Questões de Concurso
Comentadas para unicentro
Foram encontradas 181 questões
Resolva questões gratuitamente!
Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!
Leia o texto a seguir e responda à questão.
Os nascimentos das línguas são misteriosos. É difícil precisar em que momento um grupo de pessoas deixa de se comunicar de uma forma para se comunicar de outra. Isso porque a transição de um sistema linguístico para outro raramente é abrupta, já que as línguas nascem da interação, da fusão e da troca. Frequentemente, várias línguas coexistem por longos períodos antes de emergirem como dominantes, embora esse domínio nunca seja permanente. A boa notícia é que os falantes de português terão uma visão privilegiada deste fantástico mundo de nascimentos, mortes e renascimentos. Em movimento sincrônico, quase astral, duas iniciativas abordam as misturas e confluências que resultaram na língua de Camões, mas também de Machado de Assis.
Vindo do lado de lá do Atlântico, acaba de aportar no Brasil o livro do filólogo português Fernando Venâncio. Assim nasce uma língua tem o mérito de refutar as visões puristas que defendem que o português nasceu no século 12, com a formação do reino de Portugal, descendendo diretamente da língua romana. Para o autor, a língua portuguesa teve uma origem muito mais prosaica, cerca de seis séculos antes, derivando do galego, língua falada por camponeses no noroeste da Península Ibérica. A conclusão, aparentemente simples, joga por terra o argumento xenófobo que por séculos inferiorizaram as variações faladas fora do território europeu: a ideia de que nossa língua nasceu com os portugueses. “O português considera a si mesmo como um ser único. Nas suas formas mais extremas, esta convicção chega a supor uma intervenção providencial. Portugal teria, e isso desde sempre, um povo, uma cultura, uma religião e, claro, uma língua própria”, disse o autor à Veja.
Como conceber, então, que um idioma igual ao português existisse antes mesmo de Portugal? “Nesse caso, os sentimentos se misturam”, pondera Venâncio. “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”. Distância esta que o autor tenta, agora, encurtar trazendo esse passado que por muito tempo foi jogado para baixo do tapete e evidenciando as misturas incômodas e diversas que sempre constituíram a língua.
Ao analisar certas proximidades, porém, Venâncio não deixa de notar evidentes afastamentos. O livro conclui que esta língua está fadada a dividir-se em outros idiomas, como outrora aconteceu com os romanos. “A história do Português mostra que ele sabe se adaptar com facilidade. Ele superou as dores do crescimento e se apresenta de rosto renovado. Isto permite prever que brasileiros, africanos e portugueses continuarão a dispor de um idioma rico e dúctil, sem receio das variedades e mesmo das diferenças”, sintetiza o autor que lembra que a pouca consideração dada por Portugal à língua que vinha se constituindo no Brasil resultou em uma invejável liberdade criativa para os brasileiros que, enquanto povo, tiraram o máximo proveito disso.
Do lado de cá do Atlântico, as línguas se encontram. Se o português de Portugal se formou a partir do galego, foi no Brasil que ele encontrou seu âmago, misturando-se a outras formas de falar e constituir o mundo. Essas intersecções são abordadas na nova mostra temporária aberta no Museu da Língua Portuguesa, seguindo até janeiro de 2025. Chamada de Línguas Africanas que Fazem o Brasil, com curadoria do músico e filósofo baiano Tiganá Santana, a exposição se debruça menos sobre a língua de Camões e mais sobre o tempero de Machado de Assis. As sincronias entre Venâncio e Santana, porém, se evidenciam nos detalhes. Ambos repensam o apagamento das influências linguísticas que por muito tempo foram consideradas inferiores na formação do nosso vocabulário e mostram que todas as línguas só são possíveis a partir das misturas que as constituem. “É preciso lembrar sempre que Portugal não foi exclusivo por aqui. Se hoje temos uma língua brasileira é porque o Brasil constituiu sua própria dinâmica e, nessa dinâmica, os corpos pretos foram grandes difusores de um novo modo de fala”, sintetiza Santana.
“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”, questionava José de Alencar no fim do século XIX. Dois séculos depois, Tiganá Santana e Fernando Venâncio parecem finalmente concluir que há beleza, mistura e riqueza em cada uma, à sua própria maneira e com seu próprio tempero.
(Adaptado de: MONITCHELE, M. Como nasce uma língua: exposição e livro questionam origens do português. Disponível em:
I. Na fala de Fernando Venâncio, há marcas do português europeu, como o uso da locução verbal “acaba por ser”, comumente utilizada no Brasil por meio do gerúndio “acaba sendo”.
II. A palavra “engendrado” concorda com seu antecedente “idioma” desempenhando a função de adjetivo.
III. O termo “portugueses”, separado por vírgulas, indica um vocativo e agrega o sujeito “Nós”, concordando com a sequência da oração.
IV. A conjunção “E”, que introduz o segundo período, funciona na sintaxe do português europeu de modo distinto à norma do português brasileiro.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto a seguir e responda à questão.
Os nascimentos das línguas são misteriosos. É difícil precisar em que momento um grupo de pessoas deixa de se comunicar de uma forma para se comunicar de outra. Isso porque a transição de um sistema linguístico para outro raramente é abrupta, já que as línguas nascem da interação, da fusão e da troca. Frequentemente, várias línguas coexistem por longos períodos antes de emergirem como dominantes, embora esse domínio nunca seja permanente. A boa notícia é que os falantes de português terão uma visão privilegiada deste fantástico mundo de nascimentos, mortes e renascimentos. Em movimento sincrônico, quase astral, duas iniciativas abordam as misturas e confluências que resultaram na língua de Camões, mas também de Machado de Assis.
Vindo do lado de lá do Atlântico, acaba de aportar no Brasil o livro do filólogo português Fernando Venâncio. Assim nasce uma língua tem o mérito de refutar as visões puristas que defendem que o português nasceu no século 12, com a formação do reino de Portugal, descendendo diretamente da língua romana. Para o autor, a língua portuguesa teve uma origem muito mais prosaica, cerca de seis séculos antes, derivando do galego, língua falada por camponeses no noroeste da Península Ibérica. A conclusão, aparentemente simples, joga por terra o argumento xenófobo que por séculos inferiorizaram as variações faladas fora do território europeu: a ideia de que nossa língua nasceu com os portugueses. “O português considera a si mesmo como um ser único. Nas suas formas mais extremas, esta convicção chega a supor uma intervenção providencial. Portugal teria, e isso desde sempre, um povo, uma cultura, uma religião e, claro, uma língua própria”, disse o autor à Veja.
Como conceber, então, que um idioma igual ao português existisse antes mesmo de Portugal? “Nesse caso, os sentimentos se misturam”, pondera Venâncio. “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”. Distância esta que o autor tenta, agora, encurtar trazendo esse passado que por muito tempo foi jogado para baixo do tapete e evidenciando as misturas incômodas e diversas que sempre constituíram a língua.
Ao analisar certas proximidades, porém, Venâncio não deixa de notar evidentes afastamentos. O livro conclui que esta língua está fadada a dividir-se em outros idiomas, como outrora aconteceu com os romanos. “A história do Português mostra que ele sabe se adaptar com facilidade. Ele superou as dores do crescimento e se apresenta de rosto renovado. Isto permite prever que brasileiros, africanos e portugueses continuarão a dispor de um idioma rico e dúctil, sem receio das variedades e mesmo das diferenças”, sintetiza o autor que lembra que a pouca consideração dada por Portugal à língua que vinha se constituindo no Brasil resultou em uma invejável liberdade criativa para os brasileiros que, enquanto povo, tiraram o máximo proveito disso.
Do lado de cá do Atlântico, as línguas se encontram. Se o português de Portugal se formou a partir do galego, foi no Brasil que ele encontrou seu âmago, misturando-se a outras formas de falar e constituir o mundo. Essas intersecções são abordadas na nova mostra temporária aberta no Museu da Língua Portuguesa, seguindo até janeiro de 2025. Chamada de Línguas Africanas que Fazem o Brasil, com curadoria do músico e filósofo baiano Tiganá Santana, a exposição se debruça menos sobre a língua de Camões e mais sobre o tempero de Machado de Assis. As sincronias entre Venâncio e Santana, porém, se evidenciam nos detalhes. Ambos repensam o apagamento das influências linguísticas que por muito tempo foram consideradas inferiores na formação do nosso vocabulário e mostram que todas as línguas só são possíveis a partir das misturas que as constituem. “É preciso lembrar sempre que Portugal não foi exclusivo por aqui. Se hoje temos uma língua brasileira é porque o Brasil constituiu sua própria dinâmica e, nessa dinâmica, os corpos pretos foram grandes difusores de um novo modo de fala”, sintetiza Santana.
“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”, questionava José de Alencar no fim do século XIX. Dois séculos depois, Tiganá Santana e Fernando Venâncio parecem finalmente concluir que há beleza, mistura e riqueza em cada uma, à sua própria maneira e com seu próprio tempero.
(Adaptado de: MONITCHELE, M. Como nasce uma língua: exposição e livro questionam origens do português. Disponível em:
Leia o texto a seguir e responda à questão.
Os nascimentos das línguas são misteriosos. É difícil precisar em que momento um grupo de pessoas deixa de se comunicar de uma forma para se comunicar de outra. Isso porque a transição de um sistema linguístico para outro raramente é abrupta, já que as línguas nascem da interação, da fusão e da troca. Frequentemente, várias línguas coexistem por longos períodos antes de emergirem como dominantes, embora esse domínio nunca seja permanente. A boa notícia é que os falantes de português terão uma visão privilegiada deste fantástico mundo de nascimentos, mortes e renascimentos. Em movimento sincrônico, quase astral, duas iniciativas abordam as misturas e confluências que resultaram na língua de Camões, mas também de Machado de Assis.
Vindo do lado de lá do Atlântico, acaba de aportar no Brasil o livro do filólogo português Fernando Venâncio. Assim nasce uma língua tem o mérito de refutar as visões puristas que defendem que o português nasceu no século 12, com a formação do reino de Portugal, descendendo diretamente da língua romana. Para o autor, a língua portuguesa teve uma origem muito mais prosaica, cerca de seis séculos antes, derivando do galego, língua falada por camponeses no noroeste da Península Ibérica. A conclusão, aparentemente simples, joga por terra o argumento xenófobo que por séculos inferiorizaram as variações faladas fora do território europeu: a ideia de que nossa língua nasceu com os portugueses. “O português considera a si mesmo como um ser único. Nas suas formas mais extremas, esta convicção chega a supor uma intervenção providencial. Portugal teria, e isso desde sempre, um povo, uma cultura, uma religião e, claro, uma língua própria”, disse o autor à Veja.
Como conceber, então, que um idioma igual ao português existisse antes mesmo de Portugal? “Nesse caso, os sentimentos se misturam”, pondera Venâncio. “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”. Distância esta que o autor tenta, agora, encurtar trazendo esse passado que por muito tempo foi jogado para baixo do tapete e evidenciando as misturas incômodas e diversas que sempre constituíram a língua.
Ao analisar certas proximidades, porém, Venâncio não deixa de notar evidentes afastamentos. O livro conclui que esta língua está fadada a dividir-se em outros idiomas, como outrora aconteceu com os romanos. “A história do Português mostra que ele sabe se adaptar com facilidade. Ele superou as dores do crescimento e se apresenta de rosto renovado. Isto permite prever que brasileiros, africanos e portugueses continuarão a dispor de um idioma rico e dúctil, sem receio das variedades e mesmo das diferenças”, sintetiza o autor que lembra que a pouca consideração dada por Portugal à língua que vinha se constituindo no Brasil resultou em uma invejável liberdade criativa para os brasileiros que, enquanto povo, tiraram o máximo proveito disso.
Do lado de cá do Atlântico, as línguas se encontram. Se o português de Portugal se formou a partir do galego, foi no Brasil que ele encontrou seu âmago, misturando-se a outras formas de falar e constituir o mundo. Essas intersecções são abordadas na nova mostra temporária aberta no Museu da Língua Portuguesa, seguindo até janeiro de 2025. Chamada de Línguas Africanas que Fazem o Brasil, com curadoria do músico e filósofo baiano Tiganá Santana, a exposição se debruça menos sobre a língua de Camões e mais sobre o tempero de Machado de Assis. As sincronias entre Venâncio e Santana, porém, se evidenciam nos detalhes. Ambos repensam o apagamento das influências linguísticas que por muito tempo foram consideradas inferiores na formação do nosso vocabulário e mostram que todas as línguas só são possíveis a partir das misturas que as constituem. “É preciso lembrar sempre que Portugal não foi exclusivo por aqui. Se hoje temos uma língua brasileira é porque o Brasil constituiu sua própria dinâmica e, nessa dinâmica, os corpos pretos foram grandes difusores de um novo modo de fala”, sintetiza Santana.
“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”, questionava José de Alencar no fim do século XIX. Dois séculos depois, Tiganá Santana e Fernando Venâncio parecem finalmente concluir que há beleza, mistura e riqueza em cada uma, à sua própria maneira e com seu próprio tempero.
(Adaptado de: MONITCHELE, M. Como nasce uma língua: exposição e livro questionam origens do português. Disponível em:
I. O livro de Fernando Venâncio rejeita as visões ortodoxas sobre o nascimento do português, conforme sentido expresso no fragmento “refutar as visões puristas”.
II. O termo “xenófobo”, no segundo parágrafo, reforça a ideia de que o português brasileiro nasceu com os portugueses.
III. A expressão “corpos pretos”, usada na fala de Santana, carrega um tom pejorativo em relação ao povo africano.
IV. Na expressão “idioma rico e dúctil”, no quarto parágrafo, o termo “dúctil” reitera a ideia subsequente sobre variedades e diferenças na língua.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto a seguir e responda à questão.
