar de sujeito no processo de construção do conhecimento. Nesse prisma, a escola contemporânea é convocada a abandonar o modelo de "transmissão bancária", onde o saber é depositado em mentes passivas, para se assumir como um organismo vivo, pautado pelo diálogo e pela pluralidade de vozes que compõem o tecido social.
Nesse contexto, a figura do docente transita da autoridade autocrática para a liderança mediadora. Esse movimento não implica a renúncia ao rigor ou ao domínio dos conteúdos, mas sim a compreensão de que o aprendizado é uma tecitura coletiva. Ao validar a bagagem cultural do aluno, o professor não está "facilitando" o currículo no sentido de empobê-lo, mas sim ancorando os conceitos científicos em realidades palpáveis. É nessa zona de intersecção entre o saber acadêmico e a vivência comunitária que a educação ganha sentido e potência transformadora.
Entretanto, a implementação de uma gestão verdadeiramente democrática esbarra em atavismos estruturais que ainda assombram o cotidiano escolar. O burocratismo excessivo e a fragmentação do trabalho pedagógico muitas vezes sufocam a criatividade e a autonomia. Superar tais obstáculos exige mais do que diretrizes legais; requer um compromisso ético de todos os atores envolvidos — gestores, professores, pais e alunos — no sentido de transformar a escola em um laboratório de cidadania, onde o erro é visto como degrau e o dissenso como oportunidade de crescimento.
Por fim, cabe ressaltar que a educação do século XXI não pode se esquivar do debate sobre a inclusão e a diversidade. Uma escola que não se reconhece na diferença é uma instituição fadada ao anacronismo. Acolher a pluralidade não é um ato de benevolência, mas uma exigência da justiça social e um pressuposto para a excelência acadêmica. Somente através de uma prática docente reflexiva e humanizada será possível forjar cidadãos capazes de navegar em um mundo complexo, marcado por mudanças vertiginosas e pela necessidade constante de reinvenção.
Leia o texto a seguir e responda à questão.
A Escola como Espaço de Tecituras Éticas
A democratização do ensino, para além da garantia do acesso físico aos bancos escolares, pressupõe uma reconfiguração profunda na arquitetura das relações pedagógicas. Não basta que o estudante ocupe uma cadeira; é imperativo que ele ocupe o lugar de sujeito no processo de construção do conhecimento. Nesse prisma, a escola contemporânea é convocada a abandonar o modelo de "transmissão bancária", onde o saber é depositado em mentes passivas, para se assumir como um organismo vivo, pautado pelo diálogo e pela pluralidade de vozes que compõem o tecido social.
Nesse contexto, a figura do docente transita da autoridade autocrática para a liderança mediadora. Esse movimento não implica a renúncia ao rigor ou ao domínio dos conteúdos, mas sim a compreensão de que o aprendizado é uma tecitura coletiva. Ao validar a bagagem cultural do aluno, o professor não está "facilitando" o currículo no sentido de empobê-lo, mas sim ancorando os conceitos científicos em realidades palpáveis. É nessa zona de intersecção entre o saber acadêmico e a vivência comunitária que a educação ganha sentido e potência transformadora.
Entretanto, a implementação de uma gestão verdadeiramente democrática esbarra em atavismos estruturais que ainda assombram o cotidiano escolar. O burocratismo excessivo e a fragmentação do trabalho pedagógico muitas vezes sufocam a criatividade e a autonomia. Superar tais obstáculos exige mais do que diretrizes legais; requer um compromisso ético de todos os atores envolvidos — gestores, professores, pais e alunos — no sentido de transformar a escola em um laboratório de cidadania, onde o erro é visto como degrau e o dissenso como oportunidade de crescimento.
Por fim, cabe ressaltar que a educação do século XXI não pode se esquivar do debate sobre a inclusão e a diversidade. Uma escola que não se reconhece na diferença é uma instituição fadada ao anacronismo. Acolher a pluralidade não é um ato de benevolência, mas uma exigência da justiça social e um pressuposto para a excelência acadêmica. Somente através de uma prática docente reflexiva e humanizada será possível forjar cidadãos capazes de navegar em um mundo complexo, marcado por mudanças vertiginosas e pela necessidade constante de reinvenção.
Leia o texto a seguir e responda à questão.
A Escola como Espaço de Tecituras Éticas
A democratização do ensino, para além da garantia do acesso físico aos bancos escolares, pressupõe uma reconfiguração profunda na arquitetura das relações pedagógicas. Não basta que o estudante ocupe uma cadeira; é imperativo que ele ocupe o lugar de sujeito no processo de construção do conhecimento. Nesse prisma, a escola contemporânea é convocada a abandonar o modelo de "transmissão bancária", onde o saber é depositado em mentes passivas, para se assumir como um organismo vivo, pautado pelo diálogo e pela pluralidade de vozes que compõem o tecido social.
Nesse contexto, a figura do docente transita da autoridade autocrática para a liderança mediadora. Esse movimento não implica a renúncia ao rigor ou ao domínio dos conteúdos, mas sim a compreensão de que o aprendizado é uma tecitura coletiva. Ao validar a bagagem cultural do aluno, o professor não está "facilitando" o currículo no sentido de empobê-lo, mas sim ancorando os conceitos científicos em realidades palpáveis. É nessa zona de intersecção entre o saber acadêmico e a vivência comunitária que a educação ganha sentido e potência transformadora.
Entretanto, a implementação de uma gestão verdadeiramente democrática esbarra em atavismos estruturais que ainda assombram o cotidiano escolar. O burocratismo excessivo e a fragmentação do trabalho pedagógico muitas vezes sufocam a criatividade e a autonomia. Superar tais obstáculos exige mais do que diretrizes legais; requer um compromisso ético de todos os atores envolvidos — gestores, professores, pais e alunos — no sentido de transformar a escola em um laboratório de cidadania, onde o erro é visto como degrau e o dissenso como oportunidade de crescimento.
Por fim, cabe ressaltar que a educação do século XXI não pode se esquivar do debate sobre a inclusão e a diversidade. Uma escola que não se reconhece na diferença é uma instituição fadada ao anacronismo. Acolher a pluralidade não é um ato de benevolência, mas uma exigência da justiça social e um pressuposto para a excelência acadêmica. Somente através de uma prática docente reflexiva e humanizada será possível forjar cidadãos capazes de navegar em um mundo complexo, marcado por mudanças vertiginosas e pela necessidade constante de reinvenção.
Leia o texto a seguir e responda à questão.
A Escola como Espaço de Tecituras Éticas
A democratização do ensino, para além da garantia do acesso físico aos bancos escolares, pressupõe uma reconfiguração profunda na arquitetura das relações pedagógicas. Não basta que o estudante ocupe uma cadeira; é imperativo que ele ocupe o lugar de sujeito no processo de construção do conhecimento. Nesse prisma, a escola contemporânea é convocada a abandonar o modelo de "transmissão bancária", onde o saber é depositado em mentes passivas, para se assumir como um organismo vivo, pautado pelo diálogo e pela pluralidade de vozes que compõem o tecido social.
Nesse contexto, a figura do docente transita da autoridade autocrática para a liderança mediadora. Esse movimento não implica a renúncia ao rigor ou ao domínio dos conteúdos, mas sim a compreensão de que o aprendizado é uma tecitura coletiva. Ao validar a bagagem cultural do aluno, o professor não está "facilitando" o currículo no sentido de empobê-lo, mas sim ancorando os conceitos científicos em realidades palpáveis. É nessa zona de intersecção entre o saber acadêmico e a vivência comunitária que a educação ganha sentido e potência transformadora.
Entretanto, a implementação de uma gestão verdadeiramente democrática esbarra em atavismos estruturais que ainda assombram o cotidiano escolar. O burocratismo excessivo e a fragmentação do trabalho pedagógico muitas vezes sufocam a criatividade e a autonomia. Superar tais obstáculos exige mais do que diretrizes legais; requer um compromisso ético de todos os atores envolvidos — gestores, professores, pais e alunos — no sentido de transformar a escola em um laboratório de cidadania, onde o erro é visto como degrau e o dissenso como oportunidade de crescimento.
Por fim, cabe ressaltar que a educação do século XXI não pode se esquivar do debate sobre a inclusão e a diversidade. Uma escola que não se reconhece na diferença é uma instituição fadada ao anacronismo. Acolher a pluralidade não é um ato de benevolência, mas uma exigência da justiça social e um pressuposto para a excelência acadêmica. Somente através de uma prática docente reflexiva e humanizada será possível forjar cidadãos capazes de navegar em um mundo complexo, marcado por mudanças vertiginosas e pela necessidade constante de reinvenção.
Leia o texto a seguir e responda à questão.
A Escola como Espaço de Tecituras Éticas
A democratização do ensino, para além da garantia do acesso físico aos bancos escolares, pressupõe uma reconfiguração profunda na arquitetura das relações pedagógicas. Não basta que o estudante ocupe uma cadeira; é imperativo que ele ocupe o lugar de sujeito no processo de construção do conhecimento. Nesse prisma, a escola contemporânea é convocada a abandonar o modelo de "transmissão bancária", onde o saber é depositado em mentes passivas, para se assumir como um organismo vivo, pautado pelo diálogo e pela pluralidade de vozes que compõem o tecido social.
Nesse contexto, a figura do docente transita da autoridade autocrática para a liderança mediadora. Esse movimento não implica a renúncia ao rigor ou ao domínio dos conteúdos, mas sim a compreensão de que o aprendizado é uma tecitura coletiva. Ao validar a bagagem cultural do aluno, o professor não está "facilitando" o currículo no sentido de empobê-lo, mas sim ancorando os conceitos científicos em realidades palpáveis. É nessa zona de intersecção entre o saber acadêmico e a vivência comunitária que a educação ganha sentido e potência transformadora.
Entretanto, a implementação de uma gestão verdadeiramente democrática esbarra em atavismos estruturais que ainda assombram o cotidiano escolar. O burocratismo excessivo e a fragmentação do trabalho pedagógico muitas vezes sufocam a criatividade e a autonomia. Superar tais obstáculos exige mais do que diretrizes legais; requer um compromisso ético de todos os atores envolvidos — gestores, professores, pais e alunos — no sentido de transformar a escola em um laboratório de cidadania, onde o erro é visto como degrau e o dissenso como oportunidade de crescimento.
Por fim, cabe ressaltar que a educação do século XXI não pode se esquivar do debate sobre a inclusão e a diversidade. Uma escola que não se reconhece na diferença é uma instituição fadada ao anacronismo. Acolher a pluralidade não é um ato de benevolência, mas uma exigência da justiça social e um pressuposto para a excelência acadêmica. Somente através de uma prática docente reflexiva e humanizada será possível forjar cidadãos capazes de navegar em um mundo complexo, marcado por mudanças vertiginosas e pela necessidade constante de reinvenção.
TEXTO III
Onde mora o beija-flor
Era uma vez uma menina sozinha, pensativa, mas muito brincante: brincava de pensamento quando viajava nas nuvens; brincava de nuvem, quando viajava em seus pensamentos.
Brincava de casinha também.
De correr.
De desenhar.
De contar histórias.
A menina vivia de fabricar pensamentos brincantes ou brincadeiras pensantes, desenhando céu, mar, floresta, estrela, passarinho, ninho de passarinho até.
E nessa vida de brincar e pensar, ela desenhou uma bela roseira e advinha quem logo apareceu? Ele mesmo: um beija-flor!
Um beija-flor azul-esverdeado de bico bem afiado e estando muito apressado logo partiu e voou:
— Ora, ora Senhor Beija-flor! Por que voou sem demora? Nem sua história contou? — falou bem alto a menina esperando que o beija-flor voltasse, mas ele não voltou.
E querendo muito saber quem era o beija-flor, aquele bichinho engraçado, pequeno e apressado, mas muito visitador, foi perguntar pra sua mãe que também vivia apressada, pois vivia atarefada com um tanto de amor para distribuir para quem precisava:
— Mae, você sabe onde mora o beija-flor?
— Hum, onde mora, onde mora assim exatamente eu não sei, porém logo ali no quintal ou no jardim do seu Juvenal sempre vejo um beija-flor. Ele chega assim dançando, meio que se equilibrando, beija a flor e logo voou.
A menina achou boa ideia ir no jardim do seu Juvenal ou observar no quintal a visita do beija-flor. Passou uns dias de prontidão, com lápis e papel na mão para anotar o endereço daquele belo fujão. E foi bem verdade que o beija-flor apareceu uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes, porém apressado e ocupado não quis muita conversa não!
— Senhor Beija-flor não fuja! Você assim como a Dona Coruja deve ter casa e animal de estimação!
E o beija-flor, como vocês podem muito bem imaginar, não dava muito ouvidos. Era um bailarino concentrado, sempre muito arrumado pra uma apresentação!
Então a menina esperta, foi apelar pra escola, pois 14 havia uma professora sabida e que de tudo ensinava: sobre o barulho da cascata, sobre o nome das montanhas e sobre o verde da mata:
— Professora querida, estou muito arrependida de brincar tanto na aula! Embora, pedindo desculpas estou agora na escuta, pois tenho uma pergunta interessante: você sabe onde mora o beija-flor dançante?
A professora abriu um sorriso que mais parecia um abraço e foi logo falando:
— O beija-flor mora no seu compasso numa casa flutuante feita de ar, mas se você quer saber onde dorme, você vai ter que pesquisar!
E trouxe um montão de livros que explicava a natureza, cheios de desenhos de flores e beija-flores. Nem preciso dizer o quanto a menina ficou animada, correndo logo pra casa toda contente e feliz. Aqueles livros todos traziam a informação na frente do seu nariz!
As tardes depois da escola passava toda estudando a vida do beija-flor: o que se alimentava, de as cores que mais gostava, as flores visitava e até em que família vivia — que era a família Trochilidae. Uma família imensa que morava em todo o continente americano dos livros de geografia. Mas, afinal, em que lugar vivia? Bem, o livro bem que dizia onde morava o beija-flor, exatamente, nas Américas, em vários habitats: no Alaska, no Chile, na Guatemala, em qualquer lugar que tenha mata, floresta ou uma flor!
— A América é tão grande, pensava a menina. Como poderei assim achar meu beija-flor?
E teve a feliz ideia de perguntar pro carteiro que todo dia em sua rua passava fazendo a entregas do Correios. O carteiro sem demora logo apareceu e ela, na calçada, olhou pro moço concentrada e a pergunta logo fez:
— Senhor carteiro, responda-me de uma vez: onde mora o beija-flor? Ele é assim azulado, pequeno e delicado, rápido como o fogo e sereno como a lua. Há muito tempo procuro, mas não consigo achá-lo!
O carteiro olhou para a menina, ficou um pouco surpreso, digo até emocionado, mas disfarçou e falou:
— Olha Dona Menina, eu até conheço esse beija-flor, mas nunca fiz entrega pra ele não! Até gostaria de encontrá-lo pra falar um pouco da vida, já que a dele parece muito com a minha. Porém, eu tenho pra você uma boa solução. Nessa vida aperre- ada, de achar endereços e entregar coisas, eu fiz pra mim uma receita para encontrar tudo o que quiser, é assim: eu, as vezes, paro e desenho um enorme coração, porque um coração também é um mapa, uma espécie de gps pra quando a gente está perdido. Fico olhando o coração até encontrar nele uma estrada e daí é só seguir a instrução!
