Questões de Concurso

Foram encontradas 15.524 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q2769683 Português

Uma vela para Dario

Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo.

Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.

Ele reclina-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros que se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario ronqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.

Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta à outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.

A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede - não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que faça um gesto para espantá-las.

Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora , comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade

Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.

O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo - os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio - quando vivo - só destacava molhando no sabonete. A polícia decide chamar o rabecão.

A última boca repete - Ele morreu, ele morreu. E a gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de um defunto.

Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.

Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.

[1964] (De "Cemitério de Elefantes", Rio, Civilização Brasileira, 6. ed. , 1980)

O texto Uma vela para Dario, de Dalton Trevisan apresenta os seguintes aspectos, exceto:

Alternativas
Q2769682 Português

Uma vela para Dario

Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo.

Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.

Ele reclina-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros que se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario ronqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.

Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta à outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.

A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede - não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que faça um gesto para espantá-las.

Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora , comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade

Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.

O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo - os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio - quando vivo - só destacava molhando no sabonete. A polícia decide chamar o rabecão.

A última boca repete - Ele morreu, ele morreu. E a gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de um defunto.

Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.

Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.

[1964] (De "Cemitério de Elefantes", Rio, Civilização Brasileira, 6. ed. , 1980)

... por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. O termo em destaque funciona como elemento de conexão entre as orações, pois se refere a um termo anteriormente citado. Tal referência é a:

Alternativas
Q2769611 Português

Leia atentamente o texto, fragmento do romance Iracema, de José de Alencar, para responder às quatro próximas questões.


Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira.

O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos.

Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.

Iracema saiu do banho; o aljôfar d'água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste

A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.

Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.

Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta.

Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.

Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.

De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada, mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d'alma que da ferida.

O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara.

A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.

O guerreiro falou:

– Quebras comigo a flecha da paz?

– Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de meus irmãos? Donde vieste a estas matas, que nunca viram outro guerreiro como tu?

– Venho de bem longe, filha das florestas. Venho das terras que teus irmãos já possuíram, e hoje têm os meus.

– Bem-vindo seja o estrangeiro aos campos dos tabajaras, senhores das aldeias, e à cabana de Araquém, pai de Iracema.

De acordo com o texto, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas
Q2768044 Noções de Informática

Atualmente um tema muito importante para a tecnologia da informação é a segurança, seja de informações, processos e sistemas.


Assinale a alternativa onde o critério de confidencialidade foi violado, nas seguintes situações.

Alternativas
Q2768043 Noções de Informática

Ao realizar o escaneamento o antivírus deu a opção de colocar os arquivos em quarentena, qual a funcionalidade desta opção mesmo com o arquivo infectado?

Alternativas
Q2768041 Noções de Informática

Considerando técnicas de escâner e reconhecimento de texto, qual tipo de software permite digitalizar um livro, ou um documento e converter para um formato editável do tipo Docx, XLS, HTML ou TXT?

Alternativas
Q2768038 Noções de Informática

Considerando os sistemas operacionais modernos, e suas correções de segurança funcionalidade e estabilidade, para sistemas Microsoft Windows as atualizações são obtidas via Windows update.


Assinale abaixo qual o comando faz a checagem dos pacotes disponíveis para atualização em sistemas Linux com yum.

Alternativas
Q2768034 Noções de Informática

Atualmente temos várias mudanças na maneira que utilizamos a navegação web.


Qual alternativa CORRETA analisando o HTTPS diante das conexões HTTP?

Alternativas
Q2768032 Noções de Informática

Assinale a alternativa que completam as lacunas.

“ A ameaça propaga-se através de um anexo de correio eletrônico ou através de outros computadores comprometidos na mesma _______ graças a um _________ ,com características de _______ que procura replicar-se por servidores Windows que estejam acessíveis através da porta 445. Após ganhar acesso a um sistema, procede à sua __________ e execução, tentando depois a ligação a um domínio na Internet ”

Alternativas
Q2768031 Noções de Informática

Considerando os serviços listados abaixo, quais não devem ser configurados em servidores conectados diretamente a internet e são preferencialmente utilizados por trás de um firewall?

“Protocolos: http smb Sendmail nfs ntp dns”

Alternativas
Q2768028 Noções de Informática

Considere o exemplo de regra de firewall Linux . “ iptables -t nat -A PREROUTING -i eth0 -p tcp --dport 80 -j DNAT --to 172.30.0.25:80“

Qual o protocolo de aplicação referente a regra acima?

Alternativas
Q2768024 Noções de Informática

Assinale abaixo a definição de pequenos utilitários de código que podem ser utilizados para explorar vulnerabilidades conhecidas programas específicos.

Alternativas
Q2768000 Noções de Informática

Considerando a ferramenta Microsoft Excel e a demanda descrita abaixo, considere a alternativa que possui a função CORRETA, para a seguinte ação de tratamento de dados:

Em uma determinada importação de dados para um grupo de células, o valor importado possui espaços duplos, deixando o espaçamento irregular entre os valores importados, inviabilizando o uso dos dados.

Alternativas
Q2767210 Direito Sanitário

De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira (2014), o custo pode ser um obstáculo para a adoção de uma alimentação saudável.


A esse respeito, é INCORRETO afirmar que


Alternativas
Q2767209 Direito Sanitário

Segundo a RDC nº 216 de 15 de setembro de 2004, o responsável pelas atividades de manipulação de alimentos deve ser

Alternativas
Q2767208 Nutrição

Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, o motivo pelo qual óleos, gorduras, sal e açúcar devem ser utilizados em pequenas quantidades em preparações culinárias é que

Alternativas
Q2767206 Nutrição

O menor consumo de alimentos de origem animal tem como consequência o(a)

Alternativas
Q2767205 Nutrição

O controle integrado de pragas (CIP) nos serviços de alimentação é indispensável na prevenção de surtos de doenças transmitidas por alimentos (DTA).


Em relação a esse controle, é correto afirmar que


Alternativas
Q2767203 Nutrição

A qualidade da água em serviços de alimentação é de grande importância para garantir a segurança dos alimentos, pois é utilizada não só na operação de limpeza e desinfecção, mas também no processamento. A classificação da dureza da água é feita de acordo com a quantidade de sais dissolvidos, medida em partes por milhão (ppm).


Em relação a essa classificação, a água é dita


Alternativas
Q2767202 Nutrição

Os ovos são formados por


- casca, cujo principal constituinte é o carbonato de cálcio;

- clara, cujas proteínas constituintes são ovalbumina, conoalbumina, ovomucoide, lisozima, ovomucina, avidina, ovoglobulina e outras;

- gema, que é a dispersão de fosfo e lipoproteínas em uma solução de proteínas globulares.


Os ovos podem ser utilizados em diferentes preparações e apresentam propriedades dietéticas especificas. As gemas têm a capacidade de misturar dois líquidos não miscíveis.


Essa característica da gema, utilizada para a obtenção de molhos como maionese, chama-se


Alternativas
Respostas
6881: C
6882: D
6883: D
6884: A
6885: A
6886: C
6887: A
6888: B
6889: C
6890: A
6891: A
6892: C
6893: B
6894: C
6895: D
6896: C
6897: B
6898: A
6899: C
6900: D