Questões de Concurso
Comentadas sobre análise sintática em português
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Os dois poemas seguintes, de Manuel Bandeira e de Carlos Drummond de Andrade, são as referências para as questões 5 e 6:
POEMA TIRADO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL
João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no
[morro da Babilônia num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
(BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990.)
SOCIEDADE
O homem disse para o amigo:
— Breve irei a tua casa
e levarei minha mulher.
O amigo enfeitou a casa
e quando o homem chegou com a mulher,
soltou uma dúzia de foguetes.
O homem comeu e bebeu.
A mulher bebe e cantou.
Os dois dançaram.
O amigo estava muito satisfeito.
Quando foi hora de sair,
o amigo disse para o homem:
— Breve irei a tua casa.
E apertou a mão dos dois.
No caminho o homem resmunga:
— Ora essa, era o que faltava:
E a mulher ajunta: — Que idiota.
— A casa é um ninho de pulgas.
— Reparaste o bife queimado?
O piano ruim e a comida pouca.
E todas as quintas-feiras
eles voltam à casa do amigo
que ainda não pôde retribuir a visita.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980.)
Está CORRETO afirmar em relação à sintaxe do primeiro texto:
Leia o texto abaixo.
Guarda compartilhada dos filhos: utopia ou realidade?
1 Quando duas pessoas se casam, nunca pensam que um dia podem se separar. Primeiro, realizam sonhos
e, na maioria das vezes, têm filhos. Se o casamento não dá certo, a parte mais difícil da separação fica
sendo a guarda das crianças. Em geral, os filhos continuam morando com a mãe e o pai passa a vê-los em
regime de visitas.
5 Desde 2014, passou a ser adotada a lei da guarda compartilhada, que determina que todas as decisões
sobre a rotina da criança passam a ser tomadas em conjunto pelos pais – mesmo que a criança viva a
maior parte do tempo com apenas um deles.
Na guarda compartilhada, pai e mãe têm os mesmos deveres, as mesmas obrigações e também
oportunidade igual de convivência com os filhos. Antes disso, a guarda mais adotada era a unilateral,
10 aquela em que a criança mora com um dos pais (que detém a guarda e toma todas as decisões inerentes à
criação), enquanto o outro genitor passa a ter o direito de visitas regulamentadas pelo juiz. A pensão
alimentícia é fixada mediante acordo entre as partes (ou pelo poder judiciário) e passa a ser obrigação
daquele que detém o direito de visitas. [...]
(Disponível em: http://www.papodemae.com.br/ Acesso em: setembro de 2016.)
Sobre os períodos apresentados no texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Quando duas pessoas se casam, nunca pensam que um dia podem se separar (linha 1) é um período composto por subordinação, que expressa um relação temporal.
( ) Se o casamento não dá certo, a parte mais difícil da separação fica sendo a guarda das crianças (linhas 2 e 3) apresenta efeito de sentido de condição, marcado pela presença de uma conjunção subordinativa.
( ) Desde 2014, passou a ser adotada a lei da guarda compartilhada, que determina que todas as decisões sobre a rotina da criança passam a ser tomadas em conjunto pelos pais – mesmo que a criança viva a maior parte do tempo com apenas um deles. (linhas 5 a 7), é marcado por uma relação de sentido concessiva, introduzida pela presença do pronome relativo que.
( ) A pensão alimentícia é fixada mediante acordo entre as partes (ou pelo poder judiciário) e passa a ser obrigação daquele que detém o direito de visita (linhas 11 a 13) é um período composto por coordenação e expressa uma relação de sentido de adversidade.
Assinale a sequência correta.
Leia com atenção o texto abaixo e responda ao que se pede.
Adriane quer saber se o terno do seu futuro marido deve combinar com as flores do buquê, com os tons das toalhas da recepção ou se deve ser branco (ou bem claro) para ficar de acordo com o vestido dela.
Meu impulso foi o de ligar para o noivo e dizer que ainda estava em tempo de ele desistir, se mandar e arranjar outra noiva. Uma que não o visse como um acessório na sua vida!
Noivos não devem se fantasiar no dia de seu casamento: nada de roupinha de soldadinho de chumbo, ternos brancos de primeira comunhão, túnicas indianas. O dia do casamento é o momento em que um homem assume, perante a sociedade, seu compromisso com a masculinidade e com a vida adulta. Não é, portanto, hora para brincadeiras, roupinhas infantis ou bobagens fora de propósito. Se não, quem vai levar o casamento dele a sério? Ninguém. Nem a noiva.
Noivos, não comecem mal essa história que já não é fácil! Respeito e adequação são indispensáveis para um casamento dar certo. Festa de casamento não é baile de carnaval.
(KALIL, Glória. Alô, chics. São Paulo: Ediouro, 2008, p. 101)
Assinale a alternativa em que o termo grifado CORRESPONDE à função sintática dada entre parênteses.
Leia com atenção o texto abaixo e responda ao que se pede.
Adriane quer saber se o terno do seu futuro marido deve combinar com as flores do buquê, com os tons das toalhas da recepção ou se deve ser branco (ou bem claro) para ficar de acordo com o vestido dela.
Meu impulso foi o de ligar para o noivo e dizer que ainda estava em tempo de ele desistir, se mandar e arranjar outra noiva. Uma que não o visse como um acessório na sua vida!
Noivos não devem se fantasiar no dia de seu casamento: nada de roupinha de soldadinho de chumbo, ternos brancos de primeira comunhão, túnicas indianas. O dia do casamento é o momento em que um homem assume, perante a sociedade, seu compromisso com a masculinidade e com a vida adulta. Não é, portanto, hora para brincadeiras, roupinhas infantis ou bobagens fora de propósito. Se não, quem vai levar o casamento dele a sério? Ninguém. Nem a noiva.
Noivos, não comecem mal essa história que já não é fácil! Respeito e adequação são indispensáveis para um casamento dar certo. Festa de casamento não é baile de carnaval.
(KALIL, Glória. Alô, chics. São Paulo: Ediouro, 2008, p. 101)
Assinale a alternativa em que a regência verbal está INCORRETA.
Para responder às questões de 1 a 5, leia o texto abaixo.
Livros raros encontrados na Biblioteca de Acervos Especiais da Unifor
Nacionalmente reconhecida como uma das maiores fomentadoras da apreciação da arte, a1 Universidade de Fortaleza, ao longo dos anos, trilhou um sólido caminho de estímulo às2 manifestações artísticas e à3 cultura. Seguindo esse caminho, a4 Fundação Edson Queiroz colocou à5 disposição do público em geral a6 Biblioteca de Acervos Especiais. Localizada no primeiro piso da Reitoria da Unifor, a7 biblioteca abriga um acervo composto por cerca de 9 mil volumes, divididos por assuntos como Literatura, Artes, História do Ceará, Biografias, Direito, entre outros.
De acordo com a curadora responsável pela biblioteca, Simone Barreto, o local é dividido em dois espaços. O primeiro recebe exclusivamente os livros correspondentes à parte da biblioteca particular de Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo Matarazzo, um dos principais mecenas da história do Brasil e fundador do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) e criador da Bienal Internacional de São Paulo. Ao todo, são mais de 3 mil exemplares.
Já a segunda sala abriga demais livros adquiridos pela Fundação Edson Queiroz, além de doações. “Eles são considerados especiais, pois se diferenciam de alguma forma. São raros, pela encadernação, pela data, pelo autor ou mesmo pelo histórico da coleção, quem era o colecionador ou o organizador, por exemplo”, explica Simone.
Dentro da rara coleção de livros que pertenceu a Ciccillo Matarazzo é possível encontrar a primeira edição, datada de 1750, da Opere Varie di Architettura, de Giovanni-Batista Piranesi, considerado o maior gravador do século XVIII. A obra traz a série completa de gravuras dos cárceres de Roma.
Edições assinadas por modernistas como Marc Chagall e Max Ernst também compõem a coleção. Também merecem destaque o romance Menino de Engenho, de José Lins do Rego, com ilustrações originais de Cândido Portinari, o álbum Miserere, do artista Georges Rouault, com 58 litografias de grandes dimensões, e As vidas dos pintores, escultores e arquitetos, de Giorgio Vasari, pintor e arquiteto italiano conhecido principalmente por suas biografias de artistas italianos.
Outra presença importante para a composição é a coleção da Sociedade dos Cem Bibliófilos, formada pelos 23 volumes realizados na época, o que a torna completa.
“Estes livros contêm algo de artístico, como uma ilustração ou uma encadernação mais antiga e trabalhada com iluminuras. Há livros de história em que as ilustrações são feitas com pigmento de ouro. Livros com aquarela feita à mão, com gravuras originais. Isto é, todo o acervo está voltado para a arte”, conta Simone Barreto.
(Disponível em g1.globo.com. Adaptado.)
No final do último parágrafo do texto, aparece o trecho "conta Simone Barreto", em que "Simone Barreto" exerce determinada função sintática em relação ao verbo "conta". Considerando essa função, assinale a alternativa com um período em que a palavra "que" destacada exerça a mesma função.
INSTRUÇÃO: Leia os parágrafos iniciais de uma reportagem sobre o que os jovens da atualidade pensam e fazem publicada na revista Época, nº 938, e responda às questões de 05 a 08.
Poucas palavras são tão abusadas como “geração”. Geração X, Geração Y, Geração Z, Geração do Milênio são meros rótulos que ajudam palestrantes, consultores e departamentos comerciais a vender. É impossível definir um padrão de comportamento comum a milhões de pessoas simplesmente porque elas compartilham, em seus documentos de identidade, datas de nascimento próximas. Quando se reduz o número de pessoas a observar e a pretensão da análise, fica mais fácil. Quando se fala em Geração Perdida, por exemplo, fala-se num grupo de escritores americanos que viveram em Paris e em outras partes da Europa nos loucos anos 1920. Nem todos os que viveram naquela era vanguardista e vibrante tiveram tanta aventura e liberdade como Hemingway, Fitzgerald e Gertrude Stein, por exemplo. Mas pode-se dizer que o grupo conhecido como Geração Perdida representava o espírito do seu tempo.
O mesmo ocorre com o grupo de brasileiros com menos de 30 anos reunido nas páginas desta revista. Eles não representam a realidade da maioria dos jovens do país. São jovens, no entanto, que se destacam em vários tipos de atividades e, por isso, representam o espírito de nosso tempo. São idealistas, sonhadores ― o que é bom, mas não uma novidade. A diferença é que essa geração não se limita a sonhar. Ela transforma as causas que abraça em projetos. Em objetivos de vida. Em profissões.
Os pronomes desempenham em um texto funções equivalentes às exercidas pelos substantivos e pelos adjetivos, dependendo se ocupam o lugar de um substantivo ou se o acompanham. Assinale a alternativa em que todos os pronomes exercem a função de substantivo no texto.
Leia o texto a seguir para responder às questões de 8 a 13.
Texto 02
Por que, com o tempo, os pães endurecem e os biscoitos amolecem?
1-------Alguns alimentos têm as características modificadas quando entram em contato com o ar
2--porque ocorre uma troca de umidade. Os pães ficam duros porque têm muita água, e os biscoitos
3--amolecem devido ao fato de quase não levarem água.
4-------"Isso decorre da própria diferença na composição desses produtos", afirma a química Cláudia
5--Moraes de Rezende, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O biscoito que fica exposto
6--ao ar absorve a umidade e perde a crocância. Em comparação, o pão francês tende a perder água e
7--ficar duro. A quantidade de açúcar, existente na composição de pães e biscoitos, também faz
8--diferença. "Os biscoitos têm bastante, o que favorece a absorção de água. Já o pãozinho tem pouco
9--açúcar e bastante amido. Este último sofre modificações na sua organização estrutural, que
10--estimulam o endurecimento", diz. Para não perder o apetite na hora do lanche, nada melhor do que
11--devorar o pão francês bem quentinho, assim que ele chegar da padaria. Quanto aos biscoitos, a dica
12--é mantê-los guardados na embalagem, em pote de vidro ou dentro da geladeira à espera de serem
13--consumidos.
Galileu, São Paulo, n. 214, p. 30, maio 2009.
Em: “Aquantidade de açúcar, existente na composição de pães e biscoitos, também faz diferença.”
A palavra “também” denota:
Leia o texto a seguir para responder às questões de 8 a 13.
Texto 02
Por que, com o tempo, os pães endurecem e os biscoitos amolecem?
1-------Alguns alimentos têm as características modificadas quando entram em contato com o ar
2--porque ocorre uma troca de umidade. Os pães ficam duros porque têm muita água, e os biscoitos
3--amolecem devido ao fato de quase não levarem água.
4-------"Isso decorre da própria diferença na composição desses produtos", afirma a química Cláudia
5--Moraes de Rezende, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O biscoito que fica exposto
6--ao ar absorve a umidade e perde a crocância. Em comparação, o pão francês tende a perder água e
7--ficar duro. A quantidade de açúcar, existente na composição de pães e biscoitos, também faz
8--diferença. "Os biscoitos têm bastante, o que favorece a absorção de água. Já o pãozinho tem pouco
9--açúcar e bastante amido. Este último sofre modificações na sua organização estrutural, que
10--estimulam o endurecimento", diz. Para não perder o apetite na hora do lanche, nada melhor do que
11--devorar o pão francês bem quentinho, assim que ele chegar da padaria. Quanto aos biscoitos, a dica
12--é mantê-los guardados na embalagem, em pote de vidro ou dentro da geladeira à espera de serem
13--consumidos.
Galileu, São Paulo, n. 214, p. 30, maio 2009.
Leia estes trechos do texto, e marque (V) ou (F), conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmações a seguir.
Trecho 1
“Para não perder o apetite na hora do lanche, nada melhor do que devorar o pão francês bem quentinho, assim que ele chegar da padaria. (linhas 10-11)
Trecho 2
“Quanto aos biscoitos, a dica é mantê-los guardados na embalagem, em pote de vidro ou dentro da geladeira à espera de serem consumidos.” (linhas 11-13)
( ) “assim que ele chegar da padaria é uma oração adverbial que indica tempo. (trecho 1)
( ) No trecho 1, o enunciado revela um efeito de subjetividade em relação à maneira de comer o pão.
( ) No trecho 2, o conectivo “ou” revela uma exclusão: ou manter os biscoitos guardados na embalagem, em pote de vidro ou dentro da geladeira, ou seja, uma coisa ou outra.
Está CORRETA a alternativa que contém a sequência:
Leia o texto a seguir para responder às questões de 8 a 13.
Texto 02
Por que, com o tempo, os pães endurecem e os biscoitos amolecem?
1-------Alguns alimentos têm as características modificadas quando entram em contato com o ar
2--porque ocorre uma troca de umidade. Os pães ficam duros porque têm muita água, e os biscoitos
3--amolecem devido ao fato de quase não levarem água.
4-------"Isso decorre da própria diferença na composição desses produtos", afirma a química Cláudia
5--Moraes de Rezende, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O biscoito que fica exposto
6--ao ar absorve a umidade e perde a crocância. Em comparação, o pão francês tende a perder água e
7--ficar duro. A quantidade de açúcar, existente na composição de pães e biscoitos, também faz
8--diferença. "Os biscoitos têm bastante, o que favorece a absorção de água. Já o pãozinho tem pouco
9--açúcar e bastante amido. Este último sofre modificações na sua organização estrutural, que
10--estimulam o endurecimento", diz. Para não perder o apetite na hora do lanche, nada melhor do que
11--devorar o pão francês bem quentinho, assim que ele chegar da padaria. Quanto aos biscoitos, a dica
12--é mantê-los guardados na embalagem, em pote de vidro ou dentro da geladeira à espera de serem
13--consumidos.
Galileu, São Paulo, n. 214, p. 30, maio 2009.
Para articular as ideias do texto, utilizamos diferentes mecanismos de combinação oracional. Assim, podemos afirmar sobre as estruturas sintáticas que formam o texto que:
I - A estrutura “quando entram em contato com o ar....”, (linha 1) expressa uma relação de tempo, por isso é uma oração subordinada adverbial temporal.
II - A relação de sentido expressa entre a oração adverbial introduzida pelo conector “porque” e a oração principal, na estrutura “Os pães ficam duros porque têm muita água,” (linha 2) é de concessão.
III - “Para não perder o apetite na hora do lanche, nada melhor do que devorar o pão francês bem quentinho” (linhas 10 – 11). A palavra destacada expressa finalidade.
Está(ão) CORRETA(S):
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.
Texto 01
Baleia
1---------A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as
2--costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de
3--moscas. As chagas da boca e a inchação dos lábios dificultavam-lhe a comida e a bebida
4---------Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe
5--no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava
6--se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as
7--orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de moscas, semelhante a
8--uma cauda de cascavel.
9---------Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com
10--o saca-trapo e fez menção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.
11---------Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que adivinhavam
12--desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta:
13---------- Vão bulir com a Baleia?
14---------Tinham visto o chumbeiro e o polvarinho, os modos de Fabiano afligiam-nos, davam-lhes a
15--suspeita de que Baleia corria perigo.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 85. (Fragmento)
Sobre o Texto 01, pode-se afirmar:
I - É coerente, uma vez que as ideias estão articuladas em uma sequência lógica, que permite a compreensão do contexto de forma clara e completa.
II - É incoerente, uma vez que há ideias contraditórias: Fabiano, de início não quer matar a cachorra Baleia, em seguida, decide matá-la.
III - Na descrição da cachorra Baleia, no primeiro parágrafo, houve a supremacia quanto ao uso dos adjetivos, com o objetivo de mostrar o estado miserável em que o animal se encontrava.
IV - É predominantemente argumentativo, pois defende o ponto de vista do sofrimento de uma família com a morte da cachorra, animal de estimação.
Está(ão) CORRETA(S), apenas:
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.
Texto 01
Baleia
1---------A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as
2--costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de
3--moscas. As chagas da boca e a inchação dos lábios dificultavam-lhe a comida e a bebida
4---------Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe
5--no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava
6--se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as
7--orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de moscas, semelhante a
8--uma cauda de cascavel.
9---------Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com
10--o saca-trapo e fez menção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.
11---------Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que adivinhavam
12--desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta:
13---------- Vão bulir com a Baleia?
14---------Tinham visto o chumbeiro e o polvarinho, os modos de Fabiano afligiam-nos, davam-lhes a
15--suspeita de que Baleia corria perigo.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 85. (Fragmento)
As sequências linguísticas constituem um texto se houver, entre outros recursos, o emprego de conectores gramaticais adequados que estabelecem nexo entre elas ou remetem a certas palavras ou enunciados desse mesmo texto. Marque (V) ou (F), conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmações a seguir quanto aos nexos e referenciações do texto.
( ) No primeiro parágrafo, o pronome “lhe” (linha 1) é empregado duas vezes, tendo o mesmo referente, e ambos os registros representam elos coesivos referenciais.
( ) O pronome relativo “onde” (linha 2) estabelece uma relação semântica de tempo, por isso, não representa um elo de coesão.
( ) O pronome “se” (linha 6), em seus dois registros, equivale a “si mesma”, daí o sentido de reciprocidade.
( ) No segundo parágrafo o conector “mas” (linha 5) expressa uma oposição em relação ao que foi dito anteriormente.
( ) O terceiro parágrafo é iniciado com um conector sequencial e expressa uma relação de finalidade em relação ao parágrafo anterior.
Está CORRETA a alternativa que contém a sequência:
Releia o trecho abaixo para responder às questões 07 e 08
Medidas simples garantem mais segurança no trânsito
Em um clássico desenho da Disney, ao assumir a direção de um carro, o pacato e humilde senhor Andante se transforma
no terrível senhor Volante, modelo de arrogância e violência. Essa cena ilustra uma situação comum até hoje no trânsito, onde
os motoristas descarregam toda sorte de frustração.
Não por acaso, o fator humano é responsável pela maioria dos acidentes. Dirigir defensivamente é essencial para prevenir os
5 desastres ou pelo menos minimizar suas consequências. De acordo com o professor Adilson Lombardo, especialista em segurança
no trânsito, na direção defensiva “é preciso avaliar riscos, reduzir a velocidade perto de escolas, não fazer ultrapassagens
perigosas”. Na prática, são medidas simples, que podem ser resumidas em duas: respeito às normas e bom senso.
Lombardo frisa que não se deve confundir direção defensiva com técnicas de pilotagem, que também podem ajudar a
prevenir acidentes. “Os cursos de pilotagem ensinam a sair da aquaplanagem, a fazer uma frenagem segura e a desviar de
10 obstáculos”, explica. “As autoescolas não dão essa formação, que é essencial, por exemplo, para funcionários de empresas.”
Ele destaca ainda a função educativa da multa: “Todos sabemos que a cultura da impunidade é perigosa.”
Ari Silveira
Adaptado de gazetadopovo.com.br, 22/08/2009
Dirigir defensivamente é essencial para prevenir os desastres ou pelo menos minimizar suas consequências. (l. 4-5)
O trecho sublinhado indica ideia de:
“O cego Estrelinho”
Mia Couto
O cego Estrelinho era pessoa de nenhuma vez: sua história poderia ser contada e descontada não fosse seu guia, Gigito Efraim. A mão de Gigito conduziu o desvistado por tempos e idades. Aquela mão era repartidamente comum, extensão de um no outro, siamensal. E assim era quase de nascença. Memória de Estrelinho tinha cinco dedos e eram os de Gigito postos, em aperto, na sua própria mão.
O cego, curioso, queria saber de tudo. Ele não fazia cerimónia no viver. O sempre lhe era pouco e o tudo insuficiente. Dizia, deste modo:
— Tenho que viver já, senão esqueço-me.
Gigitinho, porém, o que descrevia era o que não havia. O mundo que ele minuciava eram fantasias e rendilhados. A imaginação do guia era mais profícua que papaeira. O cego enchia a boca de águas:
— Que maravilhação esse mundo. Me conte tudo, Gigito!
A mão do guia era, afinal, o manuscrito da mentira. Gigito Efraim estava como nunca esteve S. Tomé: via para não crer. O condutor falava pela ponta dos dedos. Desfolhava o universo, aberto em folhas. A ideação dele era tal que mesmo o cego, por vezes, acreditava ver. O outro lhe encorajava esses breves enganos:
— Desbengale-se, você está escolhendo a boa procedência!
Mentira: Estrelinho continuava sem ver uma palmeira à frente do nariz. Contudo, o cego não se conformava em suas escurezas. Ele cumpria o ditado: não tinha perna e queria dar o pontapé. Só à noite, ele desalentava, sofrendo medos mais antigos que a humanidade. Entendia aquilo que, na raça humana, é menos primitivo: o animal.
— Na noite aflige não haver luz?
— Aflição é ter um pássaro branco esvoando dentro do sono.
Pássaro branco? No sono? Lugar de ave é nas alturas. Dizem até que Deus fez o céu para justificar os pássaros. Estrelinho disfarçava o medo dos vaticínios, subterfugindo:
— E agora, Gigitinho? Agora, olhando assim para cima, estou face ao céu?
Que podia o outro responder? O céu do cego fica em toda a parte. Estrelinho perdia o pé era quando a noite chegava e seu mestre adormecia. Era como se um novo escuro nele se estreasse em nó cego. Devagaroso e sorrateiro ele aninhava sua mão na mão do guia. Só assim adormecia. A razão da concha é a timidez da amêijoa? Na manhã seguinte, o cego lhe confessava: se você morrer, tenho que morrer logo no imediato. Senão-me: como acerto o caminho para o céu?
Foi no mês de dezembro que levaram Gigitinho. Lhe tiraram do mundo para pôr na guerra: obrigavam os serviços militares. O cego reclamou: que o moço inatingia a idade. E que o serviço que ele a si prestava era vital e vitalício. O guia chamou Estrelinho à parte e lhe tranquilizou:
— Não vai ficar sozinhando por aí. Minha mana já mandei para ficar no meu lugar.
O cego estendeu o braço a querer tocar uma despedida. Mas o outro já não estava lá. Ou estava e se desviara, propositado? E sem água ida nem vinda, Estrelinho escutou o amigo se afastar, engolido, espongínquo, inevisível. Pela pimeira vez, Estrelinho se sentiu invalidado.
— Agora, só agora, sou cego que não vê.
(...)
COUTO, Mia. Estórias abensonhadas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996. (Pág 23 e 24).
No terceiro período do décimo terceiro parágrafo, temos:
Feridas do esquecimento
Certa vez, tomei conhecimento de um episódio impressionante, que causou um forte impacto sobre a minha vida, especialmente no que diz respeito à importância dos relacionamentos significativos da vida e de como eles se tornam periféricos em nossos dias, sobretudo, por conta do individualismo que tem marcado a nossa geração.
Quando foi receber o prêmio Nobel da Paz, em 1979, Madre Tereza de Calcutá fez menção a uma visita que fizera a um dos mais luxuosos asilos para idosos, na América. A beleza e o luxo deixaram-na impressionada. Contudo, algo a impactou mais ainda: os velhinhos ali colocados pelos próprios filhos tinham no rosto uma profunda expressão de tristeza. Ela, intrigada, indagou a si mesma: “por que tanta tristeza e expressão de dor naquelas pessoas, apesar do conforto material que as rodeava?”
De repente, percebeu que todos eles olhavam para uma grande porta. Curiosa, perguntou à sua acompanhante: “Por que todos olham para a mesma porta? E por que não conseguem sorrir?” A responsável pela visita respondeu-lhe: “Eles olham para aquela porta porque esperam ansiosamente a visita dos filhos, e este semblante triste e distante que trazem no rosto é porque se sentem feridos. Acham que foram esquecidos por seus familiares. Infelizmente, de fato, foram esquecidos pelos seus” [...].
(FERNANDES, Estevam. In: Quando vem a brisa. Rio de Janeiro: Ed.Central, 2009, p. 75).
Em relação ao primeiro parágrafo, pode-afirmar que:
I- Há três orações subordinadas adjetivas, todas introduzidas por pronome relativo.
II- As expressões “um forte impacto” e “a nossa geração” funcionam sintaticamente como objeto direto.
III- O termo “sobretudo” é uma expressão adversativa que contraria uma ideia anterior.
Analise as proposições e marque a alternativa adequada. Está(ão) correta(s) apenas:
Instrução: As questões 11 a 20 referem-se ao texto abaixo.
- _____Todo mundo teve ao menos uma namorada esquisita,
- comigo não foi diferente. Beber é trivial, bebe-se por
- prazer, para comemorar, para esquecer, para suportar
- a vida, mas beber para ficar de ressaca nunca tinha
- visto. Essa era Stela, ela bebia em busca do lado escuro
- do porre. Acreditava que precisava desse terremoto
- orgânico para seu reequilíbrio espiritual.
- _____Sua ressaca era diferente, não como a nossa, tingida
- de culpa pelo excesso. A dela era almejada, portanto
- com propriedades metafísicas. Nem por isso passava
- menos mal, sofria muito, o desconforto era visível,
- pungente. Tomava coisas que poucos profissionais
- do copo se arriscariam, destilados das marcas mais
- diabo. Ou então era revés de um vinho da Serra com
- nome de Papa, algo que nem ao menos rolha tinha,
- era de tampinha. Bebida que, com sua qualidade,
- desonrava, simultaneamente, os vinhos e o pontífice.
- _____Não era masoquismo. Acompanhando suas
- peregrinações etílicas, cheguei a outra conclusão: ela
- realmente precisava daquilo. Stela inventara uma
- religião do Santo Daime particular, caseira, sabia que
- era preciso passar pelo inferno para vislumbrar o céu.
- Os porres eram uma provação cósmica, um ordálio
- voluntário, um encontro reverencial com o sagrado.
- _____Depois da devastação do pileque, ela ficava melhor.
- Uma lucidez calma a invadia, sua beleza readquiria os
- traços que a marcavam, seus olhos voltavam ao
- brilho que me encantara. Tinha mergulhado no poço
- da existência e reavaliado seus rumos. Durante dias a
- paz reinava entre nós e entre ela e o mundo.
- _____Mas bastava uma nova dúvida em sua vida, uma
- decisão a tomar, e ela requisitava mais um inferno para
- se repensar. A rotina era extenuante. Quem aguenta uma
- mulher que, em vez de falar sobre a vida, mergulha
- num porre xamânico? Mas o amor perdoa. Lá estava
- eu ajudando-a a levantar-se de mais uma triste
- manguaça. Fiquei expert em reidratar e reanimar mortos,
- em contornar enxaquecas siderais e em amparar dengues
- existenciais
- _____Amava Stela pela inusitada maneira de consultar o
- destino. Triste era o desencontro. Eu cansado por
- cuidá-la depois de uma noite mal dormida, servindo de
- enfermeiro, e ela radiante, prenha da energia que a
- purgação lhe rendera.
- _____Stela era irredutível no seu método terapêutico,
- dizia que só nesse estado se encontrava com o melhor
- de seu ser. Reiterava que era mais sábia durante o
- martírio. Insistia que, sóbria, em seu estado normal,
- sofria de um otimismo injustificado que lhe turvava a
- realidade. Seu lema era: “Só na ressaca enxergamos o
- mundo como ele é”.
- _____Um dia, sem muitas palavras, Stela foi embora.
- Alguma ressaca oracular deve ter lhe dito que eu não
- era bom para seu futuro. Não a culpo.
Adaptado de: CORSO, M. O valor da ressaca. Zero Hora, n. 18489,
02/04/2016. Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a5711255.xml&template=3916.dwt&edition=28691§ion=4572. Acessado em 02/04/2016.
Considere as afirmações a seguir a respeito do uso de expressões referenciais no texto.
I - A expressão o pontífice (l. 17) faz referência ao vinho que Stela costumava tomar.
II - O pronome pessoal a (l. 26) faz referência a Stela.
III - A expressão a purgação (l. 43-44) faz referência ao desencontro entre Stela e o namorado.
Quais estão corretas?
Instrução: As questões 06 a 10 referem-se ao texto abaixo
A língua do Brasil amanhã
- ____Ouvimos com frequência opiniões alarmantes a
- respeito do futuro da nossa língua. ___ vezes se diz
- que ela vai simplesmente desaparecer, em benefício de
- outras línguas supostamente expansionistas (em especial
- o inglês, atual candidato número um a língua universal);
- ou que vai se “misturar” com o espanhol, formando o
- “portunhol”; ou, simplesmente, que vai se corromper
- pelo uso da gíria e das formas populares de expressão
- (do tipo: o casaco que cê ia sair com ele tá rasgado).
- Aqui pretendo trazer uma opinião mais otimista: a
- nossa língua, estou convencido, não está em perigo de
- desaparecimento, muito menos de mistura. Por outro
- lado (e não é possível agradar a todos) acredito que
- nossa língua está mudando, e certamente não será a
- mesma dentro de vinte, cem ou trezentos anos.
- ____O que é que poderia ameaçar a integridade ou
- a existência da nossa língua? Um dos fatores,
- frequentemente citado, é a influência do inglês – o
- mundo de empréstimos que andamos fazendo para
- nos expressarmos sobre certos assuntos.
- ____Não se pode negar que o fenômeno existe; o que
- mais se faz hoje em dia é surfar, deletar ou tratar do
- marketing. Mas isso não significa o desaparecimento
- da língua portuguesa. Empréstimos são um fato da
- vida e sempre existiram. Hoje pouca gente sabe disso,
- mas avalanche, alfaiate, tenor e pingue-pongue
- são palavras de origem estrangeira; hoje já se
- naturalizaram, e certamente ninguém vê ameaça
- nelas. Afinal de contas, quando se começou a jogar
- aquela bolinha em cima da mesa, precisou-se de um
- nome; podíamos dizer tênis de mesa, e alguns tentaram,
- mas a palavra estrangeira venceu – só que virou
- portuguesa, hoje vive entre nós como uma imigrante já
- casada, com filhos brasileiros etc. Perdeu até o sotaque.
- ____Quero dizer que não há o menor sintoma de que os
- empréstimos estrangeiros estejam causando lesões na
- língua portuguesa; a maioria, aliás, desaparece em
- pouco tempo, e os que ficam se assimilam. Como toda
- língua, o português precisa crescer para dar conta das
- novidades sociais, tecnológicas, artísticas e culturais; e
- pode aceitar empréstimos – ravióli, ioga, chucrute,
- balé – e também pode (e com maior frequência)
- criar palavras a partir de seus próprios recursos –
- como computador, ecologia, poluição – ou então esten-
- der o uso de palavras antigas a novos significados –
- executivo ou celular, que significam coisas hoje que
- não significavam ___ vinte anos. Isso está acontecendo
- a todo o tempo com todas as línguas, e nunca levou
- nenhuma delas ___ extinção.
Adaptado de PERINI, M. A. A língua do Brasil amanhã
e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.
Páginas 11-14.
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir sobre algumas das ideias do texto.
( ) Os empréstimos linguísticos são um fenômeno relativamente recente na língua, um reflexo de atividades modernas, como surfar, deletar e lidar com vocábulos da área do marketing.
( ) A língua portuguesa está mudando mais rapidamente hoje do que antigamente para que seu vocabulário possa abarcar novidades de ordem social, tecnológica, artística e cultural.
( ) Todas as línguas podem receber a influência de empréstimos linguísticos, não apenas a língua portuguesa.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Instrução: As questões 01 a 05 referem-se ao texto abaixo.
Videiras de Cristal
- ____Bem mais tarde, quando o dormitório coletivo
- envolvia-se nas sombras e ________ apenas os roncos
- e os espaçados gemidos dos enfermos permeando o
- calor rançoso das respirações, Jacobina e Ana Maria
- Hofstäter estavam à janela, olhando as luzes da cidade:
- pouco a pouco se apagavam, e a fímbria de pontos
- luminosos às margens do rio ________ num cordão
- móvel, de uma sinuosidade ágil, como se alguém
- inconstante traçasse sucessivas linhas de um contorno.
- ____Haviam dividido o pão da avó Müller e o mastigavam
- sem fome.
- ____– Nunca aceite nenhuma violência – disse Jacobina,
- despertando de uma longa mudez. Aceitar a violência
- é negar a própria vida. Aqueles homens que violaram
- você ao lado da cruz, eles um dia pagarão.
- ____Ana Maria estremeceu. Desde o acontecimento do
- arroio nunca mais falaram no assunto.
- ____– A senhora acha que um dia eu vou casar?
- ____Ana Maria sentiu logo que não deveria perguntar isso.
- ____– Por que não? Irá casar, igual a Maria Sehn. –
- Jacobina voltou os olhos para Ana Maria. – Sei o que
- você está pensando. Mas uma coisa eu lhe asseguro:
- você é tão virgem como Maria Sehn era antes do
- casamento.
- ____Só, em sua cama, enrolada no exíguo cobertor
- que ________ os pés de fora e batendo o queixo de
- frio, Ana Maria pensava no jovem Haubert. Sempre
- acompanhando o tutor Robinson o Ruivo, Haubert
- foi ocupando um lugar no Ferrabrás, e não apenas nos
- corações dos chefes. Jovem como uma figueira de um
- ano, tinha o olhar caído e triste de um homem de
- quarenta. Gostaria que ele estivesse ali, junto com
- elas. Ele as protegeria. E adormeceu pensando: a
- saudade é a verdadeira medida do amor.
Adaptado de ASSIS BRASIL, L. A. Videiras de Cristal. Porto
Alegre: Mercado Aberto, 1997. 5ª edição. Páginas 211-212.
Assinale a única alternativa em que a partícula que desempenha a mesma função sintática do que em Aqueles homens que violaram você ao lado da cruz, eles um dia pagarão (l. 14-15).
Instrução: As questões 01 a 05 referem-se ao texto abaixo.
Videiras de Cristal
- ____Bem mais tarde, quando o dormitório coletivo
- envolvia-se nas sombras e ________ apenas os roncos
- e os espaçados gemidos dos enfermos permeando o
- calor rançoso das respirações, Jacobina e Ana Maria
- Hofstäter estavam à janela, olhando as luzes da cidade:
- pouco a pouco se apagavam, e a fímbria de pontos
- luminosos às margens do rio ________ num cordão
- móvel, de uma sinuosidade ágil, como se alguém
- inconstante traçasse sucessivas linhas de um contorno.
- ____Haviam dividido o pão da avó Müller e o mastigavam
- sem fome.
- ____– Nunca aceite nenhuma violência – disse Jacobina,
- despertando de uma longa mudez. Aceitar a violência
- é negar a própria vida. Aqueles homens que violaram
- você ao lado da cruz, eles um dia pagarão.
- ____Ana Maria estremeceu. Desde o acontecimento do
- arroio nunca mais falaram no assunto.
- ____– A senhora acha que um dia eu vou casar?
- ____Ana Maria sentiu logo que não deveria perguntar isso.
- ____– Por que não? Irá casar, igual a Maria Sehn. –
- Jacobina voltou os olhos para Ana Maria. – Sei o que
- você está pensando. Mas uma coisa eu lhe asseguro:
- você é tão virgem como Maria Sehn era antes do
- casamento.
- ____Só, em sua cama, enrolada no exíguo cobertor
- que ________ os pés de fora e batendo o queixo de
- frio, Ana Maria pensava no jovem Haubert. Sempre
- acompanhando o tutor Robinson o Ruivo, Haubert
- foi ocupando um lugar no Ferrabrás, e não apenas nos
- corações dos chefes. Jovem como uma figueira de um
- ano, tinha o olhar caído e triste de um homem de
- quarenta. Gostaria que ele estivesse ali, junto com
- elas. Ele as protegeria. E adormeceu pensando: a
- saudade é a verdadeira medida do amor.
Adaptado de ASSIS BRASIL, L. A. Videiras de Cristal. Porto
Alegre: Mercado Aberto, 1997. 5ª edição. Páginas 211-212.
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir.
( ) Na oração o mastigavam sem fome (l. 10-11), o sujeito é indeterminado e o objeto direto é expresso pelo pronome o.
( ) Na oração uma coisa eu lhe asseguro (l. 22), o sujeito é o pronome eu, o objeto direto é uma coisa e o objeto indireto é expresso pelo pronome lhe.
( ) Na oração Ele as protegeria (l. 33), o sujeito é o pronome Ele e o objeto direto é expresso pelo pronome as.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Sentimentos Femininos
- Se estou conversando com uma mulher e os olhos dela se enchem de lágrimas – isso acontece
- frequentemente com amigas, colegas de trabalho e namoradas – tenho a sensação, tristíssima, de ser um
- humano defeituoso. É como se faltasse alguma coisa em mim que me impedisse de expressar meus
- sentimentos e emoções da mesma forma. Enquanto elas choram, abraçam, suspiram, tremem, riem, gritam
- e coram, eu tenho apenas o silêncio constrangido ou a racionalidade. Diante da algaravia exuberante dos
- sentimentos femininos, quase nada.
- A sensação não é minha apenas. A perplexidade dos homens frente ao repertório de emoções das
- mulheres é antiga e disseminada. Meu sentimento mais comum é de inveja – como elas conseguem ir tão
- fundo e tão rápido dentro de si mesmas, enquanto eu me sinto preso numa espécie de insensibilidade? –
- mas é possível também ter medo e raiva. É fácil ser frustrado ou afogado por essa aluvião de emoções. É
- comum que, por causa de sentimentos ou da ausência deles, a conversa entre homens e mulheres
- descambe para a mútua incompreensão.
- Houve um tempo, que terminou recentemente, em que era possível passar a vida no universo
- seguro das emoções masculinas. Nós ditávamos o mundo e estabelecíamos as regras de acordo com a
- nossa objetividade. Fora da intimidade do casal ou da família, não havia espaço para o vasto vocabulário
- das sensações femininas. Agora, isso mudou. As emoções das mulheres transbordaram para fora do
- ambiente doméstico e exigem ser levadas a sério. Isso criou, para todos nós, um mundo mais justo, mas
- muito mais complicado.
- Antes, uma mulher chorando no trabalho era motivo de escárnio e piada. Agora, é pelo menos tão
- sério quanto um cara esbravejando. Chefes perplexos passam horas administrando mágoas, inseguranças e
- ressentimentos que não são capazes de entender. É um mundo novo de sutilezas e sensibilidades que se
- impôs, a despeito da resistência dos homens. Se pudessem, eles diriam ___ mulheres que parassem de mimi-
- mi e voltassem ao trabalho, mas não podem. Elas conquistaram o direito de ser elas mesmas durante o
- expediente. Portanto, há que sentar, ouvir, conversar e acomodar sentimentos que aos homens,
- frequentemente, parecem exagerados e injustos, mas que se tornaram parte da realidade. Os homens - ao
- menos esta geração de homens - não compreendem, apenas aceitam. Este é outro motivo pelo qual as
- mulheres tendem ___ prosperar nas organizações modernas. Elas compreendem, e compreensão tornou-se
- essencial a qualquer projeto.
- Fora do trabalho, quando as pessoas não têm obrigação de se entender, as coisas se tornaram
- ainda mais difíceis. As mulheres querem colocar seus sentimentos na mesa e nós, homens, reagimos. Não é
- apenas o fiu-fiu que incomoda as moças nas calçadas e que os homens terão de aprender a suprimir. Há
- coisas mais sutis que emperram o convívio.
- É óbvio que um mundo que responda aos sentimentos de metade da população é um mundo mais
- justo. É evidente, até para o mais xucro dos homens, que não se pode construir uma sociedade, uma
- família ou uma relação de casal harmônicas ignorando a sensibilidade feminina. As mulheres oferecem ao
- planeta um olhar sutil, capaz de distinguir matizes de sentimentos e sensações que a cultura masculina não
- percebe. Com esse olhar ganha-se inteligência, amplitude e profundidade, mas não só. Há confusão
- também.
- A cultura em preto e branco do universo masculino funciona como proteção. A objetividade é um
- escudo contra o caos dos sentimentos. A cultura feminina permite a expressão de um leque maior de
- emoções e a percepção de um mundo mais complexo em seus detalhes, mas tem um lado B. Como se
- desliga a sensibilidade quando ela começa a se tornar autodestrutiva? Como se faz para lidar de forma
- organizada com o mundo exterior quando uma multidão de vozes contraditórias grita dentro de nós,
- exigindo expressão?
- O silêncio interior dos homens é uma coisa triste – como as lágrimas das mulheres frequentemente
- me fazem notar - mas ele permite ouvir o mundo com mais clareza. É um mundo mais simples esse que os
- homens habitam e enxergam, mas ele vem funcionando há milênios. Agora, as mulheres nos propõem o
- desafio de fazer funcionar um mundo mais parecido com elas – com mais cores, mais dimensões, mais
- detalhes e muitos mais sentimentos. Não vai ser fácil, mas não há alternativa. O mundo que os homens
- construíram ___ sua imagem e semelhança está ruindo. É necessário começar um mundo novo.
(Ivan Martins – Revista Época, 9 de março de 2016 – disponível em http://www.epoca.globo.com - adaptação)
Assinale a alternativa na qual a classificação da oração esteja INCORRETA:
ESTA VIDA
– Um sábio me dizia: esta existência, não vale a angústia de viver.
A ciência, se fôssemos eternos, num transporte de desespero inventaria a morte.
Uma célula orgânica aparece, no infinito do tempo.
E vibra, e cresce, e se desdobra, e estala num segundo. Homem, eis o que somos neste mundo. Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver dentro da própria morte, o encanto de morrer.
– Um monge me dizia: ó mocidade, és relâmpago ao pé da eternidade! Pensa: o tempo anda sempre e não repousa; esta vida não vale grande coisa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto; o riso, às vezes, quase sempre, um pranto. Depois o mundo, a luta que intimida, quatro círios acesos: eis a vida! Isto me disse o monge e eu continuei a ver, dentro da própria morte, o encanto de morrer.
– Um pobre me dizia: para o pobre, a vida é o pão e o andrajo vil que o cobre. Deus, eu não creio nesta fantasia. Deus me deu fome e sede a cada dia, mas nunca me deu pão, nem me deu água. Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa, de andar de porta em porta, esfarrapado. Deu-me esta vida: um pão envenenado. Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver, dentro da própria morte, o encanto de morrer.
– Uma mulher me disse: vem comigo! Fecha os olhos e sonha, meu amigo. Sonha um lar, uma doce companheira, que queiras muito e que também te queira. No telhado, um penacho de fumaça. Cortinas muito brancas na vidraça. Um canário que canta na gaiola. Que linda a vida lá por dentro rola! Pela primeira vez eu comecei a ver, dentro da própria vida, o encanto de viver.
Guilherme de Almeida
Quanto à regência verbal, considera-se correta a afirmação: