“(...) porque não há vida que se possa negar a morte, e nem ...

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Q3701117 Português
Leia o trecho do monólogo a seguir.


“ – E tudo começou assim. Em um dia qualquer... segunda, terça, sábado, domingo quem sabe. Não importa. Sei que ali ele estava. O que? Ainda não viram? O buraco? Sim no meio da sala dele, do seu quarto, do seu banheiro, da sua cozinha, dentro dele? Não sei. Só sei que lá estava. E talvez aquele seria os primeiros sintomas da saúde mental dele. Incomodava-o? O que? O nome dele? Não interessa. Só sei que estava lá. Era um buraco, no início não muito grande. Com o tempo foi crescendo. E ele era aquele garoto sem resposta para a vida. Afinal, alguém tem resposta quando criança? Como ter resposta se a vida mal está começando quando se é criança? Na realidade, a vida inteira não cabe uma resposta.

– E assim, a loucura se torna feito uma sinfonia, desconcertante, sim, um desconcerto, sem s, pois se faz um concerto, numa melodia desconcertante, sem s, desconcertante sem s... num desconforto em que num desequilíbrio equilibrado soa em um tiro a morte da sinfonia. (PAHHHHHH!)

(O PIANISTA CAI A CABEÇA SOBE O PIANO COMO SE TIVESSE MORRIDO)

– Não há buraco mais profundo e tenebroso.... Do que aquele que acompanha o nosso âmago, a nossa própria alma!!!! E era noite escura de um sol deslumbrante, arrancando-nos um suor naquele inverno cortante, e nós ali, no bosque de um arvoredo sem árvores, com pássaros deixando rastros de suas pastagens, enquanto ouvíamos o barulho dos rinocerontes mexendo em seus ninhos nos Baobás. Mas lá estávamos, quem? Eu, o meu reflexo e aquele buraco entre nós. Agora eu sentia ressurgir o som da sinfonia (O PIANISTA COMEÇA A TOCAR), porque não há vida que se possa negar a morte, e nem há morte que se possa negar a viver.

(OLHA PARA TODA A PLATEIA COM UM OLHAR NUMA MISTURA DE IRONIA)

– Não importa meu DESCONCERTO, SIM, DESCONCERTO SEM S, POR QUÊ? UMA SINFONIA DISSONANTE EM HARMONIA COM AS SINGULARIDADES.”

(Peça “Desconcerto” – Tulius Mendonça) 
“(...) porque não há vida que se possa negar a morte, e nem há morte que se possa negar a viver.” A palavra destacada é uma preposição. Em alguns casos o emprego dessa preposição, conforme a regência, é necessário o uso do acento grave (indicador de uma crase). No caso da palavra, o acento grave não é devido. A alternativa em que também o acento não é devido pelo mesmo motivo é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema: Crase (Uso e Não Uso do Acento Grave)

O enunciado propõe uma análise sobre o emprego do acento grave indicativo de crase, a partir do seguinte contexto: tanto no trecho do texto de apoio (“negar a viver”) quanto nas alternativas, devemos observar se a preposição a se funde com o artigo feminino a ou com pronomes femininos, fenômeno que exige o uso do acento grave (à).
A questão exige, portanto, que você saiba identificar situações em que não ocorre a fusão (crase) e, por isso, o acento grave não deve ser empregado.

Regra Gramatical:
Segundo a Gramática Normativa (Celso Cunha & Lindley Cintra, 2013) e o VOLP, a crase ocorre quando há a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” (ou “as”), formando “à” (ou “às”). Não haverá crase quando:

  • A palavra seguinte for masculina;
  • Não houver artigo feminino;
  • A palavra seguinte for um verbo;
  • Se tratar de palavras repetidas (ex: “cara a cara”);
  • Antes de pronomes pessoais, de tratamento, indefinidos ou demonstrativos que não admitam artigo feminino.

No trecho do texto (“negar a viver”), a palavra destacada é preposição “a” antes de um verbo no infinitivo (“viver”). Nunca ocorre crase antes de verbos, pois verbos não admitem artigo feminino.

Alternativa Correta: D - Fiquei a pensar naquilo que você me disse.

O mesmo princípio do texto se aplica aqui: a preposição “a” vem antes do verbo “pensar” (infinitivo). Como verbo não admite artigo, não há crase (portanto, não há acento grave). Exemplo semelhante: “Comecei a estudar para concursos.”

Justificativa das Alternativas Incorretas:

  • A - Irei a tempo de conseguir meu documento.
    Aqui, “a tempo” é uma expressão adverbial de tempo masculino, portanto, não há crase, mas o motivo é outro: ausência de artigo feminino, pois “tempo” é masculino. A questão pedia uma alternativa em que a ausência do acento grave fosse pelo mesmo motivo do texto (preposição + verbo).
  • B - Comprei a prazo, pois não tinha a quantia suficiente.
    “A prazo” é expressão adverbial de modo, com substantivo masculino. Novamente, não há crase porque “prazo” é masculino, não pelo mesmo motivo do texto.
  • C - Refiro-me a sua resposta no chat, na “live” passada.
    Aqui, a regência do verbo “referir-se” exige preposição “a” e, como “resposta” é feminino e está determinada por pronome possessivo (“sua”), o correto seria usar crase: “Refiro-me à sua resposta”. Alternativa incorreta, pois falta o acento grave obrigatório.

Estratégia para provas:
Quando encontrar a preposição “a” antes de um verbo no infinitivo, lembre-se: não há crase! Treine identificar o núcleo da palavra seguinte: se for verbo, nunca terá artigo feminino, logo, nada de acento grave.

Resumo:
A alternativa D está correta porque, assim como no texto de apoio, o “a” é apenas preposição antes de verbo no infinitivo. As demais alternativas não se encaixam nesse mesmo motivo ou apresentam erro de ausência de crase obrigatória.

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