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Q4129548 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Saudade (Rachel de Queiróz)

Conversávamos sobre saudade. E de repente me apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso independente de qualquer recordação de felicidade ou de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudades de nada. Nem da infância querida, nem sequer das borboletas azuis, Casimiro. Nem mesmo de quem morreu. De quem morreu sinto é a falta, o prejuízo da perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no passado, e sim a presença atual. Saudade será isso? Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não, nem com eles.

A vida é uma coisa que tem que passar, uma obrigação de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura lamentar o tempo em que se devia muito mais.

Queria ter palavras boas, eficientes, para explicar como é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou exprimindo um sentimento real, a humilde, a nua verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude. Meu Deus, acha-me capaz de atitudes, pensa que eu me rebaixaria a isso? Pois então eu lhe digo que essa capacidade de morrer de saudades, creio que ela só afeta a quem não cresceu direito; feito uma cobra que se sentisse melhor na pele antiga, não se acomodasse nunca à pele nova. Mas nós, como é que vamos ter saudades de um trapo velho que não nos cabe mais?

Fala que saudade é sensação de perda. Pois é. E eu lhe digo que, pessoalmente, não sinto que perdi nada. Gastei, gastei tempo, emoções, corpo e alma. E gastar não é perder, é usar até consumir.

E não pense que estou a lhe sugerir tragédias. Tirando a média, não tive quinhão por demais pior que o dos outros. Houve muito pedaço duro, mas a vida é assim mesmo, a uns traz os seus golpes mais cedo e a outros mais tarde; no fim, iguala a todos.

Infância sem lágrimas, amada, protegida. Mocidade, mas a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto que não sabe o que quer, ou quer demais. Qual será, nesta vida, o jovem satisfeito? Um jovem pode nos fazer confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade, nunca. Mocidade é a quadra dramática por excelência, o período dos conflitos, dos ajustamentos penosos, dos desajustamentos trágicos. A idade dos suicídios, dos desenganos e por isso mesmo dos grandes heroísmos. É o tempo em que a gente quer ser dono do mundo, e ao mesmo tempo sente que sobra nesse mesmo mundo. A idade em que se descobre a solidão irremediável de todos os viventes. Em que se pesam os valores do mundo por uma balança emocional, com medidas baralhadas; um quilo às vezes vale menos do que uma grama; e por essas medidas pode-se descobrir a diferença metafísica que há entre uma arroba de chumbo e uma arroba de plumas.

Nem sei mesmo como, entre as inúmeras mentiras do mundo, se consegue manter essa mentira maior de todas: a suposta felicidade dos moços. Por mim, sempre tive pena deles, da sua angústia e do seu desamparo. Enquanto esta idade madura a que chegamos você e eu, é o tempo da estabilidade e das batalhas ganhas. Já pouco se exige, já pouco se espera. E mesmo quando se exige muito, só se espera o possível. Se as surpresas são poucas, poucos também os desenganos. A gente vai se aferrando a hábitos, a pessoas e objetos. Aí, um dos piores tormentos dos jovens é justamente o desapego das coisas, essa instabilidade do querer, a sede do que é novo, o tédio do possuído.

E depois há o capítulo da morte, sempre presente em todas as idades. Com a diferença de que a morte é a amante dos moços e a companheira dos velhos. Para os jovens ela é abismo e paixão. Para nós, foi se tornando pouco a pouco uma velha amiga, a se anunciar devagarinho: o cabelo branco, a preguiça, a ruga no rosto, a vista fraca, os achaques. Velha amiga que vem de viagem e de cada porto nos manda um postal, para indicar que já embarcou.

Não, meu bem, não tenho saudades. Nem sequer do primeiro dia em que nos vimos, daqueles primeiros e atormentados dias de insegurança e deslumbramento. Considero uma benção e um privilégio esse passado que ficou para atrás de nós, vencido. Afinal, já andamos bastante caminho, temos direito ao sossego, a esta desambição, esta paz. Vivemos, não foi? Fizemos muito. E nem por isso deixamos de ainda ter muito o que fazer. A velhice que vai chegar com as suas doenças e trabalhos. E ainda virá a grande crise da morte em que um de nós, necessariamente, terá que ajudar o outro. Espero que aquele que ficar só, embora triste, se sinta tranquilo, na segurança de que a sua vez não tarda. Que aí, só lhe resta a pagar a última prestação.

https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/9127/saudade
"Mocidade, mas a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto que não sabe o que quer, ou quer demais."

Considerando a classe de palavra e o valor semântico que o 'já' adquire na oração acima, identifique a alternativa correta. 
Alternativas
Q4129547 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Saudade (Rachel de Queiróz)

Conversávamos sobre saudade. E de repente me apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso independente de qualquer recordação de felicidade ou de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudades de nada. Nem da infância querida, nem sequer das borboletas azuis, Casimiro. Nem mesmo de quem morreu. De quem morreu sinto é a falta, o prejuízo da perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no passado, e sim a presença atual. Saudade será isso? Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não, nem com eles.

A vida é uma coisa que tem que passar, uma obrigação de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura lamentar o tempo em que se devia muito mais.

Queria ter palavras boas, eficientes, para explicar como é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou exprimindo um sentimento real, a humilde, a nua verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude. Meu Deus, acha-me capaz de atitudes, pensa que eu me rebaixaria a isso? Pois então eu lhe digo que essa capacidade de morrer de saudades, creio que ela só afeta a quem não cresceu direito; feito uma cobra que se sentisse melhor na pele antiga, não se acomodasse nunca à pele nova. Mas nós, como é que vamos ter saudades de um trapo velho que não nos cabe mais?

Fala que saudade é sensação de perda. Pois é. E eu lhe digo que, pessoalmente, não sinto que perdi nada. Gastei, gastei tempo, emoções, corpo e alma. E gastar não é perder, é usar até consumir.

E não pense que estou a lhe sugerir tragédias. Tirando a média, não tive quinhão por demais pior que o dos outros. Houve muito pedaço duro, mas a vida é assim mesmo, a uns traz os seus golpes mais cedo e a outros mais tarde; no fim, iguala a todos.

Infância sem lágrimas, amada, protegida. Mocidade, mas a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto que não sabe o que quer, ou quer demais. Qual será, nesta vida, o jovem satisfeito? Um jovem pode nos fazer confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade, nunca. Mocidade é a quadra dramática por excelência, o período dos conflitos, dos ajustamentos penosos, dos desajustamentos trágicos. A idade dos suicídios, dos desenganos e por isso mesmo dos grandes heroísmos. É o tempo em que a gente quer ser dono do mundo, e ao mesmo tempo sente que sobra nesse mesmo mundo. A idade em que se descobre a solidão irremediável de todos os viventes. Em que se pesam os valores do mundo por uma balança emocional, com medidas baralhadas; um quilo às vezes vale menos do que uma grama; e por essas medidas pode-se descobrir a diferença metafísica que há entre uma arroba de chumbo e uma arroba de plumas.

Nem sei mesmo como, entre as inúmeras mentiras do mundo, se consegue manter essa mentira maior de todas: a suposta felicidade dos moços. Por mim, sempre tive pena deles, da sua angústia e do seu desamparo. Enquanto esta idade madura a que chegamos você e eu, é o tempo da estabilidade e das batalhas ganhas. Já pouco se exige, já pouco se espera. E mesmo quando se exige muito, só se espera o possível. Se as surpresas são poucas, poucos também os desenganos. A gente vai se aferrando a hábitos, a pessoas e objetos. Aí, um dos piores tormentos dos jovens é justamente o desapego das coisas, essa instabilidade do querer, a sede do que é novo, o tédio do possuído.

E depois há o capítulo da morte, sempre presente em todas as idades. Com a diferença de que a morte é a amante dos moços e a companheira dos velhos. Para os jovens ela é abismo e paixão. Para nós, foi se tornando pouco a pouco uma velha amiga, a se anunciar devagarinho: o cabelo branco, a preguiça, a ruga no rosto, a vista fraca, os achaques. Velha amiga que vem de viagem e de cada porto nos manda um postal, para indicar que já embarcou.

Não, meu bem, não tenho saudades. Nem sequer do primeiro dia em que nos vimos, daqueles primeiros e atormentados dias de insegurança e deslumbramento. Considero uma benção e um privilégio esse passado que ficou para atrás de nós, vencido. Afinal, já andamos bastante caminho, temos direito ao sossego, a esta desambição, esta paz. Vivemos, não foi? Fizemos muito. E nem por isso deixamos de ainda ter muito o que fazer. A velhice que vai chegar com as suas doenças e trabalhos. E ainda virá a grande crise da morte em que um de nós, necessariamente, terá que ajudar o outro. Espero que aquele que ficar só, embora triste, se sinta tranquilo, na segurança de que a sua vez não tarda. Que aí, só lhe resta a pagar a última prestação.

https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/9127/saudade
Considerando que o texto 'Saudade' apresenta características próprias do discurso literário, em contraste com textos não literários, e demanda estratégias específicas de leitura para sua adequada compreensão, analise as afirmativas a seguir acerca de sua construção de sentido:

I. O leitor deve focar nas referências às fases da vida, uma vez que são empregadas como recurso argumentativo para estabelecer contrastes entre diferentes momentos da existência.
II. O leitor deve priorizar a identificação de dados objetivos e informações literais sobre a infância, a mocidade e a maturidade, uma vez que o texto se organiza como um relato cronológico de fatos biográficos da autora.
III. O leitor deve analisar as oposições estabelecidas no texto, especialmente entre passado e presente, bem como entre 'saudade' e 'falta', a fim de compreender a redefinição do conceito feita pela narradora.
IV. O leitor deve priorizar a identificação de elementos descritivos, pois a caracterização física dos personagens é marcante e essencial para a construção do posicionamento da autora no texto.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Alternativas
Q4129546 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Saudade (Rachel de Queiróz)

Conversávamos sobre saudade. E de repente me apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso independente de qualquer recordação de felicidade ou de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudades de nada. Nem da infância querida, nem sequer das borboletas azuis, Casimiro. Nem mesmo de quem morreu. De quem morreu sinto é a falta, o prejuízo da perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no passado, e sim a presença atual. Saudade será isso? Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não, nem com eles.

A vida é uma coisa que tem que passar, uma obrigação de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura lamentar o tempo em que se devia muito mais.

Queria ter palavras boas, eficientes, para explicar como é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou exprimindo um sentimento real, a humilde, a nua verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude. Meu Deus, acha-me capaz de atitudes, pensa que eu me rebaixaria a isso? Pois então eu lhe digo que essa capacidade de morrer de saudades, creio que ela só afeta a quem não cresceu direito; feito uma cobra que se sentisse melhor na pele antiga, não se acomodasse nunca à pele nova. Mas nós, como é que vamos ter saudades de um trapo velho que não nos cabe mais?

Fala que saudade é sensação de perda. Pois é. E eu lhe digo que, pessoalmente, não sinto que perdi nada. Gastei, gastei tempo, emoções, corpo e alma. E gastar não é perder, é usar até consumir.

E não pense que estou a lhe sugerir tragédias. Tirando a média, não tive quinhão por demais pior que o dos outros. Houve muito pedaço duro, mas a vida é assim mesmo, a uns traz os seus golpes mais cedo e a outros mais tarde; no fim, iguala a todos.

Infância sem lágrimas, amada, protegida. Mocidade, mas a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto que não sabe o que quer, ou quer demais. Qual será, nesta vida, o jovem satisfeito? Um jovem pode nos fazer confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade, nunca. Mocidade é a quadra dramática por excelência, o período dos conflitos, dos ajustamentos penosos, dos desajustamentos trágicos. A idade dos suicídios, dos desenganos e por isso mesmo dos grandes heroísmos. É o tempo em que a gente quer ser dono do mundo, e ao mesmo tempo sente que sobra nesse mesmo mundo. A idade em que se descobre a solidão irremediável de todos os viventes. Em que se pesam os valores do mundo por uma balança emocional, com medidas baralhadas; um quilo às vezes vale menos do que uma grama; e por essas medidas pode-se descobrir a diferença metafísica que há entre uma arroba de chumbo e uma arroba de plumas.

Nem sei mesmo como, entre as inúmeras mentiras do mundo, se consegue manter essa mentira maior de todas: a suposta felicidade dos moços. Por mim, sempre tive pena deles, da sua angústia e do seu desamparo. Enquanto esta idade madura a que chegamos você e eu, é o tempo da estabilidade e das batalhas ganhas. Já pouco se exige, já pouco se espera. E mesmo quando se exige muito, só se espera o possível. Se as surpresas são poucas, poucos também os desenganos. A gente vai se aferrando a hábitos, a pessoas e objetos. Aí, um dos piores tormentos dos jovens é justamente o desapego das coisas, essa instabilidade do querer, a sede do que é novo, o tédio do possuído.

E depois há o capítulo da morte, sempre presente em todas as idades. Com a diferença de que a morte é a amante dos moços e a companheira dos velhos. Para os jovens ela é abismo e paixão. Para nós, foi se tornando pouco a pouco uma velha amiga, a se anunciar devagarinho: o cabelo branco, a preguiça, a ruga no rosto, a vista fraca, os achaques. Velha amiga que vem de viagem e de cada porto nos manda um postal, para indicar que já embarcou.

Não, meu bem, não tenho saudades. Nem sequer do primeiro dia em que nos vimos, daqueles primeiros e atormentados dias de insegurança e deslumbramento. Considero uma benção e um privilégio esse passado que ficou para atrás de nós, vencido. Afinal, já andamos bastante caminho, temos direito ao sossego, a esta desambição, esta paz. Vivemos, não foi? Fizemos muito. E nem por isso deixamos de ainda ter muito o que fazer. A velhice que vai chegar com as suas doenças e trabalhos. E ainda virá a grande crise da morte em que um de nós, necessariamente, terá que ajudar o outro. Espero que aquele que ficar só, embora triste, se sinta tranquilo, na segurança de que a sua vez não tarda. Que aí, só lhe resta a pagar a última prestação.

https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/9127/saudade
"Um jovem pode nos fazer confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade, nunca."

Com base no processo de formação da palavra 'embriaguez', analise a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4129545 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Saudade (Rachel de Queiróz)

Conversávamos sobre saudade. E de repente me apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso independente de qualquer recordação de felicidade ou de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudades de nada. Nem da infância querida, nem sequer das borboletas azuis, Casimiro. Nem mesmo de quem morreu. De quem morreu sinto é a falta, o prejuízo da perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no passado, e sim a presença atual. Saudade será isso? Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não, nem com eles.

A vida é uma coisa que tem que passar, uma obrigação de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura lamentar o tempo em que se devia muito mais.

Queria ter palavras boas, eficientes, para explicar como é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou exprimindo um sentimento real, a humilde, a nua verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude. Meu Deus, acha-me capaz de atitudes, pensa que eu me rebaixaria a isso? Pois então eu lhe digo que essa capacidade de morrer de saudades, creio que ela só afeta a quem não cresceu direito; feito uma cobra que se sentisse melhor na pele antiga, não se acomodasse nunca à pele nova. Mas nós, como é que vamos ter saudades de um trapo velho que não nos cabe mais?

Fala que saudade é sensação de perda. Pois é. E eu lhe digo que, pessoalmente, não sinto que perdi nada. Gastei, gastei tempo, emoções, corpo e alma. E gastar não é perder, é usar até consumir.

E não pense que estou a lhe sugerir tragédias. Tirando a média, não tive quinhão por demais pior que o dos outros. Houve muito pedaço duro, mas a vida é assim mesmo, a uns traz os seus golpes mais cedo e a outros mais tarde; no fim, iguala a todos.

Infância sem lágrimas, amada, protegida. Mocidade, mas a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto que não sabe o que quer, ou quer demais. Qual será, nesta vida, o jovem satisfeito? Um jovem pode nos fazer confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade, nunca. Mocidade é a quadra dramática por excelência, o período dos conflitos, dos ajustamentos penosos, dos desajustamentos trágicos. A idade dos suicídios, dos desenganos e por isso mesmo dos grandes heroísmos. É o tempo em que a gente quer ser dono do mundo, e ao mesmo tempo sente que sobra nesse mesmo mundo. A idade em que se descobre a solidão irremediável de todos os viventes. Em que se pesam os valores do mundo por uma balança emocional, com medidas baralhadas; um quilo às vezes vale menos do que uma grama; e por essas medidas pode-se descobrir a diferença metafísica que há entre uma arroba de chumbo e uma arroba de plumas.

Nem sei mesmo como, entre as inúmeras mentiras do mundo, se consegue manter essa mentira maior de todas: a suposta felicidade dos moços. Por mim, sempre tive pena deles, da sua angústia e do seu desamparo. Enquanto esta idade madura a que chegamos você e eu, é o tempo da estabilidade e das batalhas ganhas. Já pouco se exige, já pouco se espera. E mesmo quando se exige muito, só se espera o possível. Se as surpresas são poucas, poucos também os desenganos. A gente vai se aferrando a hábitos, a pessoas e objetos. Aí, um dos piores tormentos dos jovens é justamente o desapego das coisas, essa instabilidade do querer, a sede do que é novo, o tédio do possuído.

E depois há o capítulo da morte, sempre presente em todas as idades. Com a diferença de que a morte é a amante dos moços e a companheira dos velhos. Para os jovens ela é abismo e paixão. Para nós, foi se tornando pouco a pouco uma velha amiga, a se anunciar devagarinho: o cabelo branco, a preguiça, a ruga no rosto, a vista fraca, os achaques. Velha amiga que vem de viagem e de cada porto nos manda um postal, para indicar que já embarcou.

Não, meu bem, não tenho saudades. Nem sequer do primeiro dia em que nos vimos, daqueles primeiros e atormentados dias de insegurança e deslumbramento. Considero uma benção e um privilégio esse passado que ficou para atrás de nós, vencido. Afinal, já andamos bastante caminho, temos direito ao sossego, a esta desambição, esta paz. Vivemos, não foi? Fizemos muito. E nem por isso deixamos de ainda ter muito o que fazer. A velhice que vai chegar com as suas doenças e trabalhos. E ainda virá a grande crise da morte em que um de nós, necessariamente, terá que ajudar o outro. Espero que aquele que ficar só, embora triste, se sinta tranquilo, na segurança de que a sua vez não tarda. Que aí, só lhe resta a pagar a última prestação.

https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/9127/saudade
"A idade em que se descobre a solidão irremediável de todos os viventes."
A expressão 'em que' foi empregada corretamente no trecho. Agora, preencha as lacunas a seguir com outras formas adequadas de pronomes relativos.

I. O rapaz___ declarei o meu amor já não existe mais.
II. O médico___ atrocidades chocaram o país foi julgado na manhã de hoje.
III. As amigas___ falei são aquelas ali.
IV. A portaria___consta a suspensão de prazos processuais foi publicada ontem.

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas acima.
Alternativas
Q4127363 Direitos Humanos
As Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos articulam dimensões e finalidades que orientam a formação dos sujeitos no sistema educacional brasileiro. Acerca dessas dimensões e finalidades, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)A Educação em Direitos Humanos, segundo a resolução de 2012, configura tema reservado a atividades extracurriculares pontuais, com tratamento desvinculado dos componentes curriculares no trabalho pedagógico das escolas em diferentes etapas.
(__)A Educação em Direitos Humanos articula-se às dimensões de apreensão de conhecimentos, de afirmação de valores, atitudes e práticas sociais e de formação de cultura cidadã no trabalho pedagógico desenvolvido no contexto escolar brasileiro.
(__)As Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, conforme a resolução atual, organizam-se pela homogeneização cultural dos estudantes, com a padronização das experiências escolares como princípio orientador do trabalho pedagógico das escolas brasileiras.
(__)A Educação em Direitos Humanos articula-se ao Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos e a marcos internacionais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, integrando o debate contemporâneo sobre formação cidadã dos sujeitos.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4127362 Pedagogia
Os fundamentos da educação articulam dimensões filosóficas, históricas, sociológicas e psicológicas que sustentam o pensamento pedagógico contemporâneo. Acerca desses fundamentos, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)Os fundamentos filosóficos da educação articulam reflexão sobre os fins, valores e concepções que orientam o pensamento educacional, contribuindo para a compreensão do sentido das práticas pedagógicas desenvolvidas na escola.
(__)Os fundamentos sociológicos da educação articulam a compreensão da escola como instituição social, atravessada pelas dinâmicas culturais, econômicas e políticas da sociedade em que se insere historicamente.
(__)Os fundamentos psicológicos da educação, na perspectiva contemporânea, reduzem-se à aplicação de testes padronizados para classificação dos estudantes, sem articulação com as teorias do desenvolvimento humano no campo educacional.
(__)Os fundamentos pedagógicos articulam as concepções teóricas e metodológicas que orientam o trabalho docente, contribuindo para a organização das práticas no cotidiano escolar em diálogo com os demais fundamentos.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas
Q4127361 Pedagogia
A relação entre educação e sociedade articula dimensões filosófica, sociocultural e pedagógica, com desdobramentos para a compreensão das relações entre educação, pobreza e cidadania. Sobre essas relações, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4127360 Pedagogia
A Constituição Federal de 1988 estabelece a educação como direito e atribui responsabilidades ao Estado, à família e à sociedade na sua efetivação. Sobre a educação como direito constitucional, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4127359 Pedagogia
A Psicologia da Educação articula definição, objeto de estudo e relação com outras áreas do conhecimento no campo educacional. Sobre a Psicologia da Educação, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4127358 Pedagogia
A liderança articula-se aos mecanismos de participação e às formas organizativas facilitadoras da integração grupal no ambiente de trabalho. Acerca dos mecanismos de participação e da integração grupal, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)Os mecanismos de participação nas instituições educacionais incluem reuniões pedagógicas, colegiados, assembleias e conselhos, configurando espaços de deliberação coletiva sobre o trabalho da escola no cotidiano institucional.
(__)As formas organizativas facilitadoras da integração grupal articulam práticas como trabalho em equipe, comunicação horizontal, reflexão coletiva sobre as práticas e definição compartilhada de objetivos no ambiente institucional da escola.
(__)A integração grupal, na literatura especializada atual, configura processo automático decorrente apenas da convivência no ambiente de trabalho, sem necessidade de mecanismos específicos de mediação ou de construção coletiva entre os profissionais.
(__)A participação nas instituições educacionais, na perspectiva contemporânea, organiza-se pela centralização das decisões na equipe diretiva, com os demais segmentos escolares em posição consultiva sem poder deliberativo no cotidiano escolar.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas
Q4127357 Pedagogia
Os fundamentos da Educação articulam campos de conhecimento que sustentam a reflexão sobre os processos educacionais em suas diferentes dimensões. Sobre os campos que integram os fundamentos da Educação, analise as afirmativas a seguir:

I.A Filosofia da Educação articula a reflexão sobre os fins, valores e concepções de ser humano e de sociedade que orientam o pensamento educacional, integrando os fundamentos da educação contemporânea.
II.A Sociologia da Educação, na perspectiva contemporânea, reduz-se ao estudo administrativo dos órgãos governamentais, sem articulação com a compreensão da escola como instituição socialmente situada nas dinâmicas da sociedade.
III.A História da Educação articula a compreensão dos processos educacionais em seus contextos históricos e culturais, contribuindo para a análise crítica das continuidades e rupturas no pensamento educacional brasileiro e internacional.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4127356 Pedagogia
O planejamento de ensino articula elementos constitutivos como objetivos, conteúdos, métodos e técnicas no trabalho pedagógico. Sobre o planejamento de ensino, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4127355 Gestão de Pessoas
A liderança e as relações humanas no trabalho articulam diferentes tipos de liderança, mecanismos de participação e formas organizativas facilitadoras da integração grupal. Sobre esses elementos, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4127354 Pedagogia
O desenvolvimento histórico das concepções pedagógicas no Brasil articula tendências e autores que marcaram o pensamento educacional brasileiro. Sobre esse desenvolvimento histórico, analise as afirmativas a seguir:

I.A pedagogia tradicional, predominante no Brasil nas primeiras décadas do século XX, caracteriza-se pela centralidade do professor, pela transmissão de conteúdos e pela valorização da disciplina no trabalho pedagógico escolar.
II.A Escola Nova, difundida no Brasil a partir da década de 1930 com autores como Anísio Teixeira e Fernando de Azevedo, articula-se à valorização da experiência, do interesse do estudante e da experimentação pedagógica como alternativa à pedagogia tradicional.
III.A pedagogia histórico-crítica, sistematizada por Dermeval Saviani, articula o trabalho pedagógico à socialização do saber sistematizado, com a prática social como ponto de partida e de chegada do processo educativo desenvolvido pela escola.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4127353 Pedagogia
As políticas públicas inclusivas de educação articulam ações voltadas ao reconhecimento das diferenças e à redução de desigualdades em relação a gênero, pessoas com necessidades especiais e etnias. Sobre essas políticas, analise as afirmativas a seguir:

I.As políticas públicas inclusivas de educação, na perspectiva contemporânea, configuram ações reservadas a instituições privadas especializadas, sem articulação com o sistema público de ensino brasileiro no trabalho pedagógico cotidiano desenvolvido nas escolas.
II.A educação inclusiva para pessoas com necessidades especiais articula-se à Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a diretrizes específicas que orientam o atendimento educacional especializado no sistema público de ensino brasileiro.
III.As Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 estabelecem a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena, integrando políticas educacionais voltadas ao reconhecimento das etnias na Educação Básica brasileira.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4127352 Administração Pública
Os modelos de tomada de decisão em política pública incluem abordagens como o incremental e o racional, com suas variantes. Sobre esses modelos, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4127351 Pedagogia
A relação entre educação e sociedade articula dimensões filosófica, sociocultural e pedagógica, configurando campo de reflexão sobre os sentidos da educação escolar. Sobre essas dimensões, analise as afirmativas a seguir:

I.A dimensão filosófica da educação articula a reflexão sobre os fins, os valores e as concepções de ser humano e de sociedade que orientam o pensamento educacional, contribuindo para a compreensão crítica das práticas pedagógicas da escola.
II.A dimensão sociocultural da educação articula a compreensão da escola como instituição socialmente situada, atravessada pelas dinâmicas culturais, econômicas e políticas da sociedade em que se insere historicamente.
III.A dimensão pedagógica da educação, na perspectiva contemporânea, reduz-se à aplicação de técnicas padronizadas em sala de aula, sem articulação com as dimensões filosófica e sociocultural no trabalho pedagógico da escola.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4127350 Pedagogia
A metodologia de projetos, no campo educacional, articula concepções e práticas pedagógicas que envolvem os estudantes em processos investigativos. Sobre a metodologia de projetos, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4127349 Ciência Política
A análise de políticas públicas articula abordagens teóricas e metodológicas para a compreensão do ciclo, dos atores e dos impactos das ações estatais em diferentes áreas. Acerca da análise de políticas públicas, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)A análise de políticas públicas, na literatura especializada, reduz-se ao estudo administrativo dos órgãos governamentais, com tratamento secundário das dimensões políticas, sociais e econômicas que atravessam a formulação dessas políticas.
(__)O ciclo de políticas públicas, na perspectiva analítica clássica, articula etapas como identificação do problema, formação da agenda, formulação, implementação e avaliação, configurando modelo útil para a compreensão do processo político.
(__)A análise de políticas públicas contempla a identificação dos atores envolvidos nas diferentes etapas do ciclo político, articulando governos, setores da sociedade civil, grupos de interesse e organismos internacionais na compreensão do processo de formulação.
(__)A formação da agenda em políticas públicas configura etapa administrativa automática, sem disputas políticas ou mobilização de atores sociais, organizando-se pela aplicação técnica de procedimentos objetivos pelos órgãos estatais competentes.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4127348 Pedagogia
A aprendizagem organizacional articula processos pelos quais as organizações constroem, compartilham e mobilizam conhecimento no trabalho coletivo. Acerca da aprendizagem organizacional, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)A aprendizagem organizacional articula processos individuais e coletivos de construção de conhecimento, envolvendo a reflexão sobre práticas, o compartilhamento de saberes e a mobilização de experiências no trabalho cotidiano das equipes.
(__)A aprendizagem organizacional, na perspectiva contemporânea, reduz-se ao treinamento técnico pontual dos profissionais, sem articulação com as dimensões coletivas, reflexivas e culturais do trabalho desenvolvido nas instituições educacionais.
(__)As cinco disciplinas formuladas por Peter Senge — domínio pessoal, modelos mentais, visão compartilhada, aprendizagem em equipe e pensamento sistêmico — articulam abordagem difundida sobre organizações que aprendem no campo educacional.
(__)A aprendizagem organizacional, no contexto escolar, configura tarefa individual dos professores isolados, sem articulação entre os profissionais da escola ou reflexão coletiva sobre as práticas pedagógicas desenvolvidas no cotidiano escolar da instituição.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Respostas
221: A
222: A
223: C
224: A
225: A
226: D
227: C
228: A
229: B
230: A
231: B
232: D
233: B
234: A
235: C
236: A
237: A
238: D
239: B
240: B