Questões de Concurso
Comentadas para professor - língua portuguesa
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"Quem me diz que esse personagem não seja o Brasil?
A pergunta acima é de um contemporâneo de Machado de Assis, e refere-se a Pedro Rubião de Alvarenga, a figura central de Quincas Borba. De fato, Rubião é ingênuo (mas não puro) no trato do dinheiro, da filosofia, do amor, da política, e um delírio de grandeza afinal lhe tira o juízo, o que pode ser visto como uma alegoria do Brasil, embora a alegoria não seja evidente. Outros autores, pelo contrário, criticaram em Machado a falta de intenção e do colorido nacional: seria um literato estrangeirado, sem interesse pelos problemas pátrios. Esta divergência veio até os nossos dias. Ainda recentemente ela causava polêmica na Câmara dos Deputados, em que se escolhia o patrono das letras brasileiras. José de Alencar, o festejado criador de vários romances indianistas, não seria mais nacional do que Machado de Assis? A opinião da crítica mais refinada (que a outros, no entanto, parece apenas mais elitista, além de também ela pouco nacional) vai em direção oposta: o romancista de Quincas Borba seria o mais profundamente brasileiro de nossos escritores". SCHWARZ, 2002, p. 165
Em outras palavras, é possível dizer que:
"Camilo e Vilela. Olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido. Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte e nove e Camilo vinte e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o parecer mais velho que a mulher, enquanto a Camilo era um ingênuo na vida moral e prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem intuição. Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do coração, e ninguém o faria melhor". Assis, 2001, p. 53
A publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) é entendida pela crítica não só como um ponto de virada na escrita de Machado de Assis, mas como a chegada do Realismo na Literatura Brasileira. Tal como outros textos, o conto A cartomante faz parte desse novo momento da produção literária do escritor. A presença de um narrador muito bem marcado é vista na agudeza acentuada da ironia na narração. Sobre esse aspecto no trecho em destaque, podemos dizer:
A seguir, um fragmento do mais recente livro de Djamila Ribeiro, “Cartas para minha avó”, publicado em 2021.
"Somos de tempos diferentes, vó, e para mim não é aceitável que se bata em crianças – mas eu compreendo vocês duas. Talvez a minha mãe nunca tivesse sido amada sem sentir dor. Sabe, Toni Morrison diz que o “o amor nunca é melhor do que o amante, que quem é mau ama com maldade e quem é violento ama com violência”. Com isso não quero dizer que vocês eram más e violentas, mas que o sistema que as violentou confinou vocês numa situação em que a violência era a única saída. E, mesmo assim, apesar de toda maldade que lhes foi infligida, vocês amaram. Houve a transcendência pelo amor. Vó, você me amou incondicionalmente. Minha mãe, apesar das cicatrizes e traumas, me aninhava nas minhas noites de insônia, esquentava leite com mel nos meus dias de dor, me arrumava como se eu fosse a menina mais bonita do mundo. E se hoje minha filha não sabe o que é uma surra, é porque nossa linhagem ancestral sobreviveu ao que nos foi imposto". RIBEIRO, 2021, p. 40
Inserida no gênero Cartas, a obra não apresenta uma história única, mas várias. São relatos de episódios vividos por uma neta, carregados de uma profunda reflexão que atravessa temas como racismo, violência, maternidade, desigualdade entre gêneros etc. Sobre essa escrita, podemos comentar:
No texto “Reflexões sobre o romance moderno”, Anatol Rosenfeld discute as modificações sofridas pelo romance no século XX:
"Nota-se no romance do nosso século uma modificação análoga à da pintura moderna, modificação que parece ser essencial à estrutura do modernismo. À eliminação do espaço, ou da ilusão do espaço, parece corresponder no romance a da sucessão temporal. A cronologia, a continuidade temporal foram abaladas, 'os relógios foram destruídos'. O romance moderno nasceu no momento em que Proust, Joyce, Gide, Faulkner começam a desfazer a ordem cronológica, fundindo passado, presente e futuro". Rosenfeld, 1996, p. 80.
A seguir, você acompanha os trechos referentes ao início da narrativa do romance Primeira manhã (1967), de Dalcídio Jurandir. O trecho que melhor se alinha à formulação de Rosenfeld posta em destaque pode ser visto em:
"Era para ser um dia normal, de aula. Mas Janalice percebeu algo diferente ao entrar. Não
que sua passagem no pátio do colégio não provocasse, sempre, algum frisson por conta da
altura de sua saia. Mas era mais do que isso. Dentro da sala, cochichos e risos. Então, a
professora se irrita e alguém se levanta. Entrega um celular. A professora põe a mão na
boca. Sai. O que é que tem no celular? Janalice assiste a uma demorada cena de felação
que ela protagoniza, junto a seu namorado, Fenque, com direito a closes de sua genitália,
a pedido dele. Chocada, não sabe o que dizer. A professora retorna. A diretora vem junto.
Pede que ela saia. Que volte para casa. Que somente retorne com os pais. E, atravessando
o pátio, agora ouve claramente o deboche de todos.
Janalice tem catorze anos. Em casa, a mãe chora. Grita. Estapeia. Rasga suas roupas.
Entra o pai, com a farda de cobrador de ônibus. Tira o cinto. Espanca. Expulsa de casa. Ela
sai chorando pela rua. Em uma esquina, Fenque está com os amigos. Ela chega e pede
ajuda. Ele a trata mal. Ri de sua cara. Os amigos também. Ela cobra. Ele dá um tapa. Sai
fora."
Augusto, 2015, p. 7
Edyr Augusto, além de autor de romances, é jornalista, radialista e autor de textos teatrais.
Ao falar da própria escrita, ele diz “eu escrevo como quem dá socos na boca do estômago
do leitor repetidas vezes, para que ele não consiga respirar e continue lendo. É como se eu
não quisesse que ele largasse o livro. Às vezes, tá lendo, 'amanhã eu continuo', não! Siga
e vá até o final. Essa é a ideia.” (https://www.youtube.com/watch?v=_F0209fplMk. Acesso
em 22 mar. 2022, às 20h).
Relacionando a fala do escritor sobre a sua produção literária e os procedimentos narrativos
adotados no trecho em destaque, é possível dizer que:
"Quando abri os olhos, vi o vulto de uma mulher e o de uma criança. As duas figuras estavam inertes diante de mim, e a claridade indecisa da manhã nublada devolvia os dois corpos ao sono e ao cansaço de uma noite maldormida. Sem perceber, tinha me afastado do lugar escolhido para dormir e ingressado numa espécie de gruta vegetal, entre o globo de luz e o caramanchão que dá acesso aos fundos da casa. Deitada na grama, com o corpo encolhido por causa do sereno, sentia na pele a roupa úmida e tinha as mãos repousadas nas páginas também úmidas de um caderno aberto, onde rabiscara, meio sonolenta, algumas impressões do voo noturno". HATOUM, 2008, p. 7
De acordo com a leitura do trecho em destaque e sobre a instância fictícia do narrador no romance, é possível dizer que:
Leia o texto a seguir:
VIBRAÇÕES
Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias.
Sonoridade, colorido: eis o sentimento.
Dai o simbolismo popular das cores.
(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)
Assinala a alternativa correta.
Leia o texto a seguir:
VIBRAÇÕES
Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias.
Sonoridade, colorido: eis o sentimento.
Dai o simbolismo popular das cores.
(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)
Leia o texto a seguir:
VIBRAÇÕES
Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias.
Sonoridade, colorido: eis o sentimento.
Dai o simbolismo popular das cores.
(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)
Leia o texto a seguir:
VIBRAÇÕES
Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias.
Sonoridade, colorido: eis o sentimento.
Dai o simbolismo popular das cores.
(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)
Leia o texto a seguir:
VIBRAÇÕES
Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias.
Sonoridade, colorido: eis o sentimento.
Dai o simbolismo popular das cores.
(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)
Leia o texto a seguir:
VIBRAÇÕES
Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias.
Sonoridade, colorido: eis o sentimento.
Dai o simbolismo popular das cores.
(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)
I. A elaboração dos objetivos pressupõe, da parte do professor, uma avaliação crítica das referências que utiliza, balizada pelas suas opções em face dos determinantes sociopolíticos da prática educativa.
II. Os conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modos valorativos e atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e didaticamente, tendo em vista a assimilação ativa e aplicação pelos alunos na sua prática de vida.
III. Os conteúdos de ensino não se correlacionam como objeto de estudo da didática pois são instrumentos de herança cultural e da prática social e devem ser assimilados pelas novas gerações como base para o desenvolvimento das capacidades especificamente humanas.
IV. O método de ensino do professor se caracteriza apenas pelos procedimentos e técnicas de ensino.