Questões de Concurso
Para if-pa
Foram encontradas 4.992 questões
Resolva questões gratuitamente!
Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!
(Fragmento)
Plantador de cana verde
das terras de Abaetetuba,
por que só tu quem trabalha,
por que teu filho não estuda?
Plantador de cana verde
das terras de Abaetetuba?
Teus braços plantam doçuras
colhem braçadas de dor.
O sol que te cresta a pele
doura a praia do Senhor.
Teus braços plantam doçuras
colhem braçadas de dor.
Tuas mãos acendem esperanças
de um certo verde esplendor.
E um verde mar que propagas,
um doce mar, Plantador.
Tuas mãos acendem doçuras
de um certo verde esplendor.
Não vês, porém que esta cana
é cano cruel que aponta
o lucro de teu patrão
para teu lar que não janta?
Não vês, porém que esta cana
é cano cruel que aponta?
(...)
Abaixo há três fragmentos retirados da obra de Carolina de Jesus nos quais ela narra sua história, apresentando alguns problemas quanto à norma culta, e que muitos deles se aproximam do linguajar oral. Identifique a opção que expressa esses trechos, mas de acordo com o que seria exigido pela norma padrão da língua portuguesa.
“Avisei as crianças que não tinha pão. Que tomassem café simples e comesse carne com farinha. (...) e os 13 cruzeiros não dava!” (JESUS, 2014, p. 10).
“Quando iniciei outro surgiu os filhos pedindo pão” (JESUS, 2014, p. 11).
“E lhe chinguei interiormente. Se estou gravida não é de sua conta. Tenho pavor destas mulheres da favela. Tudo quer saber!” (JESUS, 2014, p. 12).
Aponte a alternativa abaixo com obras de autores do Realismo ou do Realismo-Naturalismo brasileiro, ou seja, que apresentem essas características apontadas por Bosi:
Leia o poema “Pai João”, de Bruno de Menezes (1993, p. 223, 224), para fazer a questão que se segue.
Pai João sonolento e bambo na pachorra da idade
cisma no tempo de ontem.
De olhos vendo o passado recorda o veterano
a vida brasileira que êle viu e gosou e viveu!
Mãe Maria contou que o pai dele era escravo...
Moleque sagica e teso, destro e afoito num rôlo,
Pai João teve fama da capoeira e navalhista.
Êita!... Era o pé comendo,
quando a banda marcial saía à rua,
com tanto soldado de calça encarnada.
E rabo-de-arraia, cabeçada na polícia,
xadrez, desordens, furdunço no cortiço
e o ronco e o retumbo do zonzo som molengo do carimbó:
“Juvená
Juvená!
Arrebate
esta faca
Juvená!
Arrebate
esta faca
Juvená!”
De amores... uma anagua de renda engomada,
um cabeção pulando nos bicos duns peitos,
umas sandalias brancas bem na pontinha dum pé.
E o rebolo bolinante dos quartos roliços da Chica Cheirosa...
E a guerra do Paraguai! Recrutamento!
Gurjão! Osório! Duque de Caxias!
Itororó! Tuiutí! Laguna!
E não sabia nem o que era monarquia!
... Agora, sonolento e bambo,
tendo em capuchos a trunfa,
Pai João ao recordar a vida brasileira,
que êle viu e gosou e viveu,
diz do Brasil de ontem:
Ah! Meu tempo!...
O texto de Bruno de Menezes faz alguns recortes da vida de Pai João, que também é título do poema pertencente à obra Batuque, publicada a primeira vez em 1931 e cuja grafia está de acordo com a edição de 1993, conforme o original. Observe o verso 21: “E não sabia nem o que era monarquia!”, o qual marca uma mudança no tom ameno do poema. Levandose em conta a importância desse verso, o que se pode afirmar acerca do poema como um todo é que:
O professor Paulo Maués Corrêa (2011, p. 1, 2) fez um estudo do conto “Cachorro Doido” (junto a outro), destacando que esses contos constituem histórias que retratam “a iniciação sexual (...). Porém ‘Cachorro Doido’ é o único texto em que há a deflagração de um relacionamento entre personagens do mesmo sexo, vivenciado por Carlão e Luizinho. Este, novo no colégio, é questionado por aquele, que, alegando a suspeita que recairia sobre o nome do outro – Luizinho –, afirma-lhe que é melhor arranjar-lhe um apelido que afaste qualquer dúvida quanto à sua ‘personalidade’, pois mesmo o seu nome sem o diminutivo não é adequado, muito menos o aumentativo: ‘Não. Luizão não combina com o teu corpo, que é magro pra caralho’ (...). A primeira possibilidade que surge é Acapu, opção logo abandonada em favor de Cachorro Doido (1986, p. 17)”.
O trecho seguinte apresenta a parte inicial da narrativa, em que Luizinho – personagem que se mostra efeminado –, após conhecer Carlão, fica perturbado e, ao mesmo tempo, atraído pela personalidade forte e decidida do novo amigo:
“(...) A campainha interrompeu aquele encontro de reconhecimento, mas Luizinho não se concentrava na aula, estava ali mas não estava, ficou o tempo todo espiando o Carlão sentado mais à frente, o cabelo arrepiado, parece que não usava pente, a camisa desmazelada por fora da calça, o sapato sujo de lama e a cara de homem acostumado, no corpo de menino. Quando se despediram, convidou: – Carlão, tu vai lá em casa, a gente estuda junto. A casa é grande, não tem barulho, ninguém incomoda. O endereço está aqui. Tu vai? Hoje? A que horas? Se tu puder tu vai logo depois do almoço. (MARANHÃO, 1986, p. 17)”.
Se formos fazer uma leitura atenta do fragmento do conto de Haroldo Maranhão acima, juntamente com as informações de Paulo Maués Corrêa (2011, p. 1, 2), poderemos considerar como correta a afirmativa:
Os trechos dos poemas abaixo pertencem a poetas que fazem parte da primeira fase do movimento modernista brasileiro, alguns deles arrolados no texto de Sodré, menos um. Identifique-o nos trechos a seguir, marcando apenas uma alternativa:
Leia o poema “Igreja”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.
Tijolo
areia
andaime
água
tijolo.
O canto dos homens trabalhando trabalhando
mais perto do céu
cada vez mais perto
mais
— a torre.
E nos domingos a litania dos perdões, o murmúrio das invocações.
O padre que fala do inferno
sem nunca ter ido lá.
Pernas de seda ajoelham mostrando geolhos.
Um sino canta a saudade de qualquer coisa sabida e já esquecida.
A manhã pintou-se de azul.
No adro ficou o ateu,
no alto fica Deus.
Domingo...
Bem bão! Bem bão!
Os serafins, no meio, entoam quii ieleisão.
Após ler o poema modernista de Carlos Drummond de Andrade, observe que o poeta empregou um arcaísmo – “geolhos” – no quarto verso da segunda estrofe, o qual resultaria hoje na palavra joelhos. Identifique o processo de mudança ocorrida nesse vocábulo, marcando a opção que considera correta:
Leia o texto abaixo e, depois, identifique a única opção na qual todas as informações condizem com as características nele presentes.
Cãtyga sua partindosse
Senhora, partem tã tristes
meus olhos por vos, meu bẽ,
que nũca tã tristes vistes
outros nenhũs por ninguem.
Tã tristes, tam saudosos,
tam doentes da partyda,
tam cansados, tã chorosos,
da morte mays desejosos
cem myl vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora desperar bem,
que nũca tam trystes vistes
outros nenhũs por ninguem.
(João de Ruiz de Castelo Branco)
“Ora, a língua passa a integrar a vida através de enunciados concretos (que a realizam); é igualmente através de enunciados concretos que a vida entra na língua. O enunciado é um núcleo problemático de importância excepcional”. (BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In: BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Tradução de Paulo Bezerra. 6. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011, p. 265.)
Dentre as alternativas abaixo, uma apresenta corretamente o conceito de enunciado, de acordo com a perspectiva bakhtiniana (BAKHTIN, 2011):
Sobre os gêneros midiáticos, é correto afirmar que:
A Base Nacional Comum Curricular de Língua Portuguesa para o Ensino Médio (BRASIL, 2018) define a progressão das aprendizagens e habilidades considerando alguns pontos. O ponto da BNCC que mais se aproxima à temática discutida na citação acima é:
“Saussure deixou claro, em sua obra, que língua e fala são universos distintos, embora interrelacionados. Levando isso em conta, os estudos variacionistas têm especial importância, pois acabam sugerindo que língua e fala estão mais que inter-relacionadas, uma vez que a relação entre elas parece ser de interdependência. Em PB [Português Brasileiro], podemos usar as variantes “beijo” e “bejo”, “cheiro” e “chero”, “queixo” e “quexo”, “treino” e “treno”, mas não podemos fazer variações entre “jeito” e “*jeto”, “peito” e “*peto”. As variações individuais no momento da fala parecem então estar limitadas por regras sistemáticas que caracterizam o português.” (BELINE, R. A variação linguística. In: FIORIN, J. L. (org.). Introdução à linguística: objetos teóricos. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2018, p. 138).
Os exemplos apresentados por Beline (2018), na citação acima, são de:
“(...) Já para a vogal átona final, seguida ou não de /s/ no mesmo vocábulo, há a __________ entre /o/ e /u/ e entre /e/ e /i/. Assim, Bilac rima Argus com largos, Venus com serenos, e um poeta paranaense [sic.], como Cruz e Souza, rima o lat. clamavi com nave, o it. Bellini com define (CAMARA, 1953:129s)”. (CAMARA JR, J. M. Estrutura da Língua Portuguesa. 44. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011, p. 44).
“O conceito de _____________ foi introduzido e desenvolvido na década de 1930 pelos linguistas do leste europeu ligados à Escola de Praga, especialmente o linguista russo Nicolai Trubetzkoy. A existência da ______________ é uma forte indicação de que a fonologia de uma língua tem a ver com o comportamento dos sons e com seu enquadramento num padrão (patterning), e não com seu valor fonético absoluto”. (TRASK, R. L. Dicionário de linguagem e linguística. Tradução de Rodolfo Ilari. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2006, p. 205).
O fenômeno sobre o qual os autores discorrem nas citações acima é também bastante presente nas aulas de Língua Portuguesa uma vez que influencia na ocorrência de casos de desvios ortográficos em produções escritas de alunos da Educação Básica. Dessa forma, assinale a alternativa com o nome do fenômeno que preenche corretamente as lacunas das citações:
Para Marcuschi (2012), os fatores de conexão conceitual-cognitiva dos textos podem ser de relações lógicas e de modelos cognitivos globais. Para o autor, as relações lógicas são construídas por meio de:
Assinale a alternativa que apresenta o estabelecimento da coesão textual por meio de próformas nominais:
Leia o texto abaixo:
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio) abriu ontem a coletiva “Terra em Tempos: Fotografias do Brasil”, com 270 fotografias de 120 artistas, incluindo os paraenses Rosário Lima, Guy Veloso, Luiz Braga, Paulo Amorim, Paula Sampaio e Elza Lima, além do português Felipe Fidanza, que atuou como fotógrafo em Belém no século 19. A curadoria de Beatriz Lemos estabelece sete eixos temáticos que discutem as construções de identidade, cultura e história do Brasil, a partir do acervo da instituição. (...) Segundo Beatriz Lemos, uma mostra como “Terra em Tempos”, que se propõe a discutir identidade nacional a partir da fotografia, não poderia deixar de fora imagens de fotógrafos paraenses pertencentes ao acervo do MAM-Rio. “Reunir fotógrafos com diversas perspectivas e territorialidades nos ajudou a compor um cenário de tensões, contrariedades e aproximações inesperadas. Nesse sentido, trazer fotógrafas e fotógrafos paraenses - Estado onde a fotografia exerce uma forte influência em todo o país -, era fundamental para levantar reflexões sobre cultura, história e memória”, destaca. (...) (Fonte: AZEVEDO, Lais. Museu de Arte Moderna do Rio inclui obras de paraenses. 27/03/2022. Disponível em: https://dol.com.br/entretenimento/cultura/704738/museu-de-arte-moderna-do-rio-incluiobras-de-paraenses?d=1. Acesso em 29 mar. 2022).
Após ler o excerto, marque a alternativa em que se apresenta corretamente o recurso expressivo da língua, a descrição do recurso e o efeito de sentido construído com o uso desse recurso no texto:
Um dos tópicos da matriz de referência de Língua Portuguesa do Saeb para o 3º ano do Ensino Médio é “relações entre recursos expressivos e efeitos de sentido”. A alternativa que apresenta um descritor que está relacionado a este tópico é: