Foram encontradas 40.349 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q3691711 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
A figura de linguagem presente no trecho “— Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...” é a de:
Alternativas
Q3691710 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
Pela última fala da empregada, conclui-se que, para ela:
Alternativas
Q3684565 Enfermagem
Um técnico de enfermagem que atua em centro de reabilitação físico-esportiva depara-se com situação em que um paciente adulto solicita confidencialidade absoluta sobre seu quadro clínico, enquanto familiares insistem em obter informações detalhadas. À luz dos princípios da bioética (Beauchamp & Childress, 2019) e do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (Resolução COFEN nº 564/2017), analise as alternativas:
Alternativas
Q3684564 Educação Física
Em uma pesquisa realizada com professores de Educação Física de uma capital brasileira, identificaramse altos índices de exaustão emocional, despersonalização e redução da realização profissional. Parte dos docentes atribuiu esses sintomas à precarização estrutural (sobrecarga de turmas, ausência de materiais, pressão institucional), enquanto outros enfatizaram fatores pessoais, como ausência de estratégias de autocuidado e dificuldades em equilibrar vida profissional e privada. O relatório final sugeriu ainda que a falta de políticas de apoio psicossocial reforçava a vulnerabilidade coletiva. À luz da literatura sobre burnout (Maslach & Leiter, 2016; Carlotto, 2020), avalie as proposições abaixo e identifique a mais consistente com o enfrentamento contemporâneo do fenômeno:
Alternativas
Q3684563 Educação Física
No campo da pesquisa científica aplicada ao esporte e à Educação Física, o ensaio clínico randomizado (ECR) é considerado padrão-ouro na avaliação de intervenções. Contudo, sua utilização enfrenta críticas metodológicas e éticas. Considere o cenário em que se deseja investigar os efeitos de um novo programa de treinamento intervalado em atletas jovens de elite. Qual proposição apresenta compreensão mais adequada das potencialidades e limites desse desenho metodológico?
Alternativas
Q3684562 Educação Física

O uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) no ensino da Educação Física suscita reflexões sobre inclusão, criticidade e inovação pedagógica, conforme apontam Kenski (2012), Moran (2018) e Gomes & Silva (2021). Em um projeto que busca integrar gamificação e ambientes virtuais ao ensino dos esportes, diferentes concepções emergem. Analise as proposições e marque V (verdadeiro) ou F (falso):



( ) A incorporação de TDICs pode favorecer processos de feedback e engajamento, mas apenas quando mediada por intencionalidade pedagógica e articulação a objetivos curriculares claros.


( ) O uso das tecnologias inviabiliza a criticidade, conduzindo necessariamente à passividade discente e à mera reprodução de conteúdos digitais.


( ) O emprego acrítico das TDICs pode reforçar desigualdades de acesso e aprofundar a exclusão, demandando análise contextual e mediação docente cuidadosa.


( ) As TDICs constituem substitutos plenos da ação docente, legitimando sua utilização como estratégia prioritária de ensino em detrimento da mediação humana.


( ) A integração tecnológica, além de superar a lógica recreativa, é respaldada por propostas curriculares e por produções científicas que a reconhecem como instrumento de inovação formativa.

Alternativas
Q3684561 Educação Física
A Teoria da Autodeterminação (Deci & Ryan, 2000; Ryan & Deci, 2017) fundamenta estudos contemporâneos sobre motivação em contextos esportivos e educacionais. Considerando esse referencial, analise as proposições:
Alternativas
Q3684560 Educação Física
Situação-problema: Durante uma aula de Educação Física escolar, um aluno apresenta sinais de síncope, seguida de queda brusca ao solo. O educador físico, primeiro a chegar ao local, aciona imediatamente o serviço de emergência e inicia os cuidados básicos de suporte. À luz das diretrizes da American Heart Association (AHA, 2020) e do Ministério da Saúde (2019), avalie as condutas abaixo:
Alternativas
Q3684559 Educação Física
Estudos em saúde pública (Warburton & Bredin, 2017; ACSM, 2022) ampliaram a compreensão dos efeitos da atividade física, destacando que seus impactos vão além da dimensão biomédica, alcançando aspectos psicossociais e culturais. No entanto, diferentes interpretações ainda circulam no debate científico e pedagógico. Considerando esse contexto, assinale a alternativa mais consistente com o consenso contemporâneo:
Alternativas
Q3684558 Educação Física
O conceito de “janelas de oportunidade” (Malina et al., 2004; Balyi & Hamilton, 2004) tornou-se referência para a preparação de crianças e adolescentes, ao indicar momentos de maior plasticidade no desenvolvimento de determinadas capacidades físicas. No entanto, a interpretação desse conceito é alvo de debates, sobretudo quanto ao risco de especialização precoce e ao papel da pedagogia no processo. Considerando esse quadro, avalie as proposições:
Alternativas
Q3684557 Educação Física
As propostas de periodização do treinamento desportivo passaram por diferentes formulações desde a matriz clássica de Matveev (1965), baseada em progressões lineares e previsíveis. Com o avanço das demandas competitivas, autores como Bompa (1999) e Issurin (2008) propuseram ajustes metodológicos que incorporaram novas formas de organizar o volume, a intensidade e a distribuição temporal das cargas. Considerando esse debate, avalie as proposições abaixo:
Alternativas
Q3684556 Educação Física

Um professor de Educação Física discute com seus alunos diferentes formas de ensinar esportes coletivos, apresentando tanto o modelo técnicotradicional quanto o Teaching Games for Understanding (TGfU). A partir desse cenário, avalie as proposições a seguir e marque V (verdadeiro) ou F (falso):



( ) O modelo técnico-tradicional privilegia a repetição de fundamentos isolados e a automatização de gestos, ainda que desconsiderando, em grande parte, o contexto tático do jogo. 


( ) O TGfU enfatiza a resolução de problemas situacionais, articulando técnica, tática e tomada de decisão a partir da lógica interna dos jogos.


( ) Ambas as abordagens compartilham fundamentos pedagógicos idênticos, distinguindo-se apenas na nomenclatura adotada pelos autores.


( ) O modelo técnico-tradicional aproxima-se da perspectiva mecanicista de ensino, enquanto o TGfU sustenta-se em referenciais construtivistas que valorizam a compreensão crítica do jogo.


( ) No TGfU, a aprendizagem ocorre exclusivamente pela repetição técnica, sendo a dimensão reflexiva secundária e pouco relevante.

Alternativas
Q3684555 Educação Física

A BNCC (2018) reposicionou a Educação Física em diálogo com a educação integral e com uma visão de currículo cultural. Darido & Souza Júnior (2019) destacam que essa mudança superou perspectivas reducionistas centradas em rendimento ou higienismo.


Considerando esse debate, qual alternativa é mais precisa?

Alternativas
Q3684554 Educação Física

O debate em torno da periodização do treinamento desportivo ilustra as tensões entre diferentes concepções de adaptação fisiológica, organização temporal das cargas e exigências do rendimento contemporâneo. O modelo clássico proposto por Matveev (1965) estabeleceu ciclos lineares e previsíveis de progressão, ancorados na lógica da preparação gradual e no acúmulo sistemático de cargas. Já autores como Bompa (1999) e Issurin (2008) reavaliaram essa linearidade, introduzindo modelos que enfatizam maior variabilidade, especificidade competitiva e organização concentrada de estímulos.


À luz dessa evolução conceitual, assinale a proposição que melhor traduz a distinção entre esses referenciais: 

Alternativas
Q3684553 Educação Física

Em uma aula de Educação Física, uma professora propõe um circuito motor envolvendo saltos, equilíbrios e jogos de cooperação. Ela observa que alguns alunos reorganizam seus movimentos de forma autônoma, ajustando estratégias conforme suas próprias tentativas e erros. Outros, porém, só conseguem avançar quando recebem orientação de colegas mais experientes, que explicam regras, demonstram movimentos e auxiliam durante a execução.



Considerando as teorias de Piaget e Vygotsky sobre desenvolvimento e aprendizagem motora, assinale a alternativa mais consistente:

Alternativas
Q3684552 Educação Física
O debate pedagógico em Educação Física nas décadas de 1960-70 foi marcado pelo predomínio do tecnicismo, centrado em padrões motores fragmentados e na reprodução mecânica de gestos. O Coletivo de Autores (1992), com a proposta crítico-superadora, introduziu outra matriz epistemológica, ao compreender a prática corporal em diálogo com cultura, história e sociedade. Considerando essas perspectivas, assinale a alternativa mais consistente:
Alternativas
Q3684551 Educação Física
A marcha humana é um movimento cíclico que combina fases de apoio e balanço, com implicações para estabilidade postural, absorção de impacto e economia energética. Estudos de Winter (2009) e Neumann (2017) reforçam que a fase de apoio apresenta variações funcionais de acordo com os submomentos do ciclo. Considerando essas evidências, assinale a alternativa mais precisa: 
Alternativas
Q3684550 Educação Física

A BNCC (2018) ressignifica a Educação Física no currículo da Educação Básica, afastando-se de concepções reducionistas e aproximando-se de referenciais críticos e culturais. Analise as proposições abaixo, à luz desse documento e da literatura especializada (Darido & Souza Júnior, 2019; Betti & Zuliani, 2020), e marque V (verdadeiro) ou F (falso):



( ) A BNCC compreende a cultura corporal como patrimônio histórico e simbólico, articulando práticas corporais a dimensões de diversidade cultural, crítica e inclusão.


( ) O documento reafirma a centralidade da aptidão física biomédica, elegendo a prevenção de doenças como objetivo nuclear da Educação Física escolar.


( ) O texto orientador destaca a vivência e a problematização de jogos, esportes, lutas, danças e ginásticas como práticas culturais, sem hierarquizá-las em função de rendimento ou utilitarismo.


( ) A BNCC retoma perspectivas militaristas como base metodológica prioritária, definindo a disciplina como instrumento de civismo, padronização corporal e disciplina física.


( ) A concepção de currículo proposta pelo documento sustenta a Educação Física como espaço de produção de sentidos, reconhecendo o corpo como linguagem e prática socialmente construída.

Alternativas
Q3684549 Educação Física
A análise das alavancas biológicas constitui tema central da biomecânica do movimento humano, permitindo compreender trade-offs entre força, velocidade e amplitude. Autores como Hall (2018) e Hamill & Knutzen (2015) apontam que a eficiência das alavancas não se resume à vantagem mecânica, mas envolve adaptações funcionais que favorecem o desempenho em contextos distintos. Considerando a configuração das alavancas de terceira ordem, assinale a alternativa mais consistente:
Alternativas
Q3684548 Educação Física
No campo da fisiologia do exercício, a literatura contemporânea (Brooks, Fahey & Baldwin, 2022; Joyner & Coyle, 2008) tem problematizado explicações simplistas sobre desempenho aeróbico, destacando que múltiplos fatores interagem de modo dinâmico. Nesse contexto, assinale a alternativa mais consistente com o consenso atual:
Alternativas
Respostas
6201: D
6202: B
6203: A
6204: D
6205: A
6206: D
6207: C
6208: A
6209: D
6210: B
6211: A
6212: E
6213: D
6214: B
6215: C
6216: E
6217: C
6218: B
6219: D
6220: A