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Q3701119 Português
Algumas frases ou falas, dependendo da forma em que são escritas ou faladas, podem provocar ambiguidade. A ambiguidade pode ser proposital como recurso linguístico, ou apenas um vício de linguagem. Atente-se para a tirinha a seguir.


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Percebe-se uma ambiguidade lexical, no intuito de provocar efeito de sentido no texto:
Alternativas
Q3701118 Português
Leia o trecho do monólogo a seguir.


“ – E tudo começou assim. Em um dia qualquer... segunda, terça, sábado, domingo quem sabe. Não importa. Sei que ali ele estava. O que? Ainda não viram? O buraco? Sim no meio da sala dele, do seu quarto, do seu banheiro, da sua cozinha, dentro dele? Não sei. Só sei que lá estava. E talvez aquele seria os primeiros sintomas da saúde mental dele. Incomodava-o? O que? O nome dele? Não interessa. Só sei que estava lá. Era um buraco, no início não muito grande. Com o tempo foi crescendo. E ele era aquele garoto sem resposta para a vida. Afinal, alguém tem resposta quando criança? Como ter resposta se a vida mal está começando quando se é criança? Na realidade, a vida inteira não cabe uma resposta.

– E assim, a loucura se torna feito uma sinfonia, desconcertante, sim, um desconcerto, sem s, pois se faz um concerto, numa melodia desconcertante, sem s, desconcertante sem s... num desconforto em que num desequilíbrio equilibrado soa em um tiro a morte da sinfonia. (PAHHHHHH!)

(O PIANISTA CAI A CABEÇA SOBE O PIANO COMO SE TIVESSE MORRIDO)

– Não há buraco mais profundo e tenebroso.... Do que aquele que acompanha o nosso âmago, a nossa própria alma!!!! E era noite escura de um sol deslumbrante, arrancando-nos um suor naquele inverno cortante, e nós ali, no bosque de um arvoredo sem árvores, com pássaros deixando rastros de suas pastagens, enquanto ouvíamos o barulho dos rinocerontes mexendo em seus ninhos nos Baobás. Mas lá estávamos, quem? Eu, o meu reflexo e aquele buraco entre nós. Agora eu sentia ressurgir o som da sinfonia (O PIANISTA COMEÇA A TOCAR), porque não há vida que se possa negar a morte, e nem há morte que se possa negar a viver.

(OLHA PARA TODA A PLATEIA COM UM OLHAR NUMA MISTURA DE IRONIA)

– Não importa meu DESCONCERTO, SIM, DESCONCERTO SEM S, POR QUÊ? UMA SINFONIA DISSONANTE EM HARMONIA COM AS SINGULARIDADES.”

(Peça “Desconcerto” – Tulius Mendonça) 
Levando em consideração o processo de significação de palavras, o título do texto é uma derivação da palavra “concerto”. A essas palavras que possuem a mesma pronúncia, porém grafia diferentes, ou a mesma grafia e pronúncias distintas, ou ainda, grafias e pronúncias idênticas, porém valores semânticos distintos, denominamos de palavras homônimas. Já existem palavras que nem a pronúncia, nem a grafia são idênticas, sendo apenas parecidas. A essas denominamos de parônimas. Percebe-se a paronímia, nos pares de frases, na alternativa:
Alternativas
Q3701117 Português
Leia o trecho do monólogo a seguir.


“ – E tudo começou assim. Em um dia qualquer... segunda, terça, sábado, domingo quem sabe. Não importa. Sei que ali ele estava. O que? Ainda não viram? O buraco? Sim no meio da sala dele, do seu quarto, do seu banheiro, da sua cozinha, dentro dele? Não sei. Só sei que lá estava. E talvez aquele seria os primeiros sintomas da saúde mental dele. Incomodava-o? O que? O nome dele? Não interessa. Só sei que estava lá. Era um buraco, no início não muito grande. Com o tempo foi crescendo. E ele era aquele garoto sem resposta para a vida. Afinal, alguém tem resposta quando criança? Como ter resposta se a vida mal está começando quando se é criança? Na realidade, a vida inteira não cabe uma resposta.

– E assim, a loucura se torna feito uma sinfonia, desconcertante, sim, um desconcerto, sem s, pois se faz um concerto, numa melodia desconcertante, sem s, desconcertante sem s... num desconforto em que num desequilíbrio equilibrado soa em um tiro a morte da sinfonia. (PAHHHHHH!)

(O PIANISTA CAI A CABEÇA SOBE O PIANO COMO SE TIVESSE MORRIDO)

– Não há buraco mais profundo e tenebroso.... Do que aquele que acompanha o nosso âmago, a nossa própria alma!!!! E era noite escura de um sol deslumbrante, arrancando-nos um suor naquele inverno cortante, e nós ali, no bosque de um arvoredo sem árvores, com pássaros deixando rastros de suas pastagens, enquanto ouvíamos o barulho dos rinocerontes mexendo em seus ninhos nos Baobás. Mas lá estávamos, quem? Eu, o meu reflexo e aquele buraco entre nós. Agora eu sentia ressurgir o som da sinfonia (O PIANISTA COMEÇA A TOCAR), porque não há vida que se possa negar a morte, e nem há morte que se possa negar a viver.

(OLHA PARA TODA A PLATEIA COM UM OLHAR NUMA MISTURA DE IRONIA)

– Não importa meu DESCONCERTO, SIM, DESCONCERTO SEM S, POR QUÊ? UMA SINFONIA DISSONANTE EM HARMONIA COM AS SINGULARIDADES.”

(Peça “Desconcerto” – Tulius Mendonça) 
“(...) porque não há vida que se possa negar a morte, e nem há morte que se possa negar a viver.” A palavra destacada é uma preposição. Em alguns casos o emprego dessa preposição, conforme a regência, é necessário o uso do acento grave (indicador de uma crase). No caso da palavra, o acento grave não é devido. A alternativa em que também o acento não é devido pelo mesmo motivo é:
Alternativas
Q3701116 Português
Leia o trecho do monólogo a seguir.


“ – E tudo começou assim. Em um dia qualquer... segunda, terça, sábado, domingo quem sabe. Não importa. Sei que ali ele estava. O que? Ainda não viram? O buraco? Sim no meio da sala dele, do seu quarto, do seu banheiro, da sua cozinha, dentro dele? Não sei. Só sei que lá estava. E talvez aquele seria os primeiros sintomas da saúde mental dele. Incomodava-o? O que? O nome dele? Não interessa. Só sei que estava lá. Era um buraco, no início não muito grande. Com o tempo foi crescendo. E ele era aquele garoto sem resposta para a vida. Afinal, alguém tem resposta quando criança? Como ter resposta se a vida mal está começando quando se é criança? Na realidade, a vida inteira não cabe uma resposta.

– E assim, a loucura se torna feito uma sinfonia, desconcertante, sim, um desconcerto, sem s, pois se faz um concerto, numa melodia desconcertante, sem s, desconcertante sem s... num desconforto em que num desequilíbrio equilibrado soa em um tiro a morte da sinfonia. (PAHHHHHH!)

(O PIANISTA CAI A CABEÇA SOBE O PIANO COMO SE TIVESSE MORRIDO)

– Não há buraco mais profundo e tenebroso.... Do que aquele que acompanha o nosso âmago, a nossa própria alma!!!! E era noite escura de um sol deslumbrante, arrancando-nos um suor naquele inverno cortante, e nós ali, no bosque de um arvoredo sem árvores, com pássaros deixando rastros de suas pastagens, enquanto ouvíamos o barulho dos rinocerontes mexendo em seus ninhos nos Baobás. Mas lá estávamos, quem? Eu, o meu reflexo e aquele buraco entre nós. Agora eu sentia ressurgir o som da sinfonia (O PIANISTA COMEÇA A TOCAR), porque não há vida que se possa negar a morte, e nem há morte que se possa negar a viver.

(OLHA PARA TODA A PLATEIA COM UM OLHAR NUMA MISTURA DE IRONIA)

– Não importa meu DESCONCERTO, SIM, DESCONCERTO SEM S, POR QUÊ? UMA SINFONIA DISSONANTE EM HARMONIA COM AS SINGULARIDADES.”

(Peça “Desconcerto” – Tulius Mendonça) 
A peça denomina-se “Desconcerto”. Levando em consideração o texto, as notações cênicas (rubricas) e a frase final do trecho, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3701115 Português
Leia o trecho do monólogo a seguir.


“ – E tudo começou assim. Em um dia qualquer... segunda, terça, sábado, domingo quem sabe. Não importa. Sei que ali ele estava. O que? Ainda não viram? O buraco? Sim no meio da sala dele, do seu quarto, do seu banheiro, da sua cozinha, dentro dele? Não sei. Só sei que lá estava. E talvez aquele seria os primeiros sintomas da saúde mental dele. Incomodava-o? O que? O nome dele? Não interessa. Só sei que estava lá. Era um buraco, no início não muito grande. Com o tempo foi crescendo. E ele era aquele garoto sem resposta para a vida. Afinal, alguém tem resposta quando criança? Como ter resposta se a vida mal está começando quando se é criança? Na realidade, a vida inteira não cabe uma resposta.

– E assim, a loucura se torna feito uma sinfonia, desconcertante, sim, um desconcerto, sem s, pois se faz um concerto, numa melodia desconcertante, sem s, desconcertante sem s... num desconforto em que num desequilíbrio equilibrado soa em um tiro a morte da sinfonia. (PAHHHHHH!)

(O PIANISTA CAI A CABEÇA SOBE O PIANO COMO SE TIVESSE MORRIDO)

– Não há buraco mais profundo e tenebroso.... Do que aquele que acompanha o nosso âmago, a nossa própria alma!!!! E era noite escura de um sol deslumbrante, arrancando-nos um suor naquele inverno cortante, e nós ali, no bosque de um arvoredo sem árvores, com pássaros deixando rastros de suas pastagens, enquanto ouvíamos o barulho dos rinocerontes mexendo em seus ninhos nos Baobás. Mas lá estávamos, quem? Eu, o meu reflexo e aquele buraco entre nós. Agora eu sentia ressurgir o som da sinfonia (O PIANISTA COMEÇA A TOCAR), porque não há vida que se possa negar a morte, e nem há morte que se possa negar a viver.

(OLHA PARA TODA A PLATEIA COM UM OLHAR NUMA MISTURA DE IRONIA)

– Não importa meu DESCONCERTO, SIM, DESCONCERTO SEM S, POR QUÊ? UMA SINFONIA DISSONANTE EM HARMONIA COM AS SINGULARIDADES.”

(Peça “Desconcerto” – Tulius Mendonça) 
O trecho retirado do texto que demonstra um paradoxo na fala da personagem, ou seja, utilizando de antíteses e ideias antagônicas está em: 
Alternativas
Q3701114 Português
Leia o trecho do monólogo a seguir.


“ – E tudo começou assim. Em um dia qualquer... segunda, terça, sábado, domingo quem sabe. Não importa. Sei que ali ele estava. O que? Ainda não viram? O buraco? Sim no meio da sala dele, do seu quarto, do seu banheiro, da sua cozinha, dentro dele? Não sei. Só sei que lá estava. E talvez aquele seria os primeiros sintomas da saúde mental dele. Incomodava-o? O que? O nome dele? Não interessa. Só sei que estava lá. Era um buraco, no início não muito grande. Com o tempo foi crescendo. E ele era aquele garoto sem resposta para a vida. Afinal, alguém tem resposta quando criança? Como ter resposta se a vida mal está começando quando se é criança? Na realidade, a vida inteira não cabe uma resposta.

– E assim, a loucura se torna feito uma sinfonia, desconcertante, sim, um desconcerto, sem s, pois se faz um concerto, numa melodia desconcertante, sem s, desconcertante sem s... num desconforto em que num desequilíbrio equilibrado soa em um tiro a morte da sinfonia. (PAHHHHHH!)

(O PIANISTA CAI A CABEÇA SOBE O PIANO COMO SE TIVESSE MORRIDO)

– Não há buraco mais profundo e tenebroso.... Do que aquele que acompanha o nosso âmago, a nossa própria alma!!!! E era noite escura de um sol deslumbrante, arrancando-nos um suor naquele inverno cortante, e nós ali, no bosque de um arvoredo sem árvores, com pássaros deixando rastros de suas pastagens, enquanto ouvíamos o barulho dos rinocerontes mexendo em seus ninhos nos Baobás. Mas lá estávamos, quem? Eu, o meu reflexo e aquele buraco entre nós. Agora eu sentia ressurgir o som da sinfonia (O PIANISTA COMEÇA A TOCAR), porque não há vida que se possa negar a morte, e nem há morte que se possa negar a viver.

(OLHA PARA TODA A PLATEIA COM UM OLHAR NUMA MISTURA DE IRONIA)

– Não importa meu DESCONCERTO, SIM, DESCONCERTO SEM S, POR QUÊ? UMA SINFONIA DISSONANTE EM HARMONIA COM AS SINGULARIDADES.”

(Peça “Desconcerto” – Tulius Mendonça) 
O texto lido é trecho de uma peça de teatro em forma de monólogo. Nele todo o enredo traz como tema central, a loucura, entretanto não como algo patológico, mas sim, a loucura sendo considerada em pessoas que não se enquadram a um modelo padrão de sociedade. A partir do que você leu, o “buraco” em referência no texto, é correto afirmar que:
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Q3701112 Português
O Riso é o Melhor Indicador da Alma


    O Riso é o Melhor Indicador da Alma. Acho que, na maioria dos casos, quando uma pessoa se ri torna-se nojento olharmos para ela. Manifesta-se no riso das pessoas, na maioria das vezes, qualquer coisa de grosseiro que humilha a quem ri, embora essa pessoa quase nunca saiba que efeito o seu riso provoca. Tal como não sabe (ninguém sabe, aliás) a cara que faz quando dorme. Há quem mantenha no sono uma cara inteligente, mas outros há que, embora inteligentes, fazem uma cara tão estúpida a dormir que se torna ridícula. Não sei por que tal acontece, apenas quero salientar que a pessoa que ri, tal como a pessoa que dorme, não sabe a cara que faz. De uma maneira geral, há muitíssimas pessoas que não sabem rir. Aliás, isso não é coisa que se aprenda: é um dom, não se pode aperfeiçoar o riso. A não ser que nos reeduquemos interiormente, que nos desenvolvamos para melhor e que superemos os maus instintos do nosso caráter: então também o riso poderá possivelmente mudar para melhor.

    A pessoa manifesta no riso aquilo que é, é possível conhecermos num instante todos os seus segredos. Mesmo o riso incontestavelmente inteligente é, às vezes, abominável. O riso exige em primeiro lugar sinceridade, mas onde está a sinceridade das pessoas? O riso exige a ausência de maldade, mas as pessoas, na maioria dos casos, riem com maldade. Um riso sincero e sem maldade é uma pura alegria, mas, nos tempos que correm, onde está a alegria? E poderão as pessoas serem alegres? A alegria é um dos mais reveladores traços humanos, basta a alegria para revelar as pessoas dos pés à cabeça.

   Por vezes não há meio de percebermos o caráter de uma pessoa, mas basta ela rir para lhe conhecermos o feitio como às palmas das nossas mãos. Só as pessoas desenvolvidas do modo mais elevado e feliz sabem ser contagiosamente alegres, de uma maneira irresistível e benévola. Não falo de desenvolvimento intelectual, mas de caráter, do homem como um todo. Portanto: se quiserdes compreender uma pessoa e conhecer-lhe a alma não presteis atenção à sua maneira de se calar, ou de falar, ou de chorar, ou de se emocionar com as ideias mais nobres, olhai antes para ela quando se ri. Ri-se bem - é boa pessoa.

    Observai depois todos os matizes: por exemplo, é preciso que o riso não pareça estúpido, por mais alegre e ingênuo que seja. Mal detecteis a mais pequena nota de estupidez num riso, ficai sabendo que a pessoa que assim ri é intelectualmente limitada, apesar de deitar cá para fora um semfim de ideias. Mesmo que o riso não seja estúpido, se vos parecer ridículo, nem que seja um pouquinho, ficai sabendo que não há na pessoa que o ri uma verdadeira dignidade, pelo menos uma dignidade suficiente. Por último, notai que, mesmo que um riso seja contagioso, mas por qualquer razão vos  pareça vulgar, também a natureza dessa pessoa é vulgar, que toda a nobreza e espírito sublime que tínheis visto nela ou são fingidos ou imitados inconscientemente, e que essa pessoa, no futuro, mudará inevitavelmente para pior, dedicar-se-á ao «útil», abandonando sem pena as ideias nobres como sendo erros e paixões da juventude. (...)

    Apenas entendo que o riso é a mais certeira prova da alma. Olhai para uma criança: só as crianças sabem rir com perfeição, por isso são fascinantes. É abominável a criança que chora, mas a que ri alegremente é um raio do paraíso, é o futuro do homem quando ele, finalmente, se tornar tão puro e ingênuo como uma criança.


(Fiódor Dostoiévski, in 'O Adolescente')
“A angústia o incomodava de tal maneira, que não se continha em lágrimas. Desde que ela foi embora, não encontrou mais sentido em sua vida. Para que nada se revelasse, mantinha-se fechado em seu quarto. Mesmo que sua ausência nos outros aposentos da casa era significativa, os outros não davam conta do acontecimento.” 


As orações destacadas “que não se continha em lágrimas” e “Desde que ela foi embora”, são orações adverbiais que exprimem, respectivamente: 
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Q3701105 Português
O Riso é o Melhor Indicador da Alma


    O Riso é o Melhor Indicador da Alma. Acho que, na maioria dos casos, quando uma pessoa se ri torna-se nojento olharmos para ela. Manifesta-se no riso das pessoas, na maioria das vezes, qualquer coisa de grosseiro que humilha a quem ri, embora essa pessoa quase nunca saiba que efeito o seu riso provoca. Tal como não sabe (ninguém sabe, aliás) a cara que faz quando dorme. Há quem mantenha no sono uma cara inteligente, mas outros há que, embora inteligentes, fazem uma cara tão estúpida a dormir que se torna ridícula. Não sei por que tal acontece, apenas quero salientar que a pessoa que ri, tal como a pessoa que dorme, não sabe a cara que faz. De uma maneira geral, há muitíssimas pessoas que não sabem rir. Aliás, isso não é coisa que se aprenda: é um dom, não se pode aperfeiçoar o riso. A não ser que nos reeduquemos interiormente, que nos desenvolvamos para melhor e que superemos os maus instintos do nosso caráter: então também o riso poderá possivelmente mudar para melhor.

    A pessoa manifesta no riso aquilo que é, é possível conhecermos num instante todos os seus segredos. Mesmo o riso incontestavelmente inteligente é, às vezes, abominável. O riso exige em primeiro lugar sinceridade, mas onde está a sinceridade das pessoas? O riso exige a ausência de maldade, mas as pessoas, na maioria dos casos, riem com maldade. Um riso sincero e sem maldade é uma pura alegria, mas, nos tempos que correm, onde está a alegria? E poderão as pessoas serem alegres? A alegria é um dos mais reveladores traços humanos, basta a alegria para revelar as pessoas dos pés à cabeça.

   Por vezes não há meio de percebermos o caráter de uma pessoa, mas basta ela rir para lhe conhecermos o feitio como às palmas das nossas mãos. Só as pessoas desenvolvidas do modo mais elevado e feliz sabem ser contagiosamente alegres, de uma maneira irresistível e benévola. Não falo de desenvolvimento intelectual, mas de caráter, do homem como um todo. Portanto: se quiserdes compreender uma pessoa e conhecer-lhe a alma não presteis atenção à sua maneira de se calar, ou de falar, ou de chorar, ou de se emocionar com as ideias mais nobres, olhai antes para ela quando se ri. Ri-se bem - é boa pessoa.

    Observai depois todos os matizes: por exemplo, é preciso que o riso não pareça estúpido, por mais alegre e ingênuo que seja. Mal detecteis a mais pequena nota de estupidez num riso, ficai sabendo que a pessoa que assim ri é intelectualmente limitada, apesar de deitar cá para fora um semfim de ideias. Mesmo que o riso não seja estúpido, se vos parecer ridículo, nem que seja um pouquinho, ficai sabendo que não há na pessoa que o ri uma verdadeira dignidade, pelo menos uma dignidade suficiente. Por último, notai que, mesmo que um riso seja contagioso, mas por qualquer razão vos  pareça vulgar, também a natureza dessa pessoa é vulgar, que toda a nobreza e espírito sublime que tínheis visto nela ou são fingidos ou imitados inconscientemente, e que essa pessoa, no futuro, mudará inevitavelmente para pior, dedicar-se-á ao «útil», abandonando sem pena as ideias nobres como sendo erros e paixões da juventude. (...)

    Apenas entendo que o riso é a mais certeira prova da alma. Olhai para uma criança: só as crianças sabem rir com perfeição, por isso são fascinantes. É abominável a criança que chora, mas a que ri alegremente é um raio do paraíso, é o futuro do homem quando ele, finalmente, se tornar tão puro e ingênuo como uma criança.


(Fiódor Dostoiévski, in 'O Adolescente')
A frase do texto que comprova a capacidade que o riso tem de revelar o interior de um indivíduo é:
Alternativas
Respostas
41: B
42: A
43: D
44: C
45: D
46: B
47: C
48: A