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Totens de segurança: ES vai instalar 40 botões de emergência nas ruas da Grande Vitória
São equipamentos compostos por câmeras e botões de alerta pelos quais uma pessoa pode, por exemplo, ligar diretamente para o 190
O governo do Estado vai implantar 40 totens de segurança em pontos estratégicos da Região Metropolitana da Grande Vitória, exceto Fundão. São equipamentos compostos por câmeras e botões de alerta pelos quais uma pessoa pode, por exemplo, ligar diretamente para o 190, caso tenha o celular roubado ou tenha presenciado algum outro tipo de crime. Será uma espécie de “posto policial eletrônico”. A ideia foi apresentada pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) à Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e anunciada pelo titular da pasta, Leonardo Damasceno. O investimento é de R$ 19,3 milhões. Cada estrutura tem 4 metros de altura, vigilância ativa, comunicação com a população, inteligência artificial ativa, giroflex, câmeras 360 graus, mensagens automáticas de campanha de emergência e central de monitoramento 24 horas.
(Disponível em: https://www.agazeta.com.br/es. Acesso em: julho de 2025.)
Comissão aprova política para incentivar atividades físicas de pessoas idosas
A Política Nacional Vida Ativa para a Pessoa Idosa será de responsabilidade do governo federal e dos governos estaduais e do DF
A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados aprovou projeto que cria a Política Nacional Vida Ativa para a Pessoa Idosa, com o objetivo de ampliar o acesso da população idosa a atividades físicas, esportivas, recreativas e de lazer. Foi aprovado o substitutivo do relator, deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF), para o Projeto de Lei nº 2527/24, do deputado Luiz Couto (PT-PB). Entre os objetivos da política estão: promover a saúde e o bem-estar da população idosa; incentivar o protagonismo e a presença de idosos em espaços públicos; contribuir para o direito a uma vida saudável e ativa; e facilitar o acesso a meios e equipamentos para atividades físicas, esportivas, recreativas e de lazer.
(Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias. Acesso em: julho de 2025.)
Tendo em vista que o operador de máquinas comprou 100 itens e pagou o valor de R$ 351,75, quantas peças de cada tipo foram adquiridas?
Considerando que a disposição dos símbolos segue uma sequência lógica, o símbolo que está faltando na imagem é representado por:
Considere que para o encaixe da peça na máquina será necessário realizar uma simetria de reflexão, segundo um eixo vertical. Assinale, a seguir, a posição em que a peça ficará no motor.
Quem me dera (mas Deus me livre)
Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.
Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.
Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.
Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.
Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.
O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.
E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.
Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.
Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!
Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.
O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.
Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.
Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.
(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Quem me dera (mas Deus me livre)
Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.
Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.
Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.
Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.
Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.
O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.
E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.
Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.
Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!
Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.
O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.
Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.
Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.
(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Quem me dera (mas Deus me livre)
Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.
Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.
Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.
Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.
Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.
O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.
E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.
Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.
Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!
Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.
O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.
Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.
Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.
(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Quem me dera (mas Deus me livre)
Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.
Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.
Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.
Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.
Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.
O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.
E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.
Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.
Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!
Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.
O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.
Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.
Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.
(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Quem me dera (mas Deus me livre)
Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.
Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.
Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.
Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.
Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.
O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.
E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.
Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.
Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!
Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.
O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.
Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.
Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.
(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Quem me dera (mas Deus me livre)
Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.
Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.
Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.
Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.
Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.
O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.
E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.
Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.
Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!
Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.
O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.
Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.
Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.
(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Quem me dera (mas Deus me livre)
Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.
Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.
Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.
Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.
Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.
O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.
E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.
Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.
Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!
Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.
O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.
Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.
Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.
(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Quem me dera (mas Deus me livre)
Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.
Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.
Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.
Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.
Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.
O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.
E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.
Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.
Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!
Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.
O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.
Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.
Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.
(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)