Questões de Concurso Comentadas para nutricionista

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Q3969537 Nutrição
No contexto das Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) em Unidades de Alimentação e Nutrição, é incorreto afirmar que a bactéria
Alternativas
Q3969536 Segurança e Saúde no Trabalho
Referente ao controle de qualidade nos processos de produção e higiene dos alimentos em Unidades de Alimentação e Nutrição (UANs), as normas da International Organization for Standardization (ISO) desempenham papel fundamental. O objetivo das normas da ISO é promoção da normalização de produtos e serviços para que a qualidade destes seja sempre melhorada. A primeira norma internacional divulgada foi NBR ISO 9000:2000, posteriormente a NBR ISO 14000 e mais recentemente a norma NBR ISO 22000.

STEFANI, M.P., SILVA, S.P., STEFANI, G.P. In.: Gestão em Unidades de Alimentação e Nutrição da Teoria à Prática. Antunes, MT, Bosto, SMD. 1ª ed. Curitiba: Appris, 2019.


Considerando as normas da International Organization for Standardization (ISO), é correto afirmar que
Alternativas
Q3969535 Nutrição
Segundo a Resolução no 216 de 2004, assinale a alternativa que contém os quatro itens de procedimentos operacionais padronizados que devem ser implementados em serviços de alimentação. 
Alternativas
Q3969534 Nutrição
De acordo com Silva jr. (2020), “sobra é todo excedente de alimento industrializado, in natura, pré preparado ou pronto para o consumo que não foi utilizado no dia de sua preparação. Sobra limpa é todo o excedente da preparação que está sob controle, respeitando os critérios de segurança definidos nas Boas Práticas, no Procedimentos Operacionais Padronizados e no Sistema Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle. O reaproveitamento mais comum é o de sobras de alimentos prontos não distribuídos, também chamada de sobras limpas, as quais devem ter um perfeito controle de tempo e temperatura, para que os microrganismos não se multipliquem excessivamente até o consumo”.

SILVA JR., Eneo Alves. Sobra de Alimentos. In.: Manual de Controle Higiênico Sanitário em Serviços de Alimentação. Eneo Alves da Silva Jr. – 8ª ed. – 818 p. São Paulo: Livraria Varela, 2020. 



Assinale a alternativa correta que apresenta critérios para melhor controlar a multiplicação de microrganismos nos alimentos.
Alternativas
Q3969533 Gestão de Pessoas
Segundo Vazquez e Antunes (2019), a qualidade e o sucesso na gestão de pessoas em estabelecimentos ou setores que lidam com a produção e distribuição de refeições estão relacionados ao estabelecimento e ao gerenciamento eficiente dos processos que envolvem os trabalhadores. As atividades desenvolvidas pelos trabalhadores são tarefas do dia a dia, pré-estabelecidas, e realizadas de forma rotineira.
Considerando a gestão de pessoas, relacione os processos de gerenciamento na coluna I com seu significado ou objetivo na coluna II.

COLUNA I 
1. Treinamento. 2. Educação ou Desenvolvimento de Pessoal.
COLUNA II
( ) Preparar o trabalhador para a execução das suas tarefas no cargo que ocupa, visando à redução do esforço e à eficiência com segurança.

( ) Promover bom desempenho nas tarefas de rotina; conscientizar sobre responsabilidades, deveres e direitos; ensinar o uso adequado do equipamento; padronizar conhecimento e informação.

( ) Preparar o trabalhador para fazer melhor a sua atividade diária, compreender ações que promovam e estimulem o crescimento pessoal do indivíduo ou da equipe.

( ) Aprimorar tecnicamente, desenvolver a competência pessoal e interpessoal, capacitar para novas oportunidades internas e externas, aumentar o nível de comprometimento, reduzir o índice de absenteísmo.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta
Alternativas
Q3969532 Segurança e Saúde no Trabalho
De acordo com Barreto (2016), “o conceito de segurança no trabalho visa eliminar, prevenir ou corrigir riscos de acidentes decorrentes de realização de uma tarefa para proteger a vida do ser humano. No Brasil, a Segurança do Trabalho é regida por Normas Regulamentadoras (NRs) e por leis e portarias complementares”.

Sobre as normas de segurança é incorreto afirmar que
Alternativas
Q3969531 Saúde Pública
De acordo com informe técnico nº 11 da ANVISA de 5 de outubro de 2004, “o resíduo hospitalar é aquele que apresenta risco potencial à saúde e ao meio ambiente, devido à presença de material biológico, químico, radioativo e perfurocortante. O tratamento adequado previne infecções cruzadas, proporciona conforto e segurança à clientela e à equipe de trabalho, bem como mantém o ambiente limpo e agradável.” (apud Adorne et al., 2019).
O Grupo D refere-se a resíduos com características similares aos resíduos domésticos comuns, como por exemplo, lixo administrativo, limpeza de pátios e jardins, restos de alimentos. Para a segregação desse lixo, é recomendado um código de identificação do tipo de resíduo.
Associe a coluna I à coluna II, conforme o código e a identificação do tipo de resíduo.


COLUNA I 
1. Verde. 2. Vermelho. 3. Amarelo. 4. Azul. 5. Marrom. 6. Cinza.
COLUNA II
( ) Papel. ( ) Vidro. ( ) Orgânicos. ( ) Plásticos. ( ) Metais. ( ) Resíduos não aproveitáveis.


Assinale a alternativa que apresente a sequência correta.
Alternativas
Q3969530 Nutrição
Conforme afirmam Adorne et al. (2019), “a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) emitiu em 5 de outubro de 2004 o Informe Técnico n.º 11, que aborda o modo de destinação dos resíduos de gorduras e óleos comestíveis utilizados em estabelecimentos alimentícios.”

ADORNE, EF; BITTENCOURT, KF; CARVALHO, LJ. Gestão de resíduos em unidade de alimentação e nutrição. In.: Gestão em Unidades de Alimentação e Nutrição da Teoria à Prática. Antunes, MT, Bosto, SMD. 1ª ed. Curitiba: Appris, 2019.


Em relação às orientações de destinação dos resíduos de gorduras e óleos comestíveis em estabelecimentos alimentícios, é incorreto afirmar que
Alternativas
Q3969528 Nutrição
“O Programa de Alimentação do Trabalhador é um programa do governo federal, que tem como objetivo melhorar as condições nutricionais dos trabalhadores, com repercussões positivas para a qualidade de vida, a redução de acidentes de trabalho e o aumento da produtividade”.

BANDONI, DH & Canella, DS. Programa de Alimentação do Trabalhador. In.: Políticas Públicas de Alimentação e Nutrição. Organizadora: Patrícia Constante Jaime. – 2ª ed. – Rio de Janeiro: Atheneu, 2024.


Assinale (V) verdadeiro ou (F) falso, diante de cada afirmativa a seguir.

( ) Adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador é voluntária às empresas e compulsória aos trabalhadores, sendo a participação financeira do trabalhador no Programa limitada a, no máximo, 20% do custo direto da refeição.

( ) As empresas são obrigadas a incluir como beneficiários do programa todos os trabalhadores que recebem até cinco salários-mínimos; acima desta faixa salarial, a participação dos trabalhadores não é permitida.

( ) O Decreto n.10.854, de 2021, não menciona a revogação da Portaria Interministerial n.66, de 2006, mas revoga o Decreto n.5, de 1991, ao qual a Portaria estava vinculada. Assim, o Decreto retira os parâmetros nutricionais do PAT, a despeito de sua importância.

( ) A Portaria n. 672, de 2021, menciona a necessidade de responsável técnico (RT) nutricionista apenas para pessoas jurídicas cadastradas no PAT que mantêm serviço de alimentação próprio e para as empresas fornecedoras de alimentação coletiva.


A sequência correta é:
Alternativas
Q3969527 Nutrição
“O atual cenário de transição epidemiológica e nutricional no país, associado ao aumento significativo de doenças crônicas não transmissíveis, aponta para a necessidade de desenvolvimento de políticas públicas e a ampliação de ações intersetoriais que repercutem positivamente sobre os determinantes de saúde e nutrição. Neste contexto, a alimentação adequada e saudável vem ganhando espaço na agenda das políticas públicas. As diferentes ações de promoção da alimentação adequada e saudável (PAAS) ocorrem em diversos níveis e modalidades e são pensadas no sentido de estimular a autonomia dos indivíduos para a realização de escolhas que favorecem a adoção de práticas alimentares e de vida saudáveis”.  


RAUBER, F & JAIME, PC. Promoção da alimentação adequada e saudável. In.: Políticas Públicas de Alimentação e Nutrição. Organizadora: Patrícia Constante Jaime. – 2ª ed. – Rio de Janeiro: Atheneu, 2024
Os autores exemplificam as ações de incentivo, apoio e proteção à Promoção da Alimentação Adequada e Saudável. Associe a coluna I à coluna II em relação aos exemplos de cada ação. 

COLUNA I 
1. Ações de incentivo. 2. Ações de proteção. 3. Ações de apoio.
COLUNA II
( ) Marco de Referência para Educação Alimentar e Nutricional; Guia Alimentar para a População Brasileira; Alimentos Regionais Brasileiros.

( ) Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano; Programa de Aquisição de Alimentos; Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil.

( ) Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL); Rotulagem Nutricional Frontal para Alimentos Industrializados.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.  
Alternativas
Q3969526 Nutrição
“O atual cenário de transição epidemiológica e nutricional no país, associado ao aumento significativo de doenças crônicas não transmissíveis, aponta para a necessidade de desenvolvimento de políticas públicas e a ampliação de ações intersetoriais que repercutem positivamente sobre os determinantes de saúde e nutrição. Neste contexto, a alimentação adequada e saudável vem ganhando espaço na agenda das políticas públicas. As diferentes ações de promoção da alimentação adequada e saudável (PAAS) ocorrem em diversos níveis e modalidades e são pensadas no sentido de estimular a autonomia dos indivíduos para a realização de escolhas que favorecem a adoção de práticas alimentares e de vida saudáveis”.  


RAUBER, F & JAIME, PC. Promoção da alimentação adequada e saudável. In.: Políticas Públicas de Alimentação e Nutrição. Organizadora: Patrícia Constante Jaime. – 2ª ed. – Rio de Janeiro: Atheneu, 2024
Considerando os diferentes tipos de ações de promoção da alimentação adequada e saudável e seu respectivo objetivo, relacione as colunas I e II.

COLUNA I 
1. Ações de incentivo. 2. Ações de proteção. 3. Ações de apoio.
COLUNA II
( ) Evitam a exposição a fatores que dificultam as escolhas alimentares. ( ) Estimulam práticas alimentares saudáveis por meio da informação. ( ) Facilitam o acesso a opções alimentares saudáveis entre pessoas.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.  
Alternativas
Q3969525 Nutrição
Com base nos princípios que orientam a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) nas políticas públicas brasileiras, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3969524 Nutrição
Considerando os princípios que orientam a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) no contexto da atenção básica, relacione os documentos da coluna I com suas respectivas descrições na coluna II.

COLUNA I - Documentos
1. Marco de Referência de EAN para Políticas Públicas (BRASIL, 2012). 2. Guia Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2014). 3. Princípios e Práticas para EAN (BRASIL, 2018).

COLUNA II - Descrições
( ) Documento que orienta escolhas alimentares baseadas em alimentos in natura e minimamente processados, respeitando práticas alimentares regionais e culturais.
( ) Documento que propõe abordagem pedagógica centrada no diálogo, valorização dos saberes prévios e construção coletiva do conhecimento.
( ) Documento que defende ações intersetoriais, participativas e pautadas na promoção da autonomia e da segurança alimentar e nutricional.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Alternativas
Q3967450 Legislação Federal
Em relação às disposições da Lei nº 11.091/2005, que dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, no âmbito das Instituições Federais de Ensino vinculadas ao Ministério da Educação, e dá outras providências, assinale a assertiva incorreta.
Alternativas
Q3967449 Direito Administrativo
Em relação ao processo administrativo disciplinar conforme os preceitos da Lei nº 8.112/1990, que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso, diante de cada afirmativa a seguir.

( ) A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa.

( ) Poderá participar de comissão de sindicância ou de inquérito, cônjuge, companheiro ou parente do acusado, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, desde que aprovado pela autoridade máxima do órgão ou entidade de lotação.

( ) Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá determinar o seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias, com prejuízo da remuneração.

( ) O processo disciplinar será conduzido por comissão composta de três servidores estáveis designados pela autoridade competente, que indicará, dentre eles, o seu presidente, que deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado.


A sequência correta é:
Alternativas
Q3967448 Direito Administrativo
Considerando as disposições da Resolução nº 04/1999, que aprova o Estatuto da Universidade Federal de Minas Gerais, assinale a assertiva incorreta.
Alternativas
Q3967447 Direito Administrativo
Considerando as disposições do Regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, Lei nº 8.112/1990, analise as seguintes informações sobre o Estágio Probatório.

I. Caso o servidor não seja aprovado no estágio probatório será exonerado ou, se estável, reconduzido ao cargo anteriormente ocupado.

II. Durante o período de estágio probatório, o servidor será avaliado para o desempenho do cargo e serão avaliados os seguintes fatores: assiduidade, disciplina, capacidade de iniciativa, produtividade e responsabilidade.

III. Ao servidor em estágio probatório poderá ser concedida, a critério da Administração, licença para tratar de interesses particulares.

IV. O servidor em estágio probatório não poderá exercer funções de direção, chefia ou assessoramento no órgão ou entidade de lotação.


Estão corretas as afirmações 
Alternativas
Q3967446 Português
Texto I


Rumo a um turboconsumidor


    Desde o fim dos anos 1970, enquanto a tecnologização moderna dos lares é quase generalizada, desenvolve-se seu pluriequipamento, que significa a passagem de um consumo ordenado pela família a um consumo centrado no indivíduo. Os efeitos dessa multiplicação dos objetos pessoais são importantes, podendo cada um, dessa maneira, organizar sua vida privada em seu próprio ritmo. Recursos de telefonia e de multimídia provocaram a hiperindividualização da utilização dos bens de consumo, das defasagens dos ritmos no interior da família, da dessincronização das atividades cotidianas e dos empregos do tempo. Em suas bandeiras, a sociedade de hiperconsumo pode escrever em letras triunfantes: “Cada um com seus objetos, cada um com seu uso, cada um com seu ritmo de vida”.

    A sociedade de hiperconsumo, longe de arruinar o sistema do desejo e do consumo, empenha-se, não sem sucesso, em mantê-lo cada vez mais desperto, ampliando seu regime temporal. A lógica do turboconsumismo encontra sua realização nas redes eletrônicas, graças às compras pela internet. O ciberconsumidor liberta-se de todos os entraves espaço-temporais. Há supressão das barreiras ligadas não apenas ao espaço, mas também ao acesso à informação: graças aos sites de comparação de preços, o internauta pode informar-se em tempo real sobre os produtos e serviços, compará-los a qualquer hora antes de fazer sua escolha. É um sistema de informação sem limite, sem coerção de tempo e de lugar que especifica a época do turboconsumismo.

    O turboconsumidor tornou-se, portanto, um doente da urgência, prisioneiro da ditadura do “tempo real”? É verdade que o hiperconsumidor expõe uma evidente preocupação em fazer mais e mais depressa, não suporta perder tempo, quer a acessibilidade dos produtos, das imagens e da comunicação a toda hora do dia e da noite. Mas, ao mesmo tempo, assiste-se à proliferação de desejos e de comportamentos cuja orientação para os prazeres sensoriais e estéticos, para o maior bem-estar, para as sensações corporais exprimem a valorização de uma temporalidade lenta, qualitativa e sensualista. Slow food¹, escutas musicais, passeios a pé, excursões, spas e banhos turcos, meditações e relaxamentos: contra a “vida corrida”, os lazeres lentos encontram amplo eco. Assim, somos testemunhas do gosto pelo flanar, pelas idas ao restaurante à noite, pela ociosidade na praia ou nos terraços dos cafés. Nada de temporalidade uniformemente urgencial, mas um sistema composto de temporalidades profundamente heterogêneas: ao tempo operacional opõe-se o tempo hedonista, ao tempo do trabalho, o tempo recreativo, ao tempo precipitado, o tempo descontraído. O regime do tempo na sociedade de hiperconsumo não tem nada de unidimensional; é, ao contrário, paradoxal, dessincronizado, heteróclito (desregrado), polirrítmico.

    Os consumidores atentos às causas humanitárias, preocupados com selos verdes e produtos éticos, mostram-se mais solidários? Mas, se a tendência ao consumo “cidadão” é inegável, em que ela faz sair da constelação do indivíduo, em outras palavras, dos engajamentos de tipo opcional, mínimo e indolor? Ela significa sobretudo que o individualismo não é sinônimo de egoísmo absoluto: este pode ser compatível com o espírito de responsabilidade, com a preocupação com certos valores, ainda que fosse segundo um regime de geometria variável, “sem obrigação nem sanção”.

    A multiplicação das informações e a elevação do nível de instrução da população favoreceram, sem nenhuma dúvida, a “profissionalização” das atividades consumidoras. Mas, do outro lado, observa-se uma infinidade de fenômenos sinônimos, ao contrário, de excesso e de descontrole de si: vítimas da moda, compras compulsivas, superendividamento das famílias, “fanáticos” por jogos de  

1. Slow food: movimento global que nasceu na Itália, em 1986, como resposta ao fast-food, promovendo uma alimentação que valoriza o prazer de comer, a sustentabilidade ambiental, a cultura local, a biodiversidade e o apoio a pequenos produtores, além de incentivar o consumo consciente e o resgate de tradições gastronômicas regionais.

vídeo, ciberdependentes, toxicomanias, práticas viciosas de todo tipo, anarquia dos comportamentos alimentares, bulimias e obesidades. O que se anuncia é tanto um individualismo desenfreado e caótico quanto um consumidor expert que se encarrega de si de maneira responsável.

    O relaxamento dos controles coletivos, as normas hedonistas, a escolha da primeira qualidade, a educação liberal, tudo isso contribuiu para compor um indivíduo desligado dos fins comuns e que, reduzido tão-só às suas forças, se mostra, muitas vezes, incapaz de resistir tanto às solicitações externas quanto aos impulsos internos. Assim, somos testemunhas de todo um conjunto de comportamentos desestruturados, de consumos patológicos e compulsivos. Por toda parte, a tendência ao desregramento de si acompanha a cultura de livre disposição dos indivíduos entregues à vertigem de si próprios no supermercado contemporâneo dos modos de vida. À medida que se amplia o princípio de pleno poder sobre a direção da própria vida, as manifestações de dependência e de impotência subjetivas se desenvolvem num ritmo crescente. Se o indivíduo é socialmente autônomo, ei-lo mais do que nunca dependente da forma mercantil para a satisfação de suas necessidades.



LIPOVETSKY, Gilles. Rumo a um turboconsumidor. In: A felicidade paradoxal: ensaios sobre a sociedade de hiperconsumo. Trad. Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. (Fragmento adaptado)






Texto II


O Natal e o Ano Novo que a mídia vende


    Todos os anos, entre novembro e janeiro, o mesmo ritual se repete: vitrines decoradas com neve artificial em um país tropical, trilhas sonoras natalinas ecoando em shopping centers, seguidas por contagens regressivas e promessas de recomeço. Uma avalanche de campanhas publicitárias promete transformar a compra do presente perfeito em prova irrefutável de amor, enquanto o réveillon surge como palco obrigatório para demonstrar sucesso, alegria e otimismo. A imprensa, entrelaçada a esse mecanismo, atua simultaneamente como vitrine, termômetro e promotora de um fenômeno que movimenta bilhões de reais e, paradoxalmente, endivida milhões de famílias. O Natal e o Ano Novo contemporâneos, tais como nos são apresentados pelos meios de comunicação, revelam menos sobre a celebração de valores transcendentes ou sobre renovação genuína do que sobre as contradições de uma sociedade que aprendeu a confundir afeto com capacidade de consumo e esperança com poder de compra.

     A questão não é recente, mas merece ser revisitada a cada ciclo, sobretudo quando se observa o papel central que a mídia desempenha na construção e manutenção desse modelo. Não se trata apenas de publicidade explícita, aquela que reconhecemos como tal e da qual podemos, ao menos teoricamente, manter distância crítica. O incentivo ao consumo nessa temporada opera em planos mais sutis e, por isso mesmo, mais eficazes: matérias jornalísticas sobre tendências de presentes, pesquisas que revelam quanto os brasileiros pretendem gastar (criando um parâmetro de normalidade), guias de compras apresentados como serviço ao leitor, reportagens sobre destinos de réveillon e o que vestir na virada do ano, coberturas sobre a movimentação do comércio que naturalizam a equação festividades-igual-consumo. A fronteira entre conteúdo editorial e publicitário se dilui estrategicamente, e o resultado é uma narrativa coesa que transforma o ato de comprar em imperativo moral e social.

    Problematizar essa dinâmica não significa demonizar o comércio, condenar quem compra presentes  ou vai à praia na virada do ano, ou propor a extinção dessas datas como celebrações coletivas. Significa, isto sim, criar espaço para que a sociedade possa refletir criticamente sobre os significados e as práticas que construiu em torno delas. Significa reconhecer que o modelo atual serve a determinados interesses econômicos, mas não necessariamente ao bem-estar coletivo ou individual. E significa, para a imprensa em particular, assumir que seu papel não pode se limitar a ser correia de transmissão de uma lógica econômica que ela mesma, em momentos de autocrítica episódica, reconhece como problemática. Uma imprensa que naturaliza a mercantilização de todas as dimensões da vida, inclusive as mais íntimas, afetivas e relacionadas à esperança e ao futuro, contribui para a perpetuação de um modelo insustentável em múltiplas dimensões.


ALBERTONI, Ramsés. O Natal e o Ano Novo que a mídia vende. In: Observatório da Imprensa, edição 1369, 18 de dezembro de 2025. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/consumo/o-natal-e-o-ano-novo-que-a-midiavende/. Acesso em: 28 dez. 2025. (Fragmento)
A partir da relação entre os textos I e II, é correto afirmar que ambos desenvolvem uma crítica às
Alternativas
Q3967445 Português
Texto II


O Natal e o Ano Novo que a mídia vende


    Todos os anos, entre novembro e janeiro, o mesmo ritual se repete: vitrines decoradas com neve artificial em um país tropical, trilhas sonoras natalinas ecoando em shopping centers, seguidas por contagens regressivas e promessas de recomeço. Uma avalanche de campanhas publicitárias promete transformar a compra do presente perfeito em prova irrefutável de amor, enquanto o réveillon surge como palco obrigatório para demonstrar sucesso, alegria e otimismo. A imprensa, entrelaçada a esse mecanismo, atua simultaneamente como vitrine, termômetro e promotora de um fenômeno que movimenta bilhões de reais e, paradoxalmente, endivida milhões de famílias. O Natal e o Ano Novo contemporâneos, tais como nos são apresentados pelos meios de comunicação, revelam menos sobre a celebração de valores transcendentes ou sobre renovação genuína do que sobre as contradições de uma sociedade que aprendeu a confundir afeto com capacidade de consumo e esperança com poder de compra.

     A questão não é recente, mas merece ser revisitada a cada ciclo, sobretudo quando se observa o papel central que a mídia desempenha na construção e manutenção desse modelo. Não se trata apenas de publicidade explícita, aquela que reconhecemos como tal e da qual podemos, ao menos teoricamente, manter distância crítica. O incentivo ao consumo nessa temporada opera em planos mais sutis e, por isso mesmo, mais eficazes: matérias jornalísticas sobre tendências de presentes, pesquisas que revelam quanto os brasileiros pretendem gastar (criando um parâmetro de normalidade), guias de compras apresentados como serviço ao leitor, reportagens sobre destinos de réveillon e o que vestir na virada do ano, coberturas sobre a movimentação do comércio que naturalizam a equação festividades-igual-consumo. A fronteira entre conteúdo editorial e publicitário se dilui estrategicamente, e o resultado é uma narrativa coesa que transforma o ato de comprar em imperativo moral e social.

    Problematizar essa dinâmica não significa demonizar o comércio, condenar quem compra presentes  ou vai à praia na virada do ano, ou propor a extinção dessas datas como celebrações coletivas. Significa, isto sim, criar espaço para que a sociedade possa refletir criticamente sobre os significados e as práticas que construiu em torno delas. Significa reconhecer que o modelo atual serve a determinados interesses econômicos, mas não necessariamente ao bem-estar coletivo ou individual. E significa, para a imprensa em particular, assumir que seu papel não pode se limitar a ser correia de transmissão de uma lógica econômica que ela mesma, em momentos de autocrítica episódica, reconhece como problemática. Uma imprensa que naturaliza a mercantilização de todas as dimensões da vida, inclusive as mais íntimas, afetivas e relacionadas à esperança e ao futuro, contribui para a perpetuação de um modelo insustentável em múltiplas dimensões.


ALBERTONI, Ramsés. O Natal e o Ano Novo que a mídia vende. In: Observatório da Imprensa, edição 1369, 18 de dezembro de 2025. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/consumo/o-natal-e-o-ano-novo-que-a-midiavende/. Acesso em: 28 dez. 2025. (Fragmento)
A palavra ‘que’ destacada foi utilizada para retomar um termo antecedente em:
Alternativas
Q3967444 Português
Texto II


O Natal e o Ano Novo que a mídia vende


    Todos os anos, entre novembro e janeiro, o mesmo ritual se repete: vitrines decoradas com neve artificial em um país tropical, trilhas sonoras natalinas ecoando em shopping centers, seguidas por contagens regressivas e promessas de recomeço. Uma avalanche de campanhas publicitárias promete transformar a compra do presente perfeito em prova irrefutável de amor, enquanto o réveillon surge como palco obrigatório para demonstrar sucesso, alegria e otimismo. A imprensa, entrelaçada a esse mecanismo, atua simultaneamente como vitrine, termômetro e promotora de um fenômeno que movimenta bilhões de reais e, paradoxalmente, endivida milhões de famílias. O Natal e o Ano Novo contemporâneos, tais como nos são apresentados pelos meios de comunicação, revelam menos sobre a celebração de valores transcendentes ou sobre renovação genuína do que sobre as contradições de uma sociedade que aprendeu a confundir afeto com capacidade de consumo e esperança com poder de compra.

     A questão não é recente, mas merece ser revisitada a cada ciclo, sobretudo quando se observa o papel central que a mídia desempenha na construção e manutenção desse modelo. Não se trata apenas de publicidade explícita, aquela que reconhecemos como tal e da qual podemos, ao menos teoricamente, manter distância crítica. O incentivo ao consumo nessa temporada opera em planos mais sutis e, por isso mesmo, mais eficazes: matérias jornalísticas sobre tendências de presentes, pesquisas que revelam quanto os brasileiros pretendem gastar (criando um parâmetro de normalidade), guias de compras apresentados como serviço ao leitor, reportagens sobre destinos de réveillon e o que vestir na virada do ano, coberturas sobre a movimentação do comércio que naturalizam a equação festividades-igual-consumo. A fronteira entre conteúdo editorial e publicitário se dilui estrategicamente, e o resultado é uma narrativa coesa que transforma o ato de comprar em imperativo moral e social.

    Problematizar essa dinâmica não significa demonizar o comércio, condenar quem compra presentes  ou vai à praia na virada do ano, ou propor a extinção dessas datas como celebrações coletivas. Significa, isto sim, criar espaço para que a sociedade possa refletir criticamente sobre os significados e as práticas que construiu em torno delas. Significa reconhecer que o modelo atual serve a determinados interesses econômicos, mas não necessariamente ao bem-estar coletivo ou individual. E significa, para a imprensa em particular, assumir que seu papel não pode se limitar a ser correia de transmissão de uma lógica econômica que ela mesma, em momentos de autocrítica episódica, reconhece como problemática. Uma imprensa que naturaliza a mercantilização de todas as dimensões da vida, inclusive as mais íntimas, afetivas e relacionadas à esperança e ao futuro, contribui para a perpetuação de um modelo insustentável em múltiplas dimensões.


ALBERTONI, Ramsés. O Natal e o Ano Novo que a mídia vende. In: Observatório da Imprensa, edição 1369, 18 de dezembro de 2025. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/consumo/o-natal-e-o-ano-novo-que-a-midiavende/. Acesso em: 28 dez. 2025. (Fragmento)
De acordo com o texto II, qual é a função primordial da imprensa?
Alternativas
Respostas
1901: A
1902: B
1903: B
1904: D
1905: C
1906: A
1907: B
1908: C
1909: A
1910: B
1911: C
1912: A
1913: B
1914: D
1915: C
1916: C
1917: A
1918: D
1919: C
1920: D