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l. O prolapso retal em vacas é uma emergência cirúrgica que resulta em perda significativa de fluidos corporais através da superfície mucosa edemaciada e necrótica do reto prolapsado. A hemoconcentração observada (hematócrito 48%, proteína plasmática total 8,2 g/dL) indica perda de fluidos corporais com retenção relativa de células sanguíneas e proteínas, resultando em choque hipovolêmico. A fluidoterapia deve ser iniciada imediatamente com cristaloides (solução de Ringer lactato) em bolus de 20-40 mL/kg IV durante 15-30 minutos, seguida de manutenção contínua, com objetivo de restaurar perfusão tecidual e normalizar parâmetros hemodinâmicos.
II. Em caso de choque hipovolêmico severo como o apresentado, o uso de coloides (albumina, dextrana, gelatina, plasma) é contraindicado em grandes animais, pois estes medicamentos aumentam significativamente a pressão oncótica intravascular, causando extravasamento de fluido para o interstício e piora do edema. Portanto a fluidoterapia deve ser baseada exclusivamente em cristaloides, evitando completamente o uso de qualquer coloide em vacas com choque hipovolêmico.
III. A monitorização hemodinâmica durante fluidoterapia em prolapso retal deve incluir avaliação contínua de frequência cardíaca, frequência respiratória, tempo de preenchimento capilar, coloração de mucosas, temperatura de extremidades e possível mensuração de pressão venosa central (PVC) através de cateter em veia jugular. A normalização destes parâmetros indica resposta apropriada à fluidoterapia. Porém, em grandes animais, a interpretação de PVC deve levar em conta que valores normais são diferentes de pequenos animais (referência em vacas: 5-15 cm H,O), e elevação de PVC pode indicar sobrecarga de volume ou falha cardíaca.
IV. A velocidade de infusão de cristaloides em vacas com choque hipovolêmico deve ser agressiva na fase inicial (bolus rápido), mas deve ser reduzida significativamente após restauração de perfusão tecidual básica, pois infusão contínua agressiva de cristaloides em grandes animais pode resultar em edema pulmonar, edema subcutâneo severo e possível falha cardíaca. Além disso, em casos de prolapso retal com edema severo, infusão excessiva de cristaloides pode piorar o edema do tecido prolapsado, dificultando a redução e aumentando risco de necrose tecidual.
V. A escolha entre cristaloides e coloides em vacas com choque hipovolêmico deve ser baseada exclusivamente no tipo de fluido disponível no momento, sem consideração de fatores clínicos como severidade do choque, tempo de evolução ou presença de edema. Portanto, se apenas houver cristaloides, deve-se usar cristaloides; se houver apenas coloides à disposição, deve-se usar coloides, independentemente de qualquer outra consideração clínica.
Assinale a alternativa com a sequência correta:
l. A uveíte em equinos é uma inflamação do trato uveal, que compreende a íris, o corpo ciliar e a coroide. A forma mais comum em equinos é a uveíte anterior, que se apresenta com sinais clássicos como fotofobia, lacrimejamento, blefaroespasmo, miose e edema de cérnea. A uveíte em equinos pode ser de origem infecciosa (leptospirose, toxoplasmose, tuberculose) ou não infecciosa (trauma, cirurgia oftalmológica prévia, síndrome do olho sensível), sendo a forma idiopática a mais frequente, representando aproximadamente 60-70% dos casos.
II. A redução da pressão intraocular em casos de uveíte anterior aguda ocorre devido à inflamação do corpo ciliar, que reduz a produção de humor aquoso. Este achado é típico de uveíte anterior e diferencia esta de outras condições oftalmológicas, como glaucoma primário, em que a pressão intraocular está elevada. A presença de hipópio (acúmulo de células inflamatórias na câmara anterior) é um sinal de inflamação severa e requer tratamento agressivo para evitar complicações como sinéquia posterior, catarata e perda de visão.
III. O tratamento da uveíte anterior em equinos deve incluir anti-inflamatórios tópicos potentes (como dexametasona ou betametasona), aplicados frequentemente (a cada 2-4 horas), associados a midriáticos (como atropina 1%) para manter a pupila dilatada e prevenir sinéquia. Além disso, anti-inflamatórios sistêmicos (AINEs como fenilbutazona 4 mg/kg a cada 12 horas) são essenciais para controlar a inflamação sistêmica. O uso de corticoides sistêmicos (como dexametasona 0,1 mg/kg a cada 12 horas) pode ser indicado em alguns casos de uveíte, pois estes medicamentos diminuem significativamente a inflamação intraocular.
IV. A uveíte recorrente equina (ERU), também conhecida como oftalmia periódica, é uma forma crônica de uveíte que afeta aproximadamente 5-15% dos equinos. Caracteriza-se por episódios recorrentes de inflamação intraocular, que podem levar à cegueira permanente se não tratados adequadamente. Fatores predisponentes incluem genética, raça (cavalos árabes têm incidência aumentada), possível etiologia infecciosa (leptospirose, Lyme) e possível autoimunidade. O tratamento inclui controle agressivo de cada episódio agudo e possível uso de medicações preventivas como ciclosporina tópica ou sistêmica.
V. A avaliação diagnóstica de uveíte em equinos deve incluir exame oftalmológico completo com lâmpada de fenda, tonometria e possível ultrassonografia ocular para avaliar estruturas posteriores. Testes laboratoriais como sorologia para leptospirose, toxoplasmose e tuberculose devem ser realizados rotineiramente em todos os casos de uveíte, pois identificam a causa em 100% dos casos. Além disso, radiografia de crânio deve ser realizada em todos os casos para descartar osteomielite ou sinusite que possam estar causando a uveíte.
Pode-se afirmar que:
l. A distocia em pequenos ruminantes é definida como a dificuldade ou impossibilidade de expulsão do feto durante o parto, podendo ser classificada em distocia materna (relacionada ao tamanho ou à conformação da pelve) ou distocia fetal (relacionada ao tamanho, à posição ou à conformação do feto). A posição transversa do feto, como a observada no caso apresentado, é uma causa comum de distocia fetal em ovelhas primíparas, representando aproximadamente 15-20% dos casos de distocia em pequenos ruminantes.
II. As manobras de mutação são procedimentos manuais realizados com objetivo de corrigir a posição do feto dentro do útero, permitindo sua extragdo por via vaginal. Em caso de posição transversa, como a descrita, a manobra apropriada seria a rotação do feto para posição longitudinal (dorso-sacral para dorso-vertebral), seguida de flexão dos membros anteriores e de posterior extração forçada. Estas manobras devem ser realizadas sob sedação e analgesia apropriadas, com lubrificação adequada do canal pélvico, e requerem experiência clínica significativa para evitar ruptura uterina ou lesão fetal.
III. A extração forçada em pequenos ruminantes deve ser realizada apenas após tentativas falhadas de mutação manual e com aplicação de tração moderada durante as contrações uterinas. Em fetos viáveis, a extração forçada pode resultar em lesão fetal severa (fraturas, hemorragia intracraniana) e lesão materna (ruptura uterina, hemorragia vaginal severa). Portanto a extração forçada deve ser evitada completamente em todos os casos de distocia, sendo a cesariana a única opção terapêutica apropriada para qualquer situação de distocia em pequenos ruminantes.
IV. A fetotomia é um procedimento cirúrgico que consiste na divisão do feto em segmentos para facilitar sua extração por via vaginal, em casos de distocia fetal em que a extração inteira é impossível. Indicações incluem feto morto, feto muito grande em relação à pelve materna ou quando cesariana não é viável (falta de recursos, morte materna iminente). A fetotomia requer conhecimento anatômico detalhado, instrumentação apropriada e experiência clínica, sendo considerada um procedimento de salvação em situações desesperadas.
V. A cesariana em pequenos ruminantes é realizada através de incisões na linha média ventral ou incisão no flanco, com exteriorização do útero gravídico. O procedimento deve ser realizado sob anestesia geral com intubação endotraqueal, com a preparação cirúrgica apropriada da área operatória. A cesariana oferece melhor prognóstico materno e fetal se comparada à fetotomia ou à extração forçada, especialmente em casos de distocia materna (pelve pequena) ou quando há viabilidade fetal. Porém a cesariana em pequenos ruminantes apresenta taxa de complicações pós-operatórias muito elevada (> 50%), incluindo infecção, deiscência de sutura e morte materna, tornando-a contraindicada em praticamente todos os casos de distocia.
Assinale a alternativa com a sequência correta:
l. A fase inflamatória da cicatrização inicia-se imediatamente após o trauma e é caracterizada pela hemostasia, infiltração de células inflamatórias (neutrófilos, macrófagos) e limpeza da ferida através de fagocitose. Esta fase é essencial para a reparação adequada e normalmente dura entre 3 a 5 dias, sendo recomendável que o veterinário preserve esta resposta fisiológica natural durante este período.
Il. A contaminação bacteriana em feridas traumáticas é um fator crítico que interfere significativamente na cicatrização. Feridas contaminadas com mais de 105 unidades formadoras de colônia (UFC) por grama de tecido apresentam risco aumentado de infecção clínica. O desbridamento cirúrgico precoce, realizado dentro de 6 a 8 horas após o trauma, associado a limpeza adequada e possível antibioticoterapia, reduz significativamente a carga bacteriana e favorece a cicatrização apropriada.
III. O tecido de granulação exuberante em equinos é uma complicação comum em feridas da região distal dos membros e é caracterizado pelo crescimento excessivo de tecido de granulação que ultrapassa o nível das bordas da ferida. Este crescimento excessivo está associado a fatores como movimento excessivo do membro, inflamação crônica, infecção persistente e possível deficiência de zinco. A prevenção inclui imobilização apropriada do membro, controle de infecção, manejo adequado da ferida e possível aplicação de corticosteroides tópicos ou agentes anti-inflamatórios.
IV. A fase de proliferação da cicatrização caracteriza-se pela síntese de colágeno, angiogênese e reepitelização, iniciando-se aproximadamente no terceiro dia após o trauma e durando várias semanas. Durante esta fase, o tecido de granulação é formado, e a resistência tensional da ferida aumenta progressivamente. Fatores como nutrição adequada (especialmente proteínas, vitaminas C e A e zinco), ausência de infecção e imobilização apropriada são fundamentais para o sucesso desta fase.
A aplicação de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) em feridas traumáticas é contraindicada em qualquer circunstância, pois estes medicamentos inibem completamente a resposta inflamatória necessária para a cicatrização. Portanto o uso de AINEs deve ser evitado totalmente em animais com feridas traumáticas, independentemente da severidade da inflamação ou dor apresentada pelo animal.
Assinale a alternativa com a sequência correta:
Durante atendimento em propriedade rural de bovinos de corte, o médico veterinário identifica três animais com lesões vesiculares na cavidade oral, salivação intensa, claudicação e febre. Considerando a legislação federal de defesa sanitária animal e as obrigações do profissional, é correto afirmar que o médico veterinário deve:
I. Na fase aguda/desenvolvimental, a crioterapia digital contínua (< 5 °C) por 48-72 horas reduz comprovadamente a incidência e a gravidade da falha lamelar.
II. O exercício controlado em piso macio é recomendado nessa fase para estimular a circulação digital e acelerar a recuperação.
Ill. O bloqueio perineural digital palmar deve ser realizado para aliviar a dor e permitir a deambulação precoce do animal.
IV. O suporte mecânico do casco, o uso de AINE e a restrição de movimento integram o manejo adequado da fase aguda.
V. O escore de Obel é utilizado para graduar a intensidade da dor e da claudicação na laminite.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo:
l. O ceftiofur cristalino livre, cefalosporina de 3.ª geração, possui espectro adequado aos principais patógenos uterinos puerperais e período de carência zero no leite, conforme registro no MAPA.
II. O cloranfenicol constitui alternativa aceitável neste caso, desde que respeitado o período de carência no leite.
Ill. A enrofloxacina apresenta restrição de uso em vacas em lactação e período de carência prolongado, não sendo a opção mais racional.
IV. A penicilina G procaína pode ser empregada sem qualquer necessidade de descarte do leite.
V. O sulfametoxazol-trimetoprim não exige período de carência no leite.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo:
l. O quadro clínico é compatível com hipocalcemia puerperal em estágio Il, com calcemia esperada entre 5,0 e 7,5 mg/dL.
II. A taquicardia com hipofonese de bulhas e a atonia gastrintestinal resultam da menor contratilidade das musculaturas cardíaca e lisa decorrente da hipocalcemia.
IIl. O tratamento de eleição é o borogluconato de cálcio 23% por via intravenosa lenta (10-20 minutos), sob aus- cultação cardíaca, pelo risco de arritmias fatais.
IV. A hipomagnesemia é o principal diagnóstico diferencial e cursa, caracteristicamente, com depressão profunda do sensório e flacidez muscular generalizada.
V. A administração intravenosa rápida de cálcio é segura nos bovinos e dispensa qualquer monitoração cardíaca.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo: