Questões de Concurso
Comentadas para professor - filosofia
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Com base no pensamento de Hegel, assinale a alternativa correta:
I. A teoria da justiça de Amartya Sen, centrada nas “capacidades” individuais, propõe uma abordagem que vai além da mera distribuição de recursos, enfatizando a importância de garantir que as pessoas tenham condições reais de exercer suas liberdades e alcançar um bem-estar pleno.
II. O conceito de “sociedade em rede”, de Manuel Castells, destaca a centralidade das redes de comunicação e informação na organização social contemporânea, impactando as relações de poder, a participação política e a construção de identidades.
III. A noção de “liberdade positiva”, defendida por Isaiah Berlin, que se refere à capacidade de autodeterminação e de agir de acordo com seus próprios objetivos, torna-se ainda mais complexa na era digital, na qual a autonomia individual pode ser influenciada por algoritmos e sistemas de vigilância.
IV. O conceito de “reconhecimento” de Axel Honneth, que destaca a importância da autoestima, do respeito e da solidariedade para a realização da justiça social adquire novas nuances no contexto digital, no qual as lutas por reconhecimento se expressam em novas arenas e formas de interação social.
É correto o que se afirma em:
“Do mesmo modo que [Deus] é criador de todas as naturezas, é dispensador de todo poder, não do querer, porque o mal querer não procede dele, visto ser contrário à natureza dele procedente.”
(AGOSTINHO, A Cidade de Deus (contra os pagãos), 2003, p. 203.)
Para Agostinho, não se deve atribuir a Deus a origem do mal, porque:
I. A Aprendizagem Cooperativa se apresenta como uma alternativa à abordagem individual (ou individualista) e à lógica competitiva que, tradicionalmente, esteve presente na escola. Nesse contexto, ela é uma estratégia de ensino que encontra base nas discussões sobre interação social e envolve o desenvolvimento de atividades, em pequenos grupos, para promover o trabalho em conjunto, para que os estudantes desenvolvam sua própria aprendizagem, ao mesmo tempo em que se desenvolve a aprendizagem dos demais colegas. Assim, a responsabilidade pela resolução de problemas, atividades e desafios propostos é, ao mesmo tempo, individual e coletiva; todos precisam cooperar, explicar e negociar pontos de vista, compartilhar informações e encorajar uns aos outros para que sejam bem-sucedidos na resolução das atividades.
II. O uso de Metodologias Participativas, para a promoção do ensino e da aprendizagem, se fundamenta na interação, no diálogo e nos processos de troca (de conhecimentos, experiências, vivências, impressões, sentimentos, etc.), para a resolução colaborativa de problemas/desafios e para a construção coletiva de conhecimentos, envolvendo processos, atividades e metodologias que promovam a participação efetiva e ativa dos estudantes e a comunicação entre os estudantes e seus pares, entre os estudantes e os professores, bem como entre os estudantes e outros interlocutores que sejam chamados ao diálogo, no processo de ensino e aprendizagem.
III. As Metodologias Interativas se colocam em oposição radical à Aprendizagem Cooperativa e as Metodologias Participativas, porque envolvem somente a interação entre os estudantes e o professor em uma relação verticalizada e a partir de uma lógica transmissiva, em que cabe ao professor transmitir ou transferir – por meio de interações que envolvem unicamente a aula expositiva-dialogada – os conhecimentos, mesmo que de forma descontextualizada, que se acumularam ao longo da história da civilização.
IV. As Metodologias Ativas envolvem a interação, a participação e a cooperação, mas, sobretudo, a participação ativa (como o próprio nome sugere) dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem, pelo qual passam a ser também responsáveis. Nesse contexto, o professor que propõe atividades orienta a construção do conhecimento, guia a reflexão coletiva, estimula o diálogo e o engajamento dos estudantes, propõe questionamentos – enfim, atua como um mediador mais experiente, interessado e implicado no processo de ensinar e aprender.
É correto o que se afirma em:
I. Empenha-se em compreender a questão educacional com base no desenvolvimento histórico-objetivo.
II. Tem como base o materialismo histórico.
III. Seus pressupostos são os da concepção dialética da História.
IV. Entende o professor como agente social.
Quais estão corretas?
( ) A educação digital escolar tem como objetivo garantir a inserção da educação digital nos ambientes escolares.
( ) A capacitação e a especialização digital objetivam capacitar os professores, desenvolvendo competências digitais para a plena implementação da educação digital.
( ) A pesquisa e o desenvolvimento em tecnologias da informação inclusivas têm como objetivo desenvolver e promover tecnologias acessíveis e inclusivas.
( ) A inclusão digital deverá ser desenvolvida dentro dos limites orçamentários e no âmbito de competência de cada órgão governamental envolvido.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
I. Surgiu na década de 1970, vindo do campo da Administração.
II. É uma abordagem que apresenta princípios específicos e bem delineados.
III. Apresenta flexibilidade no uso dos conteúdos, que podem ser acessados em várias fontes.
IV. Apesar de complexo, é intuitivo, e as instruções precisam ser claras, com objetivos bem estabelecidos.
Quais estão corretas?
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
I. Ao servidor é proibido desrespeitar a hierarquia, sendo-lhe vedado representar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal.
II. O Código de Ética apresenta expressamente o dever do servidor público de apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função.
III. É vedado ao servidor público alterar o teor de documentos que deva encaminhar para providências.

[...] Há uma dificuldade em instaurar instrumentos avaliativos que verifiquem a aprendizagem dos conhecimentos específicos de filosofia, uma vez que essa averiguação costuma ser feita numa abordagem que privilegia a história da filosofia. Sendo assim, vários professores têm por objetivo “ensinar a filosofar” e não “ensinar filosofia”. O primeiro conceito se baseia em saber “pensar bem”, com criatividade, criticidade e autonomia, enquanto o segundo condiz ao acúmulo dos conteúdos formais dessa disciplina.
(DIAS, 2010.)
Sobre essas questões ligadas à avaliação em filosofia, é necessário:
O mundo presente se reconhece através de expressões como “sociedade do conhecimento” ou “sociedade da informação e da tecnologia”. A ciência alcançou um desenvolvimento exponencial no século XX em todas as suas áreas. A revolução da microeletrônica, o desenvolvimento de novas fontes de energia e a revolução das biotecnologias alçaram a ciência à condição de um mito moderno. Assistimos a uma mistificação da ciência por muitos cientistas, que carecem da lucidez de reconhecer-lhe os limites. A preeminência do conhecimento científico é compreensível na medida em que seu poder e prestígio ressoam através dos artefatos tecnológicos produzidos por ele mesmo. Neste sentido, talvez os maiores difusores dos seus feitos sejam os meios de comunicação de massa.
(OLIVA A, Epistemologia: a cientificidade em questão Campinas: Papirus; 1990.)
O embate entre ciência e filosofia existe basicamente desde que elas se encontraram e é muito mais comum do que imaginamos. A modernidade caracteriza-se, muitas vezes, pela racionalização que denominamos ciência moderna ou, simplesmente, ciência. Nesse contexto, podemos afirmar que vivemos:
O que justifica a presença da filosofia como disciplina no currículo do ensino médio é a oportunidade que ela oferece aos jovens estudantes de desenvolverem um pensamento crítico e autônomo. Em outras palavras, a filosofia permite que eles experimentem um “pensar por si mesmos” [...] A filosofia “desnaturaliza” nosso pensamento cotidiano, fazendo com que nós coloquemos sob suspeita, sob interrogação, nos fazendo “pensar o próprio pensamento”. E, com isso, nos permite produzir um pensamento melhor elaborá-lo, com melhores fundamentos, mais crítico.
(GALLO, 2003, p. 43.)
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o estudante, especificamente de ensino médio, em relação à filosofia:
Com a preocupação de tornar a linguagem mediadora da realidade, Wittgenstein procura, em alguns de seus escritos, descrever possibilidades de usos efetivos da linguagem, sendo que as atividades de uso dos símbolos têm seu significado ancorado nas “formas de vida”. Já que estas criam as legítimas possibilidades para os “jogos de linguagem”, e estes, por sua vez, delimitam aquilo que pode ser dito, dentro de um contexto ilimitado. Para ele: “Os jogos são livres criações do espírito e da vontade, autônomos e governados por regras. Saber jogar um jogo é uma capacidade que supõe domínio de uma técnica, consecutiva a uma aprendizagem. O fosso que separa a regra de sua aplicação preenchido pelo treinamento ou o adestramento (Abrichtung), a familiaridade, a prática do jogo.”
(WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. São Paulo: Abril Cultural, 1984, 3 a ed., Col. Pensadores.)
Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (1889-1951) foi um filósofo austríaco que atuou no campo da filosofia e da linguística durante a primeira metade do século XX. Seu trabalho filosófico:
O interdisciplinar é epistemológico, está presente e é mais compatível com o extracurricular, aí na resolução de problemas práticos como o planejamento, que exige soluções de ordens diversas. Os currículos escolares devem se adaptar naturalmente a esta visão epistemológica da interdisciplinaridade, mas é nos Institutos de Pesquisas ou nos problemas do dia a dia de um povo que as soluções interdisciplinares podem ser buscadas e viabilizadas. Hoje, o interdisciplinar carrega ainda alta dose ideológica como modismo educacional de uma época. Precisamos desmistificar e é preciso, portanto, respeitar, em muitos casos, o unidisciplinar para não descaracterizar o conteúdo que é próprio de uma ciência.
(CHAUÍ, Marilena Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1994.)
Acerca da interdisciplinaridade, especificamente no ensino da filosofia, assinale a afirmativa correta.
Ao realizar uma análise da moral antiga, Foucault se ocupou de temas como ética, verdade, estética da existência, sujeito da ação e sujeito ético. Alguns desses temas já estavam presentes de forma pouco desenvolvida nas fases anteriores e ganham maior destaque, como a liberdade e a agência do sujeito ético-político. As palavras de Ewald capturam com maestria a movimentação teórica realizada por Foucault na passagem da fase genealógica para a fase ética:
“As portas do asilo, os muros da prisão desaparecem, dando lugar a falas livres em que gregos e romanos discutiam as melhores maneiras de conduzir suas vidas. A paisagem do confinamento cede lugar à liberdade luminosa do sujeito.”
(EWALD, 1984, p. 71-73.)
O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) caracterizou a filosofia grega de Sócrates e outros filósofos pelo problema do “cuidado de si” (em grego, epiméleia heautoú). Nesta análise, Foucault: