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Q3676482 Português
Texto

Na luta contra o etarismo, mulheres provam que são mais que idade!

Com o passar do tempo, a saúde mental e física necessita de cuidados. Envelhecer, no entanto, pode ser um processo ainda mais difícil em razão de questões e dilemas sociais. Para as mulheres, esse ciclo representa inúmeros desafios


Eduardo Fernandes - postado em 03/03/2024


    Envelhecer é um processo natural da vida. As rugas aparecem, a atenção com a saúde precisa ser redobrada e a pele necessita de mais cuidados. Entretanto, no meio desse ciclo, outras questões aparecem. Para as mulheres, a idade é uma prerrogativa para o preconceito e o início de várias dificuldades, em diversas áreas da sociedade. Chamada de etarismo de gênero, das roupas que usam até a produtividade no mercado de trabalho, essa forma de discriminação põe o valor delas à prova.

    Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítima de algum tipo de discriminação ligado à idade. Embora o etarismo, preconceito com a pessoa idosa, impacte tanto o público masculino quanto o feminino, é com as mulheres que ele se desenvolve de maneira mais cruel.

    Isso, de acordo com Camila Potyara Pereira, socióloga e professora do Departamento de Serviço Social e do Programa de Pósgraduação em Política Social da UnB, porque há uma cultura sexista enraizada na sociedade. "O sexismo se expressa de diferentes modos. Um deles é o etarismo de gênero, uma discriminação dupla que menospreza mulheres pela faixa etária. Apesar de não ser exclusivo do campo profissional, o etarismo de gênero encontra nesse espaço um solo fértil", detalha.

    No trabalho, quando mais jovens, são vistas como meninas, imaturas, ingênuas e fracas. Para muitos, incapazes de exercerem suas profissões. Após os 50 anos, são consideradas frágeis, descartáveis e sem vigor. A crença, inclusive, é de que este público deveria dar lugar a pessoas com mais energia, conforme explica Camila. "Contudo, não há idade ideal. Entre os 40 e os 50 anos as mulheres são discriminadas pela maternidade, pela sobrecarga imposta pelos afazeres domésticos, pela menstruação e pela chegada da menopausa", ressalta a socióloga.

    Do preconceito, derivam práticas discriminatórias amplamente conhecidas, como a opção pela não contratação de mulheres em empresas, os salários desiguais e a interferência do chefe na vida privada das funcionárias. Infelizmente, na visão da especialista, o estigma não se restringe somente ao ambiente do trabalho. Opiniões e condutas esperadas das mulheres, mesmo em espaços de lazer ou descanso, são igualmente mediados pelo etarismo de gênero. Intimamente ligado à aparência e ao valor sexual, o etarismo direcionado às mulheres atua como agente opressor para que se mantenham sempre jovens e desejáveis.

    "O público feminino é proibido de envelhecer. De fato, enquanto os homens são vistos como mais preparados e sábios à medida que envelhecem, as mulheres passam a ser vistas como desinteressantes, ultrapassadas e caricatas. A discriminação é tão grande que as mulheres são as mais afetadas pela depressão, pela ansiedade e pela síndrome do impostor, que se caracteriza por sentimentos constantes de incapacidade, desqualificação e farsa", acrescenta Camila.


Fora da caixa


    "Depois de uma certa idade, nem opinião própria podemos ter." A professora de educação física Cheila de Souza Luiz, 51 anos, tem vivido na pele a pressão do etarismo. As cobranças e os questionamentos, que sempre existiram, bateram na porta assim que completou cinco décadas de vida. Machismo, opressão e comentários desconfortáveis inauguraram uma nova percepção de realidade a ela. Algo como estar presa a uma ideia que os outros gostariam que Cheila fosse para sempre. Dentro desse imaginário coletivo, descobriu no poder da luta feminina uma forma de se reinventar.

    "É muito comum ouvir frases como: 'nossa, você está conservada para a idade que tem'; 'você aparenta ser 10 anos mais nova'. Há uma cobrança exacerbada para que estejamos dentro do padrão de juventude pelo resto de nossos dias. A frase que parece clichê — cabelos grisalhos neles é charme —, infelizmente, é vista como uma verdade", enfatiza a multiartista.

    Exigências desproporcionais em relação aos homens. O peso das rugas, dos quilos extras, dos fios brancos é desafiador, principalmente se elas ainda estão subjugadas e presas a crenças castradoras e limitantes. Cheila acredita que há sempre uma tentativa de reduzir mulheres a esse lugar de servidão, do qual praticamente sempre estiveram. Além disso, se o tema foi reprodutividade ou sexualidade, com o passar da idade, logo perdem a funcionalidade. (...)


Como combater o etarismo?


    Para combater esse tipo de discriminação, a socióloga Camila Potyara Pereira afirma que é essencial um letramento de gênero. Homens e mulheres devem ter acesso a uma pedagogia feminista, ou seja, uma educação que discuta as desigualdades entre os gêneros e questione criticamente os papéis sociais atribuídos a cada um deles.

     "Uma pedagogia feminista incentiva a construção social de mulheres independentes e que podem escolher o próprio destino, reconhecendo seu valor pelo que são, e não em comparação com os homens. E friso que essa pedagogia não deve estar presente apenas nas instituições educacionais. O processo educativo também ocorre no dia a dia, nas rodas de amigos e no almoço de domingo."


Impacto na autoestima


    Para Lucas Benevides, psiquiatra e professor de medicina do Ceub, o etarismo pode ter efeitos negativos na saúde mental das mulheres, afetando a autoestima, o bem-estar emocional e o psicológico. Isso, de acordo com ele, porque a sociedade frequentemente impõe expectativas e padrões que valorizam a juventude, especialmente para o sexo feminino, o que pode levar a uma série de problemáticas quando elas envelhecem. (...)

    "As cobranças sociais relacionadas à aparência, à produtividade e aos papéis tradicionais podem se intensificar com a faixa etária. Mulheres são frequentemente avaliadas por sua capacidade de manter a aparência jovem e atender às expectativas de cuidados dos outros. A comparação com padrões inalcançáveis pode levar a uma percepção distorcida de si mesma e a sentimentos de inadequação", explica o profissional. (...)



Sem medo de envelhecer


     Encarar o envelhecimento e o etarismo de maneira positiva envolve a construção de resiliência psicológica e a busca por apoio social. A participação em grupos sociais ou atividades coletivas que valorizem a diversidade de idades, bem como o desenvolvimento de uma identidade positiva que transcenda a aparência física são fundamentais, na visão de Lucas. "Práticas de autocuidado, como a manutenção de um estilo de vida saudável e a busca por terapia quando necessário, também são cruciais", destrincha o psiquiatra.

    Falar sobre saúde mental das mulheres após os 50 anos requer uma compreensão holística que inclua os aspectos físicos, emocionais e sociais do envelhecimento. A sociedade precisa, antes de tudo, compreender e reconhecer, incluindo profissionais de saúde da área, o que é etarismo. Assim, o trabalho para promover uma visão mais inclusiva e respeitosa no que diz respeito ao envelhecimento pode acontecer. (...)


https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2024/03/6809873-na-luta-contra-o-etarismo-mulheres-provam-que-sao-mais-que-idade.html
Depois de analisar os períodos compostos a seguir e de compreender as relações de sentido estabelecidas, indique o item que classifica corretamente as conjunções/ locuções conjuntivas que ligam as orações

I. “De fato, enquanto os homens são vistos como mais preparados e sábios à medida que¹ envelhecem, as mulheres passam a ser vistas como desinteressantes, ultrapassadas e caricatas”.
II. “A participação em grupos sociais ou atividades coletivas que valorizem a diversidade de idades, bem como² o desenvolvimento de uma identidade positiva que transcenda a aparência física são fundamentais, na visão de Lucas”.
III. “Apesar de³ não ser exclusivo do campo profissional, o etarismo de gênero encontra nesse espaço um solo fértil", detalha”.
Alternativas
Q3676481 Português
Texto

Na luta contra o etarismo, mulheres provam que são mais que idade!

Com o passar do tempo, a saúde mental e física necessita de cuidados. Envelhecer, no entanto, pode ser um processo ainda mais difícil em razão de questões e dilemas sociais. Para as mulheres, esse ciclo representa inúmeros desafios


Eduardo Fernandes - postado em 03/03/2024


    Envelhecer é um processo natural da vida. As rugas aparecem, a atenção com a saúde precisa ser redobrada e a pele necessita de mais cuidados. Entretanto, no meio desse ciclo, outras questões aparecem. Para as mulheres, a idade é uma prerrogativa para o preconceito e o início de várias dificuldades, em diversas áreas da sociedade. Chamada de etarismo de gênero, das roupas que usam até a produtividade no mercado de trabalho, essa forma de discriminação põe o valor delas à prova.

    Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítima de algum tipo de discriminação ligado à idade. Embora o etarismo, preconceito com a pessoa idosa, impacte tanto o público masculino quanto o feminino, é com as mulheres que ele se desenvolve de maneira mais cruel.

    Isso, de acordo com Camila Potyara Pereira, socióloga e professora do Departamento de Serviço Social e do Programa de Pósgraduação em Política Social da UnB, porque há uma cultura sexista enraizada na sociedade. "O sexismo se expressa de diferentes modos. Um deles é o etarismo de gênero, uma discriminação dupla que menospreza mulheres pela faixa etária. Apesar de não ser exclusivo do campo profissional, o etarismo de gênero encontra nesse espaço um solo fértil", detalha.

    No trabalho, quando mais jovens, são vistas como meninas, imaturas, ingênuas e fracas. Para muitos, incapazes de exercerem suas profissões. Após os 50 anos, são consideradas frágeis, descartáveis e sem vigor. A crença, inclusive, é de que este público deveria dar lugar a pessoas com mais energia, conforme explica Camila. "Contudo, não há idade ideal. Entre os 40 e os 50 anos as mulheres são discriminadas pela maternidade, pela sobrecarga imposta pelos afazeres domésticos, pela menstruação e pela chegada da menopausa", ressalta a socióloga.

    Do preconceito, derivam práticas discriminatórias amplamente conhecidas, como a opção pela não contratação de mulheres em empresas, os salários desiguais e a interferência do chefe na vida privada das funcionárias. Infelizmente, na visão da especialista, o estigma não se restringe somente ao ambiente do trabalho. Opiniões e condutas esperadas das mulheres, mesmo em espaços de lazer ou descanso, são igualmente mediados pelo etarismo de gênero. Intimamente ligado à aparência e ao valor sexual, o etarismo direcionado às mulheres atua como agente opressor para que se mantenham sempre jovens e desejáveis.

    "O público feminino é proibido de envelhecer. De fato, enquanto os homens são vistos como mais preparados e sábios à medida que envelhecem, as mulheres passam a ser vistas como desinteressantes, ultrapassadas e caricatas. A discriminação é tão grande que as mulheres são as mais afetadas pela depressão, pela ansiedade e pela síndrome do impostor, que se caracteriza por sentimentos constantes de incapacidade, desqualificação e farsa", acrescenta Camila.


Fora da caixa


    "Depois de uma certa idade, nem opinião própria podemos ter." A professora de educação física Cheila de Souza Luiz, 51 anos, tem vivido na pele a pressão do etarismo. As cobranças e os questionamentos, que sempre existiram, bateram na porta assim que completou cinco décadas de vida. Machismo, opressão e comentários desconfortáveis inauguraram uma nova percepção de realidade a ela. Algo como estar presa a uma ideia que os outros gostariam que Cheila fosse para sempre. Dentro desse imaginário coletivo, descobriu no poder da luta feminina uma forma de se reinventar.

    "É muito comum ouvir frases como: 'nossa, você está conservada para a idade que tem'; 'você aparenta ser 10 anos mais nova'. Há uma cobrança exacerbada para que estejamos dentro do padrão de juventude pelo resto de nossos dias. A frase que parece clichê — cabelos grisalhos neles é charme —, infelizmente, é vista como uma verdade", enfatiza a multiartista.

    Exigências desproporcionais em relação aos homens. O peso das rugas, dos quilos extras, dos fios brancos é desafiador, principalmente se elas ainda estão subjugadas e presas a crenças castradoras e limitantes. Cheila acredita que há sempre uma tentativa de reduzir mulheres a esse lugar de servidão, do qual praticamente sempre estiveram. Além disso, se o tema foi reprodutividade ou sexualidade, com o passar da idade, logo perdem a funcionalidade. (...)


Como combater o etarismo?


    Para combater esse tipo de discriminação, a socióloga Camila Potyara Pereira afirma que é essencial um letramento de gênero. Homens e mulheres devem ter acesso a uma pedagogia feminista, ou seja, uma educação que discuta as desigualdades entre os gêneros e questione criticamente os papéis sociais atribuídos a cada um deles.

     "Uma pedagogia feminista incentiva a construção social de mulheres independentes e que podem escolher o próprio destino, reconhecendo seu valor pelo que são, e não em comparação com os homens. E friso que essa pedagogia não deve estar presente apenas nas instituições educacionais. O processo educativo também ocorre no dia a dia, nas rodas de amigos e no almoço de domingo."


Impacto na autoestima


    Para Lucas Benevides, psiquiatra e professor de medicina do Ceub, o etarismo pode ter efeitos negativos na saúde mental das mulheres, afetando a autoestima, o bem-estar emocional e o psicológico. Isso, de acordo com ele, porque a sociedade frequentemente impõe expectativas e padrões que valorizam a juventude, especialmente para o sexo feminino, o que pode levar a uma série de problemáticas quando elas envelhecem. (...)

    "As cobranças sociais relacionadas à aparência, à produtividade e aos papéis tradicionais podem se intensificar com a faixa etária. Mulheres são frequentemente avaliadas por sua capacidade de manter a aparência jovem e atender às expectativas de cuidados dos outros. A comparação com padrões inalcançáveis pode levar a uma percepção distorcida de si mesma e a sentimentos de inadequação", explica o profissional. (...)



Sem medo de envelhecer


     Encarar o envelhecimento e o etarismo de maneira positiva envolve a construção de resiliência psicológica e a busca por apoio social. A participação em grupos sociais ou atividades coletivas que valorizem a diversidade de idades, bem como o desenvolvimento de uma identidade positiva que transcenda a aparência física são fundamentais, na visão de Lucas. "Práticas de autocuidado, como a manutenção de um estilo de vida saudável e a busca por terapia quando necessário, também são cruciais", destrincha o psiquiatra.

    Falar sobre saúde mental das mulheres após os 50 anos requer uma compreensão holística que inclua os aspectos físicos, emocionais e sociais do envelhecimento. A sociedade precisa, antes de tudo, compreender e reconhecer, incluindo profissionais de saúde da área, o que é etarismo. Assim, o trabalho para promover uma visão mais inclusiva e respeitosa no que diz respeito ao envelhecimento pode acontecer. (...)


https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2024/03/6809873-na-luta-contra-o-etarismo-mulheres-provam-que-sao-mais-que-idade.html
Em “A discriminação é tão grande que¹ as mulheres são as mais afetadas pela depressão, pela ansiedade e pela síndrome do impostor, que² se caracteriza por sentimentos constantes de incapacidade, desqualificação e farsa", acrescenta Camila”, as partículas “que” destacadas podem ser classificadas, respectivamente, como
Alternativas
Q3676480 Português
Texto

Na luta contra o etarismo, mulheres provam que são mais que idade!

Com o passar do tempo, a saúde mental e física necessita de cuidados. Envelhecer, no entanto, pode ser um processo ainda mais difícil em razão de questões e dilemas sociais. Para as mulheres, esse ciclo representa inúmeros desafios


Eduardo Fernandes - postado em 03/03/2024


    Envelhecer é um processo natural da vida. As rugas aparecem, a atenção com a saúde precisa ser redobrada e a pele necessita de mais cuidados. Entretanto, no meio desse ciclo, outras questões aparecem. Para as mulheres, a idade é uma prerrogativa para o preconceito e o início de várias dificuldades, em diversas áreas da sociedade. Chamada de etarismo de gênero, das roupas que usam até a produtividade no mercado de trabalho, essa forma de discriminação põe o valor delas à prova.

    Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítima de algum tipo de discriminação ligado à idade. Embora o etarismo, preconceito com a pessoa idosa, impacte tanto o público masculino quanto o feminino, é com as mulheres que ele se desenvolve de maneira mais cruel.

    Isso, de acordo com Camila Potyara Pereira, socióloga e professora do Departamento de Serviço Social e do Programa de Pósgraduação em Política Social da UnB, porque há uma cultura sexista enraizada na sociedade. "O sexismo se expressa de diferentes modos. Um deles é o etarismo de gênero, uma discriminação dupla que menospreza mulheres pela faixa etária. Apesar de não ser exclusivo do campo profissional, o etarismo de gênero encontra nesse espaço um solo fértil", detalha.

    No trabalho, quando mais jovens, são vistas como meninas, imaturas, ingênuas e fracas. Para muitos, incapazes de exercerem suas profissões. Após os 50 anos, são consideradas frágeis, descartáveis e sem vigor. A crença, inclusive, é de que este público deveria dar lugar a pessoas com mais energia, conforme explica Camila. "Contudo, não há idade ideal. Entre os 40 e os 50 anos as mulheres são discriminadas pela maternidade, pela sobrecarga imposta pelos afazeres domésticos, pela menstruação e pela chegada da menopausa", ressalta a socióloga.

    Do preconceito, derivam práticas discriminatórias amplamente conhecidas, como a opção pela não contratação de mulheres em empresas, os salários desiguais e a interferência do chefe na vida privada das funcionárias. Infelizmente, na visão da especialista, o estigma não se restringe somente ao ambiente do trabalho. Opiniões e condutas esperadas das mulheres, mesmo em espaços de lazer ou descanso, são igualmente mediados pelo etarismo de gênero. Intimamente ligado à aparência e ao valor sexual, o etarismo direcionado às mulheres atua como agente opressor para que se mantenham sempre jovens e desejáveis.

    "O público feminino é proibido de envelhecer. De fato, enquanto os homens são vistos como mais preparados e sábios à medida que envelhecem, as mulheres passam a ser vistas como desinteressantes, ultrapassadas e caricatas. A discriminação é tão grande que as mulheres são as mais afetadas pela depressão, pela ansiedade e pela síndrome do impostor, que se caracteriza por sentimentos constantes de incapacidade, desqualificação e farsa", acrescenta Camila.


Fora da caixa


    "Depois de uma certa idade, nem opinião própria podemos ter." A professora de educação física Cheila de Souza Luiz, 51 anos, tem vivido na pele a pressão do etarismo. As cobranças e os questionamentos, que sempre existiram, bateram na porta assim que completou cinco décadas de vida. Machismo, opressão e comentários desconfortáveis inauguraram uma nova percepção de realidade a ela. Algo como estar presa a uma ideia que os outros gostariam que Cheila fosse para sempre. Dentro desse imaginário coletivo, descobriu no poder da luta feminina uma forma de se reinventar.

    "É muito comum ouvir frases como: 'nossa, você está conservada para a idade que tem'; 'você aparenta ser 10 anos mais nova'. Há uma cobrança exacerbada para que estejamos dentro do padrão de juventude pelo resto de nossos dias. A frase que parece clichê — cabelos grisalhos neles é charme —, infelizmente, é vista como uma verdade", enfatiza a multiartista.

    Exigências desproporcionais em relação aos homens. O peso das rugas, dos quilos extras, dos fios brancos é desafiador, principalmente se elas ainda estão subjugadas e presas a crenças castradoras e limitantes. Cheila acredita que há sempre uma tentativa de reduzir mulheres a esse lugar de servidão, do qual praticamente sempre estiveram. Além disso, se o tema foi reprodutividade ou sexualidade, com o passar da idade, logo perdem a funcionalidade. (...)


Como combater o etarismo?


    Para combater esse tipo de discriminação, a socióloga Camila Potyara Pereira afirma que é essencial um letramento de gênero. Homens e mulheres devem ter acesso a uma pedagogia feminista, ou seja, uma educação que discuta as desigualdades entre os gêneros e questione criticamente os papéis sociais atribuídos a cada um deles.

     "Uma pedagogia feminista incentiva a construção social de mulheres independentes e que podem escolher o próprio destino, reconhecendo seu valor pelo que são, e não em comparação com os homens. E friso que essa pedagogia não deve estar presente apenas nas instituições educacionais. O processo educativo também ocorre no dia a dia, nas rodas de amigos e no almoço de domingo."


Impacto na autoestima


    Para Lucas Benevides, psiquiatra e professor de medicina do Ceub, o etarismo pode ter efeitos negativos na saúde mental das mulheres, afetando a autoestima, o bem-estar emocional e o psicológico. Isso, de acordo com ele, porque a sociedade frequentemente impõe expectativas e padrões que valorizam a juventude, especialmente para o sexo feminino, o que pode levar a uma série de problemáticas quando elas envelhecem. (...)

    "As cobranças sociais relacionadas à aparência, à produtividade e aos papéis tradicionais podem se intensificar com a faixa etária. Mulheres são frequentemente avaliadas por sua capacidade de manter a aparência jovem e atender às expectativas de cuidados dos outros. A comparação com padrões inalcançáveis pode levar a uma percepção distorcida de si mesma e a sentimentos de inadequação", explica o profissional. (...)



Sem medo de envelhecer


     Encarar o envelhecimento e o etarismo de maneira positiva envolve a construção de resiliência psicológica e a busca por apoio social. A participação em grupos sociais ou atividades coletivas que valorizem a diversidade de idades, bem como o desenvolvimento de uma identidade positiva que transcenda a aparência física são fundamentais, na visão de Lucas. "Práticas de autocuidado, como a manutenção de um estilo de vida saudável e a busca por terapia quando necessário, também são cruciais", destrincha o psiquiatra.

    Falar sobre saúde mental das mulheres após os 50 anos requer uma compreensão holística que inclua os aspectos físicos, emocionais e sociais do envelhecimento. A sociedade precisa, antes de tudo, compreender e reconhecer, incluindo profissionais de saúde da área, o que é etarismo. Assim, o trabalho para promover uma visão mais inclusiva e respeitosa no que diz respeito ao envelhecimento pode acontecer. (...)


https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2024/03/6809873-na-luta-contra-o-etarismo-mulheres-provam-que-sao-mais-que-idade.html
Ao analisar o emprego do sinal grave em “Chamada de etarismo de gênero, das roupas que usam até a produtividade no mercado de trabalho, essa forma de discriminação põe o valor delas à prova”, aponte a alternativa que apresenta a justifica correta para o emprego do sinal indicativo da crase. 
Alternativas
Q3676479 Português
Texto

Na luta contra o etarismo, mulheres provam que são mais que idade!

Com o passar do tempo, a saúde mental e física necessita de cuidados. Envelhecer, no entanto, pode ser um processo ainda mais difícil em razão de questões e dilemas sociais. Para as mulheres, esse ciclo representa inúmeros desafios


Eduardo Fernandes - postado em 03/03/2024


    Envelhecer é um processo natural da vida. As rugas aparecem, a atenção com a saúde precisa ser redobrada e a pele necessita de mais cuidados. Entretanto, no meio desse ciclo, outras questões aparecem. Para as mulheres, a idade é uma prerrogativa para o preconceito e o início de várias dificuldades, em diversas áreas da sociedade. Chamada de etarismo de gênero, das roupas que usam até a produtividade no mercado de trabalho, essa forma de discriminação põe o valor delas à prova.

    Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítima de algum tipo de discriminação ligado à idade. Embora o etarismo, preconceito com a pessoa idosa, impacte tanto o público masculino quanto o feminino, é com as mulheres que ele se desenvolve de maneira mais cruel.

    Isso, de acordo com Camila Potyara Pereira, socióloga e professora do Departamento de Serviço Social e do Programa de Pósgraduação em Política Social da UnB, porque há uma cultura sexista enraizada na sociedade. "O sexismo se expressa de diferentes modos. Um deles é o etarismo de gênero, uma discriminação dupla que menospreza mulheres pela faixa etária. Apesar de não ser exclusivo do campo profissional, o etarismo de gênero encontra nesse espaço um solo fértil", detalha.

    No trabalho, quando mais jovens, são vistas como meninas, imaturas, ingênuas e fracas. Para muitos, incapazes de exercerem suas profissões. Após os 50 anos, são consideradas frágeis, descartáveis e sem vigor. A crença, inclusive, é de que este público deveria dar lugar a pessoas com mais energia, conforme explica Camila. "Contudo, não há idade ideal. Entre os 40 e os 50 anos as mulheres são discriminadas pela maternidade, pela sobrecarga imposta pelos afazeres domésticos, pela menstruação e pela chegada da menopausa", ressalta a socióloga.

    Do preconceito, derivam práticas discriminatórias amplamente conhecidas, como a opção pela não contratação de mulheres em empresas, os salários desiguais e a interferência do chefe na vida privada das funcionárias. Infelizmente, na visão da especialista, o estigma não se restringe somente ao ambiente do trabalho. Opiniões e condutas esperadas das mulheres, mesmo em espaços de lazer ou descanso, são igualmente mediados pelo etarismo de gênero. Intimamente ligado à aparência e ao valor sexual, o etarismo direcionado às mulheres atua como agente opressor para que se mantenham sempre jovens e desejáveis.

    "O público feminino é proibido de envelhecer. De fato, enquanto os homens são vistos como mais preparados e sábios à medida que envelhecem, as mulheres passam a ser vistas como desinteressantes, ultrapassadas e caricatas. A discriminação é tão grande que as mulheres são as mais afetadas pela depressão, pela ansiedade e pela síndrome do impostor, que se caracteriza por sentimentos constantes de incapacidade, desqualificação e farsa", acrescenta Camila.


Fora da caixa


    "Depois de uma certa idade, nem opinião própria podemos ter." A professora de educação física Cheila de Souza Luiz, 51 anos, tem vivido na pele a pressão do etarismo. As cobranças e os questionamentos, que sempre existiram, bateram na porta assim que completou cinco décadas de vida. Machismo, opressão e comentários desconfortáveis inauguraram uma nova percepção de realidade a ela. Algo como estar presa a uma ideia que os outros gostariam que Cheila fosse para sempre. Dentro desse imaginário coletivo, descobriu no poder da luta feminina uma forma de se reinventar.

    "É muito comum ouvir frases como: 'nossa, você está conservada para a idade que tem'; 'você aparenta ser 10 anos mais nova'. Há uma cobrança exacerbada para que estejamos dentro do padrão de juventude pelo resto de nossos dias. A frase que parece clichê — cabelos grisalhos neles é charme —, infelizmente, é vista como uma verdade", enfatiza a multiartista.

    Exigências desproporcionais em relação aos homens. O peso das rugas, dos quilos extras, dos fios brancos é desafiador, principalmente se elas ainda estão subjugadas e presas a crenças castradoras e limitantes. Cheila acredita que há sempre uma tentativa de reduzir mulheres a esse lugar de servidão, do qual praticamente sempre estiveram. Além disso, se o tema foi reprodutividade ou sexualidade, com o passar da idade, logo perdem a funcionalidade. (...)


Como combater o etarismo?


    Para combater esse tipo de discriminação, a socióloga Camila Potyara Pereira afirma que é essencial um letramento de gênero. Homens e mulheres devem ter acesso a uma pedagogia feminista, ou seja, uma educação que discuta as desigualdades entre os gêneros e questione criticamente os papéis sociais atribuídos a cada um deles.

     "Uma pedagogia feminista incentiva a construção social de mulheres independentes e que podem escolher o próprio destino, reconhecendo seu valor pelo que são, e não em comparação com os homens. E friso que essa pedagogia não deve estar presente apenas nas instituições educacionais. O processo educativo também ocorre no dia a dia, nas rodas de amigos e no almoço de domingo."


Impacto na autoestima


    Para Lucas Benevides, psiquiatra e professor de medicina do Ceub, o etarismo pode ter efeitos negativos na saúde mental das mulheres, afetando a autoestima, o bem-estar emocional e o psicológico. Isso, de acordo com ele, porque a sociedade frequentemente impõe expectativas e padrões que valorizam a juventude, especialmente para o sexo feminino, o que pode levar a uma série de problemáticas quando elas envelhecem. (...)

    "As cobranças sociais relacionadas à aparência, à produtividade e aos papéis tradicionais podem se intensificar com a faixa etária. Mulheres são frequentemente avaliadas por sua capacidade de manter a aparência jovem e atender às expectativas de cuidados dos outros. A comparação com padrões inalcançáveis pode levar a uma percepção distorcida de si mesma e a sentimentos de inadequação", explica o profissional. (...)



Sem medo de envelhecer


     Encarar o envelhecimento e o etarismo de maneira positiva envolve a construção de resiliência psicológica e a busca por apoio social. A participação em grupos sociais ou atividades coletivas que valorizem a diversidade de idades, bem como o desenvolvimento de uma identidade positiva que transcenda a aparência física são fundamentais, na visão de Lucas. "Práticas de autocuidado, como a manutenção de um estilo de vida saudável e a busca por terapia quando necessário, também são cruciais", destrincha o psiquiatra.

    Falar sobre saúde mental das mulheres após os 50 anos requer uma compreensão holística que inclua os aspectos físicos, emocionais e sociais do envelhecimento. A sociedade precisa, antes de tudo, compreender e reconhecer, incluindo profissionais de saúde da área, o que é etarismo. Assim, o trabalho para promover uma visão mais inclusiva e respeitosa no que diz respeito ao envelhecimento pode acontecer. (...)


https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2024/03/6809873-na-luta-contra-o-etarismo-mulheres-provam-que-sao-mais-que-idade.html
Qual a principal estratégia proposta no texto para combater o etarismo de gênero?
Alternativas
Q3676478 Português
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Na luta contra o etarismo, mulheres provam que são mais que idade!

Com o passar do tempo, a saúde mental e física necessita de cuidados. Envelhecer, no entanto, pode ser um processo ainda mais difícil em razão de questões e dilemas sociais. Para as mulheres, esse ciclo representa inúmeros desafios


Eduardo Fernandes - postado em 03/03/2024


    Envelhecer é um processo natural da vida. As rugas aparecem, a atenção com a saúde precisa ser redobrada e a pele necessita de mais cuidados. Entretanto, no meio desse ciclo, outras questões aparecem. Para as mulheres, a idade é uma prerrogativa para o preconceito e o início de várias dificuldades, em diversas áreas da sociedade. Chamada de etarismo de gênero, das roupas que usam até a produtividade no mercado de trabalho, essa forma de discriminação põe o valor delas à prova.

    Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítima de algum tipo de discriminação ligado à idade. Embora o etarismo, preconceito com a pessoa idosa, impacte tanto o público masculino quanto o feminino, é com as mulheres que ele se desenvolve de maneira mais cruel.

    Isso, de acordo com Camila Potyara Pereira, socióloga e professora do Departamento de Serviço Social e do Programa de Pósgraduação em Política Social da UnB, porque há uma cultura sexista enraizada na sociedade. "O sexismo se expressa de diferentes modos. Um deles é o etarismo de gênero, uma discriminação dupla que menospreza mulheres pela faixa etária. Apesar de não ser exclusivo do campo profissional, o etarismo de gênero encontra nesse espaço um solo fértil", detalha.

    No trabalho, quando mais jovens, são vistas como meninas, imaturas, ingênuas e fracas. Para muitos, incapazes de exercerem suas profissões. Após os 50 anos, são consideradas frágeis, descartáveis e sem vigor. A crença, inclusive, é de que este público deveria dar lugar a pessoas com mais energia, conforme explica Camila. "Contudo, não há idade ideal. Entre os 40 e os 50 anos as mulheres são discriminadas pela maternidade, pela sobrecarga imposta pelos afazeres domésticos, pela menstruação e pela chegada da menopausa", ressalta a socióloga.

    Do preconceito, derivam práticas discriminatórias amplamente conhecidas, como a opção pela não contratação de mulheres em empresas, os salários desiguais e a interferência do chefe na vida privada das funcionárias. Infelizmente, na visão da especialista, o estigma não se restringe somente ao ambiente do trabalho. Opiniões e condutas esperadas das mulheres, mesmo em espaços de lazer ou descanso, são igualmente mediados pelo etarismo de gênero. Intimamente ligado à aparência e ao valor sexual, o etarismo direcionado às mulheres atua como agente opressor para que se mantenham sempre jovens e desejáveis.

    "O público feminino é proibido de envelhecer. De fato, enquanto os homens são vistos como mais preparados e sábios à medida que envelhecem, as mulheres passam a ser vistas como desinteressantes, ultrapassadas e caricatas. A discriminação é tão grande que as mulheres são as mais afetadas pela depressão, pela ansiedade e pela síndrome do impostor, que se caracteriza por sentimentos constantes de incapacidade, desqualificação e farsa", acrescenta Camila.


Fora da caixa


    "Depois de uma certa idade, nem opinião própria podemos ter." A professora de educação física Cheila de Souza Luiz, 51 anos, tem vivido na pele a pressão do etarismo. As cobranças e os questionamentos, que sempre existiram, bateram na porta assim que completou cinco décadas de vida. Machismo, opressão e comentários desconfortáveis inauguraram uma nova percepção de realidade a ela. Algo como estar presa a uma ideia que os outros gostariam que Cheila fosse para sempre. Dentro desse imaginário coletivo, descobriu no poder da luta feminina uma forma de se reinventar.

    "É muito comum ouvir frases como: 'nossa, você está conservada para a idade que tem'; 'você aparenta ser 10 anos mais nova'. Há uma cobrança exacerbada para que estejamos dentro do padrão de juventude pelo resto de nossos dias. A frase que parece clichê — cabelos grisalhos neles é charme —, infelizmente, é vista como uma verdade", enfatiza a multiartista.

    Exigências desproporcionais em relação aos homens. O peso das rugas, dos quilos extras, dos fios brancos é desafiador, principalmente se elas ainda estão subjugadas e presas a crenças castradoras e limitantes. Cheila acredita que há sempre uma tentativa de reduzir mulheres a esse lugar de servidão, do qual praticamente sempre estiveram. Além disso, se o tema foi reprodutividade ou sexualidade, com o passar da idade, logo perdem a funcionalidade. (...)


Como combater o etarismo?


    Para combater esse tipo de discriminação, a socióloga Camila Potyara Pereira afirma que é essencial um letramento de gênero. Homens e mulheres devem ter acesso a uma pedagogia feminista, ou seja, uma educação que discuta as desigualdades entre os gêneros e questione criticamente os papéis sociais atribuídos a cada um deles.

     "Uma pedagogia feminista incentiva a construção social de mulheres independentes e que podem escolher o próprio destino, reconhecendo seu valor pelo que são, e não em comparação com os homens. E friso que essa pedagogia não deve estar presente apenas nas instituições educacionais. O processo educativo também ocorre no dia a dia, nas rodas de amigos e no almoço de domingo."


Impacto na autoestima


    Para Lucas Benevides, psiquiatra e professor de medicina do Ceub, o etarismo pode ter efeitos negativos na saúde mental das mulheres, afetando a autoestima, o bem-estar emocional e o psicológico. Isso, de acordo com ele, porque a sociedade frequentemente impõe expectativas e padrões que valorizam a juventude, especialmente para o sexo feminino, o que pode levar a uma série de problemáticas quando elas envelhecem. (...)

    "As cobranças sociais relacionadas à aparência, à produtividade e aos papéis tradicionais podem se intensificar com a faixa etária. Mulheres são frequentemente avaliadas por sua capacidade de manter a aparência jovem e atender às expectativas de cuidados dos outros. A comparação com padrões inalcançáveis pode levar a uma percepção distorcida de si mesma e a sentimentos de inadequação", explica o profissional. (...)



Sem medo de envelhecer


     Encarar o envelhecimento e o etarismo de maneira positiva envolve a construção de resiliência psicológica e a busca por apoio social. A participação em grupos sociais ou atividades coletivas que valorizem a diversidade de idades, bem como o desenvolvimento de uma identidade positiva que transcenda a aparência física são fundamentais, na visão de Lucas. "Práticas de autocuidado, como a manutenção de um estilo de vida saudável e a busca por terapia quando necessário, também são cruciais", destrincha o psiquiatra.

    Falar sobre saúde mental das mulheres após os 50 anos requer uma compreensão holística que inclua os aspectos físicos, emocionais e sociais do envelhecimento. A sociedade precisa, antes de tudo, compreender e reconhecer, incluindo profissionais de saúde da área, o que é etarismo. Assim, o trabalho para promover uma visão mais inclusiva e respeitosa no que diz respeito ao envelhecimento pode acontecer. (...)


https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2024/03/6809873-na-luta-contra-o-etarismo-mulheres-provam-que-sao-mais-que-idade.html
No período “Um deles é o etarismo de gênero, uma discriminação dupla que menospreza mulheres pela faixa etária”, a parte destacada exerce função sintática de
Alternativas
Q3676477 Português
Texto

Na luta contra o etarismo, mulheres provam que são mais que idade!

Com o passar do tempo, a saúde mental e física necessita de cuidados. Envelhecer, no entanto, pode ser um processo ainda mais difícil em razão de questões e dilemas sociais. Para as mulheres, esse ciclo representa inúmeros desafios


Eduardo Fernandes - postado em 03/03/2024


    Envelhecer é um processo natural da vida. As rugas aparecem, a atenção com a saúde precisa ser redobrada e a pele necessita de mais cuidados. Entretanto, no meio desse ciclo, outras questões aparecem. Para as mulheres, a idade é uma prerrogativa para o preconceito e o início de várias dificuldades, em diversas áreas da sociedade. Chamada de etarismo de gênero, das roupas que usam até a produtividade no mercado de trabalho, essa forma de discriminação põe o valor delas à prova.

    Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítima de algum tipo de discriminação ligado à idade. Embora o etarismo, preconceito com a pessoa idosa, impacte tanto o público masculino quanto o feminino, é com as mulheres que ele se desenvolve de maneira mais cruel.

    Isso, de acordo com Camila Potyara Pereira, socióloga e professora do Departamento de Serviço Social e do Programa de Pósgraduação em Política Social da UnB, porque há uma cultura sexista enraizada na sociedade. "O sexismo se expressa de diferentes modos. Um deles é o etarismo de gênero, uma discriminação dupla que menospreza mulheres pela faixa etária. Apesar de não ser exclusivo do campo profissional, o etarismo de gênero encontra nesse espaço um solo fértil", detalha.

    No trabalho, quando mais jovens, são vistas como meninas, imaturas, ingênuas e fracas. Para muitos, incapazes de exercerem suas profissões. Após os 50 anos, são consideradas frágeis, descartáveis e sem vigor. A crença, inclusive, é de que este público deveria dar lugar a pessoas com mais energia, conforme explica Camila. "Contudo, não há idade ideal. Entre os 40 e os 50 anos as mulheres são discriminadas pela maternidade, pela sobrecarga imposta pelos afazeres domésticos, pela menstruação e pela chegada da menopausa", ressalta a socióloga.

    Do preconceito, derivam práticas discriminatórias amplamente conhecidas, como a opção pela não contratação de mulheres em empresas, os salários desiguais e a interferência do chefe na vida privada das funcionárias. Infelizmente, na visão da especialista, o estigma não se restringe somente ao ambiente do trabalho. Opiniões e condutas esperadas das mulheres, mesmo em espaços de lazer ou descanso, são igualmente mediados pelo etarismo de gênero. Intimamente ligado à aparência e ao valor sexual, o etarismo direcionado às mulheres atua como agente opressor para que se mantenham sempre jovens e desejáveis.

    "O público feminino é proibido de envelhecer. De fato, enquanto os homens são vistos como mais preparados e sábios à medida que envelhecem, as mulheres passam a ser vistas como desinteressantes, ultrapassadas e caricatas. A discriminação é tão grande que as mulheres são as mais afetadas pela depressão, pela ansiedade e pela síndrome do impostor, que se caracteriza por sentimentos constantes de incapacidade, desqualificação e farsa", acrescenta Camila.


Fora da caixa


    "Depois de uma certa idade, nem opinião própria podemos ter." A professora de educação física Cheila de Souza Luiz, 51 anos, tem vivido na pele a pressão do etarismo. As cobranças e os questionamentos, que sempre existiram, bateram na porta assim que completou cinco décadas de vida. Machismo, opressão e comentários desconfortáveis inauguraram uma nova percepção de realidade a ela. Algo como estar presa a uma ideia que os outros gostariam que Cheila fosse para sempre. Dentro desse imaginário coletivo, descobriu no poder da luta feminina uma forma de se reinventar.

    "É muito comum ouvir frases como: 'nossa, você está conservada para a idade que tem'; 'você aparenta ser 10 anos mais nova'. Há uma cobrança exacerbada para que estejamos dentro do padrão de juventude pelo resto de nossos dias. A frase que parece clichê — cabelos grisalhos neles é charme —, infelizmente, é vista como uma verdade", enfatiza a multiartista.

    Exigências desproporcionais em relação aos homens. O peso das rugas, dos quilos extras, dos fios brancos é desafiador, principalmente se elas ainda estão subjugadas e presas a crenças castradoras e limitantes. Cheila acredita que há sempre uma tentativa de reduzir mulheres a esse lugar de servidão, do qual praticamente sempre estiveram. Além disso, se o tema foi reprodutividade ou sexualidade, com o passar da idade, logo perdem a funcionalidade. (...)


Como combater o etarismo?


    Para combater esse tipo de discriminação, a socióloga Camila Potyara Pereira afirma que é essencial um letramento de gênero. Homens e mulheres devem ter acesso a uma pedagogia feminista, ou seja, uma educação que discuta as desigualdades entre os gêneros e questione criticamente os papéis sociais atribuídos a cada um deles.

     "Uma pedagogia feminista incentiva a construção social de mulheres independentes e que podem escolher o próprio destino, reconhecendo seu valor pelo que são, e não em comparação com os homens. E friso que essa pedagogia não deve estar presente apenas nas instituições educacionais. O processo educativo também ocorre no dia a dia, nas rodas de amigos e no almoço de domingo."


Impacto na autoestima


    Para Lucas Benevides, psiquiatra e professor de medicina do Ceub, o etarismo pode ter efeitos negativos na saúde mental das mulheres, afetando a autoestima, o bem-estar emocional e o psicológico. Isso, de acordo com ele, porque a sociedade frequentemente impõe expectativas e padrões que valorizam a juventude, especialmente para o sexo feminino, o que pode levar a uma série de problemáticas quando elas envelhecem. (...)

    "As cobranças sociais relacionadas à aparência, à produtividade e aos papéis tradicionais podem se intensificar com a faixa etária. Mulheres são frequentemente avaliadas por sua capacidade de manter a aparência jovem e atender às expectativas de cuidados dos outros. A comparação com padrões inalcançáveis pode levar a uma percepção distorcida de si mesma e a sentimentos de inadequação", explica o profissional. (...)



Sem medo de envelhecer


     Encarar o envelhecimento e o etarismo de maneira positiva envolve a construção de resiliência psicológica e a busca por apoio social. A participação em grupos sociais ou atividades coletivas que valorizem a diversidade de idades, bem como o desenvolvimento de uma identidade positiva que transcenda a aparência física são fundamentais, na visão de Lucas. "Práticas de autocuidado, como a manutenção de um estilo de vida saudável e a busca por terapia quando necessário, também são cruciais", destrincha o psiquiatra.

    Falar sobre saúde mental das mulheres após os 50 anos requer uma compreensão holística que inclua os aspectos físicos, emocionais e sociais do envelhecimento. A sociedade precisa, antes de tudo, compreender e reconhecer, incluindo profissionais de saúde da área, o que é etarismo. Assim, o trabalho para promover uma visão mais inclusiva e respeitosa no que diz respeito ao envelhecimento pode acontecer. (...)


https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2024/03/6809873-na-luta-contra-o-etarismo-mulheres-provam-que-sao-mais-que-idade.html
No contexto do texto, a expressão em destaque “O peso das rugas, dos quilos extras, dos fios brancos é desafiador, principalmente se elas ainda estão subjugadas e presas a crenças castradoras e limitantes... " (último parágrafo antes de "Como combater o etarismo?") refere-se a 
Alternativas
Q3676476 Português
Texto

Na luta contra o etarismo, mulheres provam que são mais que idade!

Com o passar do tempo, a saúde mental e física necessita de cuidados. Envelhecer, no entanto, pode ser um processo ainda mais difícil em razão de questões e dilemas sociais. Para as mulheres, esse ciclo representa inúmeros desafios


Eduardo Fernandes - postado em 03/03/2024


    Envelhecer é um processo natural da vida. As rugas aparecem, a atenção com a saúde precisa ser redobrada e a pele necessita de mais cuidados. Entretanto, no meio desse ciclo, outras questões aparecem. Para as mulheres, a idade é uma prerrogativa para o preconceito e o início de várias dificuldades, em diversas áreas da sociedade. Chamada de etarismo de gênero, das roupas que usam até a produtividade no mercado de trabalho, essa forma de discriminação põe o valor delas à prova.

    Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítima de algum tipo de discriminação ligado à idade. Embora o etarismo, preconceito com a pessoa idosa, impacte tanto o público masculino quanto o feminino, é com as mulheres que ele se desenvolve de maneira mais cruel.

    Isso, de acordo com Camila Potyara Pereira, socióloga e professora do Departamento de Serviço Social e do Programa de Pósgraduação em Política Social da UnB, porque há uma cultura sexista enraizada na sociedade. "O sexismo se expressa de diferentes modos. Um deles é o etarismo de gênero, uma discriminação dupla que menospreza mulheres pela faixa etária. Apesar de não ser exclusivo do campo profissional, o etarismo de gênero encontra nesse espaço um solo fértil", detalha.

    No trabalho, quando mais jovens, são vistas como meninas, imaturas, ingênuas e fracas. Para muitos, incapazes de exercerem suas profissões. Após os 50 anos, são consideradas frágeis, descartáveis e sem vigor. A crença, inclusive, é de que este público deveria dar lugar a pessoas com mais energia, conforme explica Camila. "Contudo, não há idade ideal. Entre os 40 e os 50 anos as mulheres são discriminadas pela maternidade, pela sobrecarga imposta pelos afazeres domésticos, pela menstruação e pela chegada da menopausa", ressalta a socióloga.

    Do preconceito, derivam práticas discriminatórias amplamente conhecidas, como a opção pela não contratação de mulheres em empresas, os salários desiguais e a interferência do chefe na vida privada das funcionárias. Infelizmente, na visão da especialista, o estigma não se restringe somente ao ambiente do trabalho. Opiniões e condutas esperadas das mulheres, mesmo em espaços de lazer ou descanso, são igualmente mediados pelo etarismo de gênero. Intimamente ligado à aparência e ao valor sexual, o etarismo direcionado às mulheres atua como agente opressor para que se mantenham sempre jovens e desejáveis.

    "O público feminino é proibido de envelhecer. De fato, enquanto os homens são vistos como mais preparados e sábios à medida que envelhecem, as mulheres passam a ser vistas como desinteressantes, ultrapassadas e caricatas. A discriminação é tão grande que as mulheres são as mais afetadas pela depressão, pela ansiedade e pela síndrome do impostor, que se caracteriza por sentimentos constantes de incapacidade, desqualificação e farsa", acrescenta Camila.


Fora da caixa


    "Depois de uma certa idade, nem opinião própria podemos ter." A professora de educação física Cheila de Souza Luiz, 51 anos, tem vivido na pele a pressão do etarismo. As cobranças e os questionamentos, que sempre existiram, bateram na porta assim que completou cinco décadas de vida. Machismo, opressão e comentários desconfortáveis inauguraram uma nova percepção de realidade a ela. Algo como estar presa a uma ideia que os outros gostariam que Cheila fosse para sempre. Dentro desse imaginário coletivo, descobriu no poder da luta feminina uma forma de se reinventar.

    "É muito comum ouvir frases como: 'nossa, você está conservada para a idade que tem'; 'você aparenta ser 10 anos mais nova'. Há uma cobrança exacerbada para que estejamos dentro do padrão de juventude pelo resto de nossos dias. A frase que parece clichê — cabelos grisalhos neles é charme —, infelizmente, é vista como uma verdade", enfatiza a multiartista.

    Exigências desproporcionais em relação aos homens. O peso das rugas, dos quilos extras, dos fios brancos é desafiador, principalmente se elas ainda estão subjugadas e presas a crenças castradoras e limitantes. Cheila acredita que há sempre uma tentativa de reduzir mulheres a esse lugar de servidão, do qual praticamente sempre estiveram. Além disso, se o tema foi reprodutividade ou sexualidade, com o passar da idade, logo perdem a funcionalidade. (...)


Como combater o etarismo?


    Para combater esse tipo de discriminação, a socióloga Camila Potyara Pereira afirma que é essencial um letramento de gênero. Homens e mulheres devem ter acesso a uma pedagogia feminista, ou seja, uma educação que discuta as desigualdades entre os gêneros e questione criticamente os papéis sociais atribuídos a cada um deles.

     "Uma pedagogia feminista incentiva a construção social de mulheres independentes e que podem escolher o próprio destino, reconhecendo seu valor pelo que são, e não em comparação com os homens. E friso que essa pedagogia não deve estar presente apenas nas instituições educacionais. O processo educativo também ocorre no dia a dia, nas rodas de amigos e no almoço de domingo."


Impacto na autoestima


    Para Lucas Benevides, psiquiatra e professor de medicina do Ceub, o etarismo pode ter efeitos negativos na saúde mental das mulheres, afetando a autoestima, o bem-estar emocional e o psicológico. Isso, de acordo com ele, porque a sociedade frequentemente impõe expectativas e padrões que valorizam a juventude, especialmente para o sexo feminino, o que pode levar a uma série de problemáticas quando elas envelhecem. (...)

    "As cobranças sociais relacionadas à aparência, à produtividade e aos papéis tradicionais podem se intensificar com a faixa etária. Mulheres são frequentemente avaliadas por sua capacidade de manter a aparência jovem e atender às expectativas de cuidados dos outros. A comparação com padrões inalcançáveis pode levar a uma percepção distorcida de si mesma e a sentimentos de inadequação", explica o profissional. (...)



Sem medo de envelhecer


     Encarar o envelhecimento e o etarismo de maneira positiva envolve a construção de resiliência psicológica e a busca por apoio social. A participação em grupos sociais ou atividades coletivas que valorizem a diversidade de idades, bem como o desenvolvimento de uma identidade positiva que transcenda a aparência física são fundamentais, na visão de Lucas. "Práticas de autocuidado, como a manutenção de um estilo de vida saudável e a busca por terapia quando necessário, também são cruciais", destrincha o psiquiatra.

    Falar sobre saúde mental das mulheres após os 50 anos requer uma compreensão holística que inclua os aspectos físicos, emocionais e sociais do envelhecimento. A sociedade precisa, antes de tudo, compreender e reconhecer, incluindo profissionais de saúde da área, o que é etarismo. Assim, o trabalho para promover uma visão mais inclusiva e respeitosa no que diz respeito ao envelhecimento pode acontecer. (...)


https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2024/03/6809873-na-luta-contra-o-etarismo-mulheres-provam-que-sao-mais-que-idade.html
Observe as frases extraídas do texto e indique que tipo de tipologias textuais foram usadas em suas composições.

I. “As rugas aparecem, a atenção com a saúde precisa ser redobrada e a pele necessita de mais cuidados”.
II. “A professora de educação física Cheila de Souza Luiz, 51 anos, tem vivido na pele a pressão do etarismo”.
III. “Encarar o envelhecimento e o etarismo de maneira positiva envolve a construção de resiliência psicológica e a busca por apoio social”.
Alternativas
Q3236161 Direito Administrativo
O ato administrativo é a manifestação unilateral da administração pública com a finalidade de adquirir, modificar, extinguir ou declarar direitos, ou impor obrigações. Esses atos podem ser classificados de diferentes maneiras. Com base nos atos negociais, analise a afirmativa a seguir.
“______________________ é o ato administrativo de controle pelo qual a autoridade superior examina a legalidade e a conveniência do ato anterior da própria administração, de outra entidade ou de particular, para dar-lhe eficácia.”
(Meirelles, Burle Filho e Burle, 2016, p. 215.)

Com base no enunciado, assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna.
Alternativas
Q3236160 Direito Administrativo
No direito administrativo, há uma espécie de responsabilidade civil em que, para que a administração pública seja responsabilizada, basta a comprovação da conduta estatal, do dano e do nexo causal entre ambos, sem a necessidade de demonstrar dolo ou culpa do agente público. Com base nessa definição, assinale a espécie de responsabilidade civil da administração mencionada.
Alternativas
Q3236159 Direito Administrativo
A administração pública adota diferentes tipos de controle para garantir legalidade, eficiência e eficácia na gestão dos recursos públicos. Relacione adequadamente os tipos de controle apresentados à sua respectiva prática.

1. Controle hierárquico. 2. Controle preventivo. 3. Controle sucessivo. 4. Controle subsequente.

( ) Auditoria realizada durante a execução de um contrato público para verificar a conformidade das despesas com o orçamento previsto.

( ) A administração pública identifica que um contrato firmado por um gestor contém cláusulas ilegais e decide anulá-lo, tomando as medidas cabíveis para reparar os danos.

( ) A Controladoria-Geral de um município revisa os documentos de um processo licitatório antes da assinatura do contrato para garantir a regularidade da contratação.

( ) Secretário municipal revendo uma decisão tomada por diretor de departamento dentro da sua pasta.



A sequência está correta em
Alternativas
Q3236157 Direito Administrativo
Sobre as regulamentações da intervenção do Estado na propriedade e no domínio econômico, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) A intervenção estatal pode ocorrer de forma arbitrária, pautada em critérios pessoais das autoridades, desde que seja justificada e garanta o atendimento do interesse público.

( ) A requisição administrativa é uma modalidade de intervenção estatal que implica na transferência definitiva da propriedade ao Estado, sendo indispensável o pagamento prévio de indenização.

( ) A intervenção na propriedade incide sobre os bens e a intervenção no domínio econômico incide sobre a atividade lucrativa, exercida pela empresa, como instrumento da iniciativa privada.

( ) A desapropriação é a transferência compulsória da propriedade particular para o poder público, por utilidade pública, necessidade pública, ou por interesse social, mediante prévia e justa indenização.

( ) Os fundamentos da intervenção na propriedade e atuação no domínio econômico repousam na necessidade de proteção do Estado aos interesses da comunidade.


A sequência está correta em
Alternativas
Q3236156 Direito Administrativo
Luzia, servidora pública de um órgão municipal, enviou uma denúncia ao órgão responsável relatando possíveis atos de assédio moral praticados por um superior hierárquico. A denúncia foi apresentada sem um protocolo formal. Apesar da ausência do mecanismo formal, o representante do órgão considerou o conteúdo apresentado suficiente e relevante e deu início a uma apuração preliminar. Com base na situação hipotética narrada e nos princípios do processo administrativo, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3236155 Direito Administrativo
A improbidade administrativa é compreendida como o ato ilegal ou contrário aos princípios básicos da administração pública no Brasil, cometido por agente público, durante o exercício de sua função pública ou decorrente desta. Existem diferentes classificações para a improbidade administrativa. Com base nessas classificações, analise os atos a seguir.

I. Agir ilicitamente na arrecadação de tributo ou de renda, bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público.

II. Revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço.

III. Perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a alienação, permuta ou locação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado.

IV. Realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea.

V. Conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie.


São considerados atos de improbidade administrativa que causam prejuízo ao erário o que se afirma apenas em
Alternativas
Q3236154 Direito Administrativo
André atua como servidor público em um órgão de controle municipal. Ao estudar os atos administrativos, precisa compreender as diferentes tipologias existentes, incluindo os atos ordinários, que têm como objetivo disciplinar o funcionamento interno da administração e a conduta funcional de seus agentes. NÃO se trata de um ato ordinário:
Alternativas
Q3236153 Direito Administrativo
A administração pública de um município decidiu revisar a política de concessão de auxílio-transporte para estudantes universitários. Antes, o benefício era concedido automaticamente a qualquer estudante que comprovasse matrícula em instituições de ensino superior. No entanto, após uma análise detalhada, a prefeitura decidiu restringir o benefício, criando critérios adicionais, como comprovação de baixa renda, desempenho acadêmico mínimo e residência em áreas rurais. Essa decisão foi embasada em estudos técnicos que demonstraram limitações orçamentárias e a necessidade de priorizar estudantes em maior vulnerabilidade socioeconômica. Com base no caso hipotético apresentado, assinale o tipo de controle realizado pela administração pública municipal.
Alternativas
Q3236152 Direito Administrativo
Os bens públicos podem ser classificados em bens de uso comum, bens de uso especial e bens dominicais, a partir da sua finalidade e destinação. Com base nas classificações, analise os casos a seguir.

1.Uma praça pública, aberta ao acesso irrestrito da população, utilizada frequentemente para eventos comunitários e lazer;
2.Um edifício utilizado como sede de um tribunal regional, destinado exclusivamente às atividades do Poder Judiciário;
3.Um terreno pertencente ao município, atualmente desocupado e sem destinação ou uso público específico;
4.Um veículo de uso exclusivo para emergências médicas, destinado ao transporte de pacientes entre unidades hospitalares da região.


Classifique cada um dos casos apresentados com base nos tipos de bens públicos, levando em consideração os critérios de destinação, finalidade e possibilidade de alienação.
Alternativas
Q3236151 Auditoria
Um órgão público está finalizando seu balanço patrimonial para o encerramento do exercício fiscal. Durante o processo de apuração, o gestor contábil identificou um grande volume de despesas referentes à manutenção de redes hidráulicas que ocorreu, mas que ainda não haviam sido lançadas no sistema. Diante disso, ele optou por registrar imediatamente, garantindo que todas as informações financeiras fossem apresentadas de forma íntegra e tempestiva. Com base no caso descrito, o procedimento adotado pelo gestor reflete diretamente a aplicação de qual princípio contábil?
Alternativas
Q3236150 Administração Financeira e Orçamentária
O gestor financeiro de um órgão de controle municipal enfrenta o desafio de garantir a eficiência no uso de recursos públicos e o cumprimento das normas legais, enquanto busca otimizar o impacto social de suas decisões financeiras. São consideradas funções do gestor financeiro, EXCETO:
Alternativas
Q3236149 Arquivologia
A gestão de documentos apresenta complexidades maiores do que simplesmente organizar os documentos entre correntes, intermediários e permanentes. Gerir documentos, em sentido mais amplo, significa não só racionalizar e controlar a produção documental e garantir o uso e a destinação adequada, mas, principalmente, assegurar ao governo e ao cidadão acesso pleno às informações contidas neles. Acerca desse tema, as afirmativas a seguir estão corretas, EXCETO:
Alternativas
Q3236147 Legislação Federal
A aprovação, no Brasil, da Lei de Acesso à Informação (LAI) – a Lei Federal nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, representa uma conquista, um instrumento de empoderamento da cidadania e uma oportunidade, no sistema democrático, de desenvolvimento do controle social diante dos abusos governamentais, atos de corrupção e situações de impunidade. Isso porque um dos objetivos da LAI é promover um governo aberto e uma cultura de transparência e publicidade dos atos e serviços governamentais. Apesar dos desafios, impactos e providências necessárias à aplicação efetiva dessa norma, sua aprovação é celebrada pela sociedade.
(SILVA, Welder Antônio. Exceções legais ao direito de acesso à informação: dimensões contextuais das categorias de informação pessoal nos documentos arquivísticos. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2022.)

Acerca do tema, analise as afirmativas a seguir.

I. Caso a informação solicitada pelo requerente esteja disponível ao público em formato impresso, eletrônico ou em qualquer outro meio de acesso universal, serão informados, por escrito, o lugar e a forma pela qual se poderá consultar, obter ou reproduzir a referida informação, procedimento esse que desonerará o órgão ou entidade pública da obrigação de seu fornecimento direto, salvo se o requerente declarar não dispor de meios para realizar por si mesmo tais procedimentos.

II. O inteiro teor da decisão de negativa de acesso receberá a classificação de documento reservado, e o interessado poderá interpor recurso contra a decisão à Comissão Mista de Reavaliação de Informações no prazo de dois dias úteis, a contar da sua ciência.

III. O serviço de busca e de fornecimento de informação é pago, sendo que o órgão ou a entidade requerida deverá calcular o valor tendo em vista o ressarcimento dos custos dos serviços e dos materiais utilizados, independentemente da exigência de reprodução de documentos pelo órgão ou pela entidade pública consultada.

IV. As informações ou documentos que versam sobre condutas que implicam violação dos direitos humanos praticada por agentes públicos ou a mando de autoridades públicas não poderão ser objeto de restrição de acesso.


Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Respostas
121: A
122: C
123: B
124: B
125: A
126: D
127: C
128: D
129: A
130: C
131: D
132: D
133: C
134: B
135: C
136: C
137: C
138: A
139: C
140: B