A menina, que adorava desenhar, partiu para o quintal e, perto de um pé de amora, com papel e lápis de cor, desenhou um coração gigante, pulsante e cheio de cor! Logo percebeu que aquele coração era seu. Ficou um pouco com medo de entrar em seu próprio coração e lembrou-se de um ditado que sua mãe sempre dizia: “coração dos outros é terra que ninguém anda”. Acontece que aquele coração era o da própria menina, sendo as- sim, nele ela poderia andar. Respirou fundo, abriu bem os olhos e viu que em seu coração havia muitas estradas, ruazinhas, placas e casas. Morava muita gente nele, gente que ela nem esperava: a amiga da escola, sua vizinha, o rapaz que dirigia o ônibus que ela ia até a escola. Também morava seu cachorro, é claro. Umas bonecas, um aviãozinho de brinquedo, sua caixa de lápis-de-cor. Estava 14 até mesmo a menina que ela não gostava da escola, até mesmo o dentista que ela não gostava de ir!
Agora não é difícil de adivinhar onde morava o beija-flor: ele estava o tempo todo dentro do seu coração de menina, porque há muito ela amava o beija-flor e ainda não percebia. Ele estava guardado no fundo, tão no fundo que chegava quase no seu estômago. Ele estava com a menina o tempo todo, bastou ela olhar com amor para dentro de si. A menina guardou o desenho do coração em uma gaveta e foi feliz para sempre com seu amigo beija-flor.
TEXTO III
Onde mora o beija-flor
Era uma vez uma menina sozinha, pensativa, mas muito brincante: brincava de pensamento quando viajava nas nuvens; brincava de nuvem, quando viajava em seus pensamentos.
Brincava de casinha também.
De correr.
De desenhar.
De contar histórias.
A menina vivia de fabricar pensamentos brincantes ou brincadeiras pensantes, desenhando céu, mar, floresta, estrela, passarinho, ninho de passarinho até.
E nessa vida de brincar e pensar, ela desenhou uma bela roseira e advinha quem logo apareceu? Ele mesmo: um beija-flor!
Um beija-flor azul-esverdeado de bico bem afiado e estando muito apressado logo partiu e voou:
— Ora, ora Senhor Beija-flor! Por que voou sem demora? Nem sua história contou? — falou bem alto a menina esperando que o beija-flor voltasse, mas ele não voltou.
E querendo muito saber quem era o beija-flor, aquele bichinho engraçado, pequeno e apressado, mas muito visitador, foi perguntar pra sua mãe que também vivia apressada, pois vivia atarefada com um tanto de amor para distribuir para quem precisava:
— Mae, você sabe onde mora o beija-flor?
— Hum, onde mora, onde mora assim exatamente eu não sei, porém logo ali no quintal ou no jardim do seu Juvenal sempre vejo um beija-flor. Ele chega assim dançando, meio que se equilibrando, beija a flor e logo voou.
A menina achou boa ideia ir no jardim do seu Juvenal ou observar no quintal a visita do beija-flor. Passou uns dias de prontidão, com lápis e papel na mão para anotar o endereço daquele belo fujão. E foi bem verdade que o beija-flor apareceu uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes, porém apressado e ocupado não quis muita conversa não!
— Senhor Beija-flor não fuja! Você assim como a Dona Coruja deve ter casa e animal de estimação!
E o beija-flor, como vocês podem muito bem imaginar, não dava muito ouvidos. Era um bailarino concentrado, sempre muito arrumado pra uma apresentação!
Então a menina esperta, foi apelar pra escola, pois 14 havia uma professora sabida e que de tudo ensinava: sobre o barulho da cascata, sobre o nome das montanhas e sobre o verde da mata:
— Professora querida, estou muito arrependida de brincar tanto na aula! Embora, pedindo desculpas estou agora na escuta, pois tenho uma pergunta interessante: você sabe onde mora o beija-flor dançante?
A professora abriu um sorriso que mais parecia um abraço e foi logo falando:
— O beija-flor mora no seu compasso numa casa flutuante feita de ar, mas se você quer saber onde dorme, você vai ter que pesquisar!
E trouxe um montão de livros que explicava a natureza, cheios de desenhos de flores e beija-flores. Nem preciso dizer o quanto a menina ficou animada, correndo logo pra casa toda contente e feliz. Aqueles livros todos traziam a informação na frente do seu nariz!
As tardes depois da escola passava toda estudando a vida do beija-flor: o que se alimentava, de as cores que mais gostava, as flores visitava e até em que família vivia — que era a família Trochilidae. Uma família imensa que morava em todo o continente americano dos livros de geografia. Mas, afinal, em que lugar vivia? Bem, o livro bem que dizia onde morava o beija-flor, exatamente, nas Américas, em vários habitats: no Alaska, no Chile, na Guatemala, em qualquer lugar que tenha mata, floresta ou uma flor!
— A América é tão grande, pensava a menina. Como poderei assim achar meu beija-flor?
E teve a feliz ideia de perguntar pro carteiro que todo dia em sua rua passava fazendo a entregas do Correios. O carteiro sem demora logo apareceu e ela, na calçada, olhou pro moço concentrada e a pergunta logo fez:
— Senhor carteiro, responda-me de uma vez: onde mora o beija-flor? Ele é assim azulado, pequeno e delicado, rápido como o fogo e sereno como a lua. Há muito tempo procuro, mas não consigo achá-lo!
O carteiro olhou para a menina, ficou um pouco surpreso, digo até emocionado, mas disfarçou e falou:
— Olha Dona Menina, eu até conheço esse beija-flor, mas nunca fiz entrega pra ele não! Até gostaria de encontrá-lo pra falar um pouco da vida, já que a dele parece muito com a minha. Porém, eu tenho pra você uma boa solução. Nessa vida aperre- ada, de achar endereços e entregar coisas, eu fiz pra mim uma receita para encontrar tudo o que quiser, é assim: eu, as vezes, paro e desenho um enorme coração, porque um coração também é um mapa, uma espécie de gps pra quando a gente está perdido. Fico olhando o coração até encontrar nele uma estrada e daí é só seguir a instrução!
A menina, que adorava desenhar, partiu para o quintal e, perto de um pé de amora, com papel e lápis de cor, desenhou um coração gigante, pulsante e cheio de cor! Logo percebeu que aquele coração era seu. Ficou um pouco com medo de entrar em seu próprio coração e lembrou-se de um ditado que sua mãe sempre dizia: “coração dos outros é terra que ninguém anda”. Acontece que aquele coração era o da própria menina, sendo as- sim, nele ela poderia andar. Respirou fundo, abriu bem os olhos e viu que em seu coração havia muitas estradas, ruazinhas, placas e casas. Morava muita gente nele, gente que ela nem esperava: a amiga da escola, sua vizinha, o rapaz que dirigia o ônibus que ela ia até a escola. Também morava seu cachorro, é claro. Umas bonecas, um aviãozinho de brinquedo, sua caixa de lápis-de-cor. Estava 14 até mesmo a menina que ela não gostava da escola, até mesmo o dentista que ela não gostava de ir!
Agora não é difícil de adivinhar onde morava o beija-flor: ele estava o tempo todo dentro do seu coração de menina, porque há muito ela amava o beija-flor e ainda não percebia. Ele estava guardado no fundo, tão no fundo que chegava quase no seu estômago. Ele estava com a menina o tempo todo, bastou ela olhar com amor para dentro de si. A menina guardou o desenho do coração em uma gaveta e foi feliz para sempre com seu amigo beija-flor.
Sobre o uso da palavra “há” nesse contexto, assinale a alternativa correta:
TEXTO III
Onde mora o beija-flor
Era uma vez uma menina sozinha, pensativa, mas muito brincante: brincava de pensamento quando viajava nas nuvens; brincava de nuvem, quando viajava em seus pensamentos.
Brincava de casinha também.
De correr.
De desenhar.
De contar histórias.
A menina vivia de fabricar pensamentos brincantes ou brincadeiras pensantes, desenhando céu, mar, floresta, estrela, passarinho, ninho de passarinho até.
E nessa vida de brincar e pensar, ela desenhou uma bela roseira e advinha quem logo apareceu? Ele mesmo: um beija-flor!
Um beija-flor azul-esverdeado de bico bem afiado e estando muito apressado logo partiu e voou:
— Ora, ora Senhor Beija-flor! Por que voou sem demora? Nem sua história contou? — falou bem alto a menina esperando que o beija-flor voltasse, mas ele não voltou.
E querendo muito saber quem era o beija-flor, aquele bichinho engraçado, pequeno e apressado, mas muito visitador, foi perguntar pra sua mãe que também vivia apressada, pois vivia atarefada com um tanto de amor para distribuir para quem precisava:
— Mae, você sabe onde mora o beija-flor?
— Hum, onde mora, onde mora assim exatamente eu não sei, porém logo ali no quintal ou no jardim do seu Juvenal sempre vejo um beija-flor. Ele chega assim dançando, meio que se equilibrando, beija a flor e logo voou.
A menina achou boa ideia ir no jardim do seu Juvenal ou observar no quintal a visita do beija-flor. Passou uns dias de prontidão, com lápis e papel na mão para anotar o endereço daquele belo fujão. E foi bem verdade que o beija-flor apareceu uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes, porém apressado e ocupado não quis muita conversa não!
— Senhor Beija-flor não fuja! Você assim como a Dona Coruja deve ter casa e animal de estimação!
E o beija-flor, como vocês podem muito bem imaginar, não dava muito ouvidos. Era um bailarino concentrado, sempre muito arrumado pra uma apresentação!
Então a menina esperta, foi apelar pra escola, pois 14 havia uma professora sabida e que de tudo ensinava: sobre o barulho da cascata, sobre o nome das montanhas e sobre o verde da mata:
— Professora querida, estou muito arrependida de brincar tanto na aula! Embora, pedindo desculpas estou agora na escuta, pois tenho uma pergunta interessante: você sabe onde mora o beija-flor dançante?
A professora abriu um sorriso que mais parecia um abraço e foi logo falando:
— O beija-flor mora no seu compasso numa casa flutuante feita de ar, mas se você quer saber onde dorme, você vai ter que pesquisar!
E trouxe um montão de livros que explicava a natureza, cheios de desenhos de flores e beija-flores. Nem preciso dizer o quanto a menina ficou animada, correndo logo pra casa toda contente e feliz. Aqueles livros todos traziam a informação na frente do seu nariz!
As tardes depois da escola passava toda estudando a vida do beija-flor: o que se alimentava, de as cores que mais gostava, as flores visitava e até em que família vivia — que era a família Trochilidae. Uma família imensa que morava em todo o continente americano dos livros de geografia. Mas, afinal, em que lugar vivia? Bem, o livro bem que dizia onde morava o beija-flor, exatamente, nas Américas, em vários habitats: no Alaska, no Chile, na Guatemala, em qualquer lugar que tenha mata, floresta ou uma flor!
— A América é tão grande, pensava a menina. Como poderei assim achar meu beija-flor?
E teve a feliz ideia de perguntar pro carteiro que todo dia em sua rua passava fazendo a entregas do Correios. O carteiro sem demora logo apareceu e ela, na calçada, olhou pro moço concentrada e a pergunta logo fez:
— Senhor carteiro, responda-me de uma vez: onde mora o beija-flor? Ele é assim azulado, pequeno e delicado, rápido como o fogo e sereno como a lua. Há muito tempo procuro, mas não consigo achá-lo!
O carteiro olhou para a menina, ficou um pouco surpreso, digo até emocionado, mas disfarçou e falou:
— Olha Dona Menina, eu até conheço esse beija-flor, mas nunca fiz entrega pra ele não! Até gostaria de encontrá-lo pra falar um pouco da vida, já que a dele parece muito com a minha. Porém, eu tenho pra você uma boa solução. Nessa vida aperre- ada, de achar endereços e entregar coisas, eu fiz pra mim uma receita para encontrar tudo o que quiser, é assim: eu, as vezes, paro e desenho um enorme coração, porque um coração também é um mapa, uma espécie de gps pra quando a gente está perdido. Fico olhando o coração até encontrar nele uma estrada e daí é só seguir a instrução!
A menina, que adorava desenhar, partiu para o quintal e, perto de um pé de amora, com papel e lápis de cor, desenhou um coração gigante, pulsante e cheio de cor! Logo percebeu que aquele coração era seu. Ficou um pouco com medo de entrar em seu próprio coração e lembrou-se de um ditado que sua mãe sempre dizia: “coração dos outros é terra que ninguém anda”. Acontece que aquele coração era o da própria menina, sendo as- sim, nele ela poderia andar. Respirou fundo, abriu bem os olhos e viu que em seu coração havia muitas estradas, ruazinhas, placas e casas. Morava muita gente nele, gente que ela nem esperava: a amiga da escola, sua vizinha, o rapaz que dirigia o ônibus que ela ia até a escola. Também morava seu cachorro, é claro. Umas bonecas, um aviãozinho de brinquedo, sua caixa de lápis-de-cor. Estava 14 até mesmo a menina que ela não gostava da escola, até mesmo o dentista que ela não gostava de ir!
Agora não é difícil de adivinhar onde morava o beija-flor: ele estava o tempo todo dentro do seu coração de menina, porque há muito ela amava o beija-flor e ainda não percebia. Ele estava guardado no fundo, tão no fundo que chegava quase no seu estômago. Ele estava com a menina o tempo todo, bastou ela olhar com amor para dentro de si. A menina guardou o desenho do coração em uma gaveta e foi feliz para sempre com seu amigo beija-flor.
TEXTO III
Onde mora o beija-flor
Era uma vez uma menina sozinha, pensativa, mas muito brincante: brincava de pensamento quando viajava nas nuvens; brincava de nuvem, quando viajava em seus pensamentos.
Brincava de casinha também.
De correr.
De desenhar.
De contar histórias.
A menina vivia de fabricar pensamentos brincantes ou brincadeiras pensantes, desenhando céu, mar, floresta, estrela, passarinho, ninho de passarinho até.
E nessa vida de brincar e pensar, ela desenhou uma bela roseira e advinha quem logo apareceu? Ele mesmo: um beija-flor!
Um beija-flor azul-esverdeado de bico bem afiado e estando muito apressado logo partiu e voou:
— Ora, ora Senhor Beija-flor! Por que voou sem demora? Nem sua história contou? — falou bem alto a menina esperando que o beija-flor voltasse, mas ele não voltou.
E querendo muito saber quem era o beija-flor, aquele bichinho engraçado, pequeno e apressado, mas muito visitador, foi perguntar pra sua mãe que também vivia apressada, pois vivia atarefada com um tanto de amor para distribuir para quem precisava:
— Mae, você sabe onde mora o beija-flor?
— Hum, onde mora, onde mora assim exatamente eu não sei, porém logo ali no quintal ou no jardim do seu Juvenal sempre vejo um beija-flor. Ele chega assim dançando, meio que se equilibrando, beija a flor e logo voou.
A menina achou boa ideia ir no jardim do seu Juvenal ou observar no quintal a visita do beija-flor. Passou uns dias de prontidão, com lápis e papel na mão para anotar o endereço daquele belo fujão. E foi bem verdade que o beija-flor apareceu uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes, porém apressado e ocupado não quis muita conversa não!
— Senhor Beija-flor não fuja! Você assim como a Dona Coruja deve ter casa e animal de estimação!
E o beija-flor, como vocês podem muito bem imaginar, não dava muito ouvidos. Era um bailarino concentrado, sempre muito arrumado pra uma apresentação!
Então a menina esperta, foi apelar pra escola, pois 14 havia uma professora sabida e que de tudo ensinava: sobre o barulho da cascata, sobre o nome das montanhas e sobre o verde da mata:
— Professora querida, estou muito arrependida de brincar tanto na aula! Embora, pedindo desculpas estou agora na escuta, pois tenho uma pergunta interessante: você sabe onde mora o beija-flor dançante?
A professora abriu um sorriso que mais parecia um abraço e foi logo falando:
— O beija-flor mora no seu compasso numa casa flutuante feita de ar, mas se você quer saber onde dorme, você vai ter que pesquisar!
E trouxe um montão de livros que explicava a natureza, cheios de desenhos de flores e beija-flores. Nem preciso dizer o quanto a menina ficou animada, correndo logo pra casa toda contente e feliz. Aqueles livros todos traziam a informação na frente do seu nariz!
As tardes depois da escola passava toda estudando a vida do beija-flor: o que se alimentava, de as cores que mais gostava, as flores visitava e até em que família vivia — que era a família Trochilidae. Uma família imensa que morava em todo o continente americano dos livros de geografia. Mas, afinal, em que lugar vivia? Bem, o livro bem que dizia onde morava o beija-flor, exatamente, nas Américas, em vários habitats: no Alaska, no Chile, na Guatemala, em qualquer lugar que tenha mata, floresta ou uma flor!
— A América é tão grande, pensava a menina. Como poderei assim achar meu beija-flor?
E teve a feliz ideia de perguntar pro carteiro que todo dia em sua rua passava fazendo a entregas do Correios. O carteiro sem demora logo apareceu e ela, na calçada, olhou pro moço concentrada e a pergunta logo fez:
— Senhor carteiro, responda-me de uma vez: onde mora o beija-flor? Ele é assim azulado, pequeno e delicado, rápido como o fogo e sereno como a lua. Há muito tempo procuro, mas não consigo achá-lo!
O carteiro olhou para a menina, ficou um pouco surpreso, digo até emocionado, mas disfarçou e falou:
— Olha Dona Menina, eu até conheço esse beija-flor, mas nunca fiz entrega pra ele não! Até gostaria de encontrá-lo pra falar um pouco da vida, já que a dele parece muito com a minha. Porém, eu tenho pra você uma boa solução. Nessa vida aperre- ada, de achar endereços e entregar coisas, eu fiz pra mim uma receita para encontrar tudo o que quiser, é assim: eu, as vezes, paro e desenho um enorme coração, porque um coração também é um mapa, uma espécie de gps pra quando a gente está perdido. Fico olhando o coração até encontrar nele uma estrada e daí é só seguir a instrução!
A menina, que adorava desenhar, partiu para o quintal e, perto de um pé de amora, com papel e lápis de cor, desenhou um coração gigante, pulsante e cheio de cor! Logo percebeu que aquele coração era seu. Ficou um pouco com medo de entrar em seu próprio coração e lembrou-se de um ditado que sua mãe sempre dizia: “coração dos outros é terra que ninguém anda”. Acontece que aquele coração era o da própria menina, sendo as- sim, nele ela poderia andar. Respirou fundo, abriu bem os olhos e viu que em seu coração havia muitas estradas, ruazinhas, placas e casas. Morava muita gente nele, gente que ela nem esperava: a amiga da escola, sua vizinha, o rapaz que dirigia o ônibus que ela ia até a escola. Também morava seu cachorro, é claro. Umas bonecas, um aviãozinho de brinquedo, sua caixa de lápis-de-cor. Estava 14 até mesmo a menina que ela não gostava da escola, até mesmo o dentista que ela não gostava de ir!
Agora não é difícil de adivinhar onde morava o beija-flor: ele estava o tempo todo dentro do seu coração de menina, porque há muito ela amava o beija-flor e ainda não percebia. Ele estava guardado no fundo, tão no fundo que chegava quase no seu estômago. Ele estava com a menina o tempo todo, bastou ela olhar com amor para dentro de si. A menina guardou o desenho do coração em uma gaveta e foi feliz para sempre com seu amigo beija-flor.
TEXTO III
Onde mora o beija-flor
Era uma vez uma menina sozinha, pensativa, mas muito brincante: brincava de pensamento quando viajava nas nuvens; brincava de nuvem, quando viajava em seus pensamentos.
Brincava de casinha também.
De correr.
De desenhar.
De contar histórias.
A menina vivia de fabricar pensamentos brincantes ou brincadeiras pensantes, desenhando céu, mar, floresta, estrela, passarinho, ninho de passarinho até.
E nessa vida de brincar e pensar, ela desenhou uma bela roseira e advinha quem logo apareceu? Ele mesmo: um beija-flor!
Um beija-flor azul-esverdeado de bico bem afiado e estando muito apressado logo partiu e voou:
— Ora, ora Senhor Beija-flor! Por que voou sem demora? Nem sua história contou? — falou bem alto a menina esperando que o beija-flor voltasse, mas ele não voltou.
E querendo muito saber quem era o beija-flor, aquele bichinho engraçado, pequeno e apressado, mas muito visitador, foi perguntar pra sua mãe que também vivia apressada, pois vivia atarefada com um tanto de amor para distribuir para quem precisava:
— Mae, você sabe onde mora o beija-flor?
— Hum, onde mora, onde mora assim exatamente eu não sei, porém logo ali no quintal ou no jardim do seu Juvenal sempre vejo um beija-flor. Ele chega assim dançando, meio que se equilibrando, beija a flor e logo voou.
A menina achou boa ideia ir no jardim do seu Juvenal ou observar no quintal a visita do beija-flor. Passou uns dias de prontidão, com lápis e papel na mão para anotar o endereço daquele belo fujão. E foi bem verdade que o beija-flor apareceu uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes, porém apressado e ocupado não quis muita conversa não!
— Senhor Beija-flor não fuja! Você assim como a Dona Coruja deve ter casa e animal de estimação!
E o beija-flor, como vocês podem muito bem imaginar, não dava muito ouvidos. Era um bailarino concentrado, sempre muito arrumado pra uma apresentação!
Então a menina esperta, foi apelar pra escola, pois 14 havia uma professora sabida e que de tudo ensinava: sobre o barulho da cascata, sobre o nome das montanhas e sobre o verde da mata:
— Professora querida, estou muito arrependida de brincar tanto na aula! Embora, pedindo desculpas estou agora na escuta, pois tenho uma pergunta interessante: você sabe onde mora o beija-flor dançante?
A professora abriu um sorriso que mais parecia um abraço e foi logo falando:
— O beija-flor mora no seu compasso numa casa flutuante feita de ar, mas se você quer saber onde dorme, você vai ter que pesquisar!
E trouxe um montão de livros que explicava a natureza, cheios de desenhos de flores e beija-flores. Nem preciso dizer o quanto a menina ficou animada, correndo logo pra casa toda contente e feliz. Aqueles livros todos traziam a informação na frente do seu nariz!
As tardes depois da escola passava toda estudando a vida do beija-flor: o que se alimentava, de as cores que mais gostava, as flores visitava e até em que família vivia — que era a família Trochilidae. Uma família imensa que morava em todo o continente americano dos livros de geografia. Mas, afinal, em que lugar vivia? Bem, o livro bem que dizia onde morava o beija-flor, exatamente, nas Américas, em vários habitats: no Alaska, no Chile, na Guatemala, em qualquer lugar que tenha mata, floresta ou uma flor!
— A América é tão grande, pensava a menina. Como poderei assim achar meu beija-flor?
E teve a feliz ideia de perguntar pro carteiro que todo dia em sua rua passava fazendo a entregas do Correios. O carteiro sem demora logo apareceu e ela, na calçada, olhou pro moço concentrada e a pergunta logo fez:
— Senhor carteiro, responda-me de uma vez: onde mora o beija-flor? Ele é assim azulado, pequeno e delicado, rápido como o fogo e sereno como a lua. Há muito tempo procuro, mas não consigo achá-lo!
O carteiro olhou para a menina, ficou um pouco surpreso, digo até emocionado, mas disfarçou e falou:
— Olha Dona Menina, eu até conheço esse beija-flor, mas nunca fiz entrega pra ele não! Até gostaria de encontrá-lo pra falar um pouco da vida, já que a dele parece muito com a minha. Porém, eu tenho pra você uma boa solução. Nessa vida aperre- ada, de achar endereços e entregar coisas, eu fiz pra mim uma receita para encontrar tudo o que quiser, é assim: eu, as vezes, paro e desenho um enorme coração, porque um coração também é um mapa, uma espécie de gps pra quando a gente está perdido. Fico olhando o coração até encontrar nele uma estrada e daí é só seguir a instrução!
A menina, que adorava desenhar, partiu para o quintal e, perto de um pé de amora, com papel e lápis de cor, desenhou um coração gigante, pulsante e cheio de cor! Logo percebeu que aquele coração era seu. Ficou um pouco com medo de entrar em seu próprio coração e lembrou-se de um ditado que sua mãe sempre dizia: “coração dos outros é terra que ninguém anda”. Acontece que aquele coração era o da própria menina, sendo as- sim, nele ela poderia andar. Respirou fundo, abriu bem os olhos e viu que em seu coração havia muitas estradas, ruazinhas, placas e casas. Morava muita gente nele, gente que ela nem esperava: a amiga da escola, sua vizinha, o rapaz que dirigia o ônibus que ela ia até a escola. Também morava seu cachorro, é claro. Umas bonecas, um aviãozinho de brinquedo, sua caixa de lápis-de-cor. Estava 14 até mesmo a menina que ela não gostava da escola, até mesmo o dentista que ela não gostava de ir!
Agora não é difícil de adivinhar onde morava o beija-flor: ele estava o tempo todo dentro do seu coração de menina, porque há muito ela amava o beija-flor e ainda não percebia. Ele estava guardado no fundo, tão no fundo que chegava quase no seu estômago. Ele estava com a menina o tempo todo, bastou ela olhar com amor para dentro de si. A menina guardou o desenho do coração em uma gaveta e foi feliz para sempre com seu amigo beija-flor.
Analise as duas asserções (I e II) e a relação proposta entre elas:
I. Na jornada da protagonista, a transição da busca externa (jardins e livros) para a exploração do “mapa interno" revela que o pertencimento não é um local geográfico, mas um território afetivo.
PORQUE
II. O coração, ao ser apresentado como o verdadeiro mapa, funciona como um espaço de acolhimento complexo onde residem tanto as memórias queridas quanto os elementos de desafetos, unificados pela importância que o sujeito lhes atribui.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: