Questões de Concurso Comentadas para professor - ensino religioso

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Q3806618 Antropologia
No campo da Antropologia da Religião, os fundamentos da disciplina identificam distintas formas de se olhar para a religião do outro. Cada abordagem revela diferentes motivações e objetivos, que vão desde a busca pela compreensão mútua até a afirmação da própria fé. Uma dessas abordagens específicas busca validar as próprias crenças em detrimento das crenças alheias, podendo chegar à declaração de nulidade das práticas do outro ou, em casos mais extremos, à atribuição dessas práticas à esfera de atuação demoníaca.

Com base na descrição apresentada, marque a única alternativa correta.
Alternativas
Q3806617 Pedagogia
De acordo com a perspectiva de Maria Teresa Eglér Mantoan, expressa em "Inclusão Escolar: O que é? Por quê? Como fazer?", a educação vive uma profunda crise de paradigmas que exige a transformação radical da escola. Esse desafio interpela diretamente o professor de Ensino Religioso, que é chamado a superar a mera gestão da pluralidade de crenças, visões de mundo e identidades para transformá-la em potência pedagógica. Nesse contexto, a autora defende uma ruptura com o modelo da integração, que se limita a adaptar o aluno "diferente" a uma estrutura escolar que permanece inalterada. Em seu lugar, Mantoan propõe a inclusão, um processo que demanda a completa ressignificação do papel da escola, exigindo que a instituição se transforme para acolher e valorizar a diversidade humana como elemento central do processo de aprendizagem, e não o contrário. Com base nesses pressupostos, a prática pedagógica que reflete uma abordagem genuinamente inclusiva é aquela em que o professor:


Alternativas
Q3806616 Pedagogia
Ao abordar o tema das festividades culturais em uma aula de Ensino Religioso, um professor propõe uma discussão sobre o Carnaval. Rapidamente, surge uma tensão na turma: um grupo de alunos defende a visão do Carnaval estritamente como um período de excessos que antecede a Quaresma cristã; outro estudante, que se declara ateu, questiona a pertinência de discutir um tema de fundo religioso em uma escola laica; enquanto uma aluna, praticante de uma religião de matriz africana, permanece em silêncio, sentindo que as manifestações culturais de seu povo, igualmente presentes no Carnaval, são sistematicamente invisibilizadas. Diante deste dilema pedagógico, que evidencia a necessidade de superar o caráter homogeneizador da escola, conforme aponta Vera Maria Candau, o professor precisa adotar uma postura que responda de forma crítica e transformadora aos desafios socioculturais presentes.

Considerando o cenário apresentado e os princípios de uma educação que visa à transformação das dinâmicas sociais, marque a única alternativa correta quanto à postura pedagógica mais adequada à perspectiva intercultural. 
Alternativas
Q3806615 Sociologia
Considerando a análise sociológica das religiões afro-brasileiras e as teorias sobre multiculturalismo, a relação histórica promovida pelo catolicismo hegemônico em relação às práticas religiosas de origem africana no Brasil melhor se caracteriza como uma perspectiva:
Alternativas
Q3806614 Pedagogia
Com base nos pressupostos teóricos da Filosofia da Educação, analise as afirmativas a seguir e marque a única alternativa correta em sua correlação entre pressupostos epistemológicos (teorias do conhecimento) e políticos da educação. 
Alternativas
Q3806613 Pedagogia
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Ensino Religioso, a experiência religiosa é mediada por linguagens específicas que transcendem a realidade concreta. Uma dessas linguagens é definida como um "elemento cotidiano ressignificado para representar algo além de seu sentido primeiro", cuja função é "fazer a mediação com outra realidade".

Considerando a descrição apresentada, considera-se que o conceito presente no texto é o de: 
Alternativas
Q3805672 Pedagogia
De acordo com a Resolução nº 009/2012 do Conselho Municipal de Educação de Juruti, as Unidades de Ensino localizadas no Campo poderão organizar turmas conforme critérios específicos. Assinale a alternativa que indica corretamente dois desses critérios. 
Alternativas
Q3805671 Pedagogia
De acordo com o artigo 208 da Constituição Federal de 1988, o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de determinados direitos educacionais à população brasileira. Esses direitos expressam o compromisso constitucional com o acesso, a permanência e a qualidade social da educação. Considerando o texto constitucional, assinale a alternativa que apresenta corretamente uma dessas garantias.
Alternativas
Q3805670 Pedagogia
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil garantem às crianças experiências fundamentais para o seu desenvolvimento integral. Esses direitos asseguram que a criança tenha oportunidades de vivenciar diferentes situações que possibilitem a ampliação de saberes, a construção de significados e o exercício da cidadania desde os primeiros anos de vida. Considerando esse princípio, assinale a alternativa que apresenta corretamente um dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil previstos na BNCC.
Alternativas
Q3805669 Legislação dos Municípios do Estado do Pará
Assinale a alternativa que indica corretamente duas incumbências do diretor escolar, conforme a Lei Municipal nº 967/2008, de 19 de dezembro de 2008.
Alternativas
Q3805668 Pedagogia
O Plano Nacional de Educação (PNE) define as metas e estratégias para a Educação Nacional. Assinale a alternativa correta acerca da Meta 10 do PNE em vigor.
Alternativas
Q3805667 Noções de Informática
Considerando o explorador de arquivos do sistema operacional Windows 11, qual atalho pode ser utilizado para mostrar as propriedades do item selecionado?
Alternativas
Q3805666 Noções de Informática
Marque a alternativa que corresponde a programas de computador do tipo editor de texto.
Alternativas
Q3805665 Noções de Informática
O armazenamento em nuvem pode ser entendido como o armazenamento de dados 
Alternativas
Q3805664 Redes de Computadores
As redes de computadores podem ser classificadas de acordo com o seu alcance geográfico. Marque a alternativa que indica a sequência crescente, considerando o alcance geográfico da rede de computadores. 
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Q3805663 Segurança da Informação
Sobre o conceito de integridade na segurança da informação, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3805662 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão:


   Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa se viu em sua cama metamorfoseado num imenso inseto. Estava deitado sobre suas costas, que eram duras como uma carapaça. Ao levantar um pouco a cabeça, viu sua barriga marrom, côncava, toda dividida em arcos; ela se elevava tão alto que o cobertor mal podia cobri-la e deslizava quase por inteiro para o chão. Suas muitas pernas se agitavam desesperadas diante de seus olhos, e eram tão finas em comparação com o resto do seu corpo que dava pena vê-las.

   “O que aconteceu comigo?”, ele pensou. Não era um sonho. Seu quarto, um quarto perfeitamente humano, em bora pequeno demais, mantinha-se silencioso entre as quatro paredes bem conhecidas. Acima da mesa, sobre a qual se espalhava um mostruário de tecidos desempacotado — Samsa era caixeiro-viajante —, estava pendurada a figura que há pouco tempo ele havia recortado de uma revista ilustrada e posto em uma bela moldura dourada. Na imagem, via-se uma mulher de chapéu e cachecol, ambos de pele felpuda, sentada com as costas eretas, oferecendo aos olhos do espectador um pesado aquecedor de mãos também de pele felpuda, dentro do qual escondia todo o seu antebraço.

      Então o olhar de Gregor se voltou para a janela e o tempo fechado — ouviam-se as gotas de chuva baterem contra as folhas da janela — lhe causou uma forte melancolia. “E se eu dormisse mais um pouco e esquecesse toda essa loucura?”, pensou, mas isso era impossível, pois ele estava acostumado a dormir deitado sobre o seu lado direito; em seu atual estado, contudo, ele não conseguia se pôr nessa posição. Por mais força que fizesse ao tentar se acomodar sobre o seu lado direito, ele sempre balançava de volta, pondo-se de costas. Ele tentou fazer isso uma centena de vezes, fechando os olhos para não ter de ver as pernas inquietas, e só desistiu quando começou a sentir uma dor lateral leve e difusa, que nunca havia sentido antes.

     “Ah, meu Deus”, ele pensou, “que profissão cansativa eu escolhi! Dia sim, dia não em viagem. É muito mais tenso trabalhar em casa do que na loja. Além disso, tenho de suportar esse flagelo que é viajar, as preocupações com as conexões dos trens, a comida ruim e em horários irregulares, o contato sempre inconstante com as pessoas, nunca duradouro, um contato que nunca se torna afetuoso. Que o diabo carregue isso tudo!” Sentiu uma leve coceira na parte de cima da barriga. Sempre de costas, arrastou-se lentamente para mais perto da cabeceira da cama, para que pudesse levantar um pouco mais a cabeça. O lugar que coçava estava repleto de pontinhos brancos, algo que não entendeu bem; quis, então, tocar aquele lugar com uma das pernas, mas imediatamente a puxou de volta, pois foi inteiramente tomado por calafrios ao mais leve contato.


(KAFKA, Franz (1883-1924). A metamorfose. Tradução de Giovane Rodrigues. São Paulo: Instituto Mojo, 2022. p. 7-8).
No trecho — “Ah, meu Deus”, ele pensou, “que profissão cansativa eu escolhi! Dia sim, dia não em viagem. É muito mais tenso trabalhar em casa do que na loja...” — o uso das aspas adquire relevância discursiva e estilística. Considerando a função enunciativa desse recurso, é correto afirmar que as aspas:
Alternativas
Q3805661 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão:


   Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa se viu em sua cama metamorfoseado num imenso inseto. Estava deitado sobre suas costas, que eram duras como uma carapaça. Ao levantar um pouco a cabeça, viu sua barriga marrom, côncava, toda dividida em arcos; ela se elevava tão alto que o cobertor mal podia cobri-la e deslizava quase por inteiro para o chão. Suas muitas pernas se agitavam desesperadas diante de seus olhos, e eram tão finas em comparação com o resto do seu corpo que dava pena vê-las.

   “O que aconteceu comigo?”, ele pensou. Não era um sonho. Seu quarto, um quarto perfeitamente humano, em bora pequeno demais, mantinha-se silencioso entre as quatro paredes bem conhecidas. Acima da mesa, sobre a qual se espalhava um mostruário de tecidos desempacotado — Samsa era caixeiro-viajante —, estava pendurada a figura que há pouco tempo ele havia recortado de uma revista ilustrada e posto em uma bela moldura dourada. Na imagem, via-se uma mulher de chapéu e cachecol, ambos de pele felpuda, sentada com as costas eretas, oferecendo aos olhos do espectador um pesado aquecedor de mãos também de pele felpuda, dentro do qual escondia todo o seu antebraço.

      Então o olhar de Gregor se voltou para a janela e o tempo fechado — ouviam-se as gotas de chuva baterem contra as folhas da janela — lhe causou uma forte melancolia. “E se eu dormisse mais um pouco e esquecesse toda essa loucura?”, pensou, mas isso era impossível, pois ele estava acostumado a dormir deitado sobre o seu lado direito; em seu atual estado, contudo, ele não conseguia se pôr nessa posição. Por mais força que fizesse ao tentar se acomodar sobre o seu lado direito, ele sempre balançava de volta, pondo-se de costas. Ele tentou fazer isso uma centena de vezes, fechando os olhos para não ter de ver as pernas inquietas, e só desistiu quando começou a sentir uma dor lateral leve e difusa, que nunca havia sentido antes.

     “Ah, meu Deus”, ele pensou, “que profissão cansativa eu escolhi! Dia sim, dia não em viagem. É muito mais tenso trabalhar em casa do que na loja. Além disso, tenho de suportar esse flagelo que é viajar, as preocupações com as conexões dos trens, a comida ruim e em horários irregulares, o contato sempre inconstante com as pessoas, nunca duradouro, um contato que nunca se torna afetuoso. Que o diabo carregue isso tudo!” Sentiu uma leve coceira na parte de cima da barriga. Sempre de costas, arrastou-se lentamente para mais perto da cabeceira da cama, para que pudesse levantar um pouco mais a cabeça. O lugar que coçava estava repleto de pontinhos brancos, algo que não entendeu bem; quis, então, tocar aquele lugar com uma das pernas, mas imediatamente a puxou de volta, pois foi inteiramente tomado por calafrios ao mais leve contato.


(KAFKA, Franz (1883-1924). A metamorfose. Tradução de Giovane Rodrigues. São Paulo: Instituto Mojo, 2022. p. 7-8).
Analise os enunciados abaixo e assinale a alternativa que contém apenas afirmações corretas.

I. O desabafo de Gregor sobre a profissão evidencia a alienação do sujeito moderno, aprisionado pela lógica produtiva e desprovido de satisfação pessoal.
II. A referência à “comida ruim e em horários irregulares” não indica uma crítica às condições físicas e mentais impostas pelo ritmo industrial, que desumaniza o trabalhador.
III. O incômodo físico e a coceira simbolizam a transição entre a identidade humana e a condição animal, funcionando como metáfora da deterioração da consciência.
IV. O trecho apresenta o trabalho como fonte de prazer e realização existencial, pois é nele que Gregor encontra sentido e estabilidade emocional.
V. A recusa de Gregor em tocar o próprio corpo representa o horror diante de si mesmo, sintetizando o estranhamento e a perda da identidade corporal.
Alternativas
Q3805660 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão:


   Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa se viu em sua cama metamorfoseado num imenso inseto. Estava deitado sobre suas costas, que eram duras como uma carapaça. Ao levantar um pouco a cabeça, viu sua barriga marrom, côncava, toda dividida em arcos; ela se elevava tão alto que o cobertor mal podia cobri-la e deslizava quase por inteiro para o chão. Suas muitas pernas se agitavam desesperadas diante de seus olhos, e eram tão finas em comparação com o resto do seu corpo que dava pena vê-las.

   “O que aconteceu comigo?”, ele pensou. Não era um sonho. Seu quarto, um quarto perfeitamente humano, em bora pequeno demais, mantinha-se silencioso entre as quatro paredes bem conhecidas. Acima da mesa, sobre a qual se espalhava um mostruário de tecidos desempacotado — Samsa era caixeiro-viajante —, estava pendurada a figura que há pouco tempo ele havia recortado de uma revista ilustrada e posto em uma bela moldura dourada. Na imagem, via-se uma mulher de chapéu e cachecol, ambos de pele felpuda, sentada com as costas eretas, oferecendo aos olhos do espectador um pesado aquecedor de mãos também de pele felpuda, dentro do qual escondia todo o seu antebraço.

      Então o olhar de Gregor se voltou para a janela e o tempo fechado — ouviam-se as gotas de chuva baterem contra as folhas da janela — lhe causou uma forte melancolia. “E se eu dormisse mais um pouco e esquecesse toda essa loucura?”, pensou, mas isso era impossível, pois ele estava acostumado a dormir deitado sobre o seu lado direito; em seu atual estado, contudo, ele não conseguia se pôr nessa posição. Por mais força que fizesse ao tentar se acomodar sobre o seu lado direito, ele sempre balançava de volta, pondo-se de costas. Ele tentou fazer isso uma centena de vezes, fechando os olhos para não ter de ver as pernas inquietas, e só desistiu quando começou a sentir uma dor lateral leve e difusa, que nunca havia sentido antes.

     “Ah, meu Deus”, ele pensou, “que profissão cansativa eu escolhi! Dia sim, dia não em viagem. É muito mais tenso trabalhar em casa do que na loja. Além disso, tenho de suportar esse flagelo que é viajar, as preocupações com as conexões dos trens, a comida ruim e em horários irregulares, o contato sempre inconstante com as pessoas, nunca duradouro, um contato que nunca se torna afetuoso. Que o diabo carregue isso tudo!” Sentiu uma leve coceira na parte de cima da barriga. Sempre de costas, arrastou-se lentamente para mais perto da cabeceira da cama, para que pudesse levantar um pouco mais a cabeça. O lugar que coçava estava repleto de pontinhos brancos, algo que não entendeu bem; quis, então, tocar aquele lugar com uma das pernas, mas imediatamente a puxou de volta, pois foi inteiramente tomado por calafrios ao mais leve contato.


(KAFKA, Franz (1883-1924). A metamorfose. Tradução de Giovane Rodrigues. São Paulo: Instituto Mojo, 2022. p. 7-8).
No trecho apresentado, o espaço ocupa uma função que transcende o mero cenário descritivo, configurando-se como um elemento constitutivo da psicologia e da condição existencial do protagonista. Considerando essa perspectiva, o espaço da narrativa:
Alternativas
Q3805659 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão:


   Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa se viu em sua cama metamorfoseado num imenso inseto. Estava deitado sobre suas costas, que eram duras como uma carapaça. Ao levantar um pouco a cabeça, viu sua barriga marrom, côncava, toda dividida em arcos; ela se elevava tão alto que o cobertor mal podia cobri-la e deslizava quase por inteiro para o chão. Suas muitas pernas se agitavam desesperadas diante de seus olhos, e eram tão finas em comparação com o resto do seu corpo que dava pena vê-las.

   “O que aconteceu comigo?”, ele pensou. Não era um sonho. Seu quarto, um quarto perfeitamente humano, em bora pequeno demais, mantinha-se silencioso entre as quatro paredes bem conhecidas. Acima da mesa, sobre a qual se espalhava um mostruário de tecidos desempacotado — Samsa era caixeiro-viajante —, estava pendurada a figura que há pouco tempo ele havia recortado de uma revista ilustrada e posto em uma bela moldura dourada. Na imagem, via-se uma mulher de chapéu e cachecol, ambos de pele felpuda, sentada com as costas eretas, oferecendo aos olhos do espectador um pesado aquecedor de mãos também de pele felpuda, dentro do qual escondia todo o seu antebraço.

      Então o olhar de Gregor se voltou para a janela e o tempo fechado — ouviam-se as gotas de chuva baterem contra as folhas da janela — lhe causou uma forte melancolia. “E se eu dormisse mais um pouco e esquecesse toda essa loucura?”, pensou, mas isso era impossível, pois ele estava acostumado a dormir deitado sobre o seu lado direito; em seu atual estado, contudo, ele não conseguia se pôr nessa posição. Por mais força que fizesse ao tentar se acomodar sobre o seu lado direito, ele sempre balançava de volta, pondo-se de costas. Ele tentou fazer isso uma centena de vezes, fechando os olhos para não ter de ver as pernas inquietas, e só desistiu quando começou a sentir uma dor lateral leve e difusa, que nunca havia sentido antes.

     “Ah, meu Deus”, ele pensou, “que profissão cansativa eu escolhi! Dia sim, dia não em viagem. É muito mais tenso trabalhar em casa do que na loja. Além disso, tenho de suportar esse flagelo que é viajar, as preocupações com as conexões dos trens, a comida ruim e em horários irregulares, o contato sempre inconstante com as pessoas, nunca duradouro, um contato que nunca se torna afetuoso. Que o diabo carregue isso tudo!” Sentiu uma leve coceira na parte de cima da barriga. Sempre de costas, arrastou-se lentamente para mais perto da cabeceira da cama, para que pudesse levantar um pouco mais a cabeça. O lugar que coçava estava repleto de pontinhos brancos, algo que não entendeu bem; quis, então, tocar aquele lugar com uma das pernas, mas imediatamente a puxou de volta, pois foi inteiramente tomado por calafrios ao mais leve contato.


(KAFKA, Franz (1883-1924). A metamorfose. Tradução de Giovane Rodrigues. São Paulo: Instituto Mojo, 2022. p. 7-8).
No fragmento de A Metamorfose, a sensação de melancolia que acomete Gregor Samsa ao despertar decorre não apenas de um estado afetivo passageiro, mas de um complexo existencial que articula corpo, trabalho e consciência. Nesse contexto, a causa predominante de sua melancolia pode ser interpretada como:
Alternativas
Respostas
461: A
462: A
463: A
464: E
465: C
466: C
467: B
468: A
469: D
470: D
471: C
472: C
473: C
474: E
475: A
476: B
477: A
478: C
479: E
480: B