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A forma verbal destacada no trecho acima, de uso popular, pode ser substituída corretamente, de acordo com a norma-padrão, por:
ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se à questão.
O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou uma mudança significativa na composição familiar do Brasil: pela primeira vez, 34,1% das mulheres aparecem como responsáveis pelos domicílios, superando o percentual de 25% que ocupa a posição de cônjuge ou companheira. Em 2010, o cenário era inverso, com 29,7% das mulheres como cônjuges e apenas 22,9% como responsáveis pelos lares.
Em termos gerais, os homens ainda são a maioria (50,9%) no comando das residências, somando 37 milhões. Entretanto, as mulheres já representam 49,1% das chefes de domicílios, que correspondem a cerca de 36 milhões de lares. De 2010 para cá, houve uma redução na diferença: naquele ano, 61,3% dos domicílios eram liderados por homens, contra 38,7% por mulheres.
Em termos de idade, a maioria dos responsáveis pelos lares é mais velha do que em 2010, o que reflete um envelhecimento geral da população. Os estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul apresentaram as maiores proporções de domicílios unipessoais, com 23,4% e 22,3%, respectivamente, indicando uma população envelhecida.
https://exame.com/brasil/total-de-mulheres-responsaveis por-domicilios-cresce-revela-censo-2022/
Sinais sutis de subdesenvolvimento
Existem sinais claros para identificar um lugar subdesenvolvido: esgoto a céu aberto, lixo acumulado nas ruas e nas calçadas, subnutrição, gente morrendo de doenças para as quais já existem vacina e remédio, como disenteria e tuberculose. Agora, existem muitos outros sinais de uma cultura subdesenvolvida, primitiva até, sinais sutis de que ainda não nos encontramos num estágio mais avançado e desejado de civilidade e desenvolvimento.
Viajar para um lugar no exterior indiscutivelmente mais civilizado e desenvolvido e depois voltar ao Brasil e chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos é um choque. Nosso maior e mais movimentado aeroporto já nos recebe no Terminal 3 com um cheiro fétido de esgoto vindo dos banheiros ou sabe-se lá de onde. Carrinhos para colocar a bagagem? “Estamos em falta hoje”, me disse o rapazinho simpático, que com outros dois funcionários conversavam tranquilamente sobre o nada escorados numa parede perto da esteira. Alguém tomar a iniciativa de informar a falta dos carrinhos ou ir buscar? Zero. Proatividade e produtividade nem de longe são pontos fortes aqui.
Depois, se via lixo espalhado por todo lado: embalagens de biscoito e de chocolate, copinhos e garrafinhas de plástico, papéis, guardanapos no chão, nas poltronas, nas mesinhas perto dos tótens de carregar celular. Pior foi ver a porquice (sim, porquice, coisa de gente porca) no portão de embarque de determinada companhia aérea: restos de adesivos e cartões de embarque jogados no chão e mais papéis, num claro sinal de desleixo da equipe. Por menor que seja o salário de alguém, manter seu local de trabalho limpo e organizado é o mínimo que qualquer profissional deve fazer. Mas o papinho sobre os acontecimentos do final de semana parecia bem animado; e os longos cílios postiços e as unhas compridas e pontudas irretocáveis exibiam um “autocuidado” contrastante com o desleixo ao redor do balcão.
Eu era do tipo que chamava a atenção de quem jogava lixo na rua. Eu era do tipo que até mesmo juntava o lixo dos outros e colocava na lixeira para manter um lugar limpo. Não faço mais isso. Cansei. Lutar praticamente sozinha por espaços públicos mais civilizados é uma luta cansativa e frustrante, porque outro sinal sutil de subdesenvolvimento é essa coisa de “não dá nada”: as pessoas descumprem as regras mínimas de civilidade — como jogar o lixo na lata de lixo ou não fazer o seu trabalho direito — e nada acontece com elas, nem mesmo uma reprimenda.
O máximo que posso fazer é manter meu lar, meu quintal, minha calçada, o “meu jardim” o melhor e mais civilizado que posso. Se aqui não dão conta nem dos graves sinais de subdesenvolvimento, como a falta de saneamento básico, o que dirá o resto.
Autora: Candice Soldatelli - GZH (adaptado).
Leia para responder à questão
As estações do metrô de Moscou ganharam o apelido de “catedrais subterrâneas” porque, em muitos casos, foram concebidas para impressionar tanto quanto para transportar. Inaugurado em 1935, o sistema nasceu num período em que a infraestrutura era também linguagem política: o subsolo deveria expressar ordem, grandeza e promessa de futuro. Em vez de corredores utilitários, surgiram salões amplos, colunas ritmadas, abóbadas e luminárias que lembram naves de templos — não para sugerir religiosidade, mas para elevar o cotidiano à condição de espetáculo urbano.
A estética dessas estações dialoga com o realismo socialista e com tradições arquitetônicas russas e europeias, combinando mármores, granitos, bronze, vitrais, mosaicos e relevos. O resultado é uma arquitetura narrativa: cada estação parece “contar” algo por meio de materiais e símbolos, como se o percurso fosse também uma galeria. Essa intenção se revela na escala e no detalhe — do brilho das cúpulas às molduras das portas, do desenho dos pisos aos frisos com cenas históricas —, tudo organizado para conduzir o olhar e, ao mesmo tempo, disciplinar o fluxo de pessoas.
Algumas estações tornaram-se ícones justamente por condensarem esse projeto de monumentalidade. Em Komsomolskaya, a sensação é a de um grande salão cerimonial; em Mayakovskaya, a elegância das linhas e os painéis no teto criam um efeito quase cinematográfico; em Ploshchad Revolyutsii, esculturas em tamanho real aproximam o passageiro de figuras idealizadas do imaginário soviético; em Novoslobodskaya, vitrais e iluminação compõem um clima raro para um espaço de circulação rápida. São ambientes pensados para serem atravessados, mas também para serem vistos, como se a pressa tivesse de conviver com a contemplação.
A profundidade de várias linhas e a robustez da engenharia também carregam história. Durante a Segunda Guerra Mundial, o metrô serviu como abrigo e espaço estratégico pensado, o que reforçou a percepção de que aquele subterrâneo não era apenas trânsito, mas refúgio e cidade paralela. Assim, a beleza não aparece isolada: ela se apoia em soluções técnicas, ventilação, escadas rolantes longas e estruturas capazes de sustentar tanto a rotina quanto momentos de crise, mantendo a sensação de permanência mesmo em tempos instáveis.
Com o passar das décadas, novos trechos e estações foram incorporando estilos diferentes, do monumental ao mais sóbrio e funcional, conforme mudavam as prioridades estéticas e econômicas. Ainda assim, a imagem das “catedrais subterrâneas” persiste porque o metrô de Moscou preserva uma ideia rara: a de que a infraestrutura pode ser, simultaneamente, ferramenta e símbolo. No vai e vem diário, a arquitetura não serve apenas de fundo; ela participa do gesto de atravessar a cidade, lembrando que, às vezes, o caminho é tão expressivo quanto o destino.
Considerando a forma verbal “cantávamos”, assinale a alternativa que classifica corretamente a palavra quanto à presença e à função dos morfemas que a compõem.
Do ponto de vista morfossintático, a locução verbal caracteriza-se pela:
“Quando cheguei, ele já tinha saído.”
Em termos de tempo verbal, a forma verbal “tinha saído” pode ser classificada como:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A conexão primordial
A comunicação fundamenta as relações humanas, transmite sentimentos, experiências e conhecimentos, permitindo ao indivíduo compreender a si mesmo e ao mundo. Desde a Grécia Antiga, o diálogo ocupa lugar central na construção das ideias, como demonstram os métodos filosóficos baseados na palavra, na escuta e na reflexão coletiva.
Na educação, o pensamento de Paulo Freire reafirma o diálogo como prática transformadora, capaz de construir sentidos e promover consciência crítica. No entanto, em uma sociedade marcada pela superexposição e pela comunicação mediada por tecnologias, a linguagem tende a se esvaziar, tornando as interações mais rápidas, superficiais e individualizadas.
O diálogo exige presença, referências físicas e envolvimento emocional, pois olhar, escutar e sentir são dimensões essenciais da experiência humana. Valorizar a conversa, as vivências compartilhadas e as relações comunitárias significa reconhecer o diálogo como ato ético, estético e transformador, capaz de fortalecer vínculos, promover a fraternidade e projetar um futuro mais humano e solidário.
Texto Adaptado
GEDEON, Leo. A conexão primordial. A Folha Torres, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: https://afolhatorres.com.br/colunas/a-conexao-primordial/ . Acesso em: 18 jan. 2026.
O verbo destacado na frase encontra-se conjugado no:
O verbo destacado na frase encontra-se conjugado no:
“[…] Quando tornei ao Rio de Janeiro em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. […]”
Machado de Assis, Missa do Galo.
O verbo destacado no trecho é:
O verbo destacado na frase encontra-se conjugado no:
Leia o texto e responda à questão.
A vida secreta dos áudios: por que a gente ouve em 1,5x e
responde “kkk” com seriedade.
Tem gente que escreve “bom dia” e segue a vida. E tem
gente que aperta o microfone, inspira como quem vai narrar um documentário e
manda: “Vou te explicar rapidinho”, sinal claro de que nada ali será rápido. A
verdade é que o áudio virou uma espécie de bilhete falado, só que com um
tempero de intimidade e um toque de suspense, porque nunca dá para saber se vem
uma dúvida simples ou uma novela em capítulos, com participação especial do
cachorro latindo e da panela de pressão opinando ao fundo.
Eu, que já fui uma pessoa que ouvia em velocidade
normal, hoje sou um cidadão da era 1,5x. É um estilo de vida. Não é pressa, é
sobrevivência. O áudio chega, eu já imagino a cena: alguém andando na rua,
vento no microfone, passos dramáticos, e a frase clássica: “Você tá me
ouvindo?”. Estou. Só não do jeito que você imaginou. Eu ouço em 1,5x com a
mesma seriedade de quem lê um contrato. Às vezes, em 2x, quando aparece aquele
“deixa eu contextualizar” que vem junto com quinze anos de história familiar e
um resumo do clima na cidade.
E aí surge o grande dilema moral: como responder?
Porque o áudio tem um peso. Um texto pode ser seco, mas o áudio tem sorriso,
tem pausa, tem o “ééé…” que revela o pensamento chegando atrasado. Só que a
gente, prático e moderno, devolve um “kkk” que, dependendo do momento,
significa: “entendi”, “tô com você”, “vou responder depois”, “não sei o que
dizer” e, em casos extremos, “só Deus na causa”. O “kkk” é o canivete suíço das
relações humanas. Você abre e ele vira o que precisar.
No grupo de trabalho, então, o áudio ganha vida
própria. Tem o colega que manda um áudio de quatro minutos para dizer que
atrasou cinco. Tem o professor que, no intervalo, grava olhando para o pátio e,
sem querer, dá aula de sociologia e de meteorologia ao mesmo tempo. Tem a
pessoa que fala baixinho, como se estivesse dentro de uma biblioteca secreta, e
você aumenta o volume só para ouvir junto o som da vida inteira do prédio. E
tem aquele áudio perigoso, o do “posso te ligar?”. Esse é o áudio que não é áudio,
é um aviso de tempestade.
Eu gosto de pensar que existe uma etiqueta invisível.
Tipo: se é urgente, escreve. Se é longo, avisa. Se é confidencial, não manda no
meio da feira. Mas a etiqueta do século é outra. A etiqueta é: manda, e quem
recebe que se vire. E a gente se vira. A gente aprende a ler emoções em
velocidade acelerada, como se o coração também tivesse um botão de ajuste. A
gente identifica tristeza em 1,5x, alegria em 2x, e indignação até em 0,5x, que
é quando você volta para entender exatamente onde a conversa desandou.
Naquele dia, eu estava prestes a responder um áudio
enorme com o meu “kkk” diplomático, quando reparei num detalhe. A voz do áudio
tinha um ritmo estranho, como se fosse uma versão ligeiramente mais rápida do
que eu lembrava. Voltei para 1x. A voz ficou… conhecida demais. Voltei para
0,5x, só para garantir. E foi aí que eu ouvi, no fundo, bem baixinho, uma coisa
que eu nunca esperaria ouvir no áudio de outra pessoa.
O clique do meu próprio microfone. E a minha própria
voz, do mês passado, dizendo: “Vou te explicar rapidinho”.
Na hora, eu entendi o desfecho inesperado dessa era.
Eu não estava só ouvindo áudios demais. Eu estava, discretamente, virando o
tipo de pessoa que manda áudios demais. E, por um segundo, eu tive vontade de
me responder com um “kkk” bem sério, em 2x, só para manter a tradição.
Fonte: Banca Examinadora