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Ele [o pensamento chinês] não criou um mundo de formas ideais, como arquétipos ou puras essências, a separá-lo da realidade e que podem informá-lo: todo real é apresentado como um processo, regulado e contínuo, derivado da única interação dos fatores em jogo (ao mesmo tempo opostos e complementares: os famosos yin e yang). A ordem não advém, pois, de um modelo, sobre o qual se possa fixar o olhar e que se aplique às coisas; mas está contida por inteiro no decurso do real. [...] O sábio chinês não concebeu qualquer atividade contemplativa que seja um puro conhecimento, que tenha o seu fim em si mesmo. [...] Para ele, o “mundo” não é um objeto de especulação, não existe de um lado o “conhecimento” e do outro a “ação”.
(JULLIEN, François. Tratado da eficácia. Lisboa: Instituto Piaget, sd. p. 31.)
Sobre a concepção chinesa de conhecimento do mundo, assinale a alternativa correta.
Cada vez mais quer me parecer que o filósofo, sendo por necessidade um homem do amanhã e do depois de amanhã, sempre se achou e teve de se achar em contradição com o seu hoje: seu inimigo sempre foi o ideal de hoje. Até agora todos esses extraordinários promovedores do homem, a que se denominam filósofos, e que raramente viram a si mesmos como amigos da sabedoria, antes como desagradáveis tolos e perigosos pontos de interrogação – encontraram sua tarefa, sua dura, indesejada, inescapável tarefa, mas afinal também a grandeza de sua tarefa, em ser a má consciência do seu tempo. Colocando a faca no peito das virtudes do tempo, para vivisseccioná-lo, delataram o seu próprio segredo: saber de uma nova grandeza do homem, de um caminho não trilhado para seu engrandecimento.
(NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Além do bem e do mal: prelúdio a uma filosofia do futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 106.)
Sobre a concepção nietzscheana do papel do filósofo, assinale a alternativa correta.
O esclarecimento é totalitário como qualquer outro sistema. Sua inverdade não está naquilo que seus inimigos românticos sempre lhe censuram: o método analítico, o retorno aos elementos, a decomposição pela reflexão, mas sim no fato de que para ele o processo já está decidido de antemão.
(ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Trad. Guido de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006. p. 32.)
Em relação ao texto de Adorno e Horkheimer e a crise da razão na filosofia, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) A racionalização do mundo leva à ideia de dominação através da imposição da lógica científica sobre a natureza.
( ) Na modernidade, as luzes da razão dão vazão a um conceito de esclarecimento que liberta o homem dos mitos.
( ) O esclarecimento é totalitário por não conviver com o que não pode ser mensurado pela linguagem matemática.
( ) A linguagem da natureza é a da poesia romântica, da intuição que transborda a inspiração criativa para explicar a natureza.
( ) O esclarecimento se pauta pela razão cognitiva, que procura conhecer a verdade, freando a coisificação da realidade.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
No período pré-paradigmático ou imaturo, os problemas originados no cotidiano pedem explicações que não apresentam ainda consenso a respeito dos compromissos básicos. Quando é alcançado o consenso, temos a ciência normal [...]. Chega, porém, o momento da crise, [...] processo que pode levar à revolução científica.
(ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. p. 383.)
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a qual filósofo e sua concepção de ciência o texto acima se refere.
Embora possamos até certo ponto nos colocar em segurança face aos homens por meio do poderio e da riqueza, obtemos uma segurança ainda mais completa vivendo tranquilamente longe da multidão.
(EPICURO. Sentenças vaticanas; Máximas principais. Trad. João Quartim de Moraes. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2015. p. 83.)
Sobre o texto e sua concepção ética, assinale a alternativa correta.
Pois isto é o que justamente a minha arte partilha com a das parteiras: sou incapaz de produzir saberes. Mas disso já muitos me criticaram, pois faço perguntas aos outros, enquanto eu próprio não presto declarações sobre nada, porque nada tenho de sábio.
(PLATÃO. Teeteto. Trad. Adriana Manuela Nogueira e Marcelo Boeri. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2010. p. 202.)
Em relação ao texto e ao método socrático, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) No diálogo socrático, a alma recorda que “o homem é a medida de todas as coisas”.
( ) A arte socrática, que se assemelha à das parteiras, era a maiêutica das ideias.
( ) No método socrático, há a admissão da ignorância no “só sei que nada sei”.
( ) A maiêutica tem inspiração na prática discursiva da antilogia dos sofistas.
( ) O método argumentativo de Sócrates envolvia a ironia em sua dialética.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Meu caro Gláucon, este quadro [...] deve agora aplicar-se a tudo quanto dissemos anteriormente, comparando o mundo visível através dos olhos à caverna da prisão, e a luz da fogueira que lá existia à força da luz do Sol. Quanto à subida ao mundo superior e à visão do que lá se encontra, se a tomares como à ascensão da alma ao mundo inteligível, não iludirás a minha expectativa, já que é teu desejo conhecê-la. [...] Pois, segundo entendo, no limite do cognoscível é que se avista, a custo, a ideia de Bem; e, uma vez avistada, compreende-se que ela é para todos a causa de quanto há de justo e belo; que, no mundo visível, foi ela que criou a luz, da qual é senhora; que no mundo inteligível, é ela a senhora da verdade e da inteligência, e que é preciso vê-la para ser sensato na vida particular e pública.
(PLATÃO. República. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2010. p. 319.)
Sobre a teoria do conhecimento de Platão, considere as afirmativas a seguir.
I. Há um paralelo entre o Sol, no mundo sensível, e a ideia de Bem, no inteligível.
II. A realidade sensível é uma imitação das essências inteligíveis.
III. O conhecimento sensível é incompleto se não buscar compreender o inteligível.
IV. Conhecemos a realidade inteligível confiando no que recebemos via sensação.
Assinale a alternativa correta.
Foi, com efeito, pela admiração que os homens, assim hoje como no começo, foram levados a filosofar, sendo primeiramente abalados pelas dificuldades mais óbvias, e progredindo em seguida pouco a pouco até resolverem problemas maiores: por exemplo, as mudanças da Lua, as do Sol e dos astros e a gênese do Universo. Ora, quem duvida e se admira julga ignorar: por isso, também quem ama os mitos é, de certa maneira, filósofo, porque o mito resulta do maravilhoso. Pelo que, se foi para fugir da ignorância que filosofaram, claro está que procuraram a ciência pelo desejo de conhecer, e não em vista de qualquer utilidade.
(ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p. 214.)
Sobre o texto e o surgimento da filosofia na Grécia Antiga, considere as afirmativas a seguir.
I. O início da filosofia se deveu à admiração diante do que se ignorava, partindo de questões triviais para as mais complexas, buscando, como o mito, explicar a realidade, mas se distinguindo deste por uma racionalidade mais exigente.
II. O mito, por sua beleza narrativa, provoca admiração devido à especulação racional exigente, enquanto a filosofia busca a utilidade, o que instiga o encantamento presente na explicação filosófica, distinguindo-a da mitológica.
III. A filosofia nasce da admiração diante do que os mitos narram como os atos heroicos de personagens tradicionais e os eventos atribuídos às divindades, procurando tirar o ser humano da ignorância e torná-lo senhor da natureza.
IV. O maravilhoso, no mito, é apresentado de forma poética, apelando para o imaginário, e, na filosofia, é o espanto com os fenômenos que faz a razão querer explicá-los.
Assinale a alternativa correta.
Sobre a noção de “adiar o fim do mundo” no pensamento de Ailton Krenak é correto afirmar que:
Acerca da mitologia é correto afirmar que:
I. A função de toda a mitologia é precisamente proteger o incompreensível de qualquer demanda para a justificação, a aceitar a sua existência enquanto despojamento todos os seus aspectos terríveis, graças ao suprimento infinito de imagens que emitem luz do livre jogo da imaginação.
II. Os mitos são encerrados em um tempo e localidade e, desta maneira, não tem um caráter universalizante. Os mitos revelam apenas os aspectos sociais e religiosos de um povo ou dos iniciados em um determinado culto, como na Grécia.
III. A fala de Apolo: “até ofende a Deus tocar desta maneira”, expressa um temor dos deuses em relação aos humanos. A caracterização deste temor é uma marca presente em diversas tragédias, revelando que os humanos têm a liberdade como marca durante suas vidas.
IV. A sobrevivência da mitologia em nosso cotidiano é perceptível em diversas expressões artísticas, seja em peças teatrais, animes, histórias em quadrinhos, músicas etc. Tais elementos representam um dos usos que são feitos do mito, como em Platão, a saber, a possibilidade de abertura para o diálogo.
Ao analisar as alternativas é correto afirmar que:
Segundo Kant podemos afirmar que o trecho acima trata de:
Sobre o livro 3 da República de Platão, pode-se afirmar que o trecho acima trata da educação de qual tipo de cidadão da Pólis:
Acerca da amizade em Epicuro podemos afirmar que:
I. O objetivo inicial de Kant na Crítica da razão pura foi superar a oposição tradicional entre racionalismo e empirismo e inserir a filosofia no “caminho seguro da ciência”.
II. A Crítica da razão pura se presta a distinguir aquilo que está ao alcance da experiência daquilo que se encontra fora dela: o pensamento especulativo.
III. Kant considera, ao contrário do que propunha a filosofia tradicional, que os objetos de nosso conhecimento devem conformar-se à nossa estrutura cognitiva, e não o conhecimento à natureza do objeto.
IV. Kant defende sua proposta de uma filosofia crítica visando examinar as condições de possibilidade da experiência humana do real e fundamentar nossas pretensões ao conhecimento, demarcando os casos legítimos em que se produz conhecimento dos casos em que nossa pretensão ao conhecimento é infundada.
Marque a alternativa que representa a sequência correta
Analise as proposições sobre a vida e a obra de Descartes:
I. Descartes nos mostra o quanto a razão, para alcançar a verdade, deve se desvencilhar dos preconceitos e opiniões que a ofuscam e munir-se de um método seguro para fundamentar seu conhecimento
II. O método cartesiano é um caminho que visa garantir o sucesso da elaboração de uma teoria científica e, ao mesmo tempo, pode ajudar pessoas comuns a fazerem boas escolhas em situações cotidianas.
III. Descartes busca o indubitável, aquilo de que não se pode duvidar, tornando assim sua filosofia uma continuação do dogmatismo.
IV. Descartes sugere desconfiar daquilo que nos foi ensinado e duvidar da herança social recebida, o que classifica sua filosofia como um refinamento do ceticismo.
São corretas as proposições:
I. Para Thomas Hobbes, diante da suspensão da obrigação do cumprimento das determinações sociais, dada a natureza humana, naturalmente agressiva e belicosa, estaria instaurada a guerra de todos contra todos.
II. Para John Locke, que preconizava a liberdade e a propriedade privada, a liberdade que o homem busca no estado de natureza é a total falta de impedimento para a ação.
III. Em Rousseau, o poder soberano é necessário para permitir a coexistência dos homens, do contrário, se exterminariam uns aos outros.
IV. Rousseau mostra em suas obras a necessidade de reformar os costumes, a educação e as instituições políticas antes que o homem seja totalmente corrompido.
Marque a alternativa que representa a sequência correta:
A partir dos conhecimentos sobre a obra de Maquiavel expressa no livro O príncipe, avalie as questões que seguem e marque a alternativa correta:
I. Assim como postulava Platão, Aristóteles concorda que a virtude é inata e participa da essência do homem.
II. Aristóteles defende que a vida virtuosa leva à eudaimonia, que significa levar uma vida ética.
III. É a prudência que leva a decisão pelo meio-termo, conceito aristotélico que significa a justa medida, um dos princípios fundamentais de sua ética.
IV. A Eudaimonia entendida como felicidade, ou bem-estar, pode ser classificada como prazer, o que torna a ética aristotélica um hedonismo sofisticado.
Marque a alternativa que melhor representa a validade das proposições acima: