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“UM APRENDIZADO, UM ABRAÇO, UM SOCO NA CARA”
No último mês, fiquei obcecada com o show da Madonna.
Pensava: preciso ir, vou de qualquer jeito. Moro em São Paulo e me questionava:
Onde me hospedar no Rio de Janeiro? Com quem ir? Tentei criar um grupo com meus
amigos, mas a maior parte não acompanha o trabalho da Madonna. Ninguém estava
tão animado. De toda forma, me organizei e fui com minha irmã gêmea, Estela
May, para o Rio no dia 30 de abril. Ao mesmo tempo, crescia em mim o sentimento
de que não queria estar no show sem a minha mãe.
Teve até um momento em que bateu uma vontade imensa de
voltar para São Paulo na mesma hora. Não queria mais ir, não sem a minha mãe.
Foi uma obsessão tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora,
roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54
no último 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna
por ela. Estava muito sensível. Minha mãe sempre dizia que sou muito sensível.
Desde que o evento foi anunciado, vi muitas pessoas
contando histórias relacionadas a Madonna. Pensei: “Ah, quer saber? Vou tirar
uma foto que prova que meu nome é Madonna como o dela.” Peguei o meu passaporte
na mesa de cabeceira e tirei a foto. Foi. Achei que ia render umas cem curtidas
e algumas risadas. Mas o post foi longe e as pessoas começaram a me
ajudar. Aliás, sou muito grata a todo mundo que sentiu que eu deveria estar lá.
Isso é uma das coisas que mais me emocionaram nesta história e fico com vontade
de chorar só de falar. Achei lindo o fato de entenderem como esse show era
importante pra mim.
No dia do aniversário da minha mãe, o quinto desde que
ela morreu, eu não esperava nada. Estava no chuveiro, ouvindo What It
Feels Like For A Girl, aquela música que ela traduziu no Saia Justa e
viralizou no Twitter recentemente. Logo depois entrei no X [antigo Twitter]
como se não quisesse nada e estava lá a mensagem do patrocinador
disponibilizando os ingressos. Na hora minha irmã virou e falou: “Você sabe
quem foi, né” A gente sempre fica procurando sinais da minha mãe. Não sei se
peguei isso do meu pai. Meu pai sente muito sinal por música. Em dezembro do
ano passado nós estávamos em um hotel aqui do Rio para pegar o meu livro [Tudo
que eu posso te contar] impresso pela primeira vez e, do nada, começou a
tocar Forever Young do Alphaville. Justo a música que minha mãe
sempre falou que era a nossa família. Ela sempre escutava, era nosso hino.
Como cheguei no Rio com antecedência, consegui curtir
um tempo na cidade, mas meus dias foram realmente Madonna, Madonna, Madonna,
Madonna. Não conseguia pensar em outra coisa, não conseguia fazer nada. Fui ao
Copacabana Palace tentar ver a Madonna. No dia do show, eu estava monotemática.
Minha irmã foi à praia e eu fiquei dando voltas no quarto do hotel. Mandei
fazer uma bolsa e uma saia cheia de correntes, crucifixos e enfeitezinhos.
Passei o dia inteiro pulando e reparando que a saia fazia muito barulho. Tentei
mexer nela enquanto ouvia a Madonna. Normalmente com outros shows, mesmo dos
artistas que conheço só três ou quatro músicas, já fico ansiosa. Mas dessa vez
a sensação triplicou. Mal consegui comer. Pedi um bule de café no serviço de
quarto, que tomei loucamente. E continuei ouvindo Madonna. “Será que já devo
ir?”, “Será que já posso ir?”, era o que eu pensava a todo momento. Mandei
mensagem pra minha irmã falando: “Pelo amor de Deus, volta dessa praia agora” O
espaço abria às 18h, e cheguei lá nessa hora, mas chegaria muito antes se fosse
possível.
Antes de o show começar, já na área vip, eu e minha
irmã ficamos desconfortáveis. Tinham muitas famílias tradicionais brasileiras.
Escutamos comentários desnecessários e alguns homofóbicos. Pouco antes da
apresentação começar, um dos convidados da área vip me reconheceu e me chamou
para ficar mais próximo do palco. Neste momento, um outro rapaz que também
estava ali disse que se tivesse com uma faca mataria. A primeira coisa que
pensei foi que nem mesmo no show de Madonna ficamos seguros.
Fiquei preocupada e cogitei procurar outro lugar para
acompanhar a apresentação. Mas, por mais que o caso tenha sido horrível, fiquei
pensando que foi bom o agressor ter assistido ao show. Também me dei conta de
que, afinal, é disto que a Madonna fala: de não deixar essas pessoas nos
oprimirem. Decidi: vamos ficar aqui berrando e dançando, e, se eles se
incomodarem, que se mexam.
Essa é a celebração da Madonna. Fiquei eufórica quando
a Madonna entrou no palco. Chorei muito. Minha irmã, preocupada, perguntou se
eu estava bem, se queria sentar ou beber água. Também por isso foi tão especial
poder ir ao show com ela. Somos muito diferentes. A sensação que tenho é que
desde pequenas fomos pegando o que cada uma gostava para si, mas com Madonna
isso não ia funcionar, ninguém ia abrir mão de amar a Madonna. Então,
subconscientemente, escolhemos dividir esse amor por períodos. Óbvio que amo
músicas de todas as fases, mas prefiro as canções da década de 1980, do começo
da carreira. A Estela elegeu os álbuns atuais. Apesar de não ter Madonna no
nome, acho que ela é mais fã que eu. Viver esse momento com ela foi muito
especial, porque na minha memória, éramos nós duas no carro com a minha mãe
colocando o CD da Madonna para ouvir. Ela sabe que a primeira coisa que fiz
depois que a minha mãe faleceu foi ir ao meu quarto escutar Ray of Light.
Então, quando a Madonna começou a cantar essa música, e eu desabei em choro, a
minha irmã reconheceu o que isso significava para nós duas. Estela sabe que
essa era a música que a minha mãe mais gostava de escutar e o que aquele
momento no show significaria para ela.
Já faz quase 5 anos que a minha mãe faleceu, mas o
luto demora para acontecer. Você acha que superou e do nada cai uma ficha de
“é, acho que não”. Maio é sempre um mês difícil pra gente, porque começa com o
aniversário da minha mãe e logo vem o dia das mães. É uma dobradinha de datas
não divertidas nesse processo, ou até divertidas e de celebração, mas que doem
ao mesmo tempo. E o show da Madonna, bem no meio disso, é como um abraço, sabe?
Foi um aprendizado, foi um abraço, foi um soco na cara. Ficou um sentimento de
amor imenso e gratidão. Escrevi no meu diário que fiz isso por mim e pela minha
mãe, e que de alguma maneira serviu para fechar algumas feridas que ainda
estavam abertas em relação a tudo o que aconteceu. E foi mágico.
(...)
(Cecília Madonna, Revista Piauí, 11 maio 2024 08h59)
Observe a palavra em destaque e marque a opção em que aparece desvio ortográfico segundo a norma culta.
“Foi uma obsessão tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora, roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54 no último 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna por ela”
“UM APRENDIZADO, UM ABRAÇO, UM SOCO NA CARA”
No último mês, fiquei obcecada com o show da Madonna.
Pensava: preciso ir, vou de qualquer jeito. Moro em São Paulo e me questionava:
Onde me hospedar no Rio de Janeiro? Com quem ir? Tentei criar um grupo com meus
amigos, mas a maior parte não acompanha o trabalho da Madonna. Ninguém estava
tão animado. De toda forma, me organizei e fui com minha irmã gêmea, Estela
May, para o Rio no dia 30 de abril. Ao mesmo tempo, crescia em mim o sentimento
de que não queria estar no show sem a minha mãe.
Teve até um momento em que bateu uma vontade imensa de
voltar para São Paulo na mesma hora. Não queria mais ir, não sem a minha mãe.
Foi uma obsessão tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora,
roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54
no último 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna
por ela. Estava muito sensível. Minha mãe sempre dizia que sou muito sensível.
Desde que o evento foi anunciado, vi muitas pessoas
contando histórias relacionadas a Madonna. Pensei: “Ah, quer saber? Vou tirar
uma foto que prova que meu nome é Madonna como o dela.” Peguei o meu passaporte
na mesa de cabeceira e tirei a foto. Foi. Achei que ia render umas cem curtidas
e algumas risadas. Mas o post foi longe e as pessoas começaram a me
ajudar. Aliás, sou muito grata a todo mundo que sentiu que eu deveria estar lá.
Isso é uma das coisas que mais me emocionaram nesta história e fico com vontade
de chorar só de falar. Achei lindo o fato de entenderem como esse show era
importante pra mim.
No dia do aniversário da minha mãe, o quinto desde que
ela morreu, eu não esperava nada. Estava no chuveiro, ouvindo What It
Feels Like For A Girl, aquela música que ela traduziu no Saia Justa e
viralizou no Twitter recentemente. Logo depois entrei no X [antigo Twitter]
como se não quisesse nada e estava lá a mensagem do patrocinador
disponibilizando os ingressos. Na hora minha irmã virou e falou: “Você sabe
quem foi, né” A gente sempre fica procurando sinais da minha mãe. Não sei se
peguei isso do meu pai. Meu pai sente muito sinal por música. Em dezembro do
ano passado nós estávamos em um hotel aqui do Rio para pegar o meu livro [Tudo
que eu posso te contar] impresso pela primeira vez e, do nada, começou a
tocar Forever Young do Alphaville. Justo a música que minha mãe
sempre falou que era a nossa família. Ela sempre escutava, era nosso hino.
Como cheguei no Rio com antecedência, consegui curtir
um tempo na cidade, mas meus dias foram realmente Madonna, Madonna, Madonna,
Madonna. Não conseguia pensar em outra coisa, não conseguia fazer nada. Fui ao
Copacabana Palace tentar ver a Madonna. No dia do show, eu estava monotemática.
Minha irmã foi à praia e eu fiquei dando voltas no quarto do hotel. Mandei
fazer uma bolsa e uma saia cheia de correntes, crucifixos e enfeitezinhos.
Passei o dia inteiro pulando e reparando que a saia fazia muito barulho. Tentei
mexer nela enquanto ouvia a Madonna. Normalmente com outros shows, mesmo dos
artistas que conheço só três ou quatro músicas, já fico ansiosa. Mas dessa vez
a sensação triplicou. Mal consegui comer. Pedi um bule de café no serviço de
quarto, que tomei loucamente. E continuei ouvindo Madonna. “Será que já devo
ir?”, “Será que já posso ir?”, era o que eu pensava a todo momento. Mandei
mensagem pra minha irmã falando: “Pelo amor de Deus, volta dessa praia agora” O
espaço abria às 18h, e cheguei lá nessa hora, mas chegaria muito antes se fosse
possível.
Antes de o show começar, já na área vip, eu e minha
irmã ficamos desconfortáveis. Tinham muitas famílias tradicionais brasileiras.
Escutamos comentários desnecessários e alguns homofóbicos. Pouco antes da
apresentação começar, um dos convidados da área vip me reconheceu e me chamou
para ficar mais próximo do palco. Neste momento, um outro rapaz que também
estava ali disse que se tivesse com uma faca mataria. A primeira coisa que
pensei foi que nem mesmo no show de Madonna ficamos seguros.
Fiquei preocupada e cogitei procurar outro lugar para
acompanhar a apresentação. Mas, por mais que o caso tenha sido horrível, fiquei
pensando que foi bom o agressor ter assistido ao show. Também me dei conta de
que, afinal, é disto que a Madonna fala: de não deixar essas pessoas nos
oprimirem. Decidi: vamos ficar aqui berrando e dançando, e, se eles se
incomodarem, que se mexam.
Essa é a celebração da Madonna. Fiquei eufórica quando
a Madonna entrou no palco. Chorei muito. Minha irmã, preocupada, perguntou se
eu estava bem, se queria sentar ou beber água. Também por isso foi tão especial
poder ir ao show com ela. Somos muito diferentes. A sensação que tenho é que
desde pequenas fomos pegando o que cada uma gostava para si, mas com Madonna
isso não ia funcionar, ninguém ia abrir mão de amar a Madonna. Então,
subconscientemente, escolhemos dividir esse amor por períodos. Óbvio que amo
músicas de todas as fases, mas prefiro as canções da década de 1980, do começo
da carreira. A Estela elegeu os álbuns atuais. Apesar de não ter Madonna no
nome, acho que ela é mais fã que eu. Viver esse momento com ela foi muito
especial, porque na minha memória, éramos nós duas no carro com a minha mãe
colocando o CD da Madonna para ouvir. Ela sabe que a primeira coisa que fiz
depois que a minha mãe faleceu foi ir ao meu quarto escutar Ray of Light.
Então, quando a Madonna começou a cantar essa música, e eu desabei em choro, a
minha irmã reconheceu o que isso significava para nós duas. Estela sabe que
essa era a música que a minha mãe mais gostava de escutar e o que aquele
momento no show significaria para ela.
Já faz quase 5 anos que a minha mãe faleceu, mas o
luto demora para acontecer. Você acha que superou e do nada cai uma ficha de
“é, acho que não”. Maio é sempre um mês difícil pra gente, porque começa com o
aniversário da minha mãe e logo vem o dia das mães. É uma dobradinha de datas
não divertidas nesse processo, ou até divertidas e de celebração, mas que doem
ao mesmo tempo. E o show da Madonna, bem no meio disso, é como um abraço, sabe?
Foi um aprendizado, foi um abraço, foi um soco na cara. Ficou um sentimento de
amor imenso e gratidão. Escrevi no meu diário que fiz isso por mim e pela minha
mãe, e que de alguma maneira serviu para fechar algumas feridas que ainda
estavam abertas em relação a tudo o que aconteceu. E foi mágico.
(...)
(Cecília Madonna, Revista Piauí, 11 maio 2024 08h59)
“UM APRENDIZADO, UM ABRAÇO, UM SOCO NA CARA”
No último mês, fiquei obcecada com o show da Madonna.
Pensava: preciso ir, vou de qualquer jeito. Moro em São Paulo e me questionava:
Onde me hospedar no Rio de Janeiro? Com quem ir? Tentei criar um grupo com meus
amigos, mas a maior parte não acompanha o trabalho da Madonna. Ninguém estava
tão animado. De toda forma, me organizei e fui com minha irmã gêmea, Estela
May, para o Rio no dia 30 de abril. Ao mesmo tempo, crescia em mim o sentimento
de que não queria estar no show sem a minha mãe.
Teve até um momento em que bateu uma vontade imensa de
voltar para São Paulo na mesma hora. Não queria mais ir, não sem a minha mãe.
Foi uma obsessão tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora,
roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54
no último 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna
por ela. Estava muito sensível. Minha mãe sempre dizia que sou muito sensível.
Desde que o evento foi anunciado, vi muitas pessoas
contando histórias relacionadas a Madonna. Pensei: “Ah, quer saber? Vou tirar
uma foto que prova que meu nome é Madonna como o dela.” Peguei o meu passaporte
na mesa de cabeceira e tirei a foto. Foi. Achei que ia render umas cem curtidas
e algumas risadas. Mas o post foi longe e as pessoas começaram a me
ajudar. Aliás, sou muito grata a todo mundo que sentiu que eu deveria estar lá.
Isso é uma das coisas que mais me emocionaram nesta história e fico com vontade
de chorar só de falar. Achei lindo o fato de entenderem como esse show era
importante pra mim.
No dia do aniversário da minha mãe, o quinto desde que
ela morreu, eu não esperava nada. Estava no chuveiro, ouvindo What It
Feels Like For A Girl, aquela música que ela traduziu no Saia Justa e
viralizou no Twitter recentemente. Logo depois entrei no X [antigo Twitter]
como se não quisesse nada e estava lá a mensagem do patrocinador
disponibilizando os ingressos. Na hora minha irmã virou e falou: “Você sabe
quem foi, né” A gente sempre fica procurando sinais da minha mãe. Não sei se
peguei isso do meu pai. Meu pai sente muito sinal por música. Em dezembro do
ano passado nós estávamos em um hotel aqui do Rio para pegar o meu livro [Tudo
que eu posso te contar] impresso pela primeira vez e, do nada, começou a
tocar Forever Young do Alphaville. Justo a música que minha mãe
sempre falou que era a nossa família. Ela sempre escutava, era nosso hino.
Como cheguei no Rio com antecedência, consegui curtir
um tempo na cidade, mas meus dias foram realmente Madonna, Madonna, Madonna,
Madonna. Não conseguia pensar em outra coisa, não conseguia fazer nada. Fui ao
Copacabana Palace tentar ver a Madonna. No dia do show, eu estava monotemática.
Minha irmã foi à praia e eu fiquei dando voltas no quarto do hotel. Mandei
fazer uma bolsa e uma saia cheia de correntes, crucifixos e enfeitezinhos.
Passei o dia inteiro pulando e reparando que a saia fazia muito barulho. Tentei
mexer nela enquanto ouvia a Madonna. Normalmente com outros shows, mesmo dos
artistas que conheço só três ou quatro músicas, já fico ansiosa. Mas dessa vez
a sensação triplicou. Mal consegui comer. Pedi um bule de café no serviço de
quarto, que tomei loucamente. E continuei ouvindo Madonna. “Será que já devo
ir?”, “Será que já posso ir?”, era o que eu pensava a todo momento. Mandei
mensagem pra minha irmã falando: “Pelo amor de Deus, volta dessa praia agora” O
espaço abria às 18h, e cheguei lá nessa hora, mas chegaria muito antes se fosse
possível.
Antes de o show começar, já na área vip, eu e minha
irmã ficamos desconfortáveis. Tinham muitas famílias tradicionais brasileiras.
Escutamos comentários desnecessários e alguns homofóbicos. Pouco antes da
apresentação começar, um dos convidados da área vip me reconheceu e me chamou
para ficar mais próximo do palco. Neste momento, um outro rapaz que também
estava ali disse que se tivesse com uma faca mataria. A primeira coisa que
pensei foi que nem mesmo no show de Madonna ficamos seguros.
Fiquei preocupada e cogitei procurar outro lugar para
acompanhar a apresentação. Mas, por mais que o caso tenha sido horrível, fiquei
pensando que foi bom o agressor ter assistido ao show. Também me dei conta de
que, afinal, é disto que a Madonna fala: de não deixar essas pessoas nos
oprimirem. Decidi: vamos ficar aqui berrando e dançando, e, se eles se
incomodarem, que se mexam.
Essa é a celebração da Madonna. Fiquei eufórica quando
a Madonna entrou no palco. Chorei muito. Minha irmã, preocupada, perguntou se
eu estava bem, se queria sentar ou beber água. Também por isso foi tão especial
poder ir ao show com ela. Somos muito diferentes. A sensação que tenho é que
desde pequenas fomos pegando o que cada uma gostava para si, mas com Madonna
isso não ia funcionar, ninguém ia abrir mão de amar a Madonna. Então,
subconscientemente, escolhemos dividir esse amor por períodos. Óbvio que amo
músicas de todas as fases, mas prefiro as canções da década de 1980, do começo
da carreira. A Estela elegeu os álbuns atuais. Apesar de não ter Madonna no
nome, acho que ela é mais fã que eu. Viver esse momento com ela foi muito
especial, porque na minha memória, éramos nós duas no carro com a minha mãe
colocando o CD da Madonna para ouvir. Ela sabe que a primeira coisa que fiz
depois que a minha mãe faleceu foi ir ao meu quarto escutar Ray of Light.
Então, quando a Madonna começou a cantar essa música, e eu desabei em choro, a
minha irmã reconheceu o que isso significava para nós duas. Estela sabe que
essa era a música que a minha mãe mais gostava de escutar e o que aquele
momento no show significaria para ela.
Já faz quase 5 anos que a minha mãe faleceu, mas o
luto demora para acontecer. Você acha que superou e do nada cai uma ficha de
“é, acho que não”. Maio é sempre um mês difícil pra gente, porque começa com o
aniversário da minha mãe e logo vem o dia das mães. É uma dobradinha de datas
não divertidas nesse processo, ou até divertidas e de celebração, mas que doem
ao mesmo tempo. E o show da Madonna, bem no meio disso, é como um abraço, sabe?
Foi um aprendizado, foi um abraço, foi um soco na cara. Ficou um sentimento de
amor imenso e gratidão. Escrevi no meu diário que fiz isso por mim e pela minha
mãe, e que de alguma maneira serviu para fechar algumas feridas que ainda
estavam abertas em relação a tudo o que aconteceu. E foi mágico.
(...)
(Cecília Madonna, Revista Piauí, 11 maio 2024 08h59)
Observe atentamente as proposições a seguir e depois responda o que se pede:
I. O texto apresenta um caráter intimista, expresso em linguagem bem próxima à fala e, portanto, apresenta, vez ou outra, detalhes em desacordo com a língua culta. Tais pontos servem para dar ênfase à subjetividade e aproximar os interlocutores.
II. O enredo principal do texto cede espaço para digressões que, além de familiarizar o interlocutor, servem como fio condutor que organiza e transforma sentimentos e emoções em linguagem.
III. O fato de encontrar na área várias representações das tradicionais famílias brasileiras fez com que a narradora ficasse segura para enfrentar comentários maldosos e ameaças.
IV. De acordo com o título e a história relatada, pode-se dizer que a experiência foi exitosa, não só por saciar o desejo de um fã, mas pela catarse experienciada.
( ) É permitida a venda de bebidas alcoólicas a adolescentes desde que acompanhados por um responsável maior de idade;
( ) Crianças e adolescentes não podem comprar fogos de artifício, salvo aqueles com potencial reduzido que não apresentem risco de dano físico;
( ) O artigo 81 proíbe a venda de armas e munições, mas não faz menção aos explosivos;
( ) Bilhetes lotéricos e produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda que por utilização indevida estão proibidos de serem vendidos a crianças e adolescentes.
O atendimento educacional especializado - AEE tem como função __________, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas __________ específicas. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à ___________ e independência na escola e fora dela. Consideram-se serviços e recursos da educação especial àqueles que asseguram condições de acesso ao currículo por meio da promoção da __________ aos materiais didáticos, aos espaços e equipamentos, aos sistemas de comunicação e informação e ao conjunto das atividades escolares.
Agora, assinale a alternativa que não completa corretamente a nenhuma das lacunas:
A Câmara Municipal é composta de vereadores eleitos pelo sistema proporcional como representantes do povo, com mandato de _____________.
I – São poderes do Município, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo e o Executivo.
II – São símbolos do Município o Hino, as armas e o selo nacionais, exceto a bandeira.
Leia o poema a seguir para responder à questão.
Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa que venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade
I. E o coração está seco.
II. E nada espera de teus amigos.
III. Ficaste sozinho, a luz apagou-se.
Há expressão de sentido figurado apenas em:
Leia o poema a seguir para responder à questão.
Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa que venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade
I é lícito em casos de resistência.
II é lícito em casos de fundado receio de fuga.
III deve ser justificado oralmente ou por escrito.
Assinale a opção correta.
I Vigilância patrimonial é a atividade exercida em eventos sociais com a finalidade de garantir a incolumidade física das pessoas e a integridade do patrimônio.
II Transporte de valores é o deslocamento de numerário mediante a utilização de veículos, incluída a guarda e a custódia temporária.
III A escolta armada tem o objetivo de garantir o transporte de qualquer tipo de carga ou de valor.
IV Segurança pessoal é a vigilância exercida com a finalidade de garantir a incolumidade física de pessoas.
Assinale a opção correta.
I A responsabilidade das pessoas jurídicas afasta a responsabilização das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.
II Aquele que concorre, de qualquer forma, para a prática dos crimes ambientais, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade.
III As pessoas jurídicas não serão responsabilizadas penalmente por condutas lesivas ao meio ambiente, quando a infração for cometida por decisão de seu representante legal no interesse ou benefício da entidade.
Assinale a opção correta.