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Pode-se dizer que os sinais de pontuação presentes no fragmento, pela ordem, são:
I. É um substantivo concreto.
II. É uma palavra que se encontra no grau diminutivo.
III. Ela é sinônima de “ribeiro” em “...enquanto se movimentava para o lado oposto do ribeiro.”
IV. Ela representa um local distante de onde ocorrem os fatos com os personagens.
Levando-se em consideração o texto I, pode-se dizer que se encontra correto o que foi dito apenas em:
( ) Trata-se de um texto narrativo o qual possui personagens, enredo, cenário e narrador.
( ) O texto não possui marcação de diálogo entre os personagens.
( ) Há o objetivo de deixar para o leitor uma mensagem de cunho moral ao final do texto.
( ) O elemento narrativo do tempo, ao ser mencionado como “Certo dia” (1º par.), apresentou-se como não específico.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se dizer que a ordem correta do que foi dito é:
Qual romance você está lendo?
Sempre pensei que fosse sábio desconfiar de quem não lê literatura. Ler ou não ler romances é para mim um critério. Quer saber se tal político merece seu voto? Verifique se ele lê literatura. Quer escolher um psicanalista ou um psicoterapeuta? Mesma sugestão. E, cuidado, o hábito de ler, em geral, pode ser melhor do que o de não ler, mas não me basta: o critério que vale para mim é ler especificamente literatura − ficção literária. Você dirá que estou apenas exigindo dos outros que eles sejam parecidos comigo. E eu teria de concordar, salvo que acabo de aprender que minha confiança nos leitores de ficção literária é justificada. Algo que eu acreditava intuitivamente foi confirmado em pesquisa que acaba de ser publicada pela revista Science, “Reading literary fiction improves theory of mind” [Ler ficção literária melhora a teoria da mente], de David C. Kidd e Emanuele Castano. A pesquisa mede o efeito imediato da leitura de trechos literários. Não sabemos se existem efeitos cumulativos da leitura passada: o que importa não é se você leu, mas se está lendo. Na próxima vez em que eu for chamado a sabatinar um candidato a um emprego, não me esquecerei de perguntar: qual é o romance que você está lendo?
Contardo Calligaris. Adaptado de www1.folha.uol.com.br.
A forma como um autor organiza as ideias num texto auxilia o leitor a concordar ou não com o ponto de vista expresso. Sobre a estrutura argumentativa criada pelo articulista para legitimar sua tese, é perceptível que ele.
Bicho gramático
Vicente Matheus (1908-1997) foi um dos personagens mais controversos do futebol brasileiro. Esteve à frente do paulista Corinthians em várias ocasiões entre 1959 e 1990. Voluntarioso e falastrão, o uso que fazia da língua portuguesa nem sempre era aquele reconhecido pelos livros. Uma vez, querendo deixar bem claro que o craque do Timão não seria vendido ou emprestado para outro clube, afirmou que “o Sócrates é invendável e imprestável”. Em outro momento, exaltando a versatilidade dos atletas, criou uma pérola da linguística e da zoologia: “Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático”.
(Adaptado de Revista de História da Biblioteca Nacional, jul. 2011, p. 85.)
O termo “pérola” designa popular e ironicamente um dito ou um fato um tanto ou quanto tolo, quer pelo conteúdo, quer pela forma como é dito. Sobre isso, percebem-se no texto várias dessas transgressões linguísticas creditadas a uma figura do meio da cartolagem do futebol – Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians. Com relação a um dos equívocos que causam o efeito de humor, é correto dizer que o autor das falas mencionadas no texto
( ) Em “Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutum, tinha dito: ‘É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre’.” – tal passagem, no início da narrativa, serve de prenúncio da condição visual limitada que Miguilim possuía na história, o que seria revelado na parte final com a observação e a ação precisas de José Lourenço.
( ) Em “Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...” – esta passagem é representativa da revelação que Miguilim tivera sobre a realidade objetiva do Mutum e, figurativamente, por outro lado, simboliza um “rito de passagem” promovida pela luz do conhecimento obtido.
( ) Passagens no texto I, como “Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha”; “Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando?”; “Miguilim espremia os olhos.”; “Este nosso rapazinho tem a vista curta.”; e “O Mutum era bonito! Agora ele sabia.” revelam, do início da narrativa, ao seu desfecho, a baixa acuidade visual do personagem Miguilim a qual comprometeu, na história, não apenas sua forma de enxergar a realidade física e objetiva do mundo, mas também a capacidade analítica do que este simboliza na realidade.
( ) Em “Por fim, disse. Pediu. O doutor entendeu e achou graça. Tirou os óculos, pôs na cara de Miguilim. E Miguilim olhou para todos, com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima do morro, aqui a casa, a cerca de feijãobravo e são-caetano; o céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo, florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia.” – esta descrição feita do Mutum representa metaforicamente o que este significava para Miguilim: um cenário especial cuja riqueza maior eram as pessoas queridas no seu convívio.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se dizer que se tem pela ordem a seguinte sequência.
I. Nota-se que os falantes do dialeto rural do sertão mineiro sofreram preconceito linguístico pelos personagens oriundos do contexto urbano.
II. Observa-se na obra uma inovação linguística quanto à expressividade diatópica do sertão mineiro, a partir da disposição da sintaxe e do emprego de neologismos por parte dos personagens.
III. Restringe-se o aspecto lexical da obra a uma linha escorreita de uso do idioma, o que gera conflito, muitas vezes, de natureza incompreensível por parte dos personagens oriundos de classes sociais diferentes.
IV. Evidencia-se uma diferença da modalidade sociolinguística envolvendo a fala de um personagem do contexto urbano, como José Lourenço, em relação à dos moradores do Mutum, como Miguilim e sua mãe Nhanina.
Pode-se dizer que se encontra correto o que fora dito somente em:
E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito — Olha, agora!
Considerando-se o papel da Literatura quanto à exposição da realidade para os leitores, nota-se que o fato em evidência transmite um aspecto que vai além da boa ação do personagem. Nessa perspectiva de ambivalência das palavras no contexto literário, podem-se compreender os “óculos” ofertados a Miguilim como uma ferramenta representativa de: