O trecho retirado do texto que demonstra um paradoxo na fala...
Gabarito comentado
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Tema da questão: interpretação de texto com foco em figuras de linguagem — especialmente paradoxo (ideias inconciliáveis), antítese (termos opostos) e oxímoro (contradição em uma mesma expressão).
Estratégia para resolver: leia procurando oposições explícitas e, principalmente, situações logicamente impossíveis. Sinais típicos: pares como “noite/sol”, “frio/calor”, “com/sem”. A antítese opõe termos; o paradoxo coloca juntos elementos incompatíveis, gerando efeito de sentido. Em gramáticas como Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e Cunha & Cintra (Gramática do Português Contemporâneo), o paradoxo é apresentado como contradição aparente que revela uma verdade poética; o oxímoro é sua forma mais concentrada (“noite clara”).
Alternativa correta: D
A passagem “E era noite escura de um sol deslumbrante, arrancando-nos um suor naquele inverno cortante, e nós ali, no bosque de um arvoredo sem árvores” reúne antíteses e forma paradoxos claros:
• noite × sol: coexistência impossível no plano literal — paradoxo/oxímoro.
• inverno cortante × suor: frio intenso que provoca um efeito de calor — paradoxo.
• arvoredo sem árvores: contradição interna na própria expressão — oxímoro.
Essas construções materializam a “loucura” e a desarmonia do monólogo por meio de imagens incompatíveis, exatamente o que caracteriza o paradoxo em linguagem literária.
Por que as demais estão incorretas?
A) Traz enumeração temporal (“segunda, terça, sábado, domingo”), indicando indeterminação do dia. Não há oposição de ideias inconciliáveis, apenas listagem. Sem paradoxo.
B) “Talvez aquele seria os primeiros sintomas da saúde mental dele. Incomodava-o?” Não há oposição nítida de ideias. Observações:
• Há problema de concordância verbal/nominal (norma culta — Bechara; Cunha & Cintra): o correto seria “aqueles seriam os primeiros sintomas” (plural) ou “aquele seria o primeiro sintoma” (singular). O verbo “ser” concorda com o sujeito.
• “Sintomas da saúde” soa irônico/insólito, mas não configura, por si só, paradoxo no sentido clássico; seria mais uma escolha expressiva.
C) “Como ter resposta... a vida inteira não cabe uma resposta.” Há reflexão geral e hipérbole (“a vida inteira...”), porém sem contradições lógicas internas. Não há pares antagônicos ou incompatibilidade semântica direta. Logo, não é paradoxo.
Dica de prova: para localizar paradoxo, procure expressões com impossibilidade lógica imediata (ex.: “silêncio estridente”, “escura claridade”). Para antítese, busque apenas a oposição de termos (ex.: “vida/morte”), sem necessidade de contradição impossível. Essas distinções são referendadas nas gramáticas normativas (Bechara; Cunha & Cintra) e em manuais de estilística.
Gabarito: D
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