Questões de Concurso
Comentadas para agente comunitário de saúde
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I- o da assistência, em que as atividades são dirigidas às pessoas, individual ou coletivamente, e que é prestada no âmbito ambulatorial e hospitalar, bem como em outros espaços, especialmente no domiciliar;
II- o das intervenções ambientais, no seu sentido mais amplo, incluindo as relações e as condições sanitárias nos ambientes de vida e de trabalho, o controle de vetores e hospedeiros e a operação de sistemas de saneamento ambiental (mediante o pacto de interesses, as normalizações, as fiscalizações e outros);
III- o das políticas externas ao setor saúde, que não interferem nos determinantes sociais do processo saúde-doença das coletividades, de que são partes importantes questões relativas às políticas macroeconômicas, ao emprego, à habitação, à educação, ao lazer e à disponibilidade e qualidade dos alimentos.
Após a leitura dos itens, marque a alternativa CORRETA:
O Luftal do boi
Por Juliana Ribeiro
Foi-se o tempo em que os bois podiam pastar pela imensidão verde sem causar preocupações. O sossego terminou quando há alguns anos estudos indicaram que os gases emitidos por bovinos eram um dos maiores causadores do efeito estufa. Pesquisadores concluíram que o volume de metano (CH4) emitido por animal, cerca de 51 quilos ao ano, contribui para acelerar o aquecimento do planeta. No Brasil, estima-se que os mais de 205 milhões de cabeças emitam 8 milhões de toneladas do gás ao ano. De uma hora para outra, “flatulências” e “arrotos” passaram a ser vistos com desconforto por pecuaristas e com histeria por ambientalistas. Mas Michael Mathres, um pesquisador britânico, vem analisando um composto à base de alho que reduz em 20% a emissão de metano por animal, ou 10,2 quilos ao ano. “Ele pode ser dado junto com a ração”, explica. Batizado de Mootral, o produto recebeu investimentos de R$ 1 milhão. “O alho reduz a produção de metano ao selecionar as bactérias que fazem a digestão no boi”, explica Sérgio Raposo de Medeiros, pesquisador da EMBRAPA Gado de Corte.
É justamente na digestão que “mora” o problema. Segundo Antonio Carlos Silveira, professor titular do departamento de nutrição animal da Unesp de Botucatu (SP), os alimentos consumidos por bovinos começam a ser digeridos e são transformados em ácidos graxos. “Dessa produção resulta a energia para o animal, e uma parte se transforma em metano”. Silveira conta que, da energia bruta de um boi adulto com 500 quilos, 30% se perdem nas fezes e, dos 70% restantes, 9% são perdidos com o metano. Aí é que o Mootral promete ganhos, já que reduz a produção de CH4. “Isso melhora o ganho de carne e energia”, completa Mathres.
Mas engana-se quem pensa que o metano emitido pelos bovinos é o responsável pelo efeito estufa. “Todos os ruminantes do mundo produzem cerca de 15% do gás emitido no planeta”, pondera Medeiros. A tendência é uma queda nessa produção com práticas simples como a realização do confinamento. “O gado confinado, ao comer rações, produz menos metano do que o boi a pasto”, diz o pesquisador. Os bois agradecem.
Fonte: Dinheiro Rural. 70 ed. Agosto, 2010, p. 48.
De acordo com o texto, o Luftal do boi é:
Eu desconfiava: todas as histórias em quadrinhos são iguais. Todos os filmes norte-americanos são iguais. Todos os filmes de todos os países são iguais. Todos os best-sellers são iguais. Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais. Todos os partidos políticos são iguais. Todas as mulheres que andam na moda são iguais. Todas as experiências de sexo são iguais. Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais. E todos, todos os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais. Todas as fomes são iguais. Todos os amores iguais, iguais, iguais. Iguais todos os rompimentos. A morte é igualíssima. Todas as criações da natureza são iguais. Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais. Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar.
A paixão medida (1980). 8 ed. Rio de Janeiro: Record, 2002, p. 77-78. Carlos Drummod de Andrade © Graña Drummond www.carlosdrummond.com.br
Das afirmações seguintes:
I. É possível afirmar que o poema encontra-se dividido basicamente em quatro partes
II. O vocábulo “contudo” é responsável por introduzir a segunda parte do poema.
III. A frase “Todo ser humano é um estranho ímpar” equivale a “cada um dos seres humanos é diferente dos demais”.
EIKE PARA PRESIDENTE
Ser rico no Brasil sempre foi uma ofensa sociológica. Eike Batista chegou para acabar com isso. Ele não é só um bilionário desinibido, confiante, assumido. O pai de Thor é também carismático, empreendedor genuíno, obcecado com o cabelo, nosso primeiro Donald Trump, com bestseller nas livrarias e um senso de autopromoção que pode levá-lo, quem sabe, a subir a rampa do Palácio do Planalto.
Lembro que nos anos 1980, quando os japoneses inventavam coisas geniais como o walkman e eram vistos como os chineses são vistos hoje, era comum dizer que o Brasil deveria ser dado para eles administrarem. Tínhamos todos os atributos de uma nação rica, mas éramos tão mal geridos (naquele lodaçal do final da ditadura até o Plano Real) que deixados a nós mesmos nosso destino seria o fracasso.
Depois de tentarmos todas as coisas difíceis, o Brasil finalmente se encontrou no óbvio: democracia e economia de mercado. Chegamos com um atraso enorme em relação aos nossos primos norte-americanos (com quem devemos nos comparar por dimensão e ambição, e não com nossos pequenos vizinhos latinos), mas capitalismo e democracia, mesmo que tardios e imperfeitos, nos fazem muito bem.
E agora as coisas andam mais rápidas. A população brasileira, empreendedora por necessidade, abraçou o capitalismo e foi.
Sob o governo de Lula, o primeiro presidente pobre do Brasil, pobres e ricos enriqueceram juntos. Quando a maré sobe, todos os barcos sobem.
Trabalhar finalmente tornou-se instrumento efetivo de ascensão social no país.
E se ainda é difícil ficar rico, pelo menos está mais fácil ficar mais rico do que se era, com o desemprego abaixo de 6% e renda em alta.
Já temos 145 mil milionários no Brasil (com US$ 1 milhão disponível para investir), segundo cálculo recente de um banco estrangeiro. É um número ainda pequeno numa população de 200 milhões de habitantes, mas está crescendo.
Nossos velhos ricos sempre foram muito reservados, como se Balzac tivesse razão ao dizer que atrás de toda fortuna tem um crime. De fato, a distribuição de riqueza no Brasil sempre foi caso de crime contra a humanidade, parido na escravidão colonial.
Mas as coisas estão mudando. Nossos novos ricos, confiantes e desinibidos, desfilam seu sucesso e seu dinheiro como troféus a inspirar os observadores. São principalmente pequenos empreendedores ou grandes profissionais liberais que estão formando uma nova camada de poder que pode ter a força de mudar o Brasil.
A mudança jamais virá dos políticos, a revolução não será televisionada pela TV Senado.
Precisamos de mais empreendedores ativistas fora de suas empresas. Eles são fundamentais e transformadores.
Por exemplo: o apoio e o engajamento do empresário Guilherme Leal, bilionário fundador da Natura, na campanha de Marina Silva foi o que possibilitou ela ter votação tão expressiva.
Não precisamos mais dos japoneses para tocar o Brasil. Nossos empreendedores são os nossos japoneses. São eles, mais do que qualquer político ou partido, que estão desenvolvendo o país.
Sérgio Malbergier. Folha de São Paulo. 19-01-2012.
O texto permite afirmar que: