Questões de Concurso Para prefeitura de cristalândia do piauí - pi

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Q3788618 História e Geografia de Estados e Municípios
O processo histórico de ocupação do território de Cristalândia do Piauí foi impulsionado pela pecuária extensiva e pelo extrativismo mineral, especialmente de cristal de quartzo, cuja abundância deu origem ao nome do município. Essa exploração mineral estruturou a base econômica local, sendo ainda hoje o principal vetor de desenvolvimento e geração de renda municipal.
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Q3788617 História e Geografia de Estados e Municípios
Os primeiros moradores do local que viria a se tornar Cristalândia do Piauí reuniram-se em torno de uma capela erguida em homenagem a Nossa Senhora Sant’Ana. Essa capela foi construída por iniciativa popular e sua imagem foi entronizada por um religioso identificado como Padre Eliseu César Messias Cavalcante. Essa fase inicial caracteriza-se pelo predomínio de famílias vindas do Ceará, atraídas pela fertilidade das terras.
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Q3788616 História e Geografia de Estados e Municípios
Embora o Hino de Cristalândia do Piauí apresente temática voltada ao orgulho cívico e à exaltação do trabalho e da natureza, sua estrutura não pode ser considerada inteiramente formal no padrão clássico dos hinos, pois, além de incluir referências religiosas implícitas, alterna métricas e rimas de maneira não uniforme. Esse aspecto poético reflete mais um caráter popular que estritamente oficial, aproximando-o de cantos tradicionais da região. 
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Q3788615 História e Geografia de Estados e Municípios
Nos primeiros anos após a emancipação, Cristalândia do Piauí apresentava baixa participação popular nas decisões políticas, fenômeno explicado pelo contexto histórico da época. Apesar de a Constituição de 1946 já prever formas de representação municipal, conselhos deliberativos locais ainda não eram obrigatórios para cidades recém-criadas, e a administração inicial se concentrou em um modelo centralizador.
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Q3788614 História e Geografia de Estados e Municípios
Embora a posição geográfica de Cristalândia do Piauí favoreça a integração com corredores comerciais oriundos do estado da Bahia, a historiografia regional indica que, por razões políticas e administrativas, a conexão dominante até a primeira metade do século XX foi com a capital piauiense. Dado esse panorama, afirmar que a proximidade com a Bahia exerceu influência predominante no período inicial da formação econômica do município constitui uma interpretação historicamente fiel.
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Q3788613 Conhecimentos Gerais
A política nacional de inclusão social, ao tratar de minorias vulnerabilizadas, busca garantir igualdade formal e material. Entretanto, ao reconhecer juridicamente a existência de grupos específicos — como povos indígenas, comunidades quilombolas e pessoas LGBTQIA+ — e prever ações afirmativas direcionadas, pode ser interpretada como promotora de privilégios legais, já que cria direitos distintos e permanentes a determinados grupos sociais, o que, segundo alguns críticos, comprometeria o princípio da isonomia previsto na Constituição.
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Q3788612 Direitos Humanos
O Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3 (Decreto nº 7.037/2009) estruturou-se em eixos que contemplam desde a promoção dos direitos até a participação social e a memória histórica, sendo instrumento normativo de execução obrigatória por todos os entes federados. Sua principal inovação foi transformar recomendações internacionais em obrigações internas automáticas, evitando necessidade de regulamentação legislativa posterior, o que garante maior eficácia no cumprimento de tratados internacionais de direitos humanos.
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Q3788611 Direito Constitucional
No Brasil, o sistema presidencialista adotado pela Constituição de 1988 garante ao Executivo amplos poderes na formulação de políticas públicas, sendo o Presidente responsável não apenas por sancionar leis e executar políticas, mas também por determinar unilateralmente o conteúdo e a forma de programas nacionais. Essa concentração é atenuada pela atuação do Legislativo, que, ao aprovar o orçamento e criar comissões temáticas permanentes, interfere diretamente na fase de implementação, podendo, inclusive, vetar decretos presidenciais que extrapolem o poder regulamentar.
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Q3788610 Administração Pública
No ciclo de políticas públicas, as etapas de agenda e formulação são diretamente influenciadas pela capacidade técnica e financeira do ente executor. Assim, em sistemas federativos descentralizados, como o brasileiro, a etapa de implementação tende a ser menos dependente de decisões políticas centrais e mais sensível às prioridades locais. Essa característica reforça o princípio da descentralização, mas pode enfraquecer o alinhamento entre programas nacionais e metas pactuadas, sobretudo quando os mecanismos de monitoramento federal não têm caráter coercitivo.
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Q3788609 Administração Pública
A concepção contemporânea de políticas públicas, ao ser institucionalizada no Brasil como política de Estado — e não apenas de governo — implica reconhecer que sua continuidade independe da alternância partidária e que sua avaliação deve privilegiar resultados de longo prazo. No entanto, ao tratar especificamente das políticas de Direitos Humanos, a Constituição Federal de 1988, apesar de seu caráter democrático e garantidor, delega majoritariamente aos entes federados a formulação e execução autônoma dessas políticas, sem impor mecanismos nacionais de coordenação ou de controle federativo, o que explica as disparidades regionais.
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Q3788608 Português
Não espalha

        Prendemo-nos ao "eu te amo" como se fosse uma convenção inadiável, uma etiqueta implacável. Seu pronunciamento é uma sentença obrigatória, uma sondagem diária da fidelidade.

        Há aqueles que não saem de casa se o cônjuge não retribui as palavrinhas mágicas.

        Não sou adepto dessa birra e chantagem com Beatriz. Que ela simplesmente me ame, sem depender de provas, sem se ver ameaçada por testes quantitativos.

        Circula uma tirania de que precisamos falar sempre, para que a companhia não tenha dúvidas daquilo que sentimos.

        Mas a jura não é tão importante quanto demonstrar amor. E você pode expressar o carinho silenciosamente, a lealdade secretamente.

        Ou seja, é preferível proteger, confiar e selar a empatia em atos de confluência a gritar votos aos quatro ventos.

      O que vale é agir amorosamente, é se preocupar amorosamente, é se interessar pelo outro, é suprir o seu par com atenção, é trocar a saudade pela gentileza.

        E, de repente, quem ama muito nem diz "eu te amo", economiza no "eu te amo", porém é abundante na prática da reciprocidade. É alguém que não se nega a estar perto, acessível, consciente de sua influência.

        Temos que observar mais o exemplo do que as declarações: se a pessoa admira você, se a pessoa incentiva você, se a pessoa elogia você, se a pessoa ampara você, se a pessoa escuta você.

        Esse arcabouço de comportamentos deve prevalecer no romance. Não queira que o seu parceiro diga a todo momento o que ele mesmo já realiza naturalmente. É redundância.

        Recordo um diálogo que vivi com a minha filha, quando ela tinha 11 anos.

        Na hora de dar boa-noite, reparei que ela estava encabulada e arredia comigo. Tentei me aproximar.

        − O que houve?

        − Eu não sei se te amo. Não sei o que é amor − ela me disse.

        Não me senti mal. Não me senti desvalorizado. Quem nunca se perguntou isso?

        Há dias em que parece que você ama mais. Há dias em que parece que você ama menos. Há dias em que você se esquece de amar. Há dias em que você ama em dobro.

        Lembro que fiz carinho na sua cabeça, cantei "O Leãozinho", de Caetano, e permaneci ao seu lado até que adormecesse.

        Quando jurei que ela já tinha apagado e não estava mais me ouvindo, confidenciei:

        − Amar é só gostar de ficar junto, filha.

        Ela, inesperadamente, respondeu:

        − Então, eu te amo, pai, mas não espalha.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2024/11/29/nao-espalha
No excerto “Há dias em que parece que você ama mais. Há dias em que parece que você ama menos. Há dias em que você se esquece de amar.”, a concordância verbal está adequada, embora o uso reiterado do verbo “haver” no sentido de existir exija flexão plural para manter a harmonia com os termos “dias”, que aparecem no plural.
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Q3788607 Português
Não espalha

        Prendemo-nos ao "eu te amo" como se fosse uma convenção inadiável, uma etiqueta implacável. Seu pronunciamento é uma sentença obrigatória, uma sondagem diária da fidelidade.

        Há aqueles que não saem de casa se o cônjuge não retribui as palavrinhas mágicas.

        Não sou adepto dessa birra e chantagem com Beatriz. Que ela simplesmente me ame, sem depender de provas, sem se ver ameaçada por testes quantitativos.

        Circula uma tirania de que precisamos falar sempre, para que a companhia não tenha dúvidas daquilo que sentimos.

        Mas a jura não é tão importante quanto demonstrar amor. E você pode expressar o carinho silenciosamente, a lealdade secretamente.

        Ou seja, é preferível proteger, confiar e selar a empatia em atos de confluência a gritar votos aos quatro ventos.

      O que vale é agir amorosamente, é se preocupar amorosamente, é se interessar pelo outro, é suprir o seu par com atenção, é trocar a saudade pela gentileza.

        E, de repente, quem ama muito nem diz "eu te amo", economiza no "eu te amo", porém é abundante na prática da reciprocidade. É alguém que não se nega a estar perto, acessível, consciente de sua influência.

        Temos que observar mais o exemplo do que as declarações: se a pessoa admira você, se a pessoa incentiva você, se a pessoa elogia você, se a pessoa ampara você, se a pessoa escuta você.

        Esse arcabouço de comportamentos deve prevalecer no romance. Não queira que o seu parceiro diga a todo momento o que ele mesmo já realiza naturalmente. É redundância.

        Recordo um diálogo que vivi com a minha filha, quando ela tinha 11 anos.

        Na hora de dar boa-noite, reparei que ela estava encabulada e arredia comigo. Tentei me aproximar.

        − O que houve?

        − Eu não sei se te amo. Não sei o que é amor − ela me disse.

        Não me senti mal. Não me senti desvalorizado. Quem nunca se perguntou isso?

        Há dias em que parece que você ama mais. Há dias em que parece que você ama menos. Há dias em que você se esquece de amar. Há dias em que você ama em dobro.

        Lembro que fiz carinho na sua cabeça, cantei "O Leãozinho", de Caetano, e permaneci ao seu lado até que adormecesse.

        Quando jurei que ela já tinha apagado e não estava mais me ouvindo, confidenciei:

        − Amar é só gostar de ficar junto, filha.

        Ela, inesperadamente, respondeu:

        − Então, eu te amo, pai, mas não espalha.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2024/11/29/nao-espalha
Ao afirmar que “há aqueles que não saem de casa se o cônjuge não retribui as palavrinhas mágicas”, o autor utiliza corretamente a forma verbal “há” no singular, mas comete erro de concordância nominal ao empregar “as palavrinhas mágicas” em um contexto que exige a flexão de “mágicas” para o singular, já que se refere à expressão única “eu te amo”.
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Q3788606 Português
Não espalha

        Prendemo-nos ao "eu te amo" como se fosse uma convenção inadiável, uma etiqueta implacável. Seu pronunciamento é uma sentença obrigatória, uma sondagem diária da fidelidade.

        Há aqueles que não saem de casa se o cônjuge não retribui as palavrinhas mágicas.

        Não sou adepto dessa birra e chantagem com Beatriz. Que ela simplesmente me ame, sem depender de provas, sem se ver ameaçada por testes quantitativos.

        Circula uma tirania de que precisamos falar sempre, para que a companhia não tenha dúvidas daquilo que sentimos.

        Mas a jura não é tão importante quanto demonstrar amor. E você pode expressar o carinho silenciosamente, a lealdade secretamente.

        Ou seja, é preferível proteger, confiar e selar a empatia em atos de confluência a gritar votos aos quatro ventos.

      O que vale é agir amorosamente, é se preocupar amorosamente, é se interessar pelo outro, é suprir o seu par com atenção, é trocar a saudade pela gentileza.

        E, de repente, quem ama muito nem diz "eu te amo", economiza no "eu te amo", porém é abundante na prática da reciprocidade. É alguém que não se nega a estar perto, acessível, consciente de sua influência.

        Temos que observar mais o exemplo do que as declarações: se a pessoa admira você, se a pessoa incentiva você, se a pessoa elogia você, se a pessoa ampara você, se a pessoa escuta você.

        Esse arcabouço de comportamentos deve prevalecer no romance. Não queira que o seu parceiro diga a todo momento o que ele mesmo já realiza naturalmente. É redundância.

        Recordo um diálogo que vivi com a minha filha, quando ela tinha 11 anos.

        Na hora de dar boa-noite, reparei que ela estava encabulada e arredia comigo. Tentei me aproximar.

        − O que houve?

        − Eu não sei se te amo. Não sei o que é amor − ela me disse.

        Não me senti mal. Não me senti desvalorizado. Quem nunca se perguntou isso?

        Há dias em que parece que você ama mais. Há dias em que parece que você ama menos. Há dias em que você se esquece de amar. Há dias em que você ama em dobro.

        Lembro que fiz carinho na sua cabeça, cantei "O Leãozinho", de Caetano, e permaneci ao seu lado até que adormecesse.

        Quando jurei que ela já tinha apagado e não estava mais me ouvindo, confidenciei:

        − Amar é só gostar de ficar junto, filha.

        Ela, inesperadamente, respondeu:

        − Então, eu te amo, pai, mas não espalha.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2024/11/29/nao-espalha
No trecho “...é se preocupar amorosamente, é se interessar pelo outro...”, observa-se que tanto o verbo “preocupar-se” quanto o verbo “interessar-se” mantêm regência correta ao exigirem complemento preposicionado, ainda que a forma reflexiva seja desnecessária para assegurar a transitividade de ambos.
Alternativas
Q3788605 Português
Não espalha

        Prendemo-nos ao "eu te amo" como se fosse uma convenção inadiável, uma etiqueta implacável. Seu pronunciamento é uma sentença obrigatória, uma sondagem diária da fidelidade.

        Há aqueles que não saem de casa se o cônjuge não retribui as palavrinhas mágicas.

        Não sou adepto dessa birra e chantagem com Beatriz. Que ela simplesmente me ame, sem depender de provas, sem se ver ameaçada por testes quantitativos.

        Circula uma tirania de que precisamos falar sempre, para que a companhia não tenha dúvidas daquilo que sentimos.

        Mas a jura não é tão importante quanto demonstrar amor. E você pode expressar o carinho silenciosamente, a lealdade secretamente.

        Ou seja, é preferível proteger, confiar e selar a empatia em atos de confluência a gritar votos aos quatro ventos.

      O que vale é agir amorosamente, é se preocupar amorosamente, é se interessar pelo outro, é suprir o seu par com atenção, é trocar a saudade pela gentileza.

        E, de repente, quem ama muito nem diz "eu te amo", economiza no "eu te amo", porém é abundante na prática da reciprocidade. É alguém que não se nega a estar perto, acessível, consciente de sua influência.

        Temos que observar mais o exemplo do que as declarações: se a pessoa admira você, se a pessoa incentiva você, se a pessoa elogia você, se a pessoa ampara você, se a pessoa escuta você.

        Esse arcabouço de comportamentos deve prevalecer no romance. Não queira que o seu parceiro diga a todo momento o que ele mesmo já realiza naturalmente. É redundância.

        Recordo um diálogo que vivi com a minha filha, quando ela tinha 11 anos.

        Na hora de dar boa-noite, reparei que ela estava encabulada e arredia comigo. Tentei me aproximar.

        − O que houve?

        − Eu não sei se te amo. Não sei o que é amor − ela me disse.

        Não me senti mal. Não me senti desvalorizado. Quem nunca se perguntou isso?

        Há dias em que parece que você ama mais. Há dias em que parece que você ama menos. Há dias em que você se esquece de amar. Há dias em que você ama em dobro.

        Lembro que fiz carinho na sua cabeça, cantei "O Leãozinho", de Caetano, e permaneci ao seu lado até que adormecesse.

        Quando jurei que ela já tinha apagado e não estava mais me ouvindo, confidenciei:

        − Amar é só gostar de ficar junto, filha.

        Ela, inesperadamente, respondeu:

        − Então, eu te amo, pai, mas não espalha.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2024/11/29/nao-espalha
No trecho “Temos que observar mais o exemplo do que as declarações”, a construção do período é sintaticamente correta, mas apresenta ambiguidade estrutural, uma vez que a oração subordinada introduzida por “do que” pode ser interpretada tanto como elemento comparativo quanto como adjunto adverbial de intensidade, o que compromete sua clareza sem o contexto ampliado.
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Q3788604 Português
Não espalha

        Prendemo-nos ao "eu te amo" como se fosse uma convenção inadiável, uma etiqueta implacável. Seu pronunciamento é uma sentença obrigatória, uma sondagem diária da fidelidade.

        Há aqueles que não saem de casa se o cônjuge não retribui as palavrinhas mágicas.

        Não sou adepto dessa birra e chantagem com Beatriz. Que ela simplesmente me ame, sem depender de provas, sem se ver ameaçada por testes quantitativos.

        Circula uma tirania de que precisamos falar sempre, para que a companhia não tenha dúvidas daquilo que sentimos.

        Mas a jura não é tão importante quanto demonstrar amor. E você pode expressar o carinho silenciosamente, a lealdade secretamente.

        Ou seja, é preferível proteger, confiar e selar a empatia em atos de confluência a gritar votos aos quatro ventos.

      O que vale é agir amorosamente, é se preocupar amorosamente, é se interessar pelo outro, é suprir o seu par com atenção, é trocar a saudade pela gentileza.

        E, de repente, quem ama muito nem diz "eu te amo", economiza no "eu te amo", porém é abundante na prática da reciprocidade. É alguém que não se nega a estar perto, acessível, consciente de sua influência.

        Temos que observar mais o exemplo do que as declarações: se a pessoa admira você, se a pessoa incentiva você, se a pessoa elogia você, se a pessoa ampara você, se a pessoa escuta você.

        Esse arcabouço de comportamentos deve prevalecer no romance. Não queira que o seu parceiro diga a todo momento o que ele mesmo já realiza naturalmente. É redundância.

        Recordo um diálogo que vivi com a minha filha, quando ela tinha 11 anos.

        Na hora de dar boa-noite, reparei que ela estava encabulada e arredia comigo. Tentei me aproximar.

        − O que houve?

        − Eu não sei se te amo. Não sei o que é amor − ela me disse.

        Não me senti mal. Não me senti desvalorizado. Quem nunca se perguntou isso?

        Há dias em que parece que você ama mais. Há dias em que parece que você ama menos. Há dias em que você se esquece de amar. Há dias em que você ama em dobro.

        Lembro que fiz carinho na sua cabeça, cantei "O Leãozinho", de Caetano, e permaneci ao seu lado até que adormecesse.

        Quando jurei que ela já tinha apagado e não estava mais me ouvindo, confidenciei:

        − Amar é só gostar de ficar junto, filha.

        Ela, inesperadamente, respondeu:

        − Então, eu te amo, pai, mas não espalha.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2024/11/29/nao-espalha
O texto "Não espalha", de Fabrício Carpinejar, embora discorra sobre o amor, fundamenta-se em uma crítica sutil ao imediatismo emocional das relações modernas, ao passo que, paradoxalmente, defende o uso reiterado da expressão "eu te amo" como demonstração inequívoca de afeto, o que evidencia uma contradição intencional do autor para provocar o leitor.
Alternativas
Respostas
241: E
242: E
243: C
244: C
245: E
246: E
247: E
248: E
249: C
250: E
251: E
252: E
253: E
254: C
255: E