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Q3916757 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Escrever é verbo que briga com o sujeito


   No ofício da literatura, linguagem é mais do que meio: é princípio e fim. A literatura cria, à medida que é escrita, as regras pelas quais exigirá ser lida. É por isso que o terreno nunca vai estar inteiramente mapeado; o risco é parte inseparável do jogo. Se há algo de "universal” aí, é negativo: uma permanente insatisfação parece ser comum a gente de variadas épocas e escolas. O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento. "Profissionais do texto" que miram um objeto existente fora do mundo da linguagem podem se sentir plenos ao informar, relatar, dissertar, argumentar, resumir, requerer, inventariar etc. Não por acaso, são essas as funções da escrita em que a IA já se tornou competente.

   Na escrita criativa não se tem a mesma sorte. A insatisfação eterna sugere um ajuste precário entre sujeito e verbo, “escritor" e "escrever". É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar. Qualquer que seja o fenômeno psíquico que leva alguém à escrita, será informação de interesse para quem escreve, mas irrelevante para quem lê. O propósito terapêutico que possa ser extraído do conhecimento da ferida anímica que provoca o texto não importa no mundo do texto.

   O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele. Olha para o lado oposto: para fora do sujeito, para o mundo das palavras. Então os escritores são todos uns neuróticos? O romancista americano E.L. Doctorow tem uma frase famosa que sugere distúrbio mais grave: "Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia". Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade - quem escreve pode mesmo "ouvir" vozes dentro da cabeça. Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo. Embora possa parecer, nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura. Escrever é só um ofício entre tantos, mas em certos aspectos não se assemelha a nenhum outro - o que é natural.


(RODRIGUES, Sérgio. "Ilustrada". Folha de S. Paulo. 20 agosto de 2025)
Justifica-se plenamente o emprego do plural em todas as formas verbais em: 
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Gabarito: LETRA E

  • O verbo “aplaudam-se” está no plural porque o sujeito é “os esforços bem sucedidos” (plural).
  • Na oração seguinte, “dos que as fizeram exuberantes”, o verbo “fizeram” também está no plural, pois se refere a “os que” (plural).

Portanto, todas as formas verbais estão corretamente no plural.

ERRO DA LETRA "A" (AS DEMAIS ALTERNATIVAS SÃO OBVIAS)

O erro da oração está na regência verbal e na estrutura do verbo “caber”.

“Aos criadores literários cabem respeitar a importância decisiva que as palavras ganham, para além do que informam.”

O verbo “caber”, quando tem sentido de competência ou dever, normalmente exige substantivo ou oração introduzida por “que”, e não infinitivo direto (“respeitar”).

Ou seja, “cabem respeitar” fica gramaticalmente inadequado.

Algumas correções possíveis:

Aos criadores literários cabe respeitar a importância decisiva que as palavras ganham, para além do que informam.

ou

Aos criadores literários cabe que respeitem a importância decisiva que as palavras ganham, para além do que informam.

FIZ ASSIM:

GABARITO E

Aos criadores literários cabem respeitar a importância decisiva que as palavras ganham, para além do que informam. ( CABE )

Reconheçam-se nos profissionais da literatura a alta responsabilidade que assumem em seu ofício. ( RECONHEÇA )

São de se louvar, entre os artistas de todas as linguagens, o apuro dos meios que se emprega em sua expressão. ( É )

Adicionem-se aos gênios proclamados o mérito de quem os compreenderam para proclamá-los. ( ADICIONE )

Aplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem sucedidos dos que as fizeram exuberantes. ( CORRETA, AMBAS NO PLURAL )

Qual é o erro da A?:

a) Aos criadores literários cabem respeitar a importância decisiva que as palavras ganham, para além do que informam.

O correto seria:

a) Aos criadores literários cabe respeitar a importância decisiva que as palavras ganham, para além do que informam.

Nesse caso, o verbo "respeitar" atua como sujeito oracional.

Veja como a frase ficaria na ordem direta:

Respeitar a importância decisiva que as palavras ganham, para além do que informam, cabe aos criadores.

Portanto, o verbo "cabem" está incorreto, pois deve concordar com o sujeito oracional "Respeitar", que está no singular, o que torna a alternativa A incorreta.

Fonte: acabei de criar.

Qualquer erro, avisem-me!

A alternativa correta é:

E) Aplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem sucedidos dos que as fizeram exuberantes.

✅ Por quê?

Aqui todas as formas verbais no plural estão corretamente justificadas:

  • “Aplaudam-se” → concorda com o sujeito plural “os esforços”
  • “fizeram” → concorda com “os que” (plural)

concordância verbal adequada em toda a frase.

❌ Por que as outras estão erradas?

A)

“Aos criadores literários cabem respeitar...”

❌ Problema:

  • O correto seria “cabe respeitar”, pois o sujeito da oração é “respeitar...” (oração infinitiva, singular).
  • “cabem” está indevidamente no plural.

B)

“Reconheçam-se nos profissionais da literatura a alta responsabilidade...”

❌ Problema:

  • Sujeito: “a alta responsabilidade” (singular)
  • O correto: “Reconheça-se”

C)

“São de se louvar... o apuro dos meios...”

❌ Problema:

  • Sujeito: “o apuro” (singular)
  • O correto: “É de se louvar”

D)

“Adicionem-se... o mérito de quem os compreenderam...”

❌ Problema:

  • “quem” exige verbo no singular:
  • correto: “quem os compreendeu”

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