Os nascimentos das línguas são misteriosos. É difícil precisar em que momento um grupo de pessoas deixa de se comunicar de uma forma para se comunicar de outra. Isso porque a transição de um sistema linguístico para outro raramente é abrupta, já que as línguas nascem da interação, da fusão e da troca. Frequentemente, várias línguas coexistem por longos períodos antes de emergirem como dominantes, embora esse domínio nunca seja permanente. A boa notícia é que os falantes de português terão uma visão privilegiada deste fantástico mundo de nascimentos, mortes e renascimentos. Em movimento sincrônico, quase astral, duas iniciativas abordam as misturas e confluências que resultaram na língua de Camões, mas também de Machado de Assis.
Vindo do lado de lá do Atlântico, acaba de aportar no Brasil o livro do filólogo português Fernando Venâncio. Assim nasce uma língua tem o mérito de refutar as visões puristas que defendem que o português nasceu no século 12, com a formação do reino de Portugal, descendendo diretamente da língua romana. Para o autor, a língua portuguesa teve uma origem muito mais prosaica, cerca de seis séculos antes, derivando do galego, língua falada por camponeses no noroeste da Península Ibérica. A conclusão, aparentemente simples, joga por terra o argumento xenófobo que por séculos inferiorizaram as variações faladas fora do território europeu: a ideia de que nossa língua nasceu com os portugueses. “O português considera a si mesmo como um ser único. Nas suas formas mais extremas, esta convicção chega a supor uma intervenção providencial. Portugal teria, e isso desde sempre, um povo, uma cultura, uma religião e, claro, uma língua própria”, disse o autor à Veja.
Como conceber, então, que um idioma igual ao português existisse antes mesmo de Portugal? “Nesse caso, os sentimentos se misturam”, pondera Venâncio. “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”. Distância esta que o autor tenta, agora, encurtar trazendo esse passado que por muito tempo foi jogado para baixo do tapete e evidenciando as misturas incômodas e diversas que sempre constituíram a língua.
Ao analisar certas proximidades, porém, Venâncio não deixa de notar evidentes afastamentos. O livro conclui que esta língua está fadada a dividir-se em outros idiomas, como outrora aconteceu com os romanos. “A história do Português mostra que ele sabe se adaptar com facilidade. Ele superou as dores do crescimento e se apresenta de rosto renovado. Isto permite prever que brasileiros, africanos e portugueses continuarão a dispor de um idioma rico e dúctil, sem receio das variedades e mesmo das diferenças”, sintetiza o autor que lembra que a pouca consideração dada por Portugal à língua que vinha se constituindo no Brasil resultou em uma invejável liberdade criativa para os brasileiros que, enquanto povo, tiraram o máximo proveito disso.
Do lado de cá do Atlântico, as línguas se encontram. Se o português de Portugal se formou a partir do galego, foi no Brasil que ele encontrou seu âmago, misturando-se a outras formas de falar e constituir o mundo. Essas intersecções são abordadas na nova mostra temporária aberta no Museu da Língua Portuguesa, seguindo até janeiro de 2025. Chamada de Línguas Africanas que Fazem o Brasil, com curadoria do músico e filósofo baiano Tiganá Santana, a exposição se debruça menos sobre a língua de Camões e mais sobre o tempero de Machado de Assis. As sincronias entre Venâncio e Santana, porém, se evidenciam nos detalhes. Ambos repensam o apagamento das influências linguísticas que por muito tempo foram consideradas inferiores na formação do nosso vocabulário e mostram que todas as línguas só são possíveis a partir das misturas que as constituem. “É preciso lembrar sempre que Portugal não foi exclusivo por aqui. Se hoje temos uma língua brasileira é porque o Brasil constituiu sua própria dinâmica e, nessa dinâmica, os corpos pretos foram grandes difusores de um novo modo de fala”, sintetiza Santana.
“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”, questionava José de Alencar no fim do século XIX. Dois séculos depois, Tiganá Santana e Fernando Venâncio parecem finalmente concluir que há beleza, mistura e riqueza em cada uma, à sua própria maneira e com seu próprio tempero.
(Adaptado de: MONITCHELE, M. Como nasce uma língua: exposição e livro questionam origens do português. Disponível em:
I. O termo “já que”, no primeiro parágrafo, foi utilizado para expressar a consequência das ações citadas nos enunciados anteriores.
II. As palavras “filólogo” e “filósofo”, empregadas para se referir ao português e ao brasileiro, respectivamente, têm sentidos antônimos.
III. A expressão idiomática “jogado para baixo do tapete”, pertencente à linguagem conotativa, faz remissão ao “passado” citado anteriormente.
IV. José de Alencar utiliza um jogo entre as palavras sinônimas “chupa” e “sorve”, referindo-se, respectivamente, ao Brasil e a Portugal.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto a seguir e responda à questão.
Os nascimentos das línguas são misteriosos. É difícil precisar em que momento um grupo de pessoas deixa de se comunicar de uma forma para se comunicar de outra. Isso porque a transição de um sistema linguístico para outro raramente é abrupta, já que as línguas nascem da interação, da fusão e da troca. Frequentemente, várias línguas coexistem por longos períodos antes de emergirem como dominantes, embora esse domínio nunca seja permanente. A boa notícia é que os falantes de português terão uma visão privilegiada deste fantástico mundo de nascimentos, mortes e renascimentos. Em movimento sincrônico, quase astral, duas iniciativas abordam as misturas e confluências que resultaram na língua de Camões, mas também de Machado de Assis.
Vindo do lado de lá do Atlântico, acaba de aportar no Brasil o livro do filólogo português Fernando Venâncio. Assim nasce uma língua tem o mérito de refutar as visões puristas que defendem que o português nasceu no século 12, com a formação do reino de Portugal, descendendo diretamente da língua romana. Para o autor, a língua portuguesa teve uma origem muito mais prosaica, cerca de seis séculos antes, derivando do galego, língua falada por camponeses no noroeste da Península Ibérica. A conclusão, aparentemente simples, joga por terra o argumento xenófobo que por séculos inferiorizaram as variações faladas fora do território europeu: a ideia de que nossa língua nasceu com os portugueses. “O português considera a si mesmo como um ser único. Nas suas formas mais extremas, esta convicção chega a supor uma intervenção providencial. Portugal teria, e isso desde sempre, um povo, uma cultura, uma religião e, claro, uma língua própria”, disse o autor à Veja.
Como conceber, então, que um idioma igual ao português existisse antes mesmo de Portugal? “Nesse caso, os sentimentos se misturam”, pondera Venâncio. “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”. Distância esta que o autor tenta, agora, encurtar trazendo esse passado que por muito tempo foi jogado para baixo do tapete e evidenciando as misturas incômodas e diversas que sempre constituíram a língua.
Ao analisar certas proximidades, porém, Venâncio não deixa de notar evidentes afastamentos. O livro conclui que esta língua está fadada a dividir-se em outros idiomas, como outrora aconteceu com os romanos. “A história do Português mostra que ele sabe se adaptar com facilidade. Ele superou as dores do crescimento e se apresenta de rosto renovado. Isto permite prever que brasileiros, africanos e portugueses continuarão a dispor de um idioma rico e dúctil, sem receio das variedades e mesmo das diferenças”, sintetiza o autor que lembra que a pouca consideração dada por Portugal à língua que vinha se constituindo no Brasil resultou em uma invejável liberdade criativa para os brasileiros que, enquanto povo, tiraram o máximo proveito disso.
Do lado de cá do Atlântico, as línguas se encontram. Se o português de Portugal se formou a partir do galego, foi no Brasil que ele encontrou seu âmago, misturando-se a outras formas de falar e constituir o mundo. Essas intersecções são abordadas na nova mostra temporária aberta no Museu da Língua Portuguesa, seguindo até janeiro de 2025. Chamada de Línguas Africanas que Fazem o Brasil, com curadoria do músico e filósofo baiano Tiganá Santana, a exposição se debruça menos sobre a língua de Camões e mais sobre o tempero de Machado de Assis. As sincronias entre Venâncio e Santana, porém, se evidenciam nos detalhes. Ambos repensam o apagamento das influências linguísticas que por muito tempo foram consideradas inferiores na formação do nosso vocabulário e mostram que todas as línguas só são possíveis a partir das misturas que as constituem. “É preciso lembrar sempre que Portugal não foi exclusivo por aqui. Se hoje temos uma língua brasileira é porque o Brasil constituiu sua própria dinâmica e, nessa dinâmica, os corpos pretos foram grandes difusores de um novo modo de fala”, sintetiza Santana.
“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”, questionava José de Alencar no fim do século XIX. Dois séculos depois, Tiganá Santana e Fernando Venâncio parecem finalmente concluir que há beleza, mistura e riqueza em cada uma, à sua própria maneira e com seu próprio tempero.
(Adaptado de: MONITCHELE, M. Como nasce uma língua: exposição e livro questionam origens do português. Disponível em:
Ainda que tanto o estudante negro quanto o branco assistam às mesmas aulas e estudem pelos mesmos livros, este é apenas um aspecto muito reduzido de sua formação. A criança e o adolescente refletirão boa parte das expectativas que seus pais, professores e colegas depositam nele. Se o aluno branco é visto por seus professores como ‘brilhante’ e o negro como ‘esforçado’, esta diferença acumulada durante mais de 10 anos de estudos resultará em níveis de autoconfiança bastante diferentes. O negro já entra na escola com um menor status social perante seus colegas e isso lhe será relembrado durante todo o período escolar, desde os apelidos que lhe serão dados até o eventual desafio de um namoro interracial na adolescência.
(MOREIRA, Martha. Cotas da Igualdade. Disponível em: . Acesso em 01 set. 2022.)
Sobre a opinião da jornalista acerca das ações afirmativas, assinale a alternativa que descreve, corretamente, o fato em que ela se baseia.
Como ser pensante, o resultado mais importante desta viagem, para mim, está no fortalecimento do meu ponto de vista de que a ideia de indivíduo “culturado” (culto) é simplesmente relativa: o valor de uma pessoa deve ser atribuído pela sua Herzenbildung (cultura do coração). Esta qualidade está presente ou ausente entre os esquimós tanto quanto entre nós.
(BOAS, Franz. Diário de viagem de Franz Boas. (23 dez. 1883). IN: CASTRO, Celso (org.) Antropologia Cultural. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.)
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o conceito expresso no texto.
(I) Florestan Fernandes
(II) Jessé de Souza
(III) Sérgio Buarque de Holanda
(V) Darcy Ribeiro
(V) Darcy Ribeiro
(A) Apontou que a sociedade brasileira acredita e define sua autoestima a partir do mito da democracia racial.
(B) Tem como tese central em sua obra a ideia de democracia racial. Para ele, a miscigenação é o traço que constitui a cultura brasileira.
(C) Afirmou que a democracia deve ser um regime político, econômico, cultural e social que permita estabelecer igualdade entre todas as etnias.
D) Buscou valorizar o papel das sociedades indígenas na formação étnica do povo brasileiro.
(E) Considera ser necessária a superação das raízes coloniais do Brasil para que a sociedade se modifique.
Assinale a alternativa que contém a associação correta.
( ) Caracterizado como um sistema de produção de massa, o fordismo consistiu na criação, por Henry Ford, de linhas de montagem. Fixados diante da linha de montagem, os operários viam as peças se movimentar em esteiras rolantes e executavam, desse modo, apenas uma etapa do processo de produção.
( ) O fordismo e o toyotismo surgiram em um mesmo contexto sócio-histórico: na Inglaterra, durante a Revolução Industrial, como diferentes formas de organizar a produção industrial.
( ) O toyotismo caracterizava-se, entre outras questões, pela produção por demanda, pela flexibilização da produção, pela automação das máquinas e pelo sistema just-in-time (no tempo certo).
( ) Introduzido em fábricas de automóveis em Detroit, nos Estados Unidos, o fordismo possuía técnicas gerenciais em comum com o taylorismo, objetivando retirar o controle da produção das mãos dos operários.
( ) Da mesma forma que o Fordismo representava o american way of life, o modo de vida americano, voltado para o consumo, o Toyotismo representava a cultura oriental e desacelerava o ritmo de produção nas fábricas numa alusão à paciência oriental.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Durante o Estado Novo, sublinhamos a utilização alegórica de uma imagem exaustivamente empregada no discurso político, por sinal muito cara ao imaginário do Cristianismo, desde seus primórdios: o corpo. A nação, por exemplo, é associada a uma totalidade orgânica, à imagem do corpo uno, indivisível e harmonioso; o Estado também acompanha essa descrição; suas partes funcionam como órgãos de um corpo tecnicamente integrado; o território nacional, por sua vez, é apresentado como um corpo que cresce, expande, amadurece; as classes sociais mais parecem órgãos necessários uns aos outros para que funcionem homogeneamente, sem conflitos; o governante, por sua vez, é descrito como uma cabeça dirigente e, como tal, não se cogita em conflito entre a cabeça e o resto do corpo, imagem da sociedade.
(Adaptado de: LENHARO, Alcir. Sacralização da política. 2. ed. São Paulo: Papirus, 1986. p. 16 e 17.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre Brasil Contemporâneo e Estado Novo, assinale a alternativa correta.
( ) Assim como as demais regiões do Brasil, a Província do Paraná foi criada na década de 1820, quando a organização social, política e territorial do país já havia passado por profundas transformações.
( ) O desenvolvimento das diferentes regiões do Paraná, destacando-se o Leste, os Campos Gerais e o Norte, ocorreu de forma heterogênea, tendo em vista, por exemplo, as formas de colonização e os principais gêneros agrícolas produzidos.
( ) Na História do Paraná, houve conflitos étnicos, como a perseguição a imigrantes de determinadas etnias durante a Segunda Guerra Mundial, como, por exemplo, os japoneses internados na Colônia Cacatu, em Antonina.
( ) Diferentemente de outras regiões do país, como o Sudeste e o Nordeste, a economia paranaense baseou-se na mobilização de mão de obra livre, seja de trabalhadores locais ou imigrantes, dispensando, portanto, a exploração de escravizados.
( ) Desde o século XIX, o café foi o principal gênero agrícola produzido no Paraná, diferentemente de outros produtos, como a erva-mate, que, voltada para o consumo local, foi irrelevante para a arrecadação tributária provincial.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Ontem, a Igreja, instituindo uma ruptura social entre clérigos e fiéis, mantinha a Escritura no estatuto de uma “Letra” supostamente independente de seus leitores e, de fato, de posse dos seus exegetas: a autonomia do texto era a reprodução das relações socioculturais no seio da instituição cujos pressupostos fixavam o que se deveria ler na Escritura. Com o enfraquecimento da instituição, aparece entre o texto e seus leitores a reciprocidade que ela escondia, como se, em se retirando, ela permitisse ver a pluralidade indefinida das “escrituras” produzidas por diversas leituras. A criatividade do leitor vai crescendo à medida que vai decrescendo a instituição que a controlava. Este processo, visível desde a Reforma, começa a inquietar os eclesiásticos.
(Adaptado de: CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. 22. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. p. 243-244.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre Reforma Protestante e Contrarreforma, assinale a alternativa correta.
Com base nos conhecimentos sobre representação cartográfica, assinale a alternativa que corresponde ao referido conceito.
Com base nos conhecimentos sobre população e nos índices de urbanização, considere as afirmativas a seguir.
I. O aumento populacional nos grandes centros urbanos dos países em desenvolvimento foi muito maior que a oferta de emprego para toda a população, fazendo a intensa competitividade por empregos, moradia e alimentação acirrar a segregação espacial.
II. O preço da terra urbana impediu o acesso de grande parte dos trabalhadores à casa própria e expulsou das melhores áreas residenciais os mais pobres, que procuraram moradias em áreas impróprias, degradadas e muito distantes dos centros das cidades.
III. O problema com deslizamentos de terra é, substancialmente, fruto da urbanização anacrônica e da ocupação desenfreada de áreas de risco e vem se acentuando nos últimos anos. Antes do aspecto natural, esse quadro de tragédias tem uma explicação social.
IV. O envelhecimento da população tem promovido o estímulo de políticas públicas para aumentar a taxa de fecundidade em alguns países, mantendo, assim, o fechamento de suas fronteiras para a imigração, já que esta não tem resolvido a problemática da reposição da população.
Assinale a alternativa correta.
Sobre massas de ar no Brasil, relacione a massa de ar, na coluna da esquerda, com suas característcas e atuações, na coluna da direita.
(I) Massa Equatorial Continental (Ec)
(II) Massa Tropical Continental (Tc)
(III) Massa Polar Atlântica (Pa)
(IV) Massa Equatorial Atlântica (Ea)
(V) Massa Tropical Atlântica (Ta)
(A) Quente e úmida, atua predominantemente na Amazônia oriental e em trechos litorâneos do Nordeste. O centro de origem é o oceano Atlântico, junto à área anticiclone dos Açores, quando é atraída para o oeste, graças à diferença de pressão.
(B) Quente e úmida, tem seu ponto de origem na zona subtropical do Atlântico Sul e exerce forte influência na franja oriental do país durante todo o ano, porém, de forma mais intensa, no verão.44
(C) Quente e úmida, origina-se no coração da Floresta Amazônica, em sua vertente ocidental. Tem um longo raio de alcance, chegando a atingir o Sudeste brasileiro durante o verão.
(D) Forma-se na região subpolar da Patagônia argentina. Ao chegar ao Brasil, subdivide-se em dois segmentos principais: um pelo litoral e outro pelo interior. Vastas calhas e planuras da Bacia Platina, da planície do Pantanal e das terras baixas amazônicas facilitam sua penetração, provocando o fenômeno de friagem.
(E) É uma típica massa de ar continental: quente e seca; aliás, é a única com essa característica a atuar no Brasil. Origina-se nas imediações do chaco boliviano, bem no centro da América do Sul, e tem área de atuação mais restrita, compreendendo trechos do Centro-Oeste e Sudeste do país.
Assinale a alternativa que contém a associação correta.
Com base nos conhecimentos sobre grandes biomas terrestres, relacione o bioma, na coluna da esquerda, com suas características, na coluna da direita.
(I) Tundra
(II) Florestas Temperadas
(III) Florestas Tropicais
(IV) Savanas
(V) Pradarias
(A) Suas espécies animais e vegetais são extremamente abundantes, com vegetação densa, árvores e arbustos de tamanhos muito variados e maior número de espécies entre os biomas terrestres. A fauna compreende grande diversidade de espécies de mamíferos, aves, anfíbios e insetos.
(B) Ocorrem em regiões de clima tropical, com chuvas concentradas e longos períodos de estiagem. São compostas basicamente de gramíneas e capim, com árvores e arbustos dispostos de forma esparsa na paisagem. Abrigam uma fauna muito rica, na qual se destacam os mamíferos e as aves de grande porte.
(C) Ocorrem em regiões de clima temperado continental, onde predominam as gramíneas e outras plantas herbáceas, com poucos arbustos e praticamente sem a presença de árvores. Antigamente constituíam pastagens naturais para o gado. A fauna original é composta de inúmeras aves, búfalos, antílopes, coiotes etc.
(D) Predomínio de plantas baixas, como musgos e liquens, além de plantas herbáceas. As espécies de animais características desse bioma são as aves e os insetos, mais abundantes no verão.
E) Podem ser de dois tipos: a taiga, que recobre as regiões setentrionais do hemisfério norte, com inverno rigoroso e predominância de coníferas, e a floresta decídua, que ocorre no inverno mais brando, com árvores e arbustos que perdem as folhas nas estações frias. Ambas são ricas em espécies animais, abrigando aves, anfíbios e insetos.
Assinale a alternativa que contém a associação correta.
Com base nos conhecimentos sobre a teoria da tectônica global de placas, assinale a alternativa correta.
Não exigirei que um sistema científico seja suscetível de ser dado como válido, de uma vez por todas, em sentido positivo; exigirei, porém, que sua forma lógica seja tal que se torne possível validá-lo através de recurso a provas empíricas, em sentido negativo: deve ser possível refutar, pela experiência, um sistema científico empírico.
(POPPER, Karl R. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: Cultrix, 1972. p. 42.)
Em relação ao critério de demarcação da ciência, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) Uma tese falseável pode ser considerada científica.
( ) Uma vez comprovada sua cientificidade, uma teoria não pode mais ser substituída por outra.
( ) O enunciado “choverá ou não choverá amanhã” pode ser considerado científico.
( ) Uma tese só poderá ser considerada científica quando todas as verificações tiverem sido efetuadas.
( ) O enunciado “choverá amanhã” pode ser considerado científico.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Visto que a autoridade sempre exige obediência, ela é comumente confundida com alguma forma de poder ou violência. Contudo, a autoridade exclui a utilização de meios externos de coerção; onde a força é usada, a autoridade em si mesmo fracassou. A autoridade, por outro lado, é incompatível com a persuasão, a qual pressupõe igualdade e opera mediante um processo de argumentação. Onde se utilizam argumentos, a autoridade é colocada em suspenso. Contra a ordem igualitária da persuasão ergue-se a ordem autoritária, que é sempre hierárquica. Se a autoridade deve ser definida de alguma forma, deve sê-lo, então, tanto em contraposição à coerção pela força como à persuasão através de argumentos.
(ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 2009. p. 129.)
Em relação à descrição das características da autoridade por Arendt, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) O respeito à autoridade é característica dos regimes totalitários.
( ) A autoridade pode se consolidar em instituições que garantem a estabilidade de uma sociedade.
( ) O tirano é o representante máximo da autoridade.
( ) A autoridade tem por objetivo a preservação de certos princípios.
( ) A autoridade garante a continuidade entre passado e presente.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Ineficiente é todo poder disciplinar que, com grande esforço, aperta violentamente as pessoas com um espartilho de ordens e proibições. Muito mais eficiente é a técnica de poder que faz com que as pessoas se submetam ao contexto de dominação por si mesmas. Essa técnica busca ativar, motivar e otimizar, não obstruir ou oprimir. A particularidade de sua eficiência está no fato de que não age através da proibição e da suspensão, mas através do agrado e da satisfação. Em vez de tornar as pessoas obedientes, tenta deixá-las dependentes.
(HAN, Byung-Chul. Psicopolítica. Belo Horizonte: Editora Âyiné, 2018. p. 26.)
Sobre a dinâmica do poder, considere as afirmativas a seguir.
I. Na política, a forma máxima de poder se manifesta quando um governante consegue coagir a população.
II. O poder que atua de forma silenciosa e não repressiva é mais eficaz.
III. O poder pode utilizar as tecnologias modernas para a dominação.
IV. O domínio sobre um indivíduo ou povo pode ser acompanhado da submissão espontânea por parte deste.
Assinale a alternativa correta.