“Com efeito, disciplinar os hábitos das crianças, pensar a
aprendizagem com o desdobrar inelutável de um programa
e sustentar a tese da existência de capacidades psicológicas
maturacionais justificam-se necessariamente em torno da
ideia da criança como um adulto-em-desenvolvimento. Em
outras palavras, se não se pensasse que na criança de hoje
reside a chave do amanhã do adulto, não teria sentido
dispor o cotidiano escolar em função de um dever-ser
infantil. Mais ainda, hoje em dia, à criança cabe dar,
sistematicamente, prova de que ao adulto do futuro nada
vai faltar, pois assim o adulto do presente usufrui de uma
certa felicidade. Como sabemos, quando um adulto olha
nos olhos de uma criança, e enfoca de fato os olhos da
criança ideal, recupera a felicidade que acredita ter perdido,
uma vez que lhe retorna do fundo desse olhar sua imagem
às avessas. Ou seja, na forma educada que hoje temos de
tratar a infância está em jogo uma operação importante do
ponto de vista da economia gozosa do adulto. Assim, não
deve nos surpreender que a imagem de uma criança ideal
tire, obcecadamente, o sono dos espíritos pedagógicos. O
que se almeja na atualidade não é mais que uma criança
aprenda aquilo que ela não sabe e o adulto sim (cavalgar,
dançar, fazer pão ou decorar o Organon de Aristóteles),
porém fazer dela esse ao menos um adulto que, no futuro,
não padeça das nossas impotências atuais. Em outras
palavras, se antes se pedia, com ou sem chicotes, à criança
que fosse um adulto mais ou menos educado, com o tempo
passou-se a almejar cada vez mais que possuísse no futuro
toda a potência imaginária que o adulto pensa que lhe falta
e que, portanto, não o deixa ser feliz. Entretanto, se o que
agora passa a se demandar é algo tão impossível quanto o
era, em última instância, o anterior, isso deve ser
necessariamente de uma outra qualidade a tal ponto que o
cotidiano escolar não só em nada se parece às pequenas
escolas do século XV, como também passou a justificar-se a
partir de uma singular ligação entre disciplina,
aprendizagem e psicologia infantil. Se na atualidade esperase que as crianças venham a ser adultos possuidores de tudo
aquilo que hoje nós não temos imaginariamente, bem
como, por cima, trata-se de consegui-lo graças à metódica
observância de um programa tanto moral quanto natural,
então, por um lado, toda empresa pedagógica acaba se
revelando pouco eficaz, e, por outro, os alunos acabam se
transformando em crianças mais ou menos indisciplinadas.
Isso acontece uma vez que o norte da moderna empresa
pedagógica é uma criança feita de um puro estofo
imaginário. Tanto a pretensa eficácia pedagógica quanto a
disciplina perfeita não podem menos que implicar a
desaparição da distância entre um aluno real e a criança
ideal. Em outras palavras, o cotidiano escolar se articula em
torno da tentativa de vir a apagar a diferença que habita no
campo subjetivo.”
LAJONQUIÈRE, Leandro de. A criança, “sua” (in)disciplina e a psicanálise.
In: AQUINO, Júlio Groppa (org). Indisciplina na escola: alternativas
teóricas e práticas. SP: Summus, 1996, p. 32. Podemos concluir, a partir da leitura do texto, que nele se
defende a seguinte ideia:
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(...) O direito à educação está intimamente ligado ao
direito à informação, à cultura e à ciência; ele requer um
profundo compromisso com a construção de capacidades
humanas. Além disso, esse direito está intimamente ligado
ao direito de ter acesso e contribuir para os conhecimentos
comuns da humanidade e seus recursos de informação,
conhecimento e sabedoria compartilhados e em contínua
expansão.
O ciclo contínuo de criação de conhecimento que ocorre
por meio de contestação, diálogo e debate é o que ajuda a
coordenar a ação, produzir verdades científicas e incentivar a
inovação. É um dos recursos mais valiosos e inesgotáveis da
humanidade e um aspecto fundamental da educação.
Quanto mais pessoas têm acesso aos conhecimentos
comuns, mais abundantes eles se tornam. O
desenvolvimento da linguagem, do numeramento e dos
sistemas de escrita facilitou a disseminação do conhecimento
ao longo do tempo e do espaço. Isso, por sua vez, permitiu
que as sociedades humanas atingissem níveis extraordinários
de crescimento coletivo e construção de civilizações. As
possibilidades dos conhecimentos comuns são teoricamente
infinitas. A diversidade e a inovação desencadeadas pelos
conhecimentos comuns originam-se de empréstimos e
experimentações que atravessam fronteiras disciplinares,
bem como da reinterpretação do antigo e da criação do novo.
Infelizmente, as barreiras impedem a equidade no
acesso e na contribuição para os conhecimentos comuns.
Existem lacunas e distorções significativas no conhecimento
acumulado da humanidade que necessitam ser abordadas
e corrigidas. Perspectivas, linguagens e conhecimentos
indígenas têm sido marginalizados há muito tempo.
Mulheres, meninas, minorias e grupos de baixa renda
também são severamente sub-representados. As limitações
de acesso a conhecimentos comuns ocorrem como
resultado de comercialização e leis de propriedade
intelectual excessivamente restritivas, da ausência de
regulamentação e da falta de suporte adequado para as
comunidades e os sistemas que gerenciam os
conhecimentos comuns.(..)
Um direito ampliado à educação ao longo da vida requer
o compromisso em derrubar barreiras e garantir que os
conhecimentos comuns sejam um recurso aberto e
duradouro que reflita as diversas formas de conhecer e
estar no mundo.
Comissão Internacional sobre os futuros da educação. Reimaginar nossos
futuros juntos: um novo contrato social para a educação. Brasília: UNESCO
e Fundação SM, 2022, p. 10 e 11. A partir da leitura do texto, pode-se afirmar:
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Conforme a Resolução CNE/CEB n.º 1/2021, a EJA poderá ser desenvolvida na modalidade à distância (EAD). A respeito desse
tema, assinale a opção correta.
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As diretrizes curriculares nacionais de formação inicial de professores da educação básica apresentam fundamentos pedagógicos da
formação continuada de docentes da educação básica que incluem
Q2019650Legislação dos Municípios do Estado de Santa Catarina
De acordo com o regime jurídico dos servidores públicos do
município de Joinville – SC, estaria apto a ingressar no serviço
público municipal o candidato
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Q2019649Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
Fabiana tem quinze anos e foi diagnosticada com autismo
e deficiência intelectual severa. Ao procurar uma escola
particular para matricular a filha, a mãe de Fabiana foi orientada
a buscar a rede pública de ensino.
Considerando a situação hipotética apresentada e a legislação
brasileira, assinale a opção correta.
A erradicação do analfabetismo absoluto e a redução do
analfabetismo funcional estão entre as metas do plano municipal
de educação de Joinville. Assinale a opção que apresenta uma
das estratégias, na educação de jovens e adultos (EJA), para que
essas metas sejam atingidas.
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O ensino fundamental, com duração de nove anos, abrange a
população na faixa etária dos seis aos quatorze anos de idade e se
estende também a todos os que não tiveram condições de
frequentá-lo na idade própria. Acerca desse tema, assinale a
opção correta.
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Em um dado momento de um diálogo, uma pessoa disse
para a outra:
Sou um cidadão que pago meus impostos, portanto, tenho meus
direitos.
Nessa frase, a concepção de cidadania subjacente é a
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Princípio da articulação entre a expansão quantitativa da oferta de
vagas com a efetivação da qualidade das experiências educativas
expresso em um projeto político pedagógico diz respeito à
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