Jogos Infantis (1986) é uma coletânea de contos de Haroldo M...
O professor Paulo Maués Corrêa (2011, p. 1, 2) fez um estudo do conto “Cachorro Doido” (junto a outro), destacando que esses contos constituem histórias que retratam “a iniciação sexual (...). Porém ‘Cachorro Doido’ é o único texto em que há a deflagração de um relacionamento entre personagens do mesmo sexo, vivenciado por Carlão e Luizinho. Este, novo no colégio, é questionado por aquele, que, alegando a suspeita que recairia sobre o nome do outro – Luizinho –, afirma-lhe que é melhor arranjar-lhe um apelido que afaste qualquer dúvida quanto à sua ‘personalidade’, pois mesmo o seu nome sem o diminutivo não é adequado, muito menos o aumentativo: ‘Não. Luizão não combina com o teu corpo, que é magro pra caralho’ (...). A primeira possibilidade que surge é Acapu, opção logo abandonada em favor de Cachorro Doido (1986, p. 17)”.
O trecho seguinte apresenta a parte inicial da narrativa, em que Luizinho – personagem que se mostra efeminado –, após conhecer Carlão, fica perturbado e, ao mesmo tempo, atraído pela personalidade forte e decidida do novo amigo:
“(...) A campainha interrompeu aquele encontro de reconhecimento, mas Luizinho não se concentrava na aula, estava ali mas não estava, ficou o tempo todo espiando o Carlão sentado mais à frente, o cabelo arrepiado, parece que não usava pente, a camisa desmazelada por fora da calça, o sapato sujo de lama e a cara de homem acostumado, no corpo de menino. Quando se despediram, convidou: – Carlão, tu vai lá em casa, a gente estuda junto. A casa é grande, não tem barulho, ninguém incomoda. O endereço está aqui. Tu vai? Hoje? A que horas? Se tu puder tu vai logo depois do almoço. (MARANHÃO, 1986, p. 17)”.
Se formos fazer uma leitura atenta do fragmento do conto de Haroldo Maranhão acima, juntamente com as informações de Paulo Maués Corrêa (2011, p. 1, 2), poderemos considerar como correta a afirmativa: