Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir...
Instrução: As questões 01 a 05 referem-se ao texto abaixo.
Videiras de Cristal
- ____Bem mais tarde, quando o dormitório coletivo
- envolvia-se nas sombras e ________ apenas os roncos
- e os espaçados gemidos dos enfermos permeando o
- calor rançoso das respirações, Jacobina e Ana Maria
- Hofstäter estavam à janela, olhando as luzes da cidade:
- pouco a pouco se apagavam, e a fímbria de pontos
- luminosos às margens do rio ________ num cordão
- móvel, de uma sinuosidade ágil, como se alguém
- inconstante traçasse sucessivas linhas de um contorno.
- ____Haviam dividido o pão da avó Müller e o mastigavam
- sem fome.
- ____– Nunca aceite nenhuma violência – disse Jacobina,
- despertando de uma longa mudez. Aceitar a violência
- é negar a própria vida. Aqueles homens que violaram
- você ao lado da cruz, eles um dia pagarão.
- ____Ana Maria estremeceu. Desde o acontecimento do
- arroio nunca mais falaram no assunto.
- ____– A senhora acha que um dia eu vou casar?
- ____Ana Maria sentiu logo que não deveria perguntar isso.
- ____– Por que não? Irá casar, igual a Maria Sehn. –
- Jacobina voltou os olhos para Ana Maria. – Sei o que
- você está pensando. Mas uma coisa eu lhe asseguro:
- você é tão virgem como Maria Sehn era antes do
- casamento.
- ____Só, em sua cama, enrolada no exíguo cobertor
- que ________ os pés de fora e batendo o queixo de
- frio, Ana Maria pensava no jovem Haubert. Sempre
- acompanhando o tutor Robinson o Ruivo, Haubert
- foi ocupando um lugar no Ferrabrás, e não apenas nos
- corações dos chefes. Jovem como uma figueira de um
- ano, tinha o olhar caído e triste de um homem de
- quarenta. Gostaria que ele estivesse ali, junto com
- elas. Ele as protegeria. E adormeceu pensando: a
- saudade é a verdadeira medida do amor.
Adaptado de ASSIS BRASIL, L. A. Videiras de Cristal. Porto
Alegre: Mercado Aberto, 1997. 5ª edição. Páginas 211-212.
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir.
( ) Na oração o mastigavam sem fome (l. 10-11), o sujeito é indeterminado e o objeto direto é expresso pelo pronome o.
( ) Na oração uma coisa eu lhe asseguro (l. 22), o sujeito é o pronome eu, o objeto direto é uma coisa e o objeto indireto é expresso pelo pronome lhe.
( ) Na oração Ele as protegeria (l. 33), o sujeito é o pronome Ele e o objeto direto é expresso pelo pronome as.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Gabarito comentado
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Gabarito: C) F – V – V
Tema central: Análise sintática: identificação de sujeito, objeto direto, objeto indireto e função pronominal em frases do texto literário.
Esta questão cobra, da perspectiva normativa, a habilidade de identificar funções sintáticas — essenciais para candidatos de alto padrão, pois envolvem interpretação fina de texto, reconhecimento do sujeito e interpretação do sentido dos pronomes oblíquos átonos (o, lhe, as).
Afirmação 1: “o mastigavam sem fome” – Falsa.
Justificativa: O sujeito não é indeterminado aqui! “Haviam dividido o pão da avó Müller e o mastigavam sem fome.” O sujeito é composto: quem dividiu e mastigava eram Jacobina e Ana Maria Hofstäter. O verbo “mastigavam” (3ª pessoa do plural) concorda com esse sujeito (explícito anteriormente). O objeto direto está correto: “o” substitui “pão”, mas o erro reside na identificação do sujeito como indeterminado; não o é! A alternativa é, portanto, falsa.
Afirmação 2: “uma coisa eu lhe asseguro” – Verdadeira.
Justificativa: Aqui, temos estrutura clássica: sujeito explícito: “eu”; objeto direto: “uma coisa” (o que é assegurado); objeto indireto: “lhe” (a quem se assegura). “Assegurar” aqui é transitivo direto e indireto. Norma consagrada em Bechara (Moderna Gramática Portuguesa): verbos bitransitivos comportam ambos complementos.
Afirmação 3: “Ele as protegeria” – Verdadeira.
Justificativa: Sujeito claramente expresso: “ele”. O pronome “as” exerce a função de objeto direto (refere-se a “elas”). O verbo “proteger” exige complemento direto, sem preposição.
Pontos de atenção: Observe como a identificação imprecisa do sujeito pode gerar dúvida: verbos no plural nem sempre sugerem sujeito indeterminado, sobretudo num texto literário com contexto explícito. Em provas, leia a frase anterior (sujeitos frequentemente são recuperados pelo contexto!).
Referências: Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”); Cunha & Cintra (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”).